“Cenário provável”. Anticiclone poderá ‘gelar’ Portugal neste inverno

🇵🇹 METEOROLOGIA/INVERNO/FRIO

É um fenómeno que pode acontecer entre Dezembro e Fevereiro, mas que não está previsto para breve.

© iStock

É apenas um “cenário provável”, mas pode efectivamente vir a acontecer. Um “anticiclone com localização na Europa Central”, mais concretamente na região siberiana da Rússia, pode fazer com que uma corrente de ar “mais frio e seco” se estenda a outros locais da Europa, como Portugal, ao longo do inverno meteorológico (que começa já a 1 de Dezembro).

A explicação foi dada ao Notícias ao Minuto por Patrícia Gomes, técnica  responsável pela realização de previsões para o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Em causa está um fenómeno que não é, de todo, “anormal”, e que pode trazer uma descida acentuada das temperaturas a vários países europeus, embora seja o “norte da Europa que vai sofrer mais” com este fenómeno, explicou a meteorologista.

Mas apesar das previsões alertarem para esta possibilidade, ainda não é ainda possível determinar com certezas se a temperatura “este ano vai diminuir mais do que o normal”, referiu Patrícia Gomes.

Aliás, as previsões do IPMA para as próximas quatro semanas apontam, até, para um cenário diferente. Citando a mais recente previsão mensal do instituto meteorológico, prevê-se uma “anomalia positiva” no que toca a temperaturas – ou seja, valores “ligeiramente acima” do expectável para esta altura do ano.

Porém, apesar de não se prever as consequências deste anticiclone “para o início do inverno” em Portugal, a verdade é que o “inverno são três meses” e, por isso, o melhor é esperar para ver se esta corrente de ar “mais frio e seco” vai, ou não, chegar a território nacional ao longo dos próximos meses.

Então mas o que podemos esperar da meteorologia para os próximos 10 dias? De acordo com as previsões disponíveis de momento, destacou a mesma fonte ao Notícias ao Minuto, na terça-feira deverá ocorrer uma “pequena descida da temperatura mínima”, embora no dia 1, quinta-feira, se preveja que os valores comecem a “subir ligeiramente”, especialmente no que diz respeito às máximas.

A partir daí, explicou a meteorologista, estão apenas previstas “pequenas variações” [de temperatura] na ordem dos 2ºC e 3ºC” em território nacional.

E se olharmos ainda para as regiões do interior do país, onde os termómetros têm registado valores “baixos”, é de esperar que os mesmo assim se mantenham – e até mesmo “abaixo dos 0ºC”.

Por outro lado, espera-se que a chuva dê “tréguas” entre esta segunda e terça-feira. Porém, tudo muda a partir de quarta-feira, dia 30 de Novembro. Patrícia Gomes acrescentou, assim, que “tudo indica” que a precipitação regresse, “um pouco por todo o país”, e que se mantenha “até dia 7 de Dezembro”.

Notícias ao MinutoNotícias ao Minuto
28/11/22 13:41
por Ema Gil Pires



 

Está a formar-se na Sibéria a “Besta do Leste”, que trará temperaturas geladas para Portugal. Saiba o que é

– A Besta do Leste chama-se Vladimir Vladimirovitch Putin. Uma Besta descontrolada, assassina, terrorista, russonazi ☠️卐☠️, que não passa de um miserável fantoche (Petruchka) que bombardeia alvos civis de toda a natureza, assassina civis de todas as idades desde crianças a idosos, sem qualquer tipo de escrúpulos e de consciência tranquila com a sua ideologia nazi que faria corar de vergonha Adolf Hitler.

A BESTA DO LESTE/SIBÉRIA/FENÓMENO

É um fenómeno comum, mas que raramente chega ao sul da Europa. Só que as condições para que isso aconteça estão formadas. O país pode gelar já em Dezembro.

Está a formar-se sobre a zona da Sibéria, na Rússia, um fenómeno meteorológico a que foi dado o nome de “Besta do Leste”, que, de forma simples, consiste na concentração de uma enorme massa de ares gelados que deverão, depois, descer por toda a Europa central e chegar a Espanha, primeiro, e a Portugal, depois.

