812: Covid-19. Aumento de incidência e internamentos mas impacto reduzido

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19

A covid-19 registou um aumento de incidência, com tendência estável crescente, e houve também um aumento de internamentos, mas mantém-se reduzido o impacto da doença nos serviços de saúde e na mortalidade geral.

Covid em Portugal
© Rui Manuel Fonseca/Global Imagens

Os dados fazem parte do último relatório da Direcção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) sobre a monitorização da situação epidemiológica da covid-19, divulgado este sábado.

De acordo com o documento, houve um aumento do número de internamentos em enfermaria no grupo etário entre os 40 e os 59 anos, e nas unidades de cuidados intensivos acima dos 80 anos, “ainda que abaixo do limiar crítico definido e do valor máximo da última fase epidémica”.

Apesar do aumento de internamentos, o impacto da covid-19 é reduzido, explicando o INSA que há a manutenção de uma mortalidade pelo vírus reduzida, “com tendência estável e correspondente a um valor cinco vezes inferior ao valor máximo observado na última fase epidémica”.

O INSA sublinha que a situação epidemiológica justifica a manutenção da vacinação de reforço, as medidas de protecção individual e “a comunicação frequente destas medidas à população”.

Os últimos dados indicam que a linhagem BA.5 da variante Omicron da covid-19 era dominante.

Segundo o documento, a 14 de Novembro a incidência cumulativa a sete dias foi de 63 casos por 100.000 habitantes, verificando-se um aumento dessa incidência em todas as regiões de saúde e em todos os grupos etários em relação à semana anterior, sendo esse aumento mais significativo nas regiões autónomas.

Quanto ao índice de transmissibilidade (Rt) do vírus que provoca a covid-19 foi de 1,03 a nível nacional, uma subida em relação aos 0,97 da semana anterior.

O relatório do INSA avança que o Rt, indicador que estima o número de casos secundários de infecção resultantes de cada pessoa portadora do vírus, no período entre 07 e 11 de Novembro, era igual ou superior a 01, “indicando uma tendência crescente de novos casos”. Comparando com o relatório anterior, o Rt subiu em todas as regiões de saúde menos no Algarve.

Em 14 de Novembro estavam internadas 570 pessoas com covid-19 (sem variação em relação à semana anterior) e na mesma data estavam 42 pessoas em Unidades de Cuidados Intensivos.

No mesmo dia, indica ainda o documento do INSA, a mortalidade por covid-19 era de 9,3 óbitos a 14 dias por milhão de habitantes, apresentando uma estabilização. Este valor é inferior ao limiar de 20 óbitos em 14 dias por milhão de habitantes, definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças.

Diário de Notícias
DN/Lusa
19 Novembro 2022 — 20:26



 

Reunião do Infarmed devia ter incluído “recomendações fortes” de protecção individual

– Como tem sido habitual neste Portugal dos Pequeninos…

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFARMED

Especialistas consideram que encontro entre políticos e peritos decorreu com “zero novidades”, embora nesta fase da pandemia fosse fundamental “recomendações fortes” para se minimizar a circulação do vírus. Do lado da saúde, só houve uma palavra para a prevenção: vacinação.

Ministro Manuel Pizarro esteve ontem no Infarmed para ouvir os peritos de instituições do Estado sobre a situação epidemiológica do país.

A pandemia ainda não terminou. E por muito que se queira incluir a infecção por SARS-CoV-2 no lote das doenças comuns, por infecção respiratória, ainda há muito para fazer, nomeadamente no que toca a “fortes recomendações para protecção individual”, senão mesmo algumas medidas obrigatórias, como o uso de máscara em situações muito específicas, bem como no que toca “a uma vigilância mais activa, para se ter noção real do que se está a passar no país”.

Mas não só. É preciso até “mais literacia da população sobre este tipo de doença”, precisamente “para se minimizar os riscos e as consequências”. Isto mesmo foi defendido ao DN por três especialistas que têm acompanhado a evolução da pandemia no nosso país, e daí que uma das críticas feitas à reunião que esta sexta-feira assinalou o regresso entre políticos e peritos ao Infarmed seja precisamente a de “não ter incluído fortes recomendações à população”.

Até porque todos os recados que têm vindo a ser dados pelas autoridades de saúde visam única e exclusivamente “a responsabilidade individual” e têm como palavras de ordem “vacinação, vacinação”.

O presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Saúde Pública (APMSP), Gustavo Tato Borges, considerou que a reunião foi “exactamente o que se esperava e o que o Sr. Ministro já tinha dito que iria ser.

Falou-se da evidência e recordou-se desafios, com zero de novidades ou com pouco impacto na vida das pessoas. Ou seja, com uma ausência total de recomendações e de implementação de medidas. E, neste sentido, a reunião foi o que se esperava, simpática e pouco mais”.

O médico infecciologista António Silva Graça disse ao DN ter estado a acompanhar a reunião e que “esperava mais”, questionando mesmo que, para ter decorrido desta forma, “se seria mesmo necessária”, pois “já tínhamos ouvido o Sr. Ministro dizer na véspera que não iriam ser tomadas medidas significativas relativamente à pandemia”.

Antes também já se tinha assumido “a pobreza dos números registados”, portanto, diz Silva Graça, “o que considerava importante era haver pelo menos uma recomendação muito forte sobre a utilização da máscara”.

O epidemiologista Manuel Carmo Gomes, que integra a equipa da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa que faz a modelação da evolução da doença desde o início da pandemia, e que desta vez não esteve no Infarmed, confessou não ter tido a oportunidade de acompanhar em directo, mas não deixa de referir que o importante, mesmo para esta fase, “era a obrigatoriedade do uso de máscara em situações muito específicas, nomeadamente nos transportes públicos, porque é uma medida que não tem impacto económico nem social nas nossas vidas”.

Querem tornar a covid-19 uma doença do dia-a-dia, mas é preciso mais literacia

Do lado da saúde pública, Gustavo Tato Borges comentou ao DN ter concordado com o ministro Manuel Pizarro no que defendeu sobre a vacinação, “tem de ser fomentada” e “as pessoas que forem chamadas devem ser vacinadas”, mas “nesta reunião faltou dizer que as pessoas devem manter os cuidados quando estão doentes e evitar ir trabalhar”, e, se forem, “deve haver a garantia de que usam máscara”.

