744: NASA vai protagonizar o primeiro negócio na Lua — e abrir um precedente perigoso

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A NASA e uma startup japonesa vão protagonizar a primeira transacção comercial no Espaço. O objectivo é abrir um precedente.

ispace

O Japão concedeu a uma startup a primeira licença de sempre para realizar actividades comerciais na Lua. A ispace vai recolher e vender uma pequena quantidade de solo lunar à NASA.

“Se a ispace transferir a propriedade dos recursos lunares para a NASA de acordo com o seu plano, será o primeiro caso no mundo de transacções comerciais de recursos espaciais na Lua por um operador privado”, sublinhou Sanae Takaichi, ministro de Estado do Japão para a Política Espacial.

“Este será um primeiro passo inovador para o estabelecimento da exploração espacial comercial por operadores privados”, acrescentou.

A transacção comercial pode não tardar. A empresa sediada em Tóquio planeia enviar a sua nave Hakuto-R para a Lua através da Falcon 9, da SpaceX, já no dia 22 de Novembro.

Segundo o Singularity Hub, o lander ajudará a entregar uma variedade de cargas, incluindo dois rovers, além de cumprir o contrato com a NASA.

O negócio está muito longe de ser lucrativo para a startup nipónica, que vai receber 5 mil dólares pelo regolito recolhido. O plano é dar à NASA qualquer sujidade que fique acumulada na base da nave. Afinal de contas, a poeira lunar pouco interessa à agência espacial.

O único objectivo é abrir um precedente de negociação entre empresas privadas para extrair e vender recursos na Lua.

O regolito é uma camada solta de material heterogéneo e superficial que cobre uma rocha sólida. Trata-se, portanto, de um material não consolidado e residual, uma vez que é formado por material originário da rocha fresca imediatamente subjacente.

A sua mineração pode extrair água, oxigénio, metais e um isótopo chamado hélio-3, que pode abastecer reactores de fusão nuclear, gerando energia livre de resíduos.

Estima-se que exista um milhão de toneladas de hélio-3 na Lua, ainda que apenas 25% possa ser trazido para a Terra. No entanto, esta quantidade é suficiente para responder à demanda de energia do nosso planeta durante, pelo menos, dois séculos. O hélio-3 pode valer quase 5 mil milhões de dólares por tonelada – e pode mesmo tornar-se o novo “ouro negro”, mas da Lua.

A exploração lunar é controversa. Os EUA têm promovido activamente a exploração comercial de recursos espaciais, nomeadamente através dos chamados Acordos de Artemis.

EUA, Japão, Luxemburgo e Emirados Árabes Unidos assinaram uma legislação nacional que concede às empresas os direitos sobre os recursos que extraem.

Uma voz de contestação chegou da Rússia. No ano passado, o director-geral da Roscosmos, Dmitry Rogozin, disse que países não deveriam usar a legislação nacional para tomar decisões sobre o quer fazer com os recursos espaciais.

Daniel Costa, ZAP //
16 Novembro, 2022