544: Os lagos rasos na crosta gelada de Europa podem entrar em erupção

CIÊNCIA/GEOLOGIA/GEOFÍSICA

NASA/ESA/K. Retherford/SWRI
Esta ilustração retrata uma pluma de vapor de água que poderia ser potencialmente emitida da superfície gelada da lua de Júpiter, Europa.

Na busca por vida para lá da Terra, os corpos com água subterrânea, no nosso Sistema Solar exterior, são alguns dos alvos mais importantes.

É por isso que a NASA vai enviar a nave espacial Europa Clipper para a lua de Júpiter, Europa: há fortes evidências de que sob uma espessa crosta de gelo, a lua abriga um oceano global que poderá ser potencialmente habitável.

Mas os cientistas pensam que o oceano não é a única água líquida em Europa. Com base nas observações do orbitador Galileo da NASA, pensam que os reservatórios de líquidos salgados podem residir dentro da concha gelada da lua – alguns deles perto da superfície gelada e alguns muitos quilómetros abaixo.

Quanto mais os cientistas compreenderem a água que Europa pode conter, mais provável é que saibam onde procurá-la quando a NASA enviar a Europa Clipper em 2024 para realizar uma investigação detalhada.

A nave vai orbitar Júpiter e vai utilizar o seu conjunto de instrumentos sofisticados para recolher dados científicos enquanto passa pela lua cerca de 50 vezes.

Agora, uma investigação está a ajudar os cientistas a melhor compreender como estes lagos sub-superficiais de Europa podem ser e como se comportam.

Uma descoberta chave num artigo publicado recentemente na revista The Planetary Science Journal apoia a ideia de longa data de que a água poderia potencialmente irromper acima da superfície de Europa, quer como plumas de vapor, quer como actividade crio-vulcânica (ou seja, fluxos viscosos de gelo em vez de lava derretida).

A modelagem por computador apresentada no artigo científico vai mais longe, mostrando que se houver erupções em Europa, estas provavelmente são originárias de lagos rasos e incrustados no gelo e não do oceano global muito abaixo.

“Demonstrámos que as plumas ou fluxos de criolava poderiam significar a existência de reservatórios rasos de líquido abaixo, que a Europa Clipper seria capaz de detectar”, disse Elodie Lesage, cientista do projecto no JPL da NASA no sul da Califórnia e autora principal da investigação.

“Os nossos resultados dão novas informações sobre a profundidade da água que pode estar a conduzir a actividade superficial, incluindo as plumas. E a água deve ser suficientemente rasa para poder ser detectada por múltiplos instrumentos da Europa Clipper”.

Profundidades diferentes, gelo diferente

A modelagem por computador de Lesage estabelece um plano do que os cientistas poderiam encontrar dentro do gelo se observassem erupções à superfície.

De acordo com os seus modelos, provavelmente detectariam reservatórios relativamente próximos da superfície, na parte superior de 4 a 8 quilómetros da crosta, onde o gelo é mais frio e mais quebradiço.

Isto porque o gelo sub-superficial ali não permite a expansão: à medida que as bolsas de água congelam e se expandem, podem quebrar o gelo circundante e provocar erupções, tal como uma lata de refrigerante explode num congelador. E as bolsas de água que rebentassem seriam provavelmente largas e planas como panquecas.

Os reservatórios mais profundos na camada de gelo – com bases a mais de 8 km abaixo da crosta – empurrariam contra o gelo mais quente que os rodeia à medida que se expandem.

Esse gelo é macio o suficiente para agir como uma almofada, absorvendo a pressão em vez de rebentar. Em vez de actuar como uma lata de refrigerante, estas bolsas de água comportar-se-iam mais como um balão cheio de líquido, onde o balão simplesmente se estica à medida que o líquido no interior congela e se expande.

Detecção em primeira mão

Os cientistas da missão Europa Clipper vão poder utilizar esta investigação quando a nave espacial chegar à lua de Júpiter em 2030.