Mais. “Esta deve ser usada em qualquer momento do nosso dia sempre que possa haver um risco acrescido de se ser infectado ou de se transmitir a infecção a outras pessoas.”

O médico reforça que outra das recomendações que deveriam ter sido feitas no encontro “era a da ventilação dos espaços interiores”. Nesta fase da pandemia, é preciso termos a garantia de que “há melhores espaços com ventilação interior”.

Gustavo Tato Borges sublinha: “O que me parece é que se pretende que a covid seja cada vez mais uma doença normal, como outras de infecção respiratória, e que integre aquilo que é a vigilância habitual destas, só que, se calhar, esta vigilância é que deveria ser aperfeiçoada, não só para a covid-19, mas para as outras infecções respiratórias”, lembrando ainda que “as mudanças de comportamento exigem o aumento da literacia sobre as doenças virais.

Só assim conseguiremos minimizar o risco futuro de tais doenças, e, nomeadamente, da covid-19 na nossa sociedade e na minimização do recurso aos serviços de saúde, como urgências, nas quais já se sente uma sobrecarga considerável”.

Neste momento nada mais há a fazer em relação à covid-19 que não seja “prevenção, protecção, comportamento individual e ventilação”, mas se isto não for dito sobejamente à população o vírus continuará a circular de forma elevada.

Por isso, alerta, a partir do momento “que se comece a notar que a doença está a ter maior impacto nos internamentos e óbitos é necessário o regresso da máscara obrigatória e de uma ou outra medida mais dramática”.

Manuel Pizarro com a secretária de Estado para a Promoção da Saúde, Margarida Tavares, e a directora-geral da Saúde, Graça Freitas.
© Miguel Lopes/Lusa

O infecciologista António Silva Graça avança também: “Parece-me pouco esperar-se que as pessoas utilizem a máscara quando estão com sintomas e infectadas, só porque é uma questão cívica e de respeito pelos outros.

É preciso que esta medida seja fortemente recomendada pelas autoridades de saúde, dizendo mesmo que, “embora não seja uma fase crítica, a pandemia não acabou e existem mais casos do que aqueles que se admite existirem”.

Para o médico a vigilância está a ser feita de uma forma com a qual não concorda e, se o país quer “evitar um agravamento da situação, dever-se-ia, pelo menos, reverter o que foi feito relativamente à testagem – permitindo que as pessoas pudessem voltar a aceder mais facilmente aos testes para confirmarem a infecção – e à protecção ao isolamento dos infectados”, porque senão “vamos ter reflexos maiores no trabalho e nas escolas”.

O epidemiologista Manuel Carmo Gomes considerou que “a situação ainda não é muito preocupante, mas que vamos ter de esperar para ver, porque há duas grandes incógnitas às quais ainda não se consegue responder: uma é o verdadeiro impacto das sub-variantes e outra a protecção que dão as vacinas adaptadas a estas sub-variantes”.

Do lado da Saúde, a prevenção remete-se à vacinação, vacinação

Durante quase uma hora os peritos de instituições do Estado, Henrique de Barros, presidente do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, João Paulo Gomes, director do Departamento Bioinformático do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), e Carlos Alves, infecciologista do Infarmed, autoridade da saúde e do medicamento, resumiram a situação epidemiológica do país, usando a vacinação como palavra de ordem para a prevenção.

Henrique de Barros defendeu que “a pandemia actual é aquilo a que os economistas chamam um exemplo de incerteza radical, ou seja, é demasiado complexa para ser capturada por modelos simples”, lembrando, no entanto, que “as vacinas são indispensáveis”, mas “podem não ser suficientes”.

No entanto, o médico ressalvou que estas preveniram “mais de um milhão de infecções, mais de dois milhões de dias de internamento e 130 mil em cuidados intensivos, bem como 12 mil mortos”.

E é neste sentido que defende a vacinação como “uma estratégia de imunização”, considerando até que se há “vacinas disponíveis, como nós temos, nada justifica que as pessoas não possam vacinar-se qualquer que seja a sua idade”.

Mas o médico reforçou que esta pode não ser suficiente, sendo necessário manter de forma responsável um “conjunto de medidas” da parte da população, como: quem está doente deve ficar em casa ou não continuar a “funcionar socialmente”.

O técnico do INSA, João Paulo Gomes, começou a sua declaração por fazer o ponto de situação sobre as variantes, linhagens e sub-linhagens que caracterizam o panorama epidemiológico a nível nacional e internacional, referindo que “a variante Delta foi a mais severa e esteve em Portugal cerca de 7 meses, até que “importámos da África do Sul a famosa Ómicron”.

Referiu ainda que a taxa de vacinação “excelente” que temos aumentou a imunidade, permitindo que se passasse a falar apenas das sub-linhagens desta – BA.1, BA.2 e BA.5 e agora BQ.1.1, estando esta última “a crescer”, “cerca de 30% dos casos devem-se já a esta sub linhagem, a mais transmissível actualmente”.

Todavia, “não há evidências de que estas sub-linhagens sejam mais severas”. João Paulo Gomes destacou, no entanto, que “as vacinas têm-se mostrado “muito eficazes”, mas “menos contra estas linhagens emergentes”.

Na área do medicamento, Carlos Alves reforçou que no combate à pandemia “as medidas não farmacológicas são importantes”, mas que as farmacológicas “fizeram a grande diferença”, tendo sido as vacinas “a terem mais impacto na evolução da pandemia” e que “estar vacinado faz a diferença. É importante fazer reforços”.

O coronel Penha Gonçalves, que coordena agora o processo de vacinação, lembrou que 94,7% da população residente em Portugal iniciou o processo de vacinação e que 74% dos elegíveis já recebeu a segunda dose de reforço, que está a ser dada desde Setembro.

