88: Seca, fogos e uma ferida no parque. Quando o calor é uma ameaça

SOCIEDADE/INCÊNDIOS

O violento incêndio que atingiu a Serra da Estrela vai deixar marcas profundas na biodiversidade do parque natural. Portugal prepara-se para enfrentar a terceira onda de calor deste verão.

Fogo na Serra da Estrela é o pior deste verão. Parque Natural foi fortemente atingido.
© Nuno André Ferreira/Lusa

Sábado, 13 de Agosto

Incêndio na Serra da Estrela: uma ferida que vai demorar a sarar

O fogo na Serra da Estrela, o maior deste verão (deflagrou a 6 de Agosto), chegou a ser dado como dominado no sábado, mas os fortes reacendimentos, em diferentes zonas, continuaram a dar muito trabalho aos bombeiros ao longo de toda a semana. E o pior é que o rasto de destruição que deixa demorará muito tempo a sarar.

A Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil recorreu ao exemplo de Hiroxima para melhor ilustrar a violência do incêndio no parque natural, uma área protegida, avançando que o fogo libertou mais de 760 terajoules de energia quando a bomba atómica lançada sobre a cidade japonesa em 1945 representou cerca de 30 terajoules. Além da imensa área ardida, o fogo teve um profundo impacto na biodiversidade da Serra: “Parte das áreas do Parque que são matos podem regenerar-se.

Mas não estamos a falar de 10, ou 100 hectares. Estamos a falar de milhares de hectares, de habitats dos quais dependem muitas espécies de animais”, frisou o engenheiro ambiental, Domingos Patacho, dirigente da Quercus, chamando ainda a atenção para a condição perigosa nas íngremes encostas do Vale do Zêzere, que agora sem árvores ficam mais sujeitas aos efeitos da erosão e a situações de arrastamento de terras e rocha quando chover. Este ano, até ontem, já arderam mais de 93 mil hectares em espaços rurais.

Quarta-feira, 17 de Agosto

Onda de calor agrava seca e combate a fogos

Alessandro Marraccini, meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), já o havia adiantado na véspera ao DN: “Neste momento, não temos recursos para dar boas notícias: parece que [o tempo] vai continuar péssimo para o combate aos incêndios e bom para a praia”.

Na quarta-feira, seria o próprio presidente do IPMA, Jorge Miguel Miranda, a confirmar a chegada, a partir de hoje, da terceira onda de calor deste verão, acrescentando ao problema do combate aos incêndios – e ao excesso de mortalidade provocada pelas altas temperaturas – o agravamento da situação de seca que Portugal já vive nesta altura.

“A situação na Europa ainda será talvez pior do que a media em Portugal, mas temos um sistema natural que está tremendamente fragilizado e temos ainda um mês e meio, pelo menos, pela frente para sermos capazes de ultrapassar”, afirmou, numa semana em que uma análise da organização World Wide Fund for Nature deu conta que 17% da população europeia está em grande risco de escassez de água até 2050.

São notícias preocupantes para o país que, ainda assim, conseguiu neste dia encontrar um bom motivo para sorrir com a conquista de mais uma medalha de ouro por Pedro Pichardo, no triplo salto, nos Europeus multi-desportos, em Munique.

Barragem do Beliche, em Castro Marim. Situação de seca no Algarve e Baixo Guadiana é das piores do país.
© Luís Forra/Lusa

pedro.sequeira@dn.pt

Diário de Notícias
Pedro Sequeira
20 Agosto 2022 — 00:28

81: Governo decreta estado de alerta e autoriza contratação de mais 500 bombeiros

INCÊNDIOS/ESTADO DE ALERTA

O ministro da Administração Interna anunciou um novo estado de alerta que começa domingo e prolonga-se até terça-feira. José Luís Carneiro garantiu ainda que serão ainda contratadas mais 100 equipas de bombeiros e antecipado pagamento de um milhão de euros às corporações.

O ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro (E), acompanhado pela secretária de Estado da Administração Interna, Patrícia Gaspar
© ANTÓNIO COTRIM/LUSA

A previsão de um agravamento do calor em Portugal Continental, levou o Governo a determinar novo período de “alerta”, que começa no domingo e será reavaliado na segunda-feira, o que implicará restrições do uso do fogo, máquinas agrícolas e até acesso à floresta neste período. Tudo para evitar novos incêndios como os que têm devastado a Serra da Estrela.

Após uma reunião com vários ministros, o titular da pasta da Administração Interna anuncia ainda que será permitido à Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC) contratar mais 100 equipas de bombeiros, o que representa mais 500 homens. José Luís Carneiro admitiu que “há desgaste de meios humanos, materiais e logísticos “.

O ministro da Administração Interna afirma ainda que será reforçado o patrulhamento das zonas florestais, com mais 25 patrulhas das Forças Armadas. “O combate ao incendiarismo é um prioridade”, frisou.

