1012: Novo medicamento contra o Alzheimer tem resultados positivos

– Atenção aos efeitos colaterais que não são nada suaves… “hemorragias cerebrais” e “edema cerebral”…

SAÚDE PÚBLICA / ALZHEIMER / MEDICAMENTO

O Alzheimer afecta mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo.

© D.R.

Cientistas comemoraram esta quarta-feira os resultados de um ensaio clínico que confirma que um novo medicamento atrasa o declínio cognitivo em pacientes com Alzheimer, mas também apontaram alguns efeitos colaterais importantes.

Os resultados completos do ensaio clínico avançado (fase III) realizado com cerca de 1.800 pessoas durante 18 meses confirmaram uma redução de 27% no comprometimento cognitivo em pacientes que receberam lecanemab, um medicamento desenvolvido pelo grupo farmacêutico japonês Eisai e pela americana Biogen.

No entanto, os resultados, publicados esta quarta-feira no New England Journal of Medicine, também apontam para efeitos colaterais, às vezes graves.

No total, 17,3% dos pacientes que receberam lecanemab sofreram hemorragias cerebrais, em comparação com 9% dos pacientes do grupo placebo. Além disso, 12,6% dos pacientes tratados com lecanemab sofreram edema cerebral e apenas 1,7% no grupo placebo.

A taxa geral de mortalidade é quase a mesma nos dois grupos (0,7% nas pessoas que receberam lecanemab, 0,8% nas que receberam placebo).

“É o primeiro medicamento que oferece uma opção real de tratamento para pessoas com Alzheimer”, disse Bart De Strooper, director do Instituto Britânico de Pesquisa em Demência.

“Embora os benefícios clínicos pareçam um tanto limitados, espera-se que eles se tornem mais evidentes se o medicamento for administrado por um maior período de tempo”, disse ele.

Na doença de Alzheimer, duas proteínas-chave – tau e outra chamada beta-amilóide – acumulam-se gradualmente de forma anormal no cérebro, causando a morte das células cerebrais e o encolhimento do cérebro. Isso causa perda de memória e uma crescente incapacidade de realizar tarefas diárias.

O Alzheimer afecta mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo.

O lecanemab tem como alvo os depósitos de proteína beta-amilóide, mas apenas nos estágios iniciais da doença, o que pode limitar o seu uso, já que o Alzheimer costuma ser diagnosticado tardiamente.

Diário de Notícias
DN/AFP
30 Novembro 2022 — 11:32



 

725: Há centenas de medicamentos esgotados. Hipertensos e diabéticos são os mais afectados

– E qual a razão para este esgotamento de medicamentos? Não explicam porquê?

SAÚDE PÚBLICA/RUPTURA DE MEDICAMENTOS/FARMÁCIAS

Farmacêuticos denunciam a falta de centenas de medicamentos por todo o país. Os mais afectados são os pacientes hipertensos e diabéticos.

Árpád Czapp / Unsplash

Um pouco por todo o país, farmacêuticos continuam a denunciar a falta de vários medicamentos. Os mais afectados são os pacientes hipertensos e diabéticos, para os quais os farmacêuticos têm encontrado maior dificuldade em arranjar alternativas para os medicamentos esgotados.

O Inderal, indicado para controlar a hipertensão, está em falta há várias semanas. João Ferreira de Almeida, presidente da Associação de Lares e Casas de Repouso (ALI), denuncia o problema e diz ter sido informado que “só em Janeiro será regularizado”.

O mesmo verifica-se no caso da diabetes. O uso indevido de Ozempic, aprovado e comparticipado em Portugal para o tratamento da diabetes tipo 2, para casos de perda de peso está a resultar em fortes perdas para o Serviço Nacional de Saúde e a causar disrupções no abastecimento do mercado.

Ao Correio da Manhã, a presidente da Federação Portuguesa das Associações de Pessoas com Diabetes, Emiliana Querido, sublinha que “os doentes não podem ser prejudicados” e reclama medidas que assegurem a medicação.