O médico militar anunciou ainda haver um aumento de 10% na capacidade vacinal para permitir administrar a dose de reforço às pessoas acima dos 50 anos antes do final do ano, mas assumiu que ainda há cerca de 600 mil pessoas que ainda não se vacinaram.

A seguir a esta reunião do Infarmed, e como dizem alguns especialistas, resta esperar para ver, até porque o que está definido em termos de directrizes de acção para as unidades de saúde está desactualizado, já que vem tudo do período em que estávamos sob o estado de alerta.

No ano passado, nesta altura, já havia plano de outono-inverno, agora, sobre este nada se sabe, tal como nada se sabe sobre o sistema de vigilância para a covid-19, em simultâneo com a gripe, através dos médicos de sentinela, um projecto que foi anunciado ainda no início do verão.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
11 Novembro 2022 — 22:53



 

671: Portugal com 5.291 casos e 44 mortes por covid-19 entre 1 e 7 de Novembro

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTOS

Registaram-se menos 602 casos de infecção em relação à semana anterior, verificando-se ainda menos 12 mortes na comparação entre os dois períodos.

Portugal registou, entre 1 e 7 de Novembro, 5.291 infecções pelo coronavírus ​​​​​​​SARS-CoV-2, 44 mortes associadas à covid-19 e um novo aumento dos internamentos, indicou esta sexta-feira a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Segundo o boletim epidemiológico semanal da DGS, em relação à semana anterior, registaram-se menos 602 casos de infecção, verificando-se ainda menos 12 mortes na comparação entre os dois períodos.

Quanto à ocupação hospitalar em Portugal continental por covid-19, a DGS passou a divulgar às sextas-feiras os dados dos internamentos referentes à segunda-feira anterior à publicação do relatório.

Com base nesse critério, o boletim indica que, na última segunda-feira, estavam internadas 571 pessoas, mais 46 do que no mesmo dia da semana anterior, com 34 doentes em unidades de cuidados intensivos, o mesmo número do que na semana anterior.

De acordo com o boletim da DGS, a incidência a sete dias estava, na segunda-feira, nos 51 casos por 100 mil habitantes, tendo registado uma redução de 11% em relação à semana anterior, e o índice de transmissibilidade (Rt) do coronavírus aumentou para 0,97.

Por regiões, Lisboa e Vale do Tejo registou 2.170 casos entre 01 e 07 de Novembro, menos 125 do que no período anterior, e 16 óbitos, menos quatro.

A região Centro contabilizou 776 casos (menos 38) e nove mortes (menos quatro) e o Norte totalizou 1.233 casos de infecção (menos 205) e 15 mortes (mais uma).

No Alentejo foram registados 244 casos positivos (menos 48) e um óbito (menos cinco) e no Algarve verificaram-se 223 infecções pelo SARS-CoV-2 (mais três) e três mortes (mais duas).

Quanto às regiões autónomas, os Açores tiveram 189 novos contágios nos últimos sete dias (menos 60) e nenhuma morte, enquanto a Madeira registou 456 casos nesse período (menos 129), também sem qualquer óbito, de acordo com os dados da DGS.

Segundo o relatório, a faixa etária entre os 60 e os 69 anos foi a que apresentou maior número de casos a sete dias (944), seguindo-se a das pessoas entre os 70 e os 79 anos (826), enquanto as crianças até aos 9 anos foram o grupo com menos infecções nesta semana (147).

Dos internamentos totais, 229 foram de idosos com mais de 80 anos, seguindo-se a faixa etária dos 70 aos 79 anos (140) e dos 60 aos 69 anos (80).

A DGS contabilizou ainda 11 internamentos no grupo etário das crianças até aos 9 anos, um dos 10 aos 19 anos, 10 dos 20 aos 29 anos, 24 dos 30 aos 39 anos, 21 dos 40 aos 49 anos e 37 dos 50 aos 59 anos.

O boletim refere também que, nestes sete dias, morreram 33 idosos com mais de 80 anos, seis pessoas entre os 70 e 79 anos, quatro entre os 60 e 69 anos e uma entre 40 e 49 anos.

Os dados indicam ainda que 69% dos idosos com mais de 80 anos já receberam a vacina de reforço sazonal contra a covid-19, percentagem que baixa para os 57% no grupo entre os 65 e 79 anos.

Quanto à vacina da gripe, a DGS refere que já foi administrada a 72% dos idosos com mais de 80 anos e a 56% das pessoas do grupo etário entre os 65 e 79 anos.

Diário de Notícias
DN/Lusa
11 Novembro 2022 — 22:08



 

“Não há razão para alarme, mas autoridades têm de acautelar planos de contingência”

– Com o aumento de infecções de Covid-19 não há razão para alarme? Quando se deixou de usar máscara nos transportes públicos, nos supermercados, na rua, nas ramboiadas, etc.? Líricos…!

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19

Portugal tem menos infecções por SARS-CoV-2, mas só porque as regras mudaram e há menos testagem. De qualquer forma, o professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Carlos Antunes, chama a atenção para o facto de a situação no nosso país ser diferente da de outros países: a cobertura vacinal é superior e isso dá mais alguma protecção.

– Portugal com 5.920 casos e 53 mortes por covid-19 entre 25 e 31 de Outubro.

Vacinação com dose de reforço~já foi dada a mais de 50% da população elegível, na faixa dos mais de 80 anos já há 66% vacinada.

Portugal já atingiu os 5,72 milhões de infecções por SARS-CoV-2 desde o início da pandemia. Neste momento, e com os dados actualizados ao dia 2 de Novembro pela plataforma Our World in Data, a incidência registada indicava 157,27 casos por milhão de habitante.

Embora, e como destaca ao DN o professor Carlos Antunes, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que integra a equipa que faz a modelação da evolução da doença, tal incidência não seja representativa da realidade. Carlos Antunes explica ainda que o estarmos a registar menos casos “não significa que haja menos circulação do vírus.

Pelo contrário, esta continua elevada. O que significa é que as regras mudaram e por isso não temos um espelho da realidade, que é bem diferente da que está a ser reportada”.