A antecipação do pagamento às corporações que têm estado envolvidas no dispositivo especial de combate aos fogos é outra das medidas aprovadas pelo Governo, na ordem de um milhão de euros. O que será feito pela ANEPC.

O ministro da Administração Interna falava aos jornalistas no final de uma reunião com a ministra da Defesa Nacional, Helena Carreiras, com a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, com a ministra da Saúde, Marta Temido, com o ministro do Ambiente e Acção Climática, Duarte Cordeiro, e com a ministra e da Agricultura e Alimentação, Maria do Céu Antunes.

José Luís Carneiro admitiu que estas medidas são tomadas por vários factores, entre os quais, um agravamento do calor em Portugal Continental, que poderá em certas regiões atingir temperaturas superiores a 40.ª, associado a ventos na ordem dos 40 a 60 KM/h; a manutenção de seca severa e a massa florestal acumulada.

Pelo balanço das autoridades, 64% dos incêndios ainda derivam do uso do fogo e de causas diversas, mas o “incendiarismo” duplicou e já representa 26% das causas.

Sobre o fundo de emergência às populações afectadas pelos fogos, sobretudo as da Serra da Estrela, o ministro reiterou que haverá uma reunião na segunda-feira com os autarcas para “serem tiradas ilações” e preparar esse apoio do Estado central.

Diário de Notícias
Paula Sá
19 Agosto 2022 — 13:54

Governo e IPMA alertam: “Vamos entrar na terceira onda de calor”

– Avisem o sr. bastonário da ordem dos médicos deste facto, por e-mail, fax ou carta registada com aviso de recepção, porque ele não deve ler as notícias e assim responde-se directamente à sua “preocupação” com o excesso de mortalidade em Portugal!

SAÚDE PÚBLICA/TEMPERATURAS EXCESSIVAS

O ministro da Administração Interna esteve reunido com o Instituto do Mar e da Atmosfera e do final do encontro saiu uma certeza: os próximos dias serão difíceis no que diz respeito aos incêndios.

Foto Global Imagens

A partir de dia 20, sábado, Portugal entra naquela que será a terceira onda de calor deste verão. O alerta foi feito pelo Governo e pelo Instituto do Mar e da Atmosfera no final de um encontro que aconteceu na manhã desta quarta-feira.

“”O perigo de incêndio rural em Portugal está ainda a meio da campanha, passámos uma onda de calor de grande intensidade e que chegou a temperaturas que quase rondaram os cinquenta graus, passámos uma segunda onda com menos intensidade, mas mesmo assim com grande impacto e vamos passar uma terceira onda de calor provavelmente dentro de dias“, realçou Jorge Miguel Miranda, presidente do IPMA, apontando para dia 20, o seu início.

Salientou ainda que o mês de Setembro será mais quente e mais seco que o habitual. “Temos mais um mês e meio pela frente para ultrapassar”, disse.

Jorge Miguel Miranda acrescentou que “as previsões não são positivas” em termos de precipitação e que provavelmente “Setembro será um pouco mais seco e um pouco mais quente” como têm sido os meses anteriores.

O alerta foi reforçado pelo ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, que realçou que a onda de calor se vai prolongar por Setembro, “que será 50 e 60% mais quente e 40 a 50% mais seco” do que em anos anteriores.

O ministro esclareceu que não se pode dizer que a próxima onda de calor será mais grave que as anteriores e que a mais crítica terá sido a do mês de Julho.

No entanto, defendeu que o prolongamento das ondas de calor é um factor de risco no que respeita aos incêndios e que o esforço de toda a comunidade é “absolutamente indispensável”.

© JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

No que diz respeito ao incêndio na serra da Estrela, José Luís Carneiro sublinhou que todos os meios disponíveis têm estado no terreno. “Ouvimos aqui uma informação muito importante da parte do IPMA: efectivamente, na serra da Estrela, estão reunidas todas as variáveis de maior complexidade”, disse o ministro, referindo-se “às temperaturas, à orografia e à complexidade dos ventos”.

Variáveis, continuou, que ajudam a explicar a “razão de ser de, por vezes, ser difícil de compreender como é que, permanentemente, há aqueles reacendimentos na serra da Estrela”. “Há factores técnicos que ajudam a explicar o que efectivamente se tem vindo a passar”, afirmou.

O governante disse ainda que as causas dos reacendimentos no incêndio da serra da Estrela estão a ser investigadas. Afirmou que as autoridades estão a desenvolver as investigações não só na serra da Estrela mas noutras regiões do país, sublinhando que tem “havido eficácia no combate ao fogo posto”.

Existem fogos que são praticamente não combatíveis“, afirmou Jorge Miguel Miranda, presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). “A Serra da Estrela não é uma zona qualquer do país, é a mais montanhosa e com as escarpas mais significativas, à excepção da Madeira”, facto que dificulta o combate, destacou.