Os meteorologistas estão atentos a esta situação, que não é nova, e já ocorreu noutros períodos da história, como em Fevereiro de 1956, naquele que foi um dos Invernos mais frios da Europa.

Não há ainda a certeza sobre os caminhos que os ventos gelados da Sibéria irão tomar, mas, de acordo com a forma como esta Besta do Leste se está a formar, tudo indica que o destino seja a Europa do sul.

Mas o que é esta Besta do Leste? É uma gigantesca concentração de ares gelados que acontece de forma mais ou menos regular nas zonas mais frias da Rússia, nomeadamente na região siberiana, onde as temperaturas são mais baixas nesta altura do ano.

Esses ares gelados são depois transportados para outras regiões, podendo tomar diferentes direcções, daí não ser frequente que atinjam as zonas mais a sul da Europa.

Para que se forme esta Besta do Leste “é necessário que ocorram vários factores”, como explica o site espanhol “El Tiempo“, especializado em meteorologia. “Em primeiro lugar, é desejável que exista uma elevada cobertura de neve sobre o território russo.

Em 2022, por exemplo, a cobertura de neve é alta”, avança a mesma publicação. O passo seguinte é a estabilização da atmosfera.

“Uma massa de ar estável no Inverno favorece uma queda de temperatura. Como há pouca radiação solar e cobertura de neve, o calor não se pode acumular”. Ou seja, desta forma está criada a tal grande concentração de ares gelados.

Agora, é preciso que ela chegue ao sul. E como é que isso pode ocorrer? “É preciso que um forte bloqueio anticiclone se forme e se posicione entre a Rússia e a Escandinávia. Isto criará um corredor de ventos que empurrará os ares gelados” para sul, explica o “El Tiempo”.

Em Fevereiro de 1956, ocorreu um dos mais dramáticos casos de formação desta Besta de Leste, que trouxe os ventos gelados até Espanha e Portugal, com temperaturas abaixo de zero em toda a região ibérica, mesmo durante o dia, durante um período considerável de tempo. Pode observar-se isso mesmo na imagem principal deste texto, referente à Besta de Leste de 1956.

De acordo com as análises dos meteorologistas, estas mesmas condições estão a formar-se neste momento, favorecendo não só a concentração de ares gelados sobre a Sibéria como a criação do corredor que os pode trazer para sul. “A configuração atmosférica no hemisfério norte, e mais especificamente na Europa, começa a ser favorável a um influxo de ar continental frio.

Neste momento, um forte anticiclone está sobre as estepes russas cobertas de neve. O ar está a arrefecer nas camadas inferiores, e está tudo a ficar no lugar certo”, refere o “El Tiempo”. A ocorrer, estas massas geladas poderão chegar à região ibérica no início de Dezembro.

Não é certo que tudo venha a encaixar-se e a acontecer como está previsto, precisamente porque se está a falar de uma previsão, que é sempre incerta, e os factores meteorológicos podem alterar-se. Mas a verdade é que “os padrões e tendências atmosféricas parecem apontar para uma possibilidade significativa de tal situação”, diz ainda o “El Tiempo”.

Magg
25 nov 2022 07:36

 



 

88: Seca, fogos e uma ferida no parque. Quando o calor é uma ameaça

SOCIEDADE/INCÊNDIOS

O violento incêndio que atingiu a Serra da Estrela vai deixar marcas profundas na biodiversidade do parque natural. Portugal prepara-se para enfrentar a terceira onda de calor deste verão.

Fogo na Serra da Estrela é o pior deste verão. Parque Natural foi fortemente atingido.
© Nuno André Ferreira/Lusa

Sábado, 13 de Agosto

Incêndio na Serra da Estrela: uma ferida que vai demorar a sarar

O fogo na Serra da Estrela, o maior deste verão (deflagrou a 6 de Agosto), chegou a ser dado como dominado no sábado, mas os fortes reacendimentos, em diferentes zonas, continuaram a dar muito trabalho aos bombeiros ao longo de toda a semana. E o pior é que o rasto de destruição que deixa demorará muito tempo a sarar.

A Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil recorreu ao exemplo de Hiroxima para melhor ilustrar a violência do incêndio no parque natural, uma área protegida, avançando que o fogo libertou mais de 760 terajoules de energia quando a bomba atómica lançada sobre a cidade japonesa em 1945 representou cerca de 30 terajoules. Além da imensa área ardida, o fogo teve um profundo impacto na biodiversidade da Serra: “Parte das áreas do Parque que são matos podem regenerar-se.