Mas não somos o único país em que tal está a acontecer dentro do quadro europeu. No Reino Unido, Espanha, Holanda, Suécia, Dinamarca e até mesmo nos países Bálticos deixou de haver uma vigilância da doença pelo indicador mais directo, o da incidência. Tudo porque os Estados decidiram abandonar a estratégia de testagem massiva.

Por isso mesmo, e se olharmos para os dados da mesma plataforma internacional, veremos que o Reino Unido regista 90,92 casos por milhão de habitante, a Espanha 76,24, a Noruega 22,53, a Suécia 44,57 e a Dinamarca 129,52.

A excepção são países como a Itália, que tem 504,52 casos por milhão de habitante, a Alemanha, com 436,41, e França, com 297,11, mas estes “mantiveram a estratégia de testagem e até impuseram medidas restritivas para fazer face a uma nova onda vivida entre Setembro e Outubro, que já está controlada nesta altura”.

A nível mundial, a região com maior número de casos por milhão de habitante está na China, Taiwan, com 1.340,72 casos, seguem-se depois países como a Nova Zelândia, com 1.013,86 casos por milhão de habitante, e a Coreia do Sul, com 788,98. O Japão tem 374,73, a Austrália 189,46 e os EUA 106,89.

Em relação a Portugal, o professor assume que mantém a análise dos dados fornecidos pela Direcção-Geral da Saúde, embora admita que estes “tenham deixado de ser representativos, porque a vigilância é feita agora através dos internamentos, não tanto pelo que acontece nas enfermarias, mas mais nos cuidados intensivos, e dos óbitos”, salienta.

Ou seja, “não é feita a partir de indicadores directos, mas de indicadores secundários”. E, por isso mesmo, Carlos Antunes alerta para o facto de Portugal manter nas últimas semanas uma mortalidade que considera “robusta”.

“Tivemos um mínimo de um a seis óbitos por dia, mas agora a média é de nove por dia e de nove por milhão de habitante, o que considero ser um indicador muito robusto, porque os critérios de classificação por covid-19 se mantêm e isto dá-nos uma ideia de transmissibilidade nas faixas etárias mais idosas, que são as que acabam por falecer. Se este indicador revela um aumento, significa que a incidência também aumentou, pelo menos em Outubro.”

Portugal teve onda ligeira de casos em Outubro

Aliás, de acordo com a análise da equipa da Faculdade de Ciências, “em Setembro verificou-se um aumento abrupto de incidência nas faixas etárias mais jovens, o que significa que mais tarde iria atingir outras faixas, mas em Outubro houve um corte abrupto também na incidência, quase de um dia para o outro passámos para um terço dos casos, fruto das novas regras”.

Mas a consequência do aumento da incidência em Setembro fez-se no mês seguinte, através de “um aumento de internamentos nos cuidados intensivos e da mortalidade, que ainda se continua a verificar”.

Carlos Antunes refere que desta forma pode dizer-se que “o país já voltou a viver uma nova onda, não na dimensão que registaram países como França, Alemanha e Áustria, mas uma onda ligeira”.

Agora atravessa a fase em que a BA.5 está a deixar de ser preponderante para se passar à dominância da BQ.1.1, podendo “atingir os 50% no final do mês”.

Em relação ao que é expectável, o professor revela que “não há razão para alarme ou para preocupação, mas é preciso que as autoridade acautelem planos de contingência e reforço do sistema de saúde caso seja necessário, com recomendações ou até medidas de confinamento ligeiro.”

Embora sublinhe que Portugal tem “uma situação ligeiramente diferente da de outros países europeus, devido à sua elevada cobertura vacinal, o que também nos dá maior protecção contra a doença grave e morte”.

E exemplifica: “Basta olhar para a taxa de ocupação dos cuidados intensivos, que nesta altura está em cerca de 13% em relação à média definida para as 255 camas.

É claro que esta varia também de região para região, sabendo nós que o Norte está com uma ocupação de 17%, o Centro de 20%, Lisboa e Vale do Tejo com 11%, o Alentejo com 0% e o Algarve com 9%.” No mesmo país, “diferentes realidades, mas deste ponto de vista pode dizer-se que temos uma situação controlada e que não há pressão da covid-19 sobre o SNS”.

Quanto ao futuro, o analista vinca que estamos a entrar no inverno e “numa situação de nevoeiro cerrado, porque a dificuldade de projectar o que aí vem é ainda mais difícil sem vigilância da incidência.

Agora o que é possível perceber é que o vírus continua a modificar-se de uma forma rápida, mas que, e progressivamente no tempo, a humanidade também vai reforçando o seu sistema imunitário”.

E isto faz-nos poder “acreditar que a possibilidade de surgir uma nova variante com um nível patogénico bastante mais agressivo não se confirme”.

Retrato da situação

Infecções
O último Boletim da Direcção-Geral da Saúde, publicado nesta sexta-feira, dia 4, à noite, indica que entre os dias 25 e 30 de Outubro Portugal registou 5920 infecções por SARS-CoV-2, menos 1736 do que na semana anterior, com dias, como 31 de Outubro, a registarem apenas 325 – uma dos números mais baixos dos últimos meses. De acordo com o Boletim, o país está assim com uma média de 57 infecções diárias por 100 mil habitantes e com um R(t) – índice de transmissibilidade – bem abaixo de 1, precisamente 0,87.

Internamentos
Num dos indicadores que agora sustenta a monitorização da doença – os internamentos -, a situação parece estar controlada. Neste mesmo período foram contabilizados 525 internamentos, mais 37 do que na semana anterior, mas apenas 34 em Unidades de Cuidados Intensivos, menos um do que na semana anterior. Relativamente a óbitos, foram registados 53, mais seis do que na semana anterior.

Vacinação
O Boletim indica também que 66% da população com mais de 80 anos e elegível para a quarta dose, segundo reforço, já foi vacinada. Na faixa etária entre os 65 e os 79 anos esta percentagem é de 51%.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
06 Novembro 2022 — 00:05



 

590: Portugal com 5.920 casos e 53 mortes por covid-19 entre 25 e 31 de Outubro

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTOS

Registaram-se menos 1.736 casos de infecção e mais seis mortes em relação à semana anterior.