Por exemplo, o instrumento de radar REASON (Radar for Europa Assessment and Sounding: Ocean to Near-surface) é um dos instrumentos chave que será utilizado para procurar bolsas de água no gelo.

“O novo trabalho mostra que as massas de água no subsolo pouco profundo podem ser instáveis se as tensões excederem a força do gelo e podem estar associadas a plumas que se elevam acima da superfície”, disse Don Blankenship, do Instituto para Geofísica da Universidade do Texas em Austin, EUA, que lidera a equipa do instrumento de radar.

“Isto significa que o REASON poderá ser capaz de ver corpos de água nos mesmos locais em que se veem as plumas”, acrescenta.

A Europa Clipper transportará outros instrumentos que serão capazes de testar as teorias da nova investigação. As câmaras científicas serão capazes de obter imagens estereoscópicas de Europa e a alta resolução; o gerador de imagens de emissão térmica vai usar uma câmara infravermelha para mapear as temperaturas de Europa e encontrar pistas sobre a actividade geológica – incluindo crio-vulcanismo.

Se existirem plumas em erupção, estas poderão ser observadas pelo espectrógrafo ultravioleta, o instrumento que analisa a luz ultravioleta.

Mais sobre a missão

Missões como a da Europa Clipper contribuem para o campo da astrobiologia, o campo de investigação interdisciplinar que estuda as condições de mundos distantes que podem abrigar vida tal como a conhecemos.

Embora a Europa Clipper não seja uma missão de detecção de vida, vai realizar uma exploração detalhada de Europa e investigar se a lua gelada, com o seu oceano subterrâneo, tem a capacidade de suportar vida.

A compreensão da habitabilidade de Europa vai ajudar os cientistas a compreender melhor como a vida se desenvolveu na Terra e o potencial para encontrar vida para lá do nosso planeta.

ZAP // CCVAlg (18.10.2022)
1 Novembro, 2022



 

367: Incrível fotografia de Júpiter, feita de 600 mil imagens, é das mais nítidas de sempre

ASTRONOMIA/JÚPITER/ASTROFOTOGRAFIA

Andrew McCarthy

Uma das fotografias mais nítidas de Júpiter foi feita a partir de uma “colagem” de 600 mil imagens diferentes.

Júpiter e Terra vão estar mais próximos, não do que nunca, mas será a maior aproximação desde 1963. Ao longo dos últimos 59 anos, indica a NASA, nunca houve um momento em que o nosso planeta estivesse tão próximo do maior planeta do Sistema Solar.

Esta aproximação inédita nas últimas décadas vai decorrer ao longo desta noite de segunda-feira – já madrugada de terça-feira, dia 27, em Portugal.

Ainda antes disso acontecer, o astro-fotógrafo Andrew McCarthy revelou uma incrível fotografia de Júpiter, do dia 17 de Setembro, depois de capturar a sua melhor vista do gigante planeta. O que se vê não é apenas uma foto, mas sim uma combinação de centenas de milhares de imagens: mais precisamente, 600 mil.

“Depois de passar a noite toda a tirar cerca de 600 mil fotos, estou emocionado por mostrar-vos a minha fotografia mais nítida de Júpiter até agora”, escreveu McCarthy no Twitter.

Para conseguir captar Júpiter com esta clareza, o fotógrafo norte-americano usou um telescópio de 11 polegadas e uma câmara de alta resolução.

Segundo o site Space, McCarthy usou software para empilhar várias imagens tiradas durante uma sessão de fotografias do céu nocturno. O astro-fotógrafo usou uma técnica semelhante para tirar uma imagem “ridiculamente detalhada” da lua, que demorou meses.

McCarthy explicou que, embora 600 mil fotografias pareça uma infinidade, ele estava a captá-las a um ritmo de cerca de 80 por segundo — levando cerca de duas horas para tirá-las. “Passou relativamente rápido”, sublinhou.

