985: Covid-19: Norma da DGS sobre visitas a idosos infectados em lares divide responsáveis

SAÚDE PÚBLICA / PANDEMIA / COVID-19 / LARES

Confederação das Instituições de Solidariedade Social e Associação de Apoio Domiciliário de Lares e Casas de Repouso de Idosos com visões diferentes sobre a norma.

A norma da Direcção-Geral da Saúde (DGS) para assegurar que os utentes infectados com covid-19 que residem em lares têm direito a visitas divide responsáveis, entre quem a considere uma medida esperada e quem aponte uma flexibilização excessiva.

Na opinião do padre Lino Maia, presidente da Confederação das Instituições de Solidariedade Social (CNIS), a norma é “oportuna” e trata-se de uma “orientação esperada e consistente”.

“Na generalidade dos lares havia visitas a pessoas infectadas, com os devidos cuidados porque o vírus numa pessoa num lar pode com facilidade propagar-se a outras pessoas. Mas não podemos ter as pessoas indefinidamente enclausuradas e já sabemos que, com a vacinação completa, o vírus não tem a força que teria com todo este processo de vacinação”, defendeu.

Na opinião do presidente da CNIS, os lares já estão “devidamente apetrechados” para cumprir a recomendação e, tendo em conta que “já não há surtos” como os registados no início da pandemia, “há mais condições para proteger as pessoas, evitando propagações”.

A DGS publicou na segunda-feira uma nova norma sobre os casos de suspeita ou confirmação de covid-19, que salienta que a elevada cobertura vacinal e a evolução epidemiológica favorável permitem “progredir para um modelo de resposta focado na prevenção e no tratamento da doença grave, atento ao padrão de circulação e ao aparecimento de novas variantes de SARS-CoV-2”.

Nessa norma, fica definido que as visitas aos doentes com covid-19 que estejam em lares ou estruturas similares devem ser asseguradas, desde que garantido o cumprimento do plano de contingência, incluindo utilização adequada de equipamento de protecção individual.

O presidente da Associação de Apoio Domiciliário de Lares e Casas de Repouso de Idosos apontou que a norma da DGS “é confusa, pouco orientadora, [e] com regras um bocado vagas”.

João Ferreira de Almeida defendeu que a DGS deveria ter actualizado a orientação específica sobre os procedimentos a adoptar nos lares relativamente à covid-19 em vez de publicar esta norma “que mistura situações hospitalares com situações em lares”.

“Esta dualidade de actuação da DGS não consigo compreender porque só baralha, só complica, só desorienta e nós precisamos é de orientação”, criticou.

O responsável defendeu mesmo que a norma “não faz sentido”, questionando o que se andou a fazer durante dois anos.

“Se a situação agora é assim, porquê tantas restrições e tão severas algumas durante quase dois anos. Isto faz-me confusão”, criticou.

Acrescentou que “seria bom” que esta norma determinasse que as visitas possam ser retomadas com a normalidade existente antes da pandemia, “em que as visitas eram feitas na sala, com visitas para mais do que um idoso em simultâneo”.

“Acho que é uma flexibilização exagerada. Estão a fazer confiança com a dose de reforço a vacina. Não sei se não estão a confiar demais”, apontou João Ferreira de Almeida.

Diário de Notícias
DN/Lusa
29 Novembro 2022 — 13:38



 

351: Há um défice actual de 4.500 camas para seniores em Portugal

“… Residências Montepio: A oferta para privados (575 camas) integra serviços médicos diários, enfermagem permanente, refeições, ginástica de manutenção, actividades de entretenimento, comodidades nos quartos, jardim e esplanada, entre outros. A estes serviços, a instituição ainda soma a possibilidade de aceder a cabeleireiro, podologista, fisioterapia, dentista… A mensalidade base é de 1.750 euros.” Esclarecedor… mais vale pedir a eutanásia…

Portugal sempre foi um país de défices de toda a ordem e feitio. E então no que toca a idosos sem “habilitações” financeiro/económicas, o défice é astronómico (por falar em astronomia e se o céu estiver sem nuvens, não se esqueçam – os que se interessam por esta área -, que hoje Júpiter estará visível e ainda mais brilhante que a nossa Lua).

SAÚDE PÚBLICA/DÉFICE/CAMAS/IDOSOS

Maioria dos idosos não tem capacidade financeira para pagar lares e há falta de recursos humanos. Mas a necessidade de cuidados assistidos vai continuar a aumentar.

A maior parte da oferta de lares para idosos é do sector público e social, como as IPSS e Misericórdias.
© Orlando Almeida / Global Imagens

O país necessita de mais 4.500 camas para responder às necessidades actuais da população idosa, aponta a Associação Mutualista Montepio (AMM), entidade responsável pela maior oferta privada para a terceira idade em Portugal.

