142: Material escolar está 16,5% mais caro este ano do que em 2021

“… Para os pais e encarregados de educação, a braços com uma inflação elevadíssima e perda de poder de compra, o cenário não se afigura nem risonho nem de poupança.”

SOCIEDADE/MATERIAL ESCOLAR

Análise do KuantoKusta revela que um cabaz com artigos escolares custa mais 15 euros em comparação com Agosto do ano passado. A subida da inflação já se sente nestes produtos.

Procura de material de escolar está a acontecer mais cedo este ano, segundo o kuantoKusta.
© Paulo Spranger / Global Imagens

Aproxima-se a passos largos o regresso à escola de milhares de estudantes portugueses. No entanto, e antes do início das aulas, é preciso comprar toda uma parafernália de material para este ano lectivo.

Para os pais e encarregados de educação, a braços com uma inflação elevadíssima e perda de poder de compra, o cenário não se afigura nem risonho nem de poupança.

E isto porque um cabaz de material escolar básico está 15 euros mais caro, quando comparado com o mês de Agosto de 2021. Este valor representa um aumento de 16,54% relativamente ao período homólogo, revelou ao DN/Dinheiro Vivo, o KuantoKusta.

Segundo a análise do comparador de preços online, em Agosto do ano passado, um cabaz para um aluno de segundo ciclo, contendo lápis e esferográficas, cadernos, mochila, estojo e calculadora científica, custava 92,12 euros. Em Agosto deste ano, o mesmo cabaz custa 107,36 euros, ou seja, mais 15,24 euros do que no ano passado (ver infografia).

O KuantoKusta analisou, ainda, os preços dos artigos mais procurados dentro de cada categoria e descobriu que as maiores subidas verificaram-se nos estojos (+42,86%), nos cadernos A4 (+26,54%) e nas mochilas (+10,81%). Já os lápis e as esferográficas seleccionados pelo marketplace foram os artigos que não sofreram qualquer alteração.

A empresa diz que “a inflação e o aumento dos custos de muitos materiais impactaram os preços de artigos como lapiseiras e minas (com uma subida média de preço de 205%), papel A4 (+160%), furadores e agrafadores (+115%) e lápis, afias e borrachas (+105%)”. Já as mochilas escolares, as calculadoras e os estojos conseguiram uma descida do preço médio.

Apesar do pico de compra destes artigos acontecer nas segunda e terceira semanas de Setembro (entre os dias 13 e 23 desse mês em 2021), no início do corrente mês a procura por material escolar e artigos de escritório já se fazia sentir.

O KuantoKusta verificou que a maior procura dos consumidores foi mesmo por material escolar, que cresceu 93,5%. Dentro desta categoria destacam-se os cadernos (+187,5%) e mochilas escolares (+287,5%).

Por estarmos num ano atípico, o director comercial do KuantoKusta, André Duarte, diz que existem vários factores que podem explicar o comportamento dos consumidores. “A variação da inflação tem uma influência directa na capacidade de as lojas acompanharem o ritmo de campanhas e promoções de anos anteriores.

Por outro lado, os consumidores perderam poder de compra e têm mais interesse em comparar preços e fazer compras informadas, pela necessidade de esticar o orçamento”. O responsável adiantou ainda que existe um maior número de pesquisas por produtos de baixo valor, como material de escrita.

Por seu turno, Ricardo Pereira, director de marketing do KuantoKusta, aconselha as famílias a anteciparem algumas compras, “por forma a evitar possíveis aumentos de preços, fruto da inflação”.

Poupar nos manuais escolares

No regresso à escola é preciso contar também com os manuais escolares. Para os alunos do ensino público, a gratuitidade dos livros já não é novidade, sendo até possível reutilizá-los e, segundo dados do Ministério da Educação citados pela Lusa, dos mais de cinco milhões de manuais escolares distribuídos no passado ano lectivo pelos alunos do ensino obrigatório, foram reutilizados, até ao início de Agosto, 2,3 milhões. O que corresponde “a uma percentagem de cerca de 65% dos manuais a reutilizar”.

Mas, para os pais cujos educandos frequentem o ensino privado, esta situação não se coloca, a menos que a escola dos filhos o faça por iniciativa própria. Para colmatar essa lacuna, a livraria online Book in Loop vende manuais escolares usados, bem como material escolar usado e calculadoras gráficas recondicionadas.

“Num primeiro momento, a Book in Loop foi responsável por garantir a reutilização de manuais escolares e alimentar um sistema circular que pudesse aliviar as famílias dos custos avultados associados à compra de livros”, contou Manuel Tovar, co-fundador da The Loop Co.

Os livros eram comprados por 20% do preço de venda ao público (PVP), recondicionados e depois vendidos com 60% de desconto. O que permitia uma poupança combinada de 80% às famílias.

Ao longo dos anos a Book in Loop – que nasceu em 2016 – orgulha-se de ter dado uma nova vida a mais de 300 mil livros em Portugal e ajudado as famílias portuguesas a pouparem cerca de três milhões de euros.

Actualmente, são sobretudo famílias do ensino privado ou adeptos de modelos mais sustentáveis quem mais recorre à compra destes manuais escolares.

“A reutilização de manuais escolares tem vindo a ganhar adeptos nos últimos anos e essa opção deve-se, maioritariamente, à poupança que representa para as famílias portuguesas. O custo de aquisição de materiais novos todos os anos consegue ser insuportável e, por vezes, desnecessário, pois um livro bem estimado pode ser aproveitado por uma série de alunos”, reforça Manuel Tovar, referindo que, actualmente, a aquisição de manuais escolares em segunda mão permite poupar 50% em relação ao PVP de mercado.

“Igualmente nas calculadoras gráficas, podem poupar mais de 50% nestes equipamentos electrónicos, devidamente testados e certificados”, assegura.

monica.costa@dinheirovivo.pt

Diário de Notícias
Mónica Costa
29 Agosto 2022 — 00:01