DN/Lusa
04 Novembro 2022 — 19:25

Portugal registou, entre 25 e 31 de Outubro, 5.920 infecções pelo coronavírus SARS-CoV-2, 53 mortes associadas à covid-19 e um novo aumento dos internamentos, indicou esta sexta-feira a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Segundo o boletim epidemiológico semanal da DGS, em relação à semana anterior, registaram-se menos 1736 casos de infecção, verificando-se ainda mais seis mortes na comparação entre os dois períodos.

Quanto à ocupação hospitalar em Portugal continental por covid-19, a DGS passou a divulgar às sextas-feiras os dados dos internamentos referentes à segunda-feira anterior à publicação do relatório.

Com base nesse critério, o boletim indica que, na última segunda-feira, estavam internadas 525 pessoas, mais 47 do que no mesmo dia da semana anterior, com 34 doentes em unidades de cuidados intensivos, menos um.

De acordo com o boletim da DGS, a incidência a sete dias estava, na segunda-feira, nos 57 casos por 100 mil habitantes, tendo registado uma redução de 23% em relação à semana anterior, e o índice de transmissibilidade (Rt) do coronavírus baixou para 0,87.

Por regiões, Lisboa e Vale do Tejo registou 2.300 casos entre 25 e 31 de Outubro, menos 210 do que no período anterior, e 19 óbitos, menos quatro.

A região Centro contabilizou 823 casos (menos 1.261) e 13 mortes (mais seis) e o Norte totalizou 1.440 casos de infecção (menos 207) e 12 mortes (menos três).

No Alentejo foram registados 292 casos positivos (mais 25) e seis óbitos (mais cinco) e no Algarve verificaram-se 220 infecções pelo SARS-CoV-2 (menos 85) e uma morte (mais uma).

Quanto às regiões autónomas, os Açores tiveram 247 novos contágios nos últimos sete dias (menos dois) e nenhuma morte, enquanto a Madeira registou 598 casos nesse período (mais quatro) e dois óbitos (mais um), de acordo com os dados da DGS.

Segundo o relatório, a faixa etária entre os 60 e os 69 anos foi a que apresentou maior número de casos a sete dias (1.151), seguindo-se a das pessoas entre os 70 e os 79 anos (912), enquanto os jovens dos 10 aos 19 anos foram o grupo com menos infecções nesta semana (188).

Dos internamentos totais, 206 foram de idosos com mais de 80 anos, seguindo-se a faixa etária dos 70 aos 79 anos (131) e dos 60 aos 69 anos (82).

A DGS contabilizou ainda oito internamentos no grupo etário das crianças até aos 9 anos, seis dos 10 aos 19 anos, 12 dos 20 aos 29 anos, 14 dos 30 aos 39 anos, 14 dos 40 aos 49 anos e 34 dos 50 aos 59 anos.

O boletim refere também que, nestes sete dias, morreram 40 idosos com mais de 80 anos, sete pessoas entre os 70 e 79 anos, três entre os 60 e 69 anos e outras três entre 50 e 59 anos.

Os dados indicam ainda que 66% dos idosos com mais de 80 anos já recebeu a vacina de reforço sazonal contra a covid-19, percentagem que baixa para os 51% no grupo entre os 65 e 79 anos.

Quanto à vacina da gripe, a DGS refere que já foi administrada a 70% dos idosos com mais de 80 anos e a 50% das pessoas do grupo etário entre os 65 e 79 anos.

Diário de Notícias
DN/Lusa
04 Novembro 2022 — 19:25



 

587: Portugal pode estar com mais de 2 mil casos diários de covid-19, muito acima dos 735 oficiais

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES

Para o epidemiologista Manuel Carmo Gomes, desde que a linha SNS 24 deixou de prescrever testes de despiste da covid-19, na sequência do fim da situação de alerta em Portugal a 1 de Outubro, os dados de incidência no país “estão longe de representar a realidade”.

O epidemiologista Manuel Carmo Gomes
© D.R.

Os últimos dados oficiais indicam que Portugal regista uma média de 735 infecções diárias pelo coronavírus SARS-CoV-2, mas o epidemiologista Manuel Carmo Gomes alerta que o número real de casos pode ser cerca de três vezes superior.

“No que respeita ao número de novos casos, devemos estar acima de 2.000 por dia, no mínimo”, disse à Lusa o professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O último relatório do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), divulgado na quinta-feira, estima que o número médio de casos a cinco dias está nas 735 infecções diárias a nível nacional, baixando para as 619 no continente.

Para Manuel Carmo Gomes, desde que a linha SNS 24 deixou de prescrever testes de despiste da covid-19, na sequência do fim da situação de alerta em Portugal em 1 de Outubro, os dados de incidência no país “estão longe de representar a realidade”.

“Presentemente apenas conhecemos resultados de testes realizados em meio hospitalar e de pessoas que se deram ao trabalho de obter receita médica para se testar”, alertou o especialista, para quem essa redução dos despistes das infecções está a comprometer a monitorização atempada da pandemia em Portugal.

Perante as alterações na testagem, o “guia” sobre a situação da covid-19 no país passou a ser os números de hospitalizados e de mortes, indicadores que “chegam a ter semanas de atraso em relação ao número de casos”, explicou o epidemiologista.

Além disso, o desconhecimento de “quantos casos ocorrem de uma doença diminui a percepção do risco” entre a população, sublinhou ainda Carmo Gomes.

“Uma doença infecciosa que se propaga silenciosamente tira partido da ausência de medidas que poderiam retardar o seu avanço e, quando finalmente nos apercebemos que a carga de doença na população é já elevada, torna-se mais difícil reverter a sua propagação”, salientou ainda o professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O epidemiologista admite que o número de infecções possa estar ainda a subir em Portugal, tendo em conta que se verifica uma “leve tendência crescente” de pessoas hospitalizadas devido à covid-19.