  Daniel Costa, ZAP //
27 Setembro, 2022



 

355: Júpiter mais próximo da Terra

Infelizmente, do local onde estou, não consigo vislumbrar Júpiter, aliás, nenhum planeta a não ser a nossa Lua.

Encravado nas traseiras por uma escarpa da altura de um prédio de 4-5 andares e na frente com uma visão de 180º, não tenho qualquer hipótese.

A Lua encontra-se numa fase ainda invisível e com uma percentagem muito baixa conforme mapa seguinte:

Flag for PortugalLisbon, Portugal — Moonrise, Moonset, and Moon Phases, Setembro 2022

Moon: 0.7%

Waxing Crescent

Current Time: 26 de Set de 2022, 20:53:11
Moon Direction: 273,62° W
Moon Altitude: -11,04°
Moon Distance: 384.211 km
Next Full Moon: 9 de Out de 2022, 21:54
Next New Moon: 25 de Out de 2022, 11:48
Next Moonrise: Tomorrow, 8:56

Em termos de posicionamento planetário, a disposição neste momento é a que se segue:

Stellarium

Daqui a 59 anos, a aproximação de Júpiter à Terra voltará a acontecer. Entretanto, já estarei a fazer torrão…

Artigo sobre esta efeméride:

https://omeublogue.eu/2022/09/25/segunda-feira-jupiter-estara-tao-proximo-da-terra-que-sera-mais-brilhante-que-a-lua/

26.09.2022



 

343: Segunda-feira Júpiter estará tão próximo da Terra que será mais brilhante que a Lua

– Se o céu estiver limpo (sem nuvens), talvez o meu telescópio catadióptrico Skywatcher Maksutov Cassegrain de 127/1500mm consiga gravar este grandioso espectáculo.

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ASTROFÍSICA/JÚPITER

Não vai ver duas ou mais luas, isso não será a realidade cientifica, apesar dos seus olhos assim o entenderem. O que se vai passar é que na próxima segunda-feira, Júpiter, que é o planeta maior do sistema solar, vai aproximar-se da Terra ao ponto de ficar, no céu, mais brilhante do que a “nossa” própria Lua. Atenção que não é um evento astronómico qualquer, isto porque há 59 anos que não acontecia tal aproximação.

O planeta será visível para todos, e qualquer pessoa com um modesto conjunto de binóculos ou telescópio poderá ver as listras do planeta na sua superfície e várias das suas luas maiores.

Dia 26 de Setembro Júpiter estará a 591.168.168 km da Terra

Na segunda-feira, 26 de Setembro, o enorme planeta Júpiter estará mais próximo da Terra do que esteve nos últimos 59 anos, tornando-se visível no céu nocturno. Assim, à medida que nasce no leste ao entardecer, o maior planeta do sistema solar parecerá particularmente enorme e deslumbrante.

Júpiter, que tem 79 luas conhecidas, irá “mostrar-nos” as quatro maiores, astros também conhecidos como satélites galileanos. Estas luas, que atendem pelos nomes gregos Io, Europa, Ganimedes e Calisto, devem ser discerníveis como manchas brilhantes em ambos os lados do gigante gasoso.

Europa, a lua de gelo, que contém um grande oceano oculto, surgiu como o principal foco de pesquisa sobre a possibilidade de vida existir em outros lugares do nosso sistema solar.

Para isso, o Europa Clipper irá para a lua joviana. O seu lançamento está planeado para não antes de 2024. Além disso, a Europa lançará a sonda Júpiter Icy Moons em Abril de 2023 para estudar três luas de Galileu.

Adam Kobelski, astrofísico investigador do Centro de Voo Espacial Marshall da NASA, disse:

Fora da Lua, deve ser um dos [se não o] objectos mais brilhantes do céu nocturno. Com bons binóculos, as faixas e três ou quatro dos satélites galileanos [ou luas] devem ser visíveis.