A solução, tanto para o Inderal como para o Ozempic, tem sido procurar os medicamentos em Espanha.

O Correio da Manhã adianta ainda que, com o inverno à porta, falta xarope não sujeito a receita médica para tratar a febre ou dores. Em Lisboa, algumas farmácias relatam ainda a falta de Ben-u-ron.

A presidente da Associação Nacional das Farmácias, Ema Paulino, diz que há um grupo de trabalho que se debruça sobre a indisponibilidade de medicamentos no Infarmed, que procura prever possíveis faltas.

Em Outubro, segundo o CM, foram identificadas 858 apresentações de falta de medicamentos, sendo que o Lorenin, o Inderal, o Ovestin, o Ozempic e o Cloxam são alguns dos exemplos dos remédios esgotados.

ZAP //
14 Novembro, 2022



 

502: Farmácias passarão a poder renovar medicação de doentes crónicos. Mas só se prescritos no SNS

– “… “Felizmente, nós não temos tido casos de medicamentos a falhar, que não tenham boa alternativa terapêutica e continuamos a trabalhar em conjunto com o Infarmed, em conjunto com as farmácias, em conjunto com a indústria farmacêutica, de forma a garantir que, a ocorrerem falhas, elas não digam respeito a medicamentos que são essenciais”” Ó senhor ministro da saúde, Vossa Excelência desconhece completamente as faltas de medicamentos nas farmácias, seja por estarem esgotados, sejam por terem sido descontinuados. Quer um de muitos exemplos? Há mais de três décadas, depois de vir da guerra do Ultramar, tomo um medicamento para estabilizar/regular a pressão arterial (INIBACE que foi descontinuado há anos, substituído pelo CILAZAPRIL que há várias semanas encontra-se em estado que não se sabe se esgotado se descontinuado.) O médico de família, para não parar com a medicação, receitou um substituto, o RAMIPRIL. Mas existem mais… Seria melhor informar-se disso…

MEDICAMENTOS/FALTAS/INFORMAÇÃO ERRADA

OE prevê o desenvolvimento de “um mecanismo de renovação automática da prescrição para os doentes crónicos, numa interacção SNS/farmácias de oficina”.

O ministro da Saúde, Manuel Pizarro,
© Carlos Pimentel/Global Imagens

O ministro da Saúde anunciou esta quinta-feira que, em 2023, as farmácias poderão distribuir os medicamentos prescritos nos hospitais para tratamento de algumas doenças e fazer a renovação automática da medicação para doentes crónicos prescrita pelo Serviço Nacional de Saúde.

O ministro falou destas duas medidas inscritas na proposta do Orçamento do Estado para 2023 (OE2023) na conferência anual da Plataforma Saúde em Diálogo, com o tema Saúde: Novos Caminhos, um Desígnio Comum”.

Segundo a proposta do OE2023, aprovada na generalidade no parlamento, o Governo vai promover “a implementação de sistemas de acesso de proximidade, nas farmácias de oficina, aos medicamentos prescritos nos hospitais para o tratamento de patologias a seleccionar”.

Manuel Pizarro notou que 150 mil pessoas têm que de deslocar “mês após mês” ao hospital, algumas tendo de fazer centenas de quilómetros, para fazer “um ato de saúde que é apenas o ato de levantar a última receita do seu médico” para ter os medicamentos essenciais para a sua vida.

“Eu acho que somos capazes de fazer melhor do que isto, de simplificar isto, sem nenhum risco de redução da qualidade e acompanhamento da prescrição” e com “maior comodidade” para as pessoas, utilizando recursos que já existem na comunidade: as farmácias de oficina, que têm “profissionais qualificadíssimos”.

Por outro lado, também já existe uma estrutura de distribuição “muito qualificada”.

