1079: Novas tabelas de retenção no IRS isentam de imposto salários e pensões até 762 euros

– “Novas tabelas de retenção no IRS isentam de imposto salários e pensões até 762 euros“.

Muito vaga esta informação. Os pensionistas que têm pensão de “sobrevivência”, estas também são incluídas na pensão base? É que até agora, as pensões de “sobrevivência” foram sempre incluídas como rendimento adicional da pensão base. E para quando baixar a taxa de IRS aos viúvos(as) que com menos o rendimento do conjugue, vêm o imposto dobrar de taxa? Menos rendimento, dobro do imposto? Onde para a merda da “justiça social”? Todos estes políticos nunca me convenceram…

IMPOSTOS // IRS // TABELAS DE RETENÇÃO

A partir de Janeiro, apenas os salários e pensões de valor igual ou superior a 762 euros brutos mensais começam a fazer retenção na fonte. Os patamares seguintes de valores também sofrem alterações face às tabelas em vigor este ano.

© Gustavo Bom / Global Imagens

O valor a partir do qual os salários e pensões fazem retenção de IRS aumenta em Janeiro para 762 euros, segundo as novas tabelas que serão esta segunda-feira publicadas para vigorar até à entrada do novo modelo de retenção, em Julho.

As novas tabelas, para serem aplicadas apenas durante o primeiro semestre do próximo ano, foram desenhadas de forma a acomodar a alterações ao IRS contempladas no Orçamento do Estado para 2023 (OE2023), nomeadamente as novas regras do mínimo de existência, a actualização dos escalões em 5,1% e a descida em dois pontos percentuais (de 23% para 21%) da taxa marginal do segundo escalão.

Assim, a partir de Janeiro, apenas os salários e pensões de valor igual ou superior a 762 euros brutos mensais começam a fazer retenção na fonte, o que traduz uma subida de 52 euros face ao valor dos salários que este ano estão isentos de retenção na fonte e de 42 euros relativamente às pensões. Os patamares seguintes de valores também sofrem alterações face às tabelas em vigor este ano, bem como as respectivas taxas.

Segundo o Ministério das Finanças, com este modelo de retenção transitório — que vigora até ao final de Junho – “garante-se que os trabalhadores e pensionistas que tenham sido aumentados têm de facto um aumento do rendimento líquido entre o final de 2022 e Janeiro de 2023”.

As pensões terão um aumento, a partir de Janeiro, de entre 4,83% e 3,89%, consoante o seu valor. Em Janeiro a generalidade dos funcionários públicos será também aumentada e o mesmo sucederá com muitos dos trabalhadores do sector privado tendo em conta o actual nível de inflação elevado.

Nos casos em que o processamento de rendimentos tenha sido feito antes da entrada em vigor destas novas tabelas e o seu pagamento venha a ocorrer já na sua vigência, durante o mês de Janeiro, as entidades devedoras ou pagadoras terão de efectuar o respectivo acerto no desconto do IRS até ao final do mês de Fevereiro de 2023.

No despacho que acompanha as novas tabelas de retenção na fonte, a que a Lusa teve acesso, determina-se que estas se aplicam aos rendimentos de trabalho dependente e de pensões pagos ou colocados à disposição entre 1 de Janeiro e 30 de Junho do ano de 2023″.

Esta solução, em que durante metade do ano se aplica o modelo de retenção na fonte que vigorou nestas últimas décadas e na segunda metade se avança para o novo, visa “dar tempo às entidades pagadoras de adaptarem os seus sistemas de pagamento ao novo modelo de retenções na fonte”, segundo precisa o Ministério das Finanças.

De acordo com o relatório do OE2023, a mudança no mínimo de existência traduzir-se-á em 2023 numa redução do IRS em 200 milhões de euros, a que se soma a redução de 500 milhões e euros e imposto por via da actualização dos escalões e da redução da taxa marginal no segundo escalão.