“Cada incêndio é um incêndio. A ciência tenta sempre desenvolver meios para saber como vai ser combatido, mas tenhamos todos sentido das proporções. O nosso país é frágil perante o desenvolvimento de um incêndio rural”, acrescentou, referindo que os meios são finitos.

© JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Ou temos uma capacidade de solidariedade entre organizações, pessoas, aldeias, vilas que permita sermos capazes de passar este período que se avizinha ou vamos ter situações que poderão ser de maior complexidade do que as que tivemos até agora. Estamos a viver um momento muito complicado da história climática da Terra“, concluiu o presidente do IPMA.

Jorge Miguel Miranda disse ainda que, depois do que tem acontecido na Europa do Norte, em França, Espanha e em Portugal, é possível perceber que “a mudança climática é o factor determinante” e que aparece sob duas formas “que se pioram uma a outra”: seca prolongada – “estamos numa situação de seca histórica” – e fenómenos de onda de calor e de “onda de vento”.

“Isto leva a que as situações sejam tremendamente difíceis de controlar”, afirmou.

Diário de Notícias
DN
17 Agosto 2022 — 09:41

36: Há três razões para Portugal ser o país europeu que mais arde

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/INCÊNDIOS

Paulo Pimenta de Castro chama-lhe “um triângulo” difícil de limar. Portugal tem à cabeça três condições favoráveis à ocorrência do maior número de fogos e em consequência a ter mais área ardida: meteorologia, ocupação do território e comportamento das pessoas.

Cadastro dos terrenos é uma questão fundamental por resolver, segundo os especialistas.
© Paulo Cunha / Lusa

Os dados de todos os organismos indicam o mesmo: Portugal é o país que mais arde na União Europeia. “Fomos o que mais ardeu em 2016, em 2017 e em 2018 – neste ano parece estranho, porque houve aquele incêndio com muitas vítimas na Grécia, e houve aquele incêndio na Suécia que foi acabado à bomba, mas mesmo assim Portugal conseguiu, com o incêndio de Monchique, superar em área essas ocorrências”.

Paulo Pimenta de Castro, presidente da Acréscimo, professor, engenheiro silvicultor e autor de “Portugal em Chamas”, não se espanta com os dados: durante três anos seguidos fomos o país que mais ardeu na União Europeia. Ainda assim, acredita que “temos tido imensa sorte, nestes últimos anos, com o factor meteorológico”.

Não se cansa de lembrar que os incêndios dependem de três factores: meteorologia, ocupação do território e comportamentos. “Ora, ao nível dos comportamentos, o nosso palmarés é péssimo, sobretudo com o índice de queimas e queimadas na ocorrência de incêndios”. E por isso, não tem dúvida de que “temos um uso exagerado do fogo”.

No dia em que falamos com Pimenta de Castro, a serra da Estrela arde, mais uma vez. “E não tem eucaliptos”. O que deita por terra a teoria crua da monocultura, embora o factor da ocupação da floresta pese bastante. “Nós temos uma condição meteorológica que nos é benéfica, se quisermos dividir o país ao meio, na parte do litoral”, enfatiza. “Mas na parte da raia sofremos um pouco daquilo que está a sofrer Espanha.

“Neste país, grande parte da área ardida resulta de reacendimentos. E esta é uma fragilidade que temos no combate. Assim foi em 2018 em Monchique, e aparentemente foi o que aconteceu agora na Serra da Estrela. Não se justifica que passemos tantos dias a arder”, considera o engenheiro silvicultor, autor do livro “Portugal em Chamas”.

Nos últimos dias, quando analisamos o risco de incêndio, do serviço que vem da Comissão Europeia, “nós vemos que Portugal tem estado praticamente dividido ao meio”, sublinha o investigador, explicando que “temos risco elevado na zona litoral, mas risco máximo só na zona mais raiana”.

“Apesar de tudo, comparativamente com Espanha, temos tido aqui alguma sorte”, considera. “Mas quando temos dias mais quentes, como tivemos em Julho, o nosso comportamento é igual ou pior do que acontece em Espanha.

E por isso, tendo em conta o tal triângulo de factores de que falo, “beneficiamos” de termos apenas 60 mil hectares ardidos”, afirma o presidente da Acréscimo. “Se apanharmos novo golpe de calor, estes números disparam automaticamente”.

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Portugal foi o país com maior número de fogos em 2020, segundo o relatório de fogos florestais na Europa, Médio Oriente e Norte de África, elaborada pela Comissão Europeia, com uma área ardida de 67.170 hectares.

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Espanha secundou-nos em número de fogos em 2020, atingindo os 65.923 hectares de área ardida. Seguiu-se a França, com 7.373 incêndios, mas muito menos área ardida: 17.077 hectares.