“Durante Setembro e parte de Outubro tivemos menos de 400 camas ocupadas em enfermaria covid-19. Agora estamos com quase 500 camas”, alertou Manuel Carmo Gomes, ao adiantar que as mortes se mantiveram “muito tempo em cinco e seis por dia, mas nos últimos dias a média subiu para 7,6 óbitos”.

“Esperemos que esta tendência não se confirme, mas temos de aguardar mais uns dias para saber”, disse.

Um dos factores de incerteza sobre a evolução da covid-19 tem a ver com o facto de, nos últimos meses, a variante Ómicron se ter desdobrado em numerosas sub-variantes, que “têm em comum possuir mutações que lhes permitem fugir aos nossos anticorpos”, disse o especialista.

“Para já não existe evidência (prova) de que sejam mais patogénicas do que as primeiras Ómicron (BA.1, BA.2 e BA.5), mas ainda sabemos muito pouco sobre o seu significado clínico”, salientou Carmo Gomes.

O especialista adiantou que as próximas semanas serão decisivas para perceber se a circulação destas novas sub-variantes, combinadas com a chegada do tempo frio a Portugal, vai contribuir para uma eventual subida dos casos e de hospitalizações.

França foi o primeiro país europeu onde a “BQ.1 ultrapassou a fasquia dos 50% entre os casos e, para já, não existe evidência de maior patogenicidade”, sublinhou o epidemiologista.

“Sem dúvida que todos os que se preocupam com a dinâmica da covid e a saúde pública, gostariam de voltar a ter notificações que sejam mais representativas do verdadeiro número de casos”, afirmou Manuel Carmo Gomes.

Com a decisão do Governo de não renovar a situação de alerta, cessou a vigência de diversas leis, decretos-leis e resoluções aprovadas no âmbito da pandemia, alterações que influenciaram a “vigilância de base populacional e consequente interpretação dos indicadores” da covid-19, reconheceram recentemente a Direcção-Geral da Saúde e o INSA.

Na prática, além do isolamento deixar de ser obrigatório, os testes à covid-19 deixaram de ser prescritos através do SNS24 e passaram a ser comparticipados mediante prescrição médica, à semelhança de outras análises e meios complementares de diagnóstico.

Na quinta-feira, o ministro da Saúde, Manuel Pizarro, anunciou que vai decorrer no próximo dia 11 uma reunião de peritos para fazer um ponto de situação da covid-19 em Portugal.

Diário de Notícias
DN/Lusa
04 Novembro 2022 — 12:50



 

512: Portugal com 7.753 casos e 47 mortes por covid-19 entre 18 e 24 de Outubro

– Cada cidadão tem o pleno direito de comportar-se como bem entender. O que não tem o direito é a de colocar em perigo a saúde – e a vida – dos outros cidadãos entrando numa décalage de falta de civismo e de cidadania!

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTOS

Há mais 489 casos de infecção e regista-se um ligeiro aumento dos internamentos em relação à semana anterior.

Portugal registou, entre 18 e 24 de Outubro, 7.753 infecções pelo coronavírus SARS-CoV-2, 47 mortes associadas à covid-19 e um ligeiro aumento dos internamentos, indicou esta sexta-feira a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Segundo o boletim epidemiológico semanal da DGS, em relação à semana anterior, registaram-se mais 489 casos de infecção, verificando-se o mesmo número de mortes nos dois períodos.

Quanto à ocupação hospitalar em Portugal continental por covid-19, a DGS passou a divulgar às sextas-feiras os dados dos internamentos referentes à segunda-feira anterior à publicação do relatório.

Com base nesse critério, o boletim indica que, na última segunda-feira, estavam internadas 478 pessoas, mais 13 do que no mesmo dia da semana anterior, com 35 doentes em unidades de cuidados intensivos, mais três.

De acordo com o boletim da DGS, a incidência a sete dias estava, na segunda-feira, nos 75 casos por 100 mil habitantes, tendo registado um aumento de 6% em relação à semana anterior, e o índice de transmissibilidade (Rt) do coronavírus atingiu o limiar de 1,00.

Por regiões, Lisboa e Vale do Tejo registou 2.567 casos entre 18 e 24 de Outubro, menos 47 do que no período anterior, e 23 óbitos, mais dois.

A região Centro contabilizou 2.088 casos (mais 1.045) e sete mortes (menos duas) e o Norte totalizou 1.649 casos de infecção (menos 208) e 15 mortes (mais uma).

No Alentejo foram registados 267 casos positivos (menos 30) e um óbito (mais um) e no Algarve verificaram-se 345 infecções pelo SARS-CoV-2 (mais 33), não tendo sido registada qualquer morte.

Quanto às regiões autónomas, os Açores tiveram 250 novos contágios nos últimos sete dias (menos 93) e nenhuma morte (menos duas), enquanto a Madeira registou 587 casos nesse período (menos 211) e um óbito (mais um), de acordo com os dados da DGS.

Segundo o relatório, a faixa etária entre os 60 e os 69 anos foi a que apresentou maior número de casos a sete dias (1.416), seguindo-se a das pessoas entre os 70 e os 79 anos (1.293), enquanto as crianças até aos 9 anos foram o grupo com menos infecções nesta semana (220).

Dos internamentos totais, 185 foram de idosos com mais de 80 anos, seguindo-se a faixa etária dos 70 aos 79 anos (135) e dos 60 aos 69 anos (72).

A DGS contabilizou ainda seis internamentos no grupo etário das crianças até aos 9 anos, três dos 10 aos 19 anos, sete dos 20 aos 29 anos, 11 dos 30 aos 39 anos, 18 dos 40 aos 49 anos e 30 dos 50 aos 59 anos.

O boletim refere também que, nestes sete dias, morreram 29 idosos com mais de 80 anos, 11 pessoas entre os 70 e 79 anos, quatro entre os 60 e 69 anos, duas entre 50 e 59 anos e uma entre os 40 e 49 anos.

Os dados indicam ainda que 63% dos idosos com mais de 80 anos já recebeu a vacina de reforço sazonal contra a covid-19, percentagem que baixa para os 41% no grupo entre os 65 e 79 anos.