Diário de Notícias
DN/Lusa
05 Dezembro 2022 — 08:10



 

741: Pensões mais baixas vão subir até 5% para responder à inflação

– Ninguém, neste País, consegue (sobre)viver com uma pensão de menos de € 957,40 – já nem mencionando as pensões miseráveis no limiar da extrema pobreza -, em ordem ao actual custo de vida a todos os níveis. E desgraçados de todos os que desempregados, sem subsídios ou apoios do Estado, sobrevivem à custa de familiares. Mas até quando? E quando essa ajuda terminar por motivos naturais? Suicidam-se? (Estado tem almofada para maiores aumentos das pensões em 2023). Convido TODOS OS POLÍTICOS, sem excepção, a tentarem sobreviver com valores mensais abaixo dos € 957,40, sem mais quaisquer mordomias!

GOVERNO/PENSÕES/AUMENTOS/MISÉRIA

Proposta de alteração do PS permite ao governo mexer na actualização para acomodar inflação superior a 7,4%.

Eurico Brilhante Dias, líder da bancada do PS.
© LUSA

As pensões da Segurança Social e da Caixa Geral de Aposentações (CGA) devem aumentar em 2023 acima do que foi legislado pelo governo em decreto-lei.

As pensões mais baixas, até 957,4 euros, que correspondem a duas vezes o Indexante de Apoios Sociais (IAS) que se fixará em 478,7 euros, podem subir 5% em vez de 4,43%, como definido pelo Executivo, segundo as contas do Dinheiro Vivo com base nas regras de cálculo das prestações e na estimativa mais recente da inflação para este ano que deverá atingir 8%, segundo a Comissão Europeia, ou seja, 0,6 pontos acima da projecção do governo de 7,4%.

Significa um aumento máximo de até 50 euros, ou seja, mais entre dois ou oito euros do que o previsto para as reformas deste intervalo de valores.

Nos escalões seguintes de reformas também haverá uma alteração face ao que foi legislado em Outubro pelo executivo. Pensões entre 957,4 euros (duas vezes o IAS) e 2.872,2 euros (seis vezes o IAS) devem subir acima dos 4,07%.

Assim como as reformas entre 2872,2 euros e 5,744,4 euros (12 vezes o IAS), que terão uma actualização superior a 3,53%, por força de uma subida da inflação superior à previsão do governo.

Mas esta mexida nas actualizações só será possível porque o PS entregou uma proposta de alteração ao Orçamento do Estado para 2023 que dá margem de manobra ao executivo para aumentar mais as pensões de forma a acomodar uma inflação mais alta.

Segundo o projecto dos socialistas, publicado esta terça-feira no site do Parlamento, o governo pode, “através de portaria, proceder à actualização das pensões e demais prestações acima das percentagens previstas na Lei n.º 19/2022, de 21 de Outubro, em função da evolução do IPC (Índice de Preços no Consumidor) e do crescimento do PIB”.

Esta proposta dá corpo às repetidas afirmações do ministro das Finanças, Fernando Medina, e da ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, de que o governo estaria disponível para aumentar mais os pensionistas caso a inflação superasse a previsão do governo de 7,4%.

Comissão Europeia reviu em alta a inflação para Portugal em 2022 para 8%, depois de esta se ter fixado em 10,1% em Outubro.

Será a evolução média anual da taxa de inflação apurada em Novembro pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE) que vai ditar a nova actualização das pensões. Contudo, na passada sexta-feira, a Comissão Europeia reviu em alta a inflação para Portugal para 8%, depois de esta se ter fixado em Outubro em 10,1%, segundo o INE.

Quanto à evolução da economia, o executivo comunitário aponta agora para um crescimento de 6,6%, este ano, acima dos 6,5% estimados pelo governo de António Costa. Em 2021, o PIB avançou 4,9%.

A média anual do PIB dos dois últimos anos e a inflação apurada em Novembro são as duas variáveis que são tidas em consideração para os aumentos dos pensionistas.

Contudo, o governo decidiu alterar as regras do jogo cortando para metade a base de cálculo, quando, em Outubro, atribuiu um bónus de mais meia pensão para reformas até 5.744,4 euros.

Assim, os mais de 2,7 milhões de pensionistas da Segurança Social e da CGA em vez de terem direito, em 2023, a um aumento entre 8% e 7,1%, tal como consta da fórmula original, irão receber apenas mais entre 4,43% e 3,53%, porque o executivo decidiu considerar o complemento de reforma deste ano para o cálculo global da actualização das pensões no próximo ano. Isto significa que terão um corte na base de cálculo da actualização regular das reformas a partir de 2023.