Para os mais curiosos e entusiastas pela astronomia, Kobelski aconselha o uso de um telescópio com uma distância focal de pelo menos quatro polegadas para ver a Grande Mancha Vermelha de Júpiter e ver as bandas com mais clareza. Esta mítica mancha, maior que a Terra, é supostamente a maior tempestade do sistema solar, medindo cerca de dezasseis mil quilómetros com rajadas de vento entre 440 e 690 km/h.

A título de curiosidade, podemos referir que a Grande Mancha Vermelha tem uma profundidade notável, de acordo com uma análise recente da sonda Juno da NASA. A tempestade é profunda o suficiente para abranger desde o fundo do oceano da Terra até a Estação Espacial Internacional e já é duas vezes maior que o nosso planeta.

Portanto, factos científicos e astronómicos não faltam para aguçar a curiosidade. Ao passar pela Terra, Júpiter estará a uma distância de cerca de 600 milhões de quilómetros do nosso planeta no seu ponto mais próximo. O seu ponto mais distante é quando se encontra a 966 milhões de quilómetros de distância do nosso ponto azul!

Portanto, ao cair do dia de segunda-feira, assim que o sol começar a desaparecer, Júpiter aparecerá brilhante no céu, até mesmo mais do que a “nossa” Lua.

Pplware
Autor: Vítor M
24 Set 2022



 

308: Júpiter em oposição e maior aproximação da Terra dos últimos 59 anos!

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ASTROFÍSICA

O astro-fotógrafo Andrew McCarthy obteve esta composição de Júpiter, após juntar cerca de 600.000 exposições individuais do planeta. Recorreu a um telescópio de 11 polegadas e a uma câmara que usa normalmente para o céu profundo.
Crédito: Andrew McCarthy (Comic Background)

Os observadores do céu podem esperar excelentes vistas de Júpiter durante toda a noite de segunda-feira, 26 de Setembro, quando o planeta gigante atingir a oposição.

Do ponto de vista da superfície da Terra, a oposição acontece quando um objecto astronómico nasce a este exactamente quando o Sol se põe a oeste, colocando o objecto e o Sol em lados opostos da Terra.

A oposição de Júpiter ocorre a cada 13 meses, fazendo o planeta parecer maior e mais brilhante do que em qualquer outra época do ano. Mas não é tudo. Júpiter fará também a sua maior aproximação à Terra dos últimos 59 anos! Isto acontece porque a Terra e Júpiter não orbitam o Sol em círculos perfeitos – o que significa que os planetas passam a distâncias diferentes ao longo do ano.

A maior aproximação de Júpiter à Terra raramente coincide com a oposição, o que significa que as observações deste ano serão extraordinárias.

Na sua maior aproximação, Júpiter estará a aproximadamente 590 milhões de quilómetros da Terra, mais ou menos à mesma distância que estava em 1963. O planeta gigante fica a cerca de 965 milhões de quilómetros da Terra no seu ponto mais distante.

“Com bons binóculos, devem ser visíveis as bandas (pelo menos a banda central) e três ou quatro dos satélites galileanos (luas)”, disse Adam Kobelski, astrofísico investigador do Centro de Voo Espacial Marshall da NASA em Huntsville, no estado norte-americano do Alabama.

“É importante lembrar que Galileu observou estas luas com óptica do século XVII. Uma das principais necessidades será uma montagem estável para qualquer sistema que se utilize”.

Kobelski recomenda um telescópio maior para ver a Grande Mancha Vermelha de Júpiter e as bandas em mais detalhe; um telescópio de 4 polegadas ou mais e alguns filtros na gama verde e azul aumentariam a visibilidade destas características.

Segundo Kobelski, um local ideal de observação será a uma altitude elevada numa área escura e seca.