Quanto à vacina da gripe, a DGS refere que já foi administrada a 67% dos idosos com mais de 80 anos e a 41% das pessoas do grupo etário entre os 65 e 79 anos.

Diário de Notícias
DN/Lusa
28 Outubro 2022 — 16:45



 

478: Portugal está numa situação estável, mas pode mudar. Tudo vai depender das novas sub-variantes

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/SUB-VARIANTES

Os alertas e o impacto que as novas sub-variantes podem ter no aumento de casos não cessam. Desta vez, chegaram da parte da OMS/Europa, que diz: “Não podemos ser complacentes”. Em Portugal, internamentos e óbitos estão controlados, mas “é preciso manter a vigilância”, diz o professor da Faculdade de Ciências de Lisboa Carlos Antunes.

Portugal está a fazer o reforço vacinal dos maiores de 60 anos nesta época.

Na última semana, a Europa registou 1,4 milhões de infecções por covid-19 e 3.250 mortes. Os números foram anunciados ontem por Richard Pebody, chefe da Equipa de Alta Ameaça Patogénica da OMS/ Europa à Agência Lusa , que diz mesmo: “Não podemos dar-nos ao luxo de ser complacentes neste momento.”

O dirigente da OMS/Europa aproveitou a ocasião para destacar que o aumento do número de infecções está a ser sentido desde o início de Outubro, e com particular incidência na Alemanha, França e Itália, devendo obrigar todos os países a preparem-se para um eventual aumento de hospitalizações.

Richard Peabody justificou ainda este cenário com o facto de nos estarmos a aproximar do inverno, sabendo-se já ser normal um agravamento das doenças respiratórias neste período.

Em Portugal, por agora, e de acordo com a análise feita ao DN pelo professor Carlos Antunes, que integra a equipa da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa que se tem dedicado à modelação da evolução da covid-19 desde o início da pandemia, “a situação parece estar estável, mas é preciso manter-se a vigilância através dos factores de gravidade da doença, devido ao impacto que as novas sub-variantes, BQ.1 e BQ.1.1, possam vir a ter na nossa população”.

O professor recorda mesmo que, em poucas semanas, e citando os relatórios do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA), a prevalência destas novas sub-variantes passou de 0.9 para 4.9.

“Foi uma evolução muito rápida, portanto é provável que nesta altura a prevalência já seja da ordem dos 20% e que, no próximo mês, possa chegar aos 50%”, como já está a acontecer em alguns países europeus.

Daí que alerte, mais uma vez, para a necessidade de “estarmos preparados para o caso de termos de agir de forma individual e colectiva, se o número de infecções começar a aumentar e os internamentos e óbitos também”.

Carlos Antunes sublinhou o facto de se poder “considerar que Portugal está numa situação controlada” a todos os níveis, mas alerta que, nas últimas semanas, se tem vindo a registar “um aumento ligeiro de internamentos em cuidados intensivos e em óbitos”.

É certo que “este aumento está a ser mobilizado sobretudo por uma única região do país, Lisboa e Vale do Tejo (LVT), embora na última semana a Região Centro também tivesse começado a dar sinais deste aumento”, mas é preciso “continuar a vigilância”.

Segundo o professor da Faculdade de Ciências, de 2 a 17 de Outubro, o número de internamentos geral passou de 390 para 480, sendo que o número de camas em Intensivos passou de 22 para 38. Uma situação que considera que ainda tem a ver com o efeito da sub-variante da Ómicron, BA.5, que ainda é a dominante no país.

“O aumento de infecções começou nas camadas mais novas, ainda em Setembro, devido ao início das aulas, mas duas a três semanas depois propagou-se ao resto da população, levando a este aumento, mas sem grande repercussão em termos de óbitos”.

Os dados divulgados no dia 24 pela Direcção-Geral da Saúde, referentes a domingo, dia 23, revelavam a existência de 468 casos e 11 óbitos, embora a média diária seja de 6.5 de óbitos.

Carlos Antunes considera que o factor vacinação tem permitido também o controlo da situação relativa aos óbitos. “Podemos assumir que a situação dos óbitos está mais ao menos controlado pelo reforço vacinal, mas, e como sabemos que as sub-variantes BQ.1 e BQ1.1 também já estão em Portugal, é prematuro ajuizar que tal situação se irá manter”.

Ou melhor, “não sabemos o que estas sub-variantes ainda vão trazer para a Europa ou para Portugal”, especifica. Por isto, sublinha, “é preciso manter a monitorização através dos factores de gravidade”.

Estes são aliás os únicos factores, embora indirectos, que nos podem dar agora uma ideia de como a infecção está a evoluir no nosso país, porque “o número de infecções registadas apenas corresponde a cerca de 1/3 ou de 1/4 da realidade, pois há muitas pessoas infectadas que não são detectadas.

Os casos registados surgem basicamente de quem tem de ir a um hospital e tem de fazer teste”, uma das consequências do fim da estratégia de testagem massiva.

Basta perceber que no final de Setembro passámos de cerca de três mil infecções para mil. Portanto, o número de infecções pouco ou nenhum significado tem agora. O importante é a evolução da gravidade da doença”.

Mas a marcar o dia de ontem, fica o alerta do epidemiologista da OMS/ Europa sobre o facto de terem sido detectadas novas “sub-variantes da Ómicron mais transmissíveis do que as suas antecessoras e que muitas pessoas continuam por vacinar ou com a vacinação incompleta”, não se podendo assim “dizer com certeza o que pode acontecer a seguir”.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
26 Outubro 2022 — 07:00



 

477: Países devem preparar-se para aumento de infecções e hospitalizações

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTES

Na última semana a foram notificados na Europa mais de 1,4 milhões de casos positivos. O chefe da Equipa de Alta Ameaça Patogénica da OMS/Europa alerta para a possibilidade “outras variantes mais transmissíveis”.

© Fabrice COFFRINI / AFP

A Europa registou 1,4 milhões de infecções e 3.250 mortes na última semana, um novo aumento da covid-19 que obriga os países a preparem-se para um crescimento de casos e hospitalizações, alertou esta terça-feira a Organização Mundial da Saúde.

