812: Covid-19. Aumento de incidência e internamentos mas impacto reduzido

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19

A covid-19 registou um aumento de incidência, com tendência estável crescente, e houve também um aumento de internamentos, mas mantém-se reduzido o impacto da doença nos serviços de saúde e na mortalidade geral.

Covid em Portugal
© Rui Manuel Fonseca/Global Imagens

Os dados fazem parte do último relatório da Direcção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) sobre a monitorização da situação epidemiológica da covid-19, divulgado este sábado.

De acordo com o documento, houve um aumento do número de internamentos em enfermaria no grupo etário entre os 40 e os 59 anos, e nas unidades de cuidados intensivos acima dos 80 anos, “ainda que abaixo do limiar crítico definido e do valor máximo da última fase epidémica”.

Apesar do aumento de internamentos, o impacto da covid-19 é reduzido, explicando o INSA que há a manutenção de uma mortalidade pelo vírus reduzida, “com tendência estável e correspondente a um valor cinco vezes inferior ao valor máximo observado na última fase epidémica”.

O INSA sublinha que a situação epidemiológica justifica a manutenção da vacinação de reforço, as medidas de protecção individual e “a comunicação frequente destas medidas à população”.

Os últimos dados indicam que a linhagem BA.5 da variante Omicron da covid-19 era dominante.

Segundo o documento, a 14 de Novembro a incidência cumulativa a sete dias foi de 63 casos por 100.000 habitantes, verificando-se um aumento dessa incidência em todas as regiões de saúde e em todos os grupos etários em relação à semana anterior, sendo esse aumento mais significativo nas regiões autónomas.

Quanto ao índice de transmissibilidade (Rt) do vírus que provoca a covid-19 foi de 1,03 a nível nacional, uma subida em relação aos 0,97 da semana anterior.

O relatório do INSA avança que o Rt, indicador que estima o número de casos secundários de infecção resultantes de cada pessoa portadora do vírus, no período entre 07 e 11 de Novembro, era igual ou superior a 01, “indicando uma tendência crescente de novos casos”. Comparando com o relatório anterior, o Rt subiu em todas as regiões de saúde menos no Algarve.

Em 14 de Novembro estavam internadas 570 pessoas com covid-19 (sem variação em relação à semana anterior) e na mesma data estavam 42 pessoas em Unidades de Cuidados Intensivos.

No mesmo dia, indica ainda o documento do INSA, a mortalidade por covid-19 era de 9,3 óbitos a 14 dias por milhão de habitantes, apresentando uma estabilização. Este valor é inferior ao limiar de 20 óbitos em 14 dias por milhão de habitantes, definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças.

Diário de Notícias
DN/Lusa
19 Novembro 2022 — 20:26



 

523: INSA atento ao vírus da síndrome respiratória do Médio Oriente

SAÚDE PÚBLICA/VÍRUS/SÍNDROME RESPIRATÓRIA

Devido ao Campeonato do Mundo de Futebol, a acontecer no Qatar, o Instituto Ricardo Jorge vai redobrar a atenção ao vírus MERS-CoV.

© Arquivo Global Imagens

O laboratório de referência do Instituto Ricardo Jorge redobrou a atenção ao vírus da síndroma respiratória do Médio Oriente, para manter a capacidade de resposta se houver mais casos suspeitos, por causa do Campeonato do Mundo de Futebol.

Em declarações à agência Lusa, Raquel Guiomar, responsável pelo Laboratório Nacional de Referência para o vírus da Gripe e Outros Vírus Respiratórios, do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), lembra que o coronavírus do Médio Oriente “ainda se mantém em circulação”, principalmente ” em pessoas que têm um contacto próximo com os dromedários”, que se julga serem o reservatório deste vírus (MERS-CoV).