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Macedónia do Norte registou o número mais baixo de fogos na União Europeia no ano de 2020. Desses incêndios resultaram apenas 68 hectares de área ardida.

A importância do cadastro dos terrenos

“Embora se tente fazer passar que a questão do cadastro é uma medida de política de ordenamento florestal, não é. É uma medida de política de ordenamento do território. E quando uma medida de ordenamento florestal, seja qual for, não sabe quem é o seu público-alvo, é óbvio que o risco de falhar é grande”, afirma o professor.

Recorda que no caso da agricultura “tivemos a Comissão Europeia, que nos obrigou a fazer o parcelário, porque queria saber a quem é que dava dinheiro. No caso das florestas, temos essa questão, de não se saber o que é de quem.

Mas considerar que pelo facto de se resolver o cadastro se resolve o problema dos incêndios…ou reduz o impacto dos mesmos em Portugal, também não é verdade. Porque isso depende depois de um outro conjunto de políticas. E se não houver expectativa por parte das famílias em obter algum ganho relativamente ao seu património, o que fazem é o que se vê: abandoná-lo”.

Também Helena Freitas aponta essa condicionante: “98% do território é privado, e nunca tivemos o cuidado de identificar solos e territórios que deveriam ser propriedade do Estado”.

A bióloga, catedrática na área da Biodiversidade e Ecologia no Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, lembra que em Portugal conseguimos fazer o cruzamento de vários pontos cruciais e preocupantes: “Somos, de facto, o país que mais arde, temos a maioria dos terrenos na mão dos privados; mantemos o problema da herança indivisa, e poucos países considerados desenvolvidos têm esta questão do cadastro por resolver”.

“Há um conjuntos de aspectos que permanecem por resolver, e que agora num quadro climático mais favorável aos fogos, quando o nosso território está mais abandonado, não havendo valorização do rural, coloca-nos numa espiral de destruição brutal que começa a ter impactos muito preocupantes”.

A actual directora do Parque de Serralves, no Porto, lembra que mesmo ao nível da recuperação da área verde estamos num plano complicado: “Quando arde a biomassa à superfície há também muita degradação dos solos, que perdem capacidade regenerativa. Começamos também a diminuir a própria produtividade dos nossos ecossistema”, considera a a antiga coordenadora da Unidade de Missão para a Valorização do Interior.

Mais mato, menos floresta

Outra singularidade portuguesa reside no aumento do mato – e na diminuição da mancha florestal. “Isto acontece porque estamos a perder qualidade na regeneração da floresta”, considera Helena Freitas, que ainda assim considera positivas algumas iniciativas que têm vindo a ser feitas.

“O problema é que são muito lentas. E o fogo muito rápido”. Aponta como exemplo a criação de uma estrutura criada para os fogos florestais – “com a preocupação de envolver as comunidades, o que foi muito positivo. Claro que foi uma resposta directa a Pedrogão, mas foi importante”.

De resto, foi ela a responsável pelo programa para a coesão territorial, e fala por isso com orgulho do BUPI (Balcão Único do Prédio). Ainda que seja esse também um exemplo da lentidão de que fala: “Foi iniciado em 2017, e a norte do Tejo nem 20% temos ainda feito”.

Olhando para o resto da Europa, estabelece termos de comparação. “Há países que também têm problemas embora não tão graves, como França ou Espanha, e que estão a introduzir medidas mais drásticas. Designadamente no que respeita à questão da propriedade abandonada, que transita para o Estado”.

Helena Freitas defende, em primeira instância, que se promova o ordenamento da floresta, o cadastro, e se torne mais robusta a estrutura de missão que tem esse encargo. Outra questão importante é envolver as populações. “Temos de reconectar comunidades com os territórios. Hoje quase que vivemos em guerra com o mundo rural.

Quem vive no meio urbano vai descansado de férias para a praia, e quem vive no mundo rural já sabe que tem a desgraça dos incêndios à porta. E isto é insustentável. Só temos essa saída, trabalhar o ordenamento da floresta. Os cenários climáticos graves que temos podem escalar rapidamente”.

Uma nova estrutura climática

No que respeita às alterações climáticas, a investigadora deixa um alerta: “Penso que o país também precisa de criar uma estrutura de avaliação da condição climática mais actuante, mais disponível até para o próprio Estado. Nós temos o IPMA, que tem um trabalho notável, mas é preciso que esse conhecimento técnico-científico seja mais actuante, e mais disponível”, defende.

Helena Freitas fala da criação “de um interface entre a comunidade científica, capaz de produzir esta informação, e as entidades que depois a colocam no terreno”, ao mesmo tempo que invoca a importância da literacia das comunidades, “que devem saber como reagir perante um fogo.

dnot@dn.pt

Diário de Notícias
Paula Sofia Luz
11 Agosto 2022 — 00:14