“Não podemos dar-nos ao luxo de ser complacentes neste momento”, adiantou à agência Lusa Richard Pebody, chefe da Equipa de Alta Ameaça Patogénica da OMS/Europa com sede em Copenhaga, ao salientar que o continente tem registado um aumento de contágios pelo coronavírus SARS-CoV-2 desde o início de Outubro.

Com a chegada do outono e a aproximação do inverno, “estamos preocupados com um possível aumento dos números da covid-19 e da doença correspondente”, reconheceu o epidemiologista.

Segundo disse, apenas na última semana foram notificados na Europa mais de 1,4 milhões de casos positivos e 3.250 óbitos, que elevaram para cerca de 260 milhões o total de infecções e mais 2,1 milhões de mortes desde o início da pandemia.

“Encorajamos os países a prepararem-se para possíveis novos aumentos de casos e internamentos por covid-19”, sublinhou Richard Pebody, tendo em conta que algumas sub-variantes da Ómicron são mais transmissíveis do que as suas antecessoras e que muitas pessoas continuam por vacinar ou têm a vacinação incompleta.

“Também é possível que haja outras variantes mais transmissíveis, por isso não podemos dizer com certeza o que pode acontecer a seguir”, referiu o especialista da OMS/Europa à Lusa, ao recordar que a forma mais eficaz de salvar vidas, proteger os sistemas de saúde e manter as sociedades e as economias abertas é “vacinar primeiro os grupos certos”.

De acordo com o responsável da Equipa de Alta Ameaça Patogénica, apesar de muitos países terem reduzido os testes e a sequenciação do SARS-CoV-2, é necessário “continuar à procura do vírus”, sob pena de ficarem “cada vez mais cegos” em relação aos seus padrões de transmissão e à sua evolução.

“Este vírus não vai desaparecer só porque os países pararam de procurá-lo. Continua a espalhar-se, continua a mudar e continua a causar hospitalizações e a tirar vidas”, alertou Richard Pebody, para quem a testagem e a sequência genética “continuam a ser medidas críticas para a monitorização” do SARS-CoV-2.

Perante isso, o epidemiologista adiantou que a OMS encoraja os países a “reiniciar ou manter a vigilância, a testagem, a sequenciação e rastreio de contactos”, para que seja possível proteger os grupos vulneráveis.

“A população em geral deve ter acesso a diagnósticos, vacinas e tratamentos, especialmente aqueles que estão em maior em risco. Aqueles que ainda precisam de ser vacinados têm de tomar a vacina, para se manterem a si e aos outros seguros”, destacou.

Além da covid-19, a chegada do outono e do inverno pode levar ao “ressurgimento da gripe”, depois de dois anos de fraca incidência dessa doença, resultando numa pressão adicional sobre os sistemas de saúde, disse.

Para responder a este aumento de pressão sobre os serviços de saúde, a OMS avançou com cinco “estabilizadores pandémicos”, medidas que considera críticas para proteger a população europeia nos próximos meses.

Entre estas medidas estão o aumento da vacinação da população em geral e a administração de uma segunda dose de reforço a pessoas imuno-comprometidas a partir dos cinco anos e aos seus contactos próximos.

Além disso, a OMS recomenda o uso de máscaras no interior e nos transportes públicos, a ventilação de espaços públicos e lotados, como escolas, escritórios e transportes públicos, e a aplicação de protocolos terapêuticos rigorosos para pessoas em risco de doença grave.

As decisões sobre as medidas de protecção a implementar “sempre foram dos Estados-membros com base na transmissão do vírus no seu país. O conselho da OMS continua a ser que uma máscara adequada deve ser usada em ambientes fechados, confinados, lotados e mal ventilados, sempre que possível”, adiantou Richard Pebody.

“Temos de reconhecer a fadiga pandémica. Todos nós só queremos que esta pandemia acabe, mas as medidas simples continuam a ser essenciais, especialmente em determinadas circunstâncias”, sublinhou o especialista da OMS/Europa.

Diário de Notícias
DN/Lusa
25 Outubro 2022 — 12:22



 

474: COVID-19: Nova variante da Ómicron pode ser dominante em Dezembro

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/NOVA VARIANTE

A COVID-19 ainda não desapareceu e há agora o registo de uma variante da Ómicron. De acordo com os últimos dados, Portugal voltou a registar uma subida do número de casos COVID-19, mortes e internamentos hospitalares. Foram registadas mais de 7.300 infecções entre os dias 11 e 17.

Agora, para complicar toda a situação, há registo de uma nova variante da Ómicron que pode se tornar dominante.

Nova variante da Ómicron! Conheça os sintomas…

Há uma nova variante da Ómicron que, para o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doença, poderá passar a ser dominante até Dezembro tal como já referimos aqui. Os alertas têm sido vários, mas por agora a grande dúvida para os especialistas são os efeitos que estas sub-linhagens poderão ter na saúde das pessoas.

Segundo o boletim epidemiológico semanal da DGS, em relação à semana anterior, registaram-se mais 761 casos de infecção, verificando-se ainda mais oito mortes na comparação entre os dois períodos.

Quanto à ocupação hospitalar em Portugal continental por COVID-19, a DGS passou a divulgar às sextas-feiras os dados dos internamentos referentes à segunda-feira anterior à publicação do relatório.

Com base nesse critério, o boletim indica que, na última segunda-feira, estavam internadas 465 pessoas, mais 45 do que no mesmo dia da semana anterior, com 32 doentes em unidades de cuidados intensivos, mais quatro.

Os sintomas da COVID-19 são em tudo idênticos aos da gripe. Os especialistas apelam por isso que em caso de tosse persistente, de espirros e de febre o uso de máscara para protecção dos que nos rodeiam. E lembram uma vez mais a importância da vacinação.

A doença por coronavírus (COVID-19) é uma doença infecciosa causada pelo vírus SARS-CoV-2. A maioria das pessoas que contraem a COVID-19, actualmente na sua variante  Ómicron, têm sintomas ligeiros a moderados e recupera sem necessitar de tratamento especial.

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Autor: Pedro Pinto
23 Out 2022