“É um dos agentes que poderá neste inverno ser de grande cuidado a nível do diagnóstico laboratorial e da detenção dos casos suspeitos, principalmente no período em que se poderão vir a verificar mais viagens”, disse a responsável, referindo-se ao Campeonato do Mundo de Futebol, que arranca no final de Novembro, no Qatar.

“O laboratório tem vindo a dar resposta a todos os casos suspeitos que são identificados pelos clínicos, normalmente com uma ligação epidemiológica aos países da Arábia Saudita”, disse.

A investigadora sublinha que a principal preocupação é “manter a capacidade de resposta” neste inverno para que, se houver um aumento de casos suspeitos, “se consiga dar de forma atempada e rápida um diagnóstico diferencial” também para este agente respiratório.

Até final de 2019 foram diagnosticados mais de 2.400 casos de MERS-CoV, a maioria na Arábia Saudita. Cerca de 30% dos doentes morreram.

O MERS-CoV é um dos três coronavírus, vindos de reservatórios de animais, que desde o início do século XXI provocaram, pela primeira vez, doenças graves e com elevadas taxas de mortalidade em humanos.

Os outros são o SARS-Cov que, em 2002, na província de Guangdong (China), deu origem a um surto de pneumonia grave que se espalhou por mais de duas dúzias de países, através da circulação internacional de pessoas, e o outro é o SARS-CoV-2, que em 2019 esteve na origem da pandemia de covid-19.

Diário de Notícias
DN/Lusa
30 Outubro 2022 — 09:54



 

334: Casos podem aumentar, óbitos e internamentos estabilizados, indica INSA

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/AUMENTO DE CASOS

Relatório indica que o número de novas infecções pelo coronavírus SARS-CoV-2 por 100 mil habitantes, acumulado nos últimos sete dias, regista “possível inversão de tendência para crescente” e o índice de transmissibilidade, R(t) apresentou um valor superior a 1 a nível nacional.

© Artur Machado / Global Imagens

O número de casos de infecção pelo ​​​​​​​SARS-CoV-2 regista uma “possível inversão de tendência” para crescente, mas a mortalidade por covid-19 e a ocupação hospitalar mantêm-se estabilizadas, indica o relatório da evolução da pandemia.

O número de novas infecções pelo coronavírus SARS-CoV-2 por 100 mil habitantes, acumulado nos últimos sete dias, foi de 178 casos, com “possível inversão de tendência para crescente” a nível nacional, refere o documento da Direcção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Ricardo Jorge (INSA) hoje divulgado.

Segundo a DGS e o INSA, o índice de transmissibilidade (Rt) do vírus apresentou um valor superior a 1 a nível nacional, assim como no Norte, em Lisboa e Vale do Tejo, no Alentejo, no Algarve, nos Açores e na Madeira, o que “indica uma tendência crescente de novos casos nestas regiões”.

Apesar do aumento da incidência, o relatório avança que se regista uma estabilização da ocupação hospitalar por casos de covid-19, com um total de 422 internados na última segunda-feira.

Quanto aos cuidados intensivos, os 27 doentes internados nessas unidades em Portugal continental correspondiam a 10,6% do limiar definido como crítico de 255 camas ocupadas por casos de covid-19.

De acordo com o documento, a mortalidade específica por covid-19 estava nos 7,2 óbitos a 14 dias por um milhão de habitantes, indicando uma estabilização, mas com uma possível tendência decrescente, valor que é bastante inferior ao limiar de 20,0 mortes definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC).

O INSA adianta ainda que a linhagem BA.5 da variante Ómicron continua a ser “claramente dominante em Portugal”, sendo responsável por 95% das infecções registadas no país.

“Entre as diversas sub-linhagens em circulação em Portugal, destacam-se as BA.4.6 e BF.7, as quais apresentam mutações adicionais de interesse, com uma frequência relativa tendencialmente crescente em Portugal e uma considerável circulação em alguns países”, adianta o documento.

Perante estes indicadores, a DGS e o INSA recomendam que seja mantida a vigilância da situação epidemiológica da covid-19, a manutenção das medidas de protecção individual, a vacinação de reforço e a comunicação frequente destas medidas à população.

Diário de Notícias
DN/Lusa
23 Setembro 2022 — 21:01



 

Covid-19. Máscara em ambientes fechados com muitas pessoas deve ser “novo normal”, alerta INSA

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/MÁSCARAS

“É que também há a gripe, há outros vírus, o vírus sincicial respiratório. Portanto, é por uma melhor capacidade de prevenção”, justificou o presidente do Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge.

© Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens

O presidente do Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge (INSA) considerou esta terça-feira que o uso de máscara em ambientes fechados com aglomerados de pessoas deve ser encarado como o “novo normal” para prevenir a transmissão de vírus como o SARS-Cov-2.

Fernando Almeida comentava desta forma à agência Lusa a recomendação da Direcção-Geral da Saúde (DGS) para o uso de máscaras nas farmácias, nos transportes públicos e nos aeroportos, terminais marítimos e redes de metro e de comboio

Acho importante [esta recomendação] e isto faz parte daquilo a que nós sempre chamámos do novo normal. E não é só por causa da covid-19. É que também há a gripe, há outros vírus, o vírus sincicial respiratório. Portanto, é por uma melhor capacidade de prevenção”, disse Fernando Almeida, à margem da conferência “Diagnóstico ‘In Vitro’: Mais Acesso, Melhor Saúde”, que decorreu no INSA, em Lisboa.

Por isso, prosseguiu, “em ambientes onde suspeitamos que vai haver muitas pessoas no estádio de futebol, uma viagem ou autocarro, comboio, naturalmente que aconselhamos, sobretudo as pessoas com deficiência, com mais idade, a usarem a máscara”.

Relativamente à realização de testes à covid-19, Fernando Almeida disse que diariamente são realizados cerca de 20.000, 30.000 testes por dia.

Segundo o presidente do INSA, o teste está agora a adaptar-se à patologia que foi “totalmente modificada” com a vacinação. “As pessoas que hoje fazem testes são aquelas que têm sintomatologia ou suspeitam que estão infectados (…). Isso é aquilo que nós queremos”, disse.

“Portanto, o teste hoje já não é tanto aquela questão de massificar, fazer a toda a gente. Hoje entramos numa utilização mais criteriosa do teste e diferente daquilo que são os objectivos da testagem”, rematou.

Na conferência, foi divulgado o estudo de avaliação do impacto dos diagnósticos ‘in vitro'(DIV) para a sustentabilidade do sistema de saúde, realizado pela NOVA IMS, que recomenda a criação de um modelo de ‘fast-track'(via verde) que possibilite uma rápida avaliação destes diagnósticos, tornando possível um maior acesso dos cidadãos à sua utilização, de forma a gerar poupança e a melhorar indicadores de saúde.

A criação desta autoridade independente para os DIV teria como objectivo regular e melhorar o acesso a testes de diagnóstico, operando de forma a garantir que existe um acesso qualificado a estes dispositivos, para dar acesso a cidadãos e profissionais de saúde a soluções de diagnóstico que durante anos não são disponibilizadas de forma equitativa no Serviço Nacional de Saúde, refere o estudo.

Para a realização do estudo, os investigadores falaram com peritos em sistemas de saúde, profissionais de saúde, associações de doentes para tentar perceber como é que todas estas entidades podem colaborar e articular-se para que – no caso de inovações que estejam cientificamente comprovadas, assim como o seu custo benefício – possam chegar às pessoas de forma rápida, disse à agência Lusa o coordenador do estudo, Guilherme Victorino.

Os peritos consideram que o DIV é uma componente fundamental do sistema de saúde, quer na prática clínica, quer para a saúde pública, sendo relevante para a gestão do doente, monitorização e rastreio populacional, bem como para a sustentabilidade global do Sistema.

Diário de Notícias
DN/Lusa
20 Setembro 2022 — 19:56