Mesmo que agora o governo suba em algumas décimas a actualização das reformas, não será suficiente para compensar a redução que os pensionistas vão sofrer no futuro.

Em 2024, os pensionistas da Segurança Social, com uma prestação média de 501,77 euros, vão perder 252 euros, no conjunto do ano, ou 18 euros por mês, e os beneficiários da CGA, com uma reforma média de 1.341,99 euros, terão um corte de 672 euros anuais ou de 48 euros mensais.

Salomé Pinto é jornalista do Dinheiro Vivo

Diário de Notícias
Salomé Pinto
16 Novembro 2022 — 00:15



 

497: Milionários dos vistos gold estão a receber o apoio do Estado de 125 euros

“… não tem em conta os rendimentos de capital na avaliação de elegibilidade para este apoio de 125 euros. “Uma lacuna que dá margem para que milioná­rios, estrangeiros ou nacionais, sejam abrangidos pela medida”. Autêntica infâmia para quem está DESEMPREGADO de longa duração, sem qualquer tipo de apoios sociais, subsídios, RSI, etc.! NEGA-SE o RSI a um trabalhador com mais de TRINTA ANOS de descontos e pagamento de impostos ao Estado, para continuar encher a pança a esta escumalha! É esta a amostra da “justiça” social deste país com uma governança que continua a enriquecer os ricos e a empobrecer os pobres! VERGONHA…!!!

INFÂMIA… VERGONHA…NOJO…

Terão sido detectados, pelo menos, mais de duas dezenas de casos em que o apoio do Estado para combater os efeitos da inflação, emitido pela Segurança Social, foi atribuído a cidadãos estrangeiros abrangidos pelo regime de vistos gold.

© Unsplash

O apoio do Estado de 125 euros, emitido pela Segurança Social (SS), destinado a atenuar os efeitos da inflação na vida de quem tem mais dificuldades, terá sido entregue a titulares de vistos gold, noticia esta sexta-feira o jornal Expresso.

Os 125 euros terão sido entregues, segundo o semanário, através de cheques, a cidadãos estrangeiros com elevados rendimentos de capital, mas com poucos ou nenhuns rendimentos de trabalho declarado no nosso país.

Terão sido detectados, pelo menos, mais de duas dezenas de casos em que o apoio do Estado anti-inflação foi atribuído a cidadãos estrangeiros abrangidos pelos Vistos Gold.

O jornal escreve que “teve acesso a um conjunto de cheques (no valor de 125 euros) relativos ao apoio anti-inflação, emitidos pela SS na passada segunda-feira, a cidadãos estrangeiros abrangidos pelo regime de Autorização de Residência para Actividade de Investimento (ARI), conhecido como visto gold”.

Ouvidos pelo Expresso, fiscalistas referem que na base deste pagamento estará uma lacuna no “desenho da medida” que não tem em conta os rendimentos de capital na avaliação de elegibilidade para este apoio de 125 euros. “Uma lacuna que dá margem para que milioná­rios, estrangeiros ou nacionais, sejam abrangidos pela medida, refere a publicação.

A fiscalista Joana Cunha d’Almeida disse, em declarações ao jornal, que “trata-se de uma brecha na lei que o legislador deveria ter acautelado”.

Questionados pelo Expresso sobre esta situação, os Ministérios do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e o das Finanças afirmaram que a “atribuição do apoio extraordinário segue os critérios definidos nos diplomas legais”, que “atendem, em termos gerais, ao nível de rendimentos dos contribuintes residentes em Portugal declarados perante a AT e o ISS [Instituto da Segurança Social], bem como à titularidade de determinadas prestações sociais (subsídio de desemprego ou rendimento social de inserção)”.

Ainda esta semana, a SIC Notícias noticiou que a Segurança Social enviou 33 vales, no valor de 125 euros cada, para um apartamento, em Lisboa. A habitação em causa tem estado arrendada nos últimos anos, mas nunca a tantos inquilinos. O senhorio terá recebido, no total, 4.125 euros.

O proprietário, que herdou o imóvel há pouco tempo, contou que a mãe tinha feito há cerca de quatro anos um contrato de arrendamento a um imigrante, mas não mais que isso, concluindo-se, por isso, que não se justifica o número de vales recebidos naquela morada.