O sector tem hoje uma capacidade de 102.555 camas, distribuídas por 2.540 residências seniores, número que tanto operadores como analistas do mercado consideram manifestamente insuficiente quando Portugal tem 2,4 milhões de pessoas com 65 anos ou mais e cerca de 700 mil acima dos 80.

“Existe realmente uma elevada carência de camas”, frisa fonte oficial da AMM. O último relatório da Informa D&B sobre esta actividade dá conta que, em Março, a taxa de ocupação dos lares portugueses era de 91%. Sem soluções, o problema só irá agudizar-se a cada ano.

A realidade demográfica nacional não deixa margem a dúvidas. A população está a envelhecer, a esperança de vida está a aumentar, mas também os problemas de saúde e demência, factores que vão pressionar a criação de respostas privadas e sociais.

As previsões da AMM apontam que o défice actual deverá aumentar para 24 mil até 2050. Mas o investimento nesta área enfrenta sérias dificuldades. Como sublinha Ricardo Reis, partner e director de avaliação & advisory da Cushman & Wakefield (C&W), “a mensalidade numa residência privada ronda os 1.500 a 2.000 euros – há mais caras -, e os portugueses não têm dinheiro para pagar estes preços”.

Afirmação indiscutível quando se sabe que a pensão média paga pela Segurança Social é inferior a 500 euros e a da Caixa Geral de Aposentações ronda os 1300 euros.

Também a AMM lembra que novos projectos neste sector “têm que ser analisados considerando a capacidade financeira do público alvo e o actual panorama de défice de recursos humanos”.

Consciente que existe uma elevada escassez de oferta em Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI), de cuidados continuados integrados e de saúde mental, a associação mutualista está a estudar a expansão da sua rede de Residências Montepio.

Actualmente é responsável por oito unidades, num total de 1.102 camas, das quais 527 estão integradas na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, de carácter público. A oferta para privados (575 camas) integra serviços médicos diários, enfermagem permanente, refeições, ginástica de manutenção, actividades de entretenimento, comodidades nos quartos, jardim e esplanada, entre outros.

A estes serviços, a instituição ainda soma a possibilidade de aceder a cabeleireiro, podologista, fisioterapia, dentista… A mensalidade base é de 1.750 euros.

Embora o valor mensal para usufruir de acomodação numa destas residências seja proibitivo para a grande parte dos portugueses, os operadores privados, nomeadamente internacionais, têm vindo a apostar no mercado português.

É que, a somar ao quadro de escassez de oferta e envelhecimento da população, o sector é dominado pelo Estado e instituições sem fins lucrativos, como as IPSS e misericórdias.

Segundo a mais recente análise ao sector da Informa D&B, em Portugal existem 772 residências privadas, que dispõem de 24 263 lugares, onde pontifica a AMM, a que se segue a francesa Orpea, o grupo Naturidade e a DomusVi, também de origem francesa e que tem crescido em Portugal via aquisições.

No acumulado, estes 772 lares facturaram 380 milhões de euros no ano passado, um aumento de 7% face a 2020. Sem fins lucrativos, o mercado regista 1.768 lares, com um total de 78.292 camas, sendo que neste último segmento destacam-se as 502 unidades pertencentes às Misericórdias.

Para Ricardo Reis, este contexto cria oportunidades de investimento, mas para os privados acelerarem a oferta serão necessários apoios estatais. O especialista da consultora imobiliária defende soluções como incentivos fiscais aos operadores, criação de áreas nas autarquias para desenvolvimento de ERPI, aplicação de modelos idênticos aos das unidades de cuidados intensivos, em que o Estado suporta total ou parcialmente os custos e uma redefinição do limite de camas por lar, que actualmente não pode ascender a 120 e limita a rentabilidade da operação. Até porque, defende, é necessário tornar estes projectos atractivos, pois exigem investimentos avultados.

Em simultâneo, advoga uma mudança de mentalidades. “Na Europa, sobretudo mais a Norte, não há pruridos em vender a casa para pagar a residência assistida”, diz, e isso pode ser uma solução para uma velhice digna de muitos portugueses.

E agora o mercado português conta também com um significativo número de estrangeiros a residir no país, quase 700 mil e destes cerca de 67 mil têm mais de 65 anos, que poderão vir a necessitar de cuidados assistidos, lembra ainda.

Dados da C&W revelam que o distrito de Lisboa concentra a maior oferta privada do país, com 1898 camas, seguido do Porto, com 711, de Setúbal, com 603, Aveiro, com 322 e Coimbra, com 287.

sonia.s.pereira@dinheirovivo.pt

Diário de Notícias
Sónia Santos Pereira
26 Setembro 2022 — 00:52