Mas não estamos a falar de 10, ou 100 hectares. Estamos a falar de milhares de hectares, de habitats dos quais dependem muitas espécies de animais”, frisou o engenheiro ambiental, Domingos Patacho, dirigente da Quercus, chamando ainda a atenção para a condição perigosa nas íngremes encostas do Vale do Zêzere, que agora sem árvores ficam mais sujeitas aos efeitos da erosão e a situações de arrastamento de terras e rocha quando chover. Este ano, até ontem, já arderam mais de 93 mil hectares em espaços rurais.

Quarta-feira, 17 de Agosto

Onda de calor agrava seca e combate a fogos

Alessandro Marraccini, meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), já o havia adiantado na véspera ao DN: “Neste momento, não temos recursos para dar boas notícias: parece que [o tempo] vai continuar péssimo para o combate aos incêndios e bom para a praia”.

Na quarta-feira, seria o próprio presidente do IPMA, Jorge Miguel Miranda, a confirmar a chegada, a partir de hoje, da terceira onda de calor deste verão, acrescentando ao problema do combate aos incêndios – e ao excesso de mortalidade provocada pelas altas temperaturas – o agravamento da situação de seca que Portugal já vive nesta altura.

“A situação na Europa ainda será talvez pior do que a media em Portugal, mas temos um sistema natural que está tremendamente fragilizado e temos ainda um mês e meio, pelo menos, pela frente para sermos capazes de ultrapassar”, afirmou, numa semana em que uma análise da organização World Wide Fund for Nature deu conta que 17% da população europeia está em grande risco de escassez de água até 2050.

São notícias preocupantes para o país que, ainda assim, conseguiu neste dia encontrar um bom motivo para sorrir com a conquista de mais uma medalha de ouro por Pedro Pichardo, no triplo salto, nos Europeus multi-desportos, em Munique.

Barragem do Beliche, em Castro Marim. Situação de seca no Algarve e Baixo Guadiana é das piores do país.
© Luís Forra/Lusa

pedro.sequeira@dn.pt

Diário de Notícias
Pedro Sequeira
20 Agosto 2022 — 00:28

36: Há três razões para Portugal ser o país europeu que mais arde

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/INCÊNDIOS

Paulo Pimenta de Castro chama-lhe “um triângulo” difícil de limar. Portugal tem à cabeça três condições favoráveis à ocorrência do maior número de fogos e em consequência a ter mais área ardida: meteorologia, ocupação do território e comportamento das pessoas.

Cadastro dos terrenos é uma questão fundamental por resolver, segundo os especialistas.
© Paulo Cunha / Lusa

Os dados de todos os organismos indicam o mesmo: Portugal é o país que mais arde na União Europeia. “Fomos o que mais ardeu em 2016, em 2017 e em 2018 – neste ano parece estranho, porque houve aquele incêndio com muitas vítimas na Grécia, e houve aquele incêndio na Suécia que foi acabado à bomba, mas mesmo assim Portugal conseguiu, com o incêndio de Monchique, superar em área essas ocorrências”.

Paulo Pimenta de Castro, presidente da Acréscimo, professor, engenheiro silvicultor e autor de “Portugal em Chamas”, não se espanta com os dados: durante três anos seguidos fomos o país que mais ardeu na União Europeia. Ainda assim, acredita que “temos tido imensa sorte, nestes últimos anos, com o factor meteorológico”.

Não se cansa de lembrar que os incêndios dependem de três factores: meteorologia, ocupação do território e comportamentos. “Ora, ao nível dos comportamentos, o nosso palmarés é péssimo, sobretudo com o índice de queimas e queimadas na ocorrência de incêndios”. E por isso, não tem dúvida de que “temos um uso exagerado do fogo”.

No dia em que falamos com Pimenta de Castro, a serra da Estrela arde, mais uma vez. “E não tem eucaliptos”. O que deita por terra a teoria crua da monocultura, embora o factor da ocupação da floresta pese bastante. “Nós temos uma condição meteorológica que nos é benéfica, se quisermos dividir o país ao meio, na parte do litoral”, enfatiza. “Mas na parte da raia sofremos um pouco daquilo que está a sofrer Espanha.