Outro caso reportado relativo ao apoio dos 125 euros é o que está relacionado com o IBAN de quem é elegível para receber esta ajuda do Estado.

O Portal da Queixa recebeu “inúmeras reclamações” de contribuintes indignados que denunciaram que o IBAN foi alterado sem consentimento no Portal das Finanças e que por isso não receberam o apoio extraordinário de 125 euros.

Embora os apoios extraordinários a titulares de rendimentos e de prestações sociais das famílias (de 125 euros), jovens e crianças (de 50 euros), lançados no âmbito do programa Famílias Primeiro, tivessem começado a ser pagos pela Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) e pela Segurança Social no dia 20 de Outubro, a maioria dos queixosos alegou que o IBAN presente nos dados pessoais não pertencia a nenhuma conta bancária, e que o mesmo foi alterado sem o seu consentimento.

A Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) disse, entretanto, não haver “evidência de qualquer eliminação ou adulteração dos IBAN” constantes do cadastro do Portal das Finanças, referindo contudo que podem existir situações que inviabilizem a transferência do apoio às famílias.

“De acordo com a informação prestada pela AT [Autoridade Tributária e Aduaneira], não existe evidência de qualquer eliminação ou adulteração dos IBAN [número da conta bancária] constantes do cadastro do Portal das Finanças”, disse fonte oficial do Ministério das Finanças, em resposta à Lusa sobre o facto de ao Portal da Queixa estarem a chegar reclamações de pessoas que dizem que o IBAN foi alterado após terem confirmado os dados para receberem o apoio extraordinário.

Diário de Notícias
DN
28 Outubro 2022 — 09:16



 

Segurança Social enviou (por engano) 33 ‘cheques’ de 125€ para a mesma morada

– Em contrapartida, a “segurança” social NEGA o RSI a uma desempregada há mais de seis anos por despedimento colectivo, depois de mais de TRINTA ANOS de pagamentos de impostos ao Estado e descontos para a SS, sem qualquer rendimento porque terminaram os seus subsídios de desemprego! É esta a “segurança” que a segurança social pratica socialmente.

SEGURANÇA SOCIAL/125€/33 ENGANOS…

Caso aconteceu em Lisboa.

© Shutterstock

A Segurança Social enviou 33 ‘cheques’ de 125 euros para a mesma morada, por engano, no âmbito dos apoios extraordinários que começaram a ser pagos no início desta semana. A notícia, refira-se, é avançada pela SIC Notícias, dando conta que o caso aconteceu em Lisboa.

Os pagamentos por parte da Segurança Social começaram a ser feitos no início desta semana e o Notícias ao Minuto já pediu, inclusive, um balanço ao Ministério do Trabalho. Contudo, e apesar da insistência, ainda não foi possível obter uma resposta.

Um morador lisboeta, que não quis ser identificado, deu conta de 33 vales postais na sua caixa de correio, para 33 pessoas diferentes. Cada um no valor de 125 euros.

Na prática, foram enviados mais de quatro mil euros para a mesma morada.

O proprietário herdou o imóvel “há pouco” e diz ter conhecimento de um contrato de arrendamento a um imigrante, realizado há quatro anos.

“É difícil num T2 morarem aqui 33 pessoas, não é?”, questionou o proprietário que recebeu as cartas, adiantando que há “algo de estranho” neste caso.

“Esta morada se calhar, provavelmente, era usada para outros fins, para registar várias pessoas que viessem do estrangeiro”, acrescentou. O proprietário diz que viu a caixa de correio “arrombada várias vezes”.

Os destinatários dos cheques podem já não estar em Portugal.

O apoio de 125 euros começou a ser pago na segunda-feira pela Segurança Social a quem recebe algumas prestações sociais, abrangendo 1,6 milhões de beneficiários, segundo o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

Em causa está o apoio de 125 euros e de 50 euros por descendente, criado pelo Governo com o objectivo de mitigar o impacto da inflação.

Nos casos de beneficiários de algumas prestações sociais, o apoio é pago pela Segurança Social e, no caso de titulares de rendimentos, é efectuado pela Autoridade Tributária e Aduaneira (AT).

Entre os beneficiários de prestações sociais com direito ao apoio estão as pessoas que recebem subsídio de desemprego, subsídio social de desemprego, subsídios de doença, Rendimento Social de Inserção (RSI), prestação social para a inclusão, Complemento Solidário para Idosos (CSI) e subsídio de apoio ao cuidador informal principal.