“As vistas devem ser óptimas durante alguns dias antes e depois de 26 de Setembro”, disse Kobelski. “Por isso, aproveite o bom tempo por volta desta data para realizar a observação. Sem contar com a Lua, deverá ser um dos (se não o) objectos mais brilhantes do céu nocturno”.

Júpiter tem 53 luas já com nome, mas os cientistas pensam que já foram até agora detectadas 80 no total. As quatro maiores, Io, Europa, Ganimedes e Calisto, são chamadas de satélites galileanos.

Isto em honra ao homem que as observou em 1610, Galileu Galilei. Através de binóculos ou de um telescópio, os satélites galileanos devem aparecer como pontos brilhantes de ambos os lados de Júpiter durante a oposição.

A nave espacial Juno da NASA, que orbita Júpiter há seis anos, dedica-se a explorar o planeta e as suas luas. A Juno começou a sua viagem em 2011 e chegou a Júpiter cinco anos mais tarde. Desde 2016, a nave espacial tem fornecido imagens e dados incríveis sobre a atmosfera de Júpiter, as suas estruturas interiores, o campo magnético interno e sobre a magnetosfera.

Os cientistas pensam que o estudo de Júpiter pode levar a descobertas revolucionárias sobre a formação do Sistema Solar. A missão da Juno foi recentemente prolongada até 2025 ou até ao fim da vida da nave espacial.

O próximo grande projecto de exploração de Júpiter é a missão Europa Clipper. Esta sonda vai explorar a icónica lua de Júpiter, Europa, que é conhecida por ter uma concha gelada.

Os cientistas da NASA teorizam um vasto oceano situado sob a superfície e visam determinar se Europa tem condições capazes de sustentar vida. O lançamento da Europa Clipper está actualmente previsto para Outubro de 2024.

Astronomia On-line
20 de Setembro de 2022

Stellarium 20.09.2022@07:48



 

129: Imagens de Júpiter, pelo Webb, mostram auroras, neblinas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Composição NIRCam do Webb de Júpiter recorrendo a três filtros – F360M (vermelho), F212N (amarelo-esverdeado) e F150W2 (ciano) – e alinhamento devido à rotação do planeta.
Crédito: NASA, ESA, CSA, Equipa ERS de Júpiter; processamento por Judy Schmidt

Com tempestades gigantes, ventos poderosos, auroras e condições extremas de temperatura e pressão, estão sempre a acontecer muitas coisas em Júpiter. Agora, o Telescópio Espacial James Webb da NASA capturou novas imagens do planeta. As observações de Júpiter pelo Webb vão dar aos cientistas ainda mais pistas sobre o que se passa no interior do planeta.

“Não esperávamos realmente que fossem assim tão boas”, disse a astrónoma planetária Imke de Pater, professora emérita da Universidade da Califórnia, Berkeley. De Pater liderou as observações de Júpiter juntamente com Thierry Fouchet, professor no Observatório de Paris, como parte de uma colaboração internacional para o programa DD-ERS (Director’s Discretionary Early Release Science) do Webb.

O próprio Webb é uma missão internacional liderada pela NASA com os seus parceiros, a ESA e a CSA (Canadian Space Agency). “É realmente notável que possamos ver detalhes em Júpiter juntamente com os seus anéis, pequenos satélites e mesmo galáxias numa só imagem”, disse.

As duas imagens provêm da NIRCam (Near-Infrared Camera) do observatório, que tem três filtros infravermelhos especializados que mostram detalhes do planeta. Uma vez que a luz infravermelha é invisível ao olho humano, foi mapeada para o espectro visível.

Geralmente, os comprimentos de onda mais longos aparecem mais vermelhos e os comprimentos de onda mais curtos aparecem mais azuis. Os cientistas colaboraram com a cientista cidadã Judy Schmidt para traduzir os dados do Webb em imagens.

Na imagem que contém apenas Júpiter, criada a partir de várias exposições pelo Webb, as auroras estendem-se a grandes altitudes acima dos pólos norte e sul de Júpiter. As auroras brilham num filtro mapeado para cores mais avermelhadas, que também realça a luz reflectida a partir das nuvens mais baixas e de neblinas superiores.

Um filtro diferente, mapeado para amarelos e verdes, mostra neblinas a rodopiar em torno dos pólos norte e sul. Um terceiro filtro, mapeado para tons de azul, mostra a luz que é reflectida a partir de uma nuvem principal mais profunda.

A Grande Mancha Vermelha, uma famosa tempestade que é tão grande que poderia engolir a Terra, aparece branca nas imagens, tal como outras nuvens, porque reflectem muita luz solar.

“O brilho, aqui, indica grande altitude – de modo que a Grande Mancha Vermelha tem neblinas de alta altitude, tal como a região equatorial”, disse Heidi Hammel, cientista interdisciplinar do Webb para observações do Sistema Solar e vice-presidente para ciência no AURA (Association of Universities for Research in Astronomy).

“As numerosas ‘manchas’ e ‘estrias’ brancas brilhantes são provavelmente nuvens de alta altitude no topo de tempestades convectivas condensadas”. Em contraste, as “fitas” escuras a norte da região equatorial têm pouca cobertura de nuvens.

Numa vista mais ampla, o Webb vê Júpiter com os seus anéis ténues, que são um milhão de vezes mais fracos do que o planeta, e duas minúsculas luas chamadas Amalteia e Adrasteia. As manchas difusas no plano de fundo, em baixo, são provavelmente galáxias “foto-bombardeando” a paisagem joviana.

“Esta imagem resume a ciência do nosso programa do sistema de Júpiter, que estuda a dinâmica e a química do próprio Júpiter, dos seus anéis e do seu sistema de satélites”, disse Fouchet. Os investigadores já começaram a analisar os dados do Webb para obter novos resultados científicos sobre o maior planeta do nosso Sistema Solar.

Os dados de telescópios como o Webb não chegam à Terra em pacotes bem organizados. Em vez disso, contêm informações sobre o brilho da luz nos detectores do Webb. Esta informação chega ao STScI (Space Telescope Science Institute), o centro da missão e de operações científicas do Webb, como dados em bruto.

O STScI processa os dados em ficheiros calibrados para análise científica e entrega-os ao Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais para efeitos de divulgação. Os cientistas traduzem então essa informação em imagens como estas durante a sua investigação.

Enquanto uma equipa do STScI processa formalmente as imagens Webb para divulgação oficial, os astrónomos não profissionais, conhecidos como cientistas cidadãos, mergulham frequentemente no arquivo público de dados para também recuperarem e processarem eles próprios as imagens.

Judy Schmidt, de Modesto, no estado norte-americano da Califórnia, que há muito tempo processa imagens na comunidade científica cidadã, processou estas novas imagens de Júpiter.

Para a imagem que inclui os pequenos satélites, ela colaborou com Ricardo Hueso, co-investigador destas observações, que estuda atmosferas planetárias na Universidade do País Basco em Espanha.

Schmidt não tem qualquer educação formal em astronomia. Mas há 10 anos atrás, um concurso da ESA despertou a sua paixão insaciável pelo processamento de imagens.

A competição “Hubble’s Hidden Treasures” convidou o público a encontrar novas jóias nos dados do Hubble. Das quase 3000 submissões, Schmidt ficou em terceiro lugar – graças a uma imagem de uma estrela recém-nascida.

Desde o concurso da ESA que ela trabalha com dados do Hubble e de outros telescópios como hobby. “Alguma coisa despertou em mim, não consigo parar”, disse. “Podia passar horas e horas todos os dias”.

O seu amor pelas imagens astronómicas levou-a a processar imagens de nebulosas, enxames globulares, berçários estelares e objectos cósmicos mais espectaculares.

A sua filosofia orientadora é: “tento fazer com que pareça natural, mesmo que não seja nada próximo do que o olho possa ver”. Estas imagens chamaram a atenção de cientistas profissionais, incluindo Hammel, que colaboraram anteriormente com Schmidt na refinação de imagens Hubble do impacto do cometa Shoemaker-Levy 9 em Júpiter.

Júpiter é, na realidade, mais difícil de trabalhar do que as maravilhas cósmicas mais distantes, explicou Schmidt, devido à sua rápida rotação. Combinando um “stack” de imagens numa única pode ser um desafio quando as características distintivas de Júpiter giraram durante o tempo em que as imagens foram obtidas, estando por isso desalinhadas. Por vezes, ela tem de fazer ajustes digitais ao “stack” de imagens de uma forma que faça sentido.

O Webb vai fornecer observações sobre cada fase da história cósmica, mas se Schmidt tivesse de escolher algo com que ficar entusiasmada, seriam mais imagens Webb de regiões de formação estelar.

Em particular, ela tem um fascínio por jovens estrelas que produzem jactos poderosos em pequenas nuvens, a que os astrónomos chamam objectos Herbig-Haro. “Estou realmente ansiosa por ver estas estranhas e maravilhosas estrelas bebé a fazerem buracos em nuvens”, disse.

Astronomia On-line
26 de Agosto de 2022

 

107: Telescópio James Webb revela imagens incríveis de Júpiter

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/JÚPITER

Novas fotos do mais potente telescópio espacial mostram auroras e os anéis do planeta gigante. Até os cientistas ficaram surpreendidos.

© NASA, ESA, CSA, Jupiter ERS Team; image processing by Judy Schmidt.

Novas imagens captadas pelo telescópio espacial James Webb mostram o planeta gigante do Sistema Solar com um detalhe até até agora nunca visto.

Auroras, imensas tempestades provocadas por diferentes condições de pressão atmosférica e até os ténues anéis, há tanta informação nestas fotos que até os cientistas ficaram surpreendidos.

“Não estava na verdade à espera que fosse assim tão bom, para ser honesta”, confessou a astrónoma planetária Imke de Pater, professora emérita de Berkeley, Universidade da Califórnia, citada num comunicado da NASA.

A cientista liderou as observações com Thierry Fouchet, especialista e professor do Observatório de Paris.

O James Webb é um telescópio espacial construído de forma conjunta pela agência espacial norte-americana, a europeia ESA e a canadiana CSA.

© NASA, ESA, CSA, Jupiter ERS Team; image processing by Judy Schmidt.

A primeira imagem de Júpiter, em que o planeta se vê solitário, é compósita de várias fotos tiradas pelo Webb, com vários filtros. A famosa Grande Mancha Vermelha do planeta, uma imensa tempestade que dura há milhares de anos e na qual “cabem” várias Terras, surge a branco uma vez que reflecte muita luz.

“Neste caso a maior luminosidade significa maior altitude, pelo que a Grande Mancha Vermelha tem neblinas de alta altitude, tal como as regiões equatoriais”, explica Heidi Hammel, cientista interdisciplinar para as observações do Sistema Solar. “Os vários pontos luminosos são provavelmente topos de nuvens em alta altitude”.

© NASA, ESA, CSA, Jupiter ERS Team; image processing by Ricardo Hueso (UPV/EHU) and Judy Schmidt.

Na segunda foto revelada, em grande angular, possível ver os anéis de Júpiter, que são um milhão de vezes mais ténues do que o planeta, bem como duas pequenas luas, Amalteia e Adrasteia.

São também visíveis as auroras a norte e a sul.

© NASA, ESA, CSA, Jupiter ERS Team; image processing by Ricardo Hueso (UPV/EHU) and Judy Schmidt.

Diário de Notícias
Ricardo Simões Ferreira
22 Agosto 2022 — 22:42