“Neste país, grande parte da área ardida resulta de reacendimentos. E esta é uma fragilidade que temos no combate. Assim foi em 2018 em Monchique, e aparentemente foi o que aconteceu agora na Serra da Estrela. Não se justifica que passemos tantos dias a arder”, considera o engenheiro silvicultor, autor do livro “Portugal em Chamas”.

Nos últimos dias, quando analisamos o risco de incêndio, do serviço que vem da Comissão Europeia, “nós vemos que Portugal tem estado praticamente dividido ao meio”, sublinha o investigador, explicando que “temos risco elevado na zona litoral, mas risco máximo só na zona mais raiana”.

“Apesar de tudo, comparativamente com Espanha, temos tido aqui alguma sorte”, considera. “Mas quando temos dias mais quentes, como tivemos em Julho, o nosso comportamento é igual ou pior do que acontece em Espanha.

E por isso, tendo em conta o tal triângulo de factores de que falo, “beneficiamos” de termos apenas 60 mil hectares ardidos”, afirma o presidente da Acréscimo. “Se apanharmos novo golpe de calor, estes números disparam automaticamente”.

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Portugal foi o país com maior número de fogos em 2020, segundo o relatório de fogos florestais na Europa, Médio Oriente e Norte de África, elaborada pela Comissão Europeia, com uma área ardida de 67.170 hectares.

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Espanha secundou-nos em número de fogos em 2020, atingindo os 65.923 hectares de área ardida. Seguiu-se a França, com 7.373 incêndios, mas muito menos área ardida: 17.077 hectares.

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Macedónia do Norte registou o número mais baixo de fogos na União Europeia no ano de 2020. Desses incêndios resultaram apenas 68 hectares de área ardida.

A importância do cadastro dos terrenos

“Embora se tente fazer passar que a questão do cadastro é uma medida de política de ordenamento florestal, não é. É uma medida de política de ordenamento do território. E quando uma medida de ordenamento florestal, seja qual for, não sabe quem é o seu público-alvo, é óbvio que o risco de falhar é grande”, afirma o professor.

Recorda que no caso da agricultura “tivemos a Comissão Europeia, que nos obrigou a fazer o parcelário, porque queria saber a quem é que dava dinheiro. No caso das florestas, temos essa questão, de não se saber o que é de quem.

Mas considerar que pelo facto de se resolver o cadastro se resolve o problema dos incêndios…ou reduz o impacto dos mesmos em Portugal, também não é verdade. Porque isso depende depois de um outro conjunto de políticas. E se não houver expectativa por parte das famílias em obter algum ganho relativamente ao seu património, o que fazem é o que se vê: abandoná-lo”.

Também Helena Freitas aponta essa condicionante: “98% do território é privado, e nunca tivemos o cuidado de identificar solos e territórios que deveriam ser propriedade do Estado”.

A bióloga, catedrática na área da Biodiversidade e Ecologia no Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, lembra que em Portugal conseguimos fazer o cruzamento de vários pontos cruciais e preocupantes: “Somos, de facto, o país que mais arde, temos a maioria dos terrenos na mão dos privados; mantemos o problema da herança indivisa, e poucos países considerados desenvolvidos têm esta questão do cadastro por resolver”.

“Há um conjuntos de aspectos que permanecem por resolver, e que agora num quadro climático mais favorável aos fogos, quando o nosso território está mais abandonado, não havendo valorização do rural, coloca-nos numa espiral de destruição brutal que começa a ter impactos muito preocupantes”.

A actual directora do Parque de Serralves, no Porto, lembra que mesmo ao nível da recuperação da área verde estamos num plano complicado: “Quando arde a biomassa à superfície há também muita degradação dos solos, que perdem capacidade regenerativa. Começamos também a diminuir a própria produtividade dos nossos ecossistema”, considera a a antiga coordenadora da Unidade de Missão para a Valorização do Interior.

Mais mato, menos floresta

Outra singularidade portuguesa reside no aumento do mato – e na diminuição da mancha florestal. “Isto acontece porque estamos a perder qualidade na regeneração da floresta”, considera Helena Freitas, que ainda assim considