136: Vacinas com mRNA são seguras para doentes com insuficiência cardíaca

SAÚDE PÚBLICA/VACINAS/INSUFICIÊNCIA CARDÍACA

O estudo apresentado em Barcelona diz ainda que o uso de anti-inflamatórios não esteróides está associado a insuficiência cardíaca em diabéticos.

© Miguel Pereira da Silva / GLOBAL IMAGENS

As vacinas contra a covid-19 baseadas no RNA mensageiro (mRNA), como as da Pfizer e da Moderna, são seguras para doentes com insuficiência cardíaca, segundo uma investigação agora apresentada no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, em Barcelona.

O estudo, realizado pelo Hospital Herlev, da Dinamarca, concluiu que as vacinas contra a covid-19 com recurso a RNA mensageiro estão associadas a um risco de morte mais baixo em doentes com insuficiência cardíaca e não estão associadas a um risco acrescido de agravamento de problemas do coração como insuficiência cardíaca, trombo-embolismo venoso ou miocardite.

Citada pela Efe, a chefe do estudo, Caroline Sindet-Pedersen, do hospital de Herlev, referiu que os resultados indicam que os pacientes com insuficiência cardíaca devem ter prioridade na vacinação.

“As vacinas contra a covid-19 continuarão a ser importantes para prevenir a morbilidade e a mortalidade em populações de doentes vulneráveis, por conseguinte, os estudos que enfatizam a segurança destas vacinas são essenciais para tranquilizar aqueles que possam estar hesitantes e para assegurar a continuação da utilização das vacinas”, acrescentou.

Os doentes com insuficiência cardíaca apresentam um risco aumentado de hospitalização, necessidade de ventilação mecânica e morte por covid-19.

O estudo analisou 50.893 pacientes com insuficiência cardíaca não vacinados contra a covid-19 e 50.893 pacientes com insuficiência cardíaca inoculados com uma das duas vacinas com RNA mensageiro em 2021.

A investigação seguiu os participantes durante 90 dias para determinar possíveis causas de mortalidade, agravamento da insuficiência cardíaca, tromboembolismo ou miocardite a partir da data da segunda vacinação.

“O estudo sugere que não deve haver preocupação quanto aos efeitos secundários cardiovasculares das vacinas contra o RNA mensageiro em pacientes com insuficiência cardíaca e os resultados apontam para um efeito benéfico da vacinação sobre a mortalidade”, concluiu Sindet-Pedersen.

Uso de anti-inflamatórios associados a insuficiência cardíaca em diabéticos

O consumo de anti-inflamatórios não esteróides (AINE) está relacionado com a insuficiência cardíaca em pacientes com diabetes, segundo uma investigação apresentada num congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC-2022), em Barcelona.

O estudo aponta que o consumo habitual de AINE está associado, a curto prazo, a uma primeira hospitalização por insuficiência cardíaca em pacientes com diabetes tipo 2.

O responsável pela investigação, Anders Holt, do Hospital Universitário de Copenhaga (Dinamarca), garantiu que “um em cada seis pacientes com diabetes tipo 2 solicitou, pelo menos, uma prescrição de AINE num ano”.

O uso de AINE já foi associado a um maior risco de insuficiência cardíaca na população em geral, mas os pacientes com diabetes tipo 2 têm duas vezes mais probabilidades de desenvolver insuficiência cardíaca, pelo que os AINE “podem ser ainda mais prejudiciais nesse grupo de risco”.

O estudo acompanhou 331.189 pacientes com diabetes tipo 2 durante quase seis anos e revelou que 16% da amostra solicitou, pelo menos, uma prescrição de AINE, enquanto 3% pediu, pelo menos, três prescrições.

Durante a investigação, um total de 23.308 pacientes foram hospitalizados com insuficiência cardíaca, pela primeira vez.

O ibuprofeno foi utilizado por 12,2% dos pacientes, seguido do diclofenaco, usado por 3,3% e o naproxeno em 0,9%. O celecoxib foi utilizado por 0,4%.

No estudo, foram excluídos os pacientes que já sofrem de insuficiência cardíaca ou que possuam uma condição reumatológica que obrigue ao uso prolongado de AINE.

Anders Holt destacou que os dados sobre o uso de anti-inflamatórios não esteróides de venda livre não foram incluídos na investigação, no entanto, assegurou que é um facto preocupante.

“Não podemos concluir que os AINE causam problemas cardíacos, mas os resultados sugerem que um potencial aumento do risco de insuficiência cardíaca deve ser tido em consideração ao usar esses medicamentos”, concluiu.

Diário de Notícias
DN/Lusa
28 Agosto 2022 — 14:25