Outra medida inscrita no OE2023 é o desenvolvimento de “um mecanismo de renovação automática da prescrição para os doentes crónicos, numa interacção SNS/farmácias de oficina”.

Segundo o governante, esta medida terá um “enorme impacto na vida de centenas de milhares de pessoas com doença crónica”, que têm muitas vezes que sobrecarregar os serviços de saúde de proximidade e profissionais para um ato de renovação da medicação crónica.

Mas, ressalvou, esta medida tem de ser analisada com “todo o cuidado do ponto de vista técnico”, com os médicos, com os farmacêuticos, com os enfermeiros, “porque um medicamento crónico para uma doença crónica pode não ser uma prescrição crónica”.

“Nós seremos capazes de entender e conseguir criar mecanismos adequados para que isso se processe, tirando partido de vantagens adicionais, desde logo a revisão da terapêutica por um outro profissional habilitado, que pode nalguns casos eliminar duplicações e complicações que resultam até em alguns caso de uma menor literacia de uma parte da população, para as quais nem sempre é evidente que duas caixas de medicamentos com um aspecto físico distinto podem corresponder ao mesmo medicamento”, comentou.

Questionado à margem da conferência sobre a falta de alguns medicamentos, Manuel Pizarro esclareceu que “a esmagadora maioria dos medicamentos não tem nenhum problema de abastecimento”.

“Felizmente, nós não temos tido casos de medicamentos a falhar, que não tenham boa alternativa terapêutica e continuamos a trabalhar em conjunto com o Infarmed, em conjunto com as farmácias, em conjunto com a indústria farmacêutica, de forma a garantir que, a ocorrerem falhas, elas não digam respeito a medicamentos que são essenciais”, afirmou.

Também questionado sobre o processo negocial com os sindicatos dos enfermeiros, que foram retomadas na quarta-feira, Manuel Pizarro disse esperar conseguir chegar “a bom porto”, mas recordou que as “negociações continuarão na próxima semana”.

Diário de Notícias
27 Outubro 2022 — 20:07



 

494: Quase 10% dos medicamentos sem ‘stock’. Rupturas levam meses a ser corrigidas

MEDICAMENTOS/RUPTURAS/FARMÁCIAS

Christine Sandu / Unsplash

Dos 9.545 fármacos comercializados em Portugal e sujeitos a receita médica, 858 estão em ruptura de ‘stock’, representando 8%. Este cenário tem levado os médicos a receitar outros tratamentos, mas há três medicamentos em falta para os quais não há outra opção terapêutica no mercado nacional.

Como avançou o Jornal de Notícias, perante esta situação, os hospitais e farmácias estão a ser obrigados a pedir uma Autorização de Utilização Excepcional (AUE) para comprar os fármacos que não têm substituição em Portugal.

De acordo com o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, a situação é “preocupante”. “Os médicos fazem de tudo para encontrar soluções para os doentes”, mas é o Estado que tem de monitorizar e de encontrar alternativas, referiu.

Entre os indisponíveis, além dos três que não têm opção terapêutica, há 33 substâncias que não têm alternativa dentro da mesma molécula.

Os dados apresentados pelo jornal foram extraídos, na segunda-feira, da plataforma de Gestão da Disponibilidade do Medicamento acessível no site do Infarmed, havendo rupturas que levam meses a ser corrigidas. Tratam-se de comprimidos, injectáveis, xaropes e colírios.

Um desses casos é o Inderal, “um fármaco importante” para o tratamento da hipertensão e da angina de peito, que entrou em ruptura em Setembro e cuja reposição só está prevista para o início do próximo ano.

Também a Nimodipina, indicada na prevenção e tratamento de défices neurológicos isquémicos; a vacina contra a encefalite japonesa; a Mesterolona, substância para tratamento da infertilidade masculina; o Champix, indicado para o tratamento do tabagismo; e o Ozempic, para o tratamento da diabetes tipo 2, estão em falta.

Na terça-feira, a Comissão Nacional de Farmácia e Terapêutica do Infarmed emitiu uma orientação sobre o Ozempic, pedindo seja prescrito “em consciência”, tendo em conta os doentes com diabetes, “a saúde global da população” e “os princípios éticos de justiça na distribuição dos recursos aos que mais deles necessitam”.

Indicado e comparticipado em 90% pelo Serviço Nacional de Saúde para a diabetes, o Ozempic está em falta nas farmácias por estar a ser prescrito para a redução de peso. O ministro da Saúde já informou que os médicos terão de assinalar com clareza que a receita se destina ao tratamento da diabetes tipo 2.

  ZAP //
26 Outubro, 2022



 

378: Ensaios mostram que novo tratamento para Alzheimer reduz em 27% declínio cognitivo

SAÚDE PÚBLICA/ALZHEIMER/TRATAMENTO

O medicamento terá, no entanto, que ser examinado “no que diz respeito aos riscos de efeitos colaterais” detectados, “incluindo inflamação e sangramento no cérebro”.

O tratamento Lecanemab reduz em 27% o declínio cognitivo de pacientes nos estágios iniciais da doença de Alzheimer, segundo os resultados preliminares de ensaios clínicos com quase 1.800 pessoas, divulgaram as farmacêuticas Eisai e Biogen.

Este novo medicamento para o Alzheimer é o primeiro a demonstrar claramente em ensaios clínicos que retarda a progressão da doença, reduzindo o declínio cognitivo em 27% dos pacientes tratados, durante um período de 18 meses, nos estágios iniciais da doença.

Estes resultados preliminares surgem após ensaios clínicos realizados em quase 1.800 pessoas, metade das quais recebeu o tratamento e a outra metade um placebo.

A Eisai e a Biogen planeiam publicar os resultados completos numa revista científica e apresentar pedidos de autorização de comercialização para o tratamento nos Estados Unidos, Japão e Europa antes do final de Março de 2023.

Os benefícios do medicamento para os pacientes “são modestos, mas reais”, e estes resultados são, portanto, “realmente encorajadores”, destacou o professor de neuro-ciência da University College London, John Hardy.

“Se os dados resistirem ao escrutínio, esta é uma notícia fantástica”, destacou, por sua vez, Tara Spires-Jones, da Universidade de Edimburgo.

O tratamento não leva a “uma cura”, mas “retardar o declínio cognitivo e assim preservar a possibilidade de realizar as actividades diárias normais já é uma grande vitória”, sublinhou.

O medicamento terá, no entanto, que ser examinado “no que diz respeito aos riscos de efeitos colaterais” detectados, “incluindo inflamação e sangramento no cérebro”, alertou Charles Marshall, da Universidade Queen Mary de Londres.

De qualquer forma, os resultados mostram que atacar as placas amiloides no cérebro, como faz o Lecanemab, “merece exploração contínua como estratégia de tratamento”, acrescentou.

Os pacientes com Alzheimer têm placas de proteínas, chamadas amiloides, que se formam ao redor dos seus neurónios e, eventualmente, os destroem.

Mas o papel preciso dessas placas na doença, se são a causa ou a consequência de outros fenómenos, é cada vez mais objecto de debate na comunidade científica.

Outro tratamento do laboratório norte-americano Biogen, chamado Aduhelm e também direccionado às placas amiloides, gerou muitas esperanças em 2021, por ser o primeiro medicamento aprovado nos Estados Unidos contra a doença desde 2003.

Mas também causou polémica, pois a agência norte-americana de medicamentos (FDA) foi contra a opinião de um comité de especialistas, que julgou que o tratamento não tinha demonstrado suficientemente a sua eficácia durante os ensaios clínicos.

Mais tarde, a FDA restringiu o seu uso apenas a pessoas com casos leves da doença.

Diário de Notícias
Lusa/DN
29 Setembro 2022 — 09:14