Notícias ao Minuto
27/10/22 15:28



 

476: Negado o apoio a quem mais necessita

Pois é… confirmado o indeferimento do pedido de RSI para a minha filha Vera, porque a “justificação” da “segurança” social é que o pai (eu), tenho um colossal rendimento de 1.044,59 euros de reforma (629.00 de pensão de reforma e 415,59 de pensão de sobrevivência por falecimento de minha esposa) e como as despesas da habitação (só a renda são 531,00 euros, água, luz, gás, alimentação), farmácia, passe social e eventuais necessidades, são todos GRATUITOS, não existe direito ao RSI. Gostava que esta cambada se governasse com estes valores!

Para quem não recebe nenhum subsídio ou ajuda, darem este indeferimento a uma desempregada de longa duração, é um CRIME SOCIAL porque se não fosse o pai (eu), que faço parte do agregado familiar, a minha filha estaria a morar debaixo da ponte ou num vão de escada e a receber alimentação de onde?

Gostaria de saber se todos os que recebem RSI declaram a VERDADE nos processos, sendo que a maioria nunca trabalhou na puta da vida deles, não efectuaram descontos ou pagaram impostos ao Estado e a minha filha fê-lo durante mais de TRINTA ANOS.

E ainda dizem que Portugal é um Estado de Direito, uma “democracia”…?

Malditos políticos, todos eles, sem excepção, que apenas sabem enriquecer os ricos e empobrecer os pobres reduzindo-os à mais miserável condição de  direito de sobrevivência.

24.10.2022



 

415: Reforma de 650 euros só recebe mais 6 euros (veja as simulações)

– Portanto, quem mais ganha, mais aumento tem em desfavor dos que menos ganham e menos recebem… Porreira esta “justiça” social merdosa! “Um pensionista viúvo com uma prestação de 650 euros brutos vai receber, em termos líquidos, apenas mais 78,13 euros por ano ou cerca de seis euros mensais, enquanto um reformado com uma remuneração mensal de 1.500 euros terá direito a um aumento líquido anual de 216,52 euros ou 15,46 euros por mês.”

PENSIONISTAS/AUMENTOS/OE2023

Universo atinge mais de metade dos 2,7 milhões sujeitos a um aumento entre 4,43% e 3,53%. Governo justifica corte nas subidas face à inflação com a sustentabilidade da Segurança Social, mas a proposta do Orçamento mostra que o sistema previdencial terá um excedente de 3,1 mil milhões em 2023 e uma almofada de 34,3 mil milhões até 2060.

Foto Global Imagens

Com uma inflação galopante, que o governo estima em 7,4% este ano, embora o Conselho das Finanças Públicas aponte para 7,8%, os pensionistas com prestações de 650 euros brutos vão ter de viver com apenas mais 5,58 euros nos bolsos todos os meses, segundo os cálculos do Dinheiro Vivo com base nas simulações da Ernest & Young (E&Y) para 2023.

Significa que cerca de 1,6 milhões de reformados, ou seja, mais de metade dos que irão beneficiar de uma actualização entre 4,43% e 3,53% em 2023, terão um acréscimo líquido mensal de 0,8%. Mais 5,58 euros, portanto.

Foto Infografia: João Costa

As simulações da E&Y já têm em conta a actualização das reformas entre 4,43% e 3,53%, a subida dos escalões de IRS em 5,1% e o abate do mínimo de existência que permite maior liquidez no final do mês. Analisando os diferentes patamares de remunerações, é possível concluir que as pensões mais baixas serão as mais penalizadas.

Um pensionista viúvo com uma prestação de 650 euros brutos vai receber, em termos líquidos, apenas mais 78,13 euros por ano ou cerca de seis euros mensais, enquanto um reformado com uma remuneração mensal de 1.500 euros terá direito a um aumento líquido anual de 216,52 euros ou 15,46 euros por mês.

No primeiro caso, e porque a pensão está abaixo de 957,40 euros (2 vezes o Indexante dos Apoios Sociais que se fixará em 478,7 euros em 2023), a actualização bruta será a mais elevada, de 4,43%, ainda que muito abaixo dos 8% que, pela aplicação normal da fórmula, o pensionista teria direito. Na segunda situação, o aumento será de 4,07% já que a remuneração se situa entre 957,40 euros (dois IAS) e 2.872,20 euros (seis IAS).

Apesar da actualização ser inferior, em termos líquidos, o aumento é superior face a um pensionista com uma prestação de 650 euros. Prestações acima de 2.872,20 euros terão uma actualização de 3,53%.

A partir de um certo patamar de rendimentos, não há lugar ao abate ou dedução pelo efeito do mínimo de existência, pelo que os acréscimos líquidos começam a diminuir à medida que se sobe de nível remuneratório.

Por exemplo, um casal de pensionistas com uma reforma de 760 euros por sujeito passivo, beneficiará de um aumento anual de 562,62 euros ou 40,40 brutos mensais. Já um casal com uma pensão de 1.500 euros brutos por titular, verá a prestação líquida subir 433,03 euros no conjunto do ano de 2023, ou seja, terá mais 30,93 euros no final do mês.

Na proposta do Orçamento do Estado para 2023 (OE2023), o governo considera que este aumento, entre 4,43% e 3,53%, e o bónus de mais pensão, para prestações até 5318,4 euros, garantem que os reformados não perdem poder de compra no próximo ano.

“No conjunto destas duas medidas, os pensionistas com menores rendimentos terão um aumento equivalente a 8%, acima da inflação prevista”, lê-se no documento.

O certo é que o governo tem sucessivamente invocado o risco da sustentabilidade da Segurança Social para não proceder a actualizações entre 8% e 7,1%, em linha com a inflação, e de acordo com a fórmula existente.

Contudo, a proposta de OE2023 mostra que o sistema previdencial conta com um excedente orçamental de 3,1 mil milhões no próximo ano e uma almofada de 34,3 mil milhões do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) que permite cobrir défices até 2060, esvaziando o argumentário do governo que aumentos entre 8% e 7,1% colocariam em causa a saúde das contas da Segurança Social.

Em Setembro, o governo entregou um documento no qual vaticinava que o FEFSS começaria a emagrecer na década de 2040 até acabar em 2050. Mas o relatório que acompanha a proposta de Orçamento do Estado para 2023 mostra uma realidade muito diferente: não só a almofada não se extingue como deverá chegar a 2060 reforçada com 34,3 mil milhões de euros, mais 7,8 mil milhões do que o previsto para 2023.

Para o reforço do FEFSS, “a partir de 2024, assumiu-se uma rentabilidade anual intrínseca de 4,0% ao longo do tempo”, justifica o Executivo na proposta do OE2023.

O governo parte do “pressuposto que este fundo será alimentado pelos saldos do sistema previdencial, enquanto existam, e pelas transferências resultantes do Adicional ao Imposto Municipal sobre Imóveis, da parcela do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas e do Adicional de Solidariedade sobre o Sector Bancário”.

“Estima-se que o Fundo não se esgote até ao fim da projecção” 2060, indica o relatório do OE2023 relativo à sustentabilidade da Segurança Social.

Quanto ao sistema previdencial, isto é, a conta corrente que garante o pagamento das diversas prestações sociais, o documento aponta um excedente de 3,1 mil milhões em 2023, que resulta em boa medida dos baixos níveis de desemprego que mantêm “o crescimento das receitas com contribuições e quotizações na ordem dos 5,8% quando comparado com a previsão de execução de 2022, de 10,2% face ao Orçamento do Estado de 2022”, segundo a proposta do OE2023.

Neste ponto, o relatório vai ao encontro do que foi projectado pelo Ministério do Trabalho, em Setembro, revelando uma deterioração do saldo orçamental do sistema previdencial, que cai de 3,1 mil milhões, em 2023, para 471 milhões de euros, em 2030, começando a atingir défices na década seguinte: -2,2 mil milhões, em 2040; -2,7 mil milhões, em 2050; e -1,3 mil milhões em 2060.

“Na projecção, os primeiros saldos negativos do sistema previdencial são esperados no início da década de 2030, podendo atingir valores negativos até 0,9% do PIB em meados da década de 2040”, segundo a proposta do OE2023.

Salomé Pinto é jornalista do Dinheiro Vivo

Diário de Notícias
Salomé Pinto
12 Outubro 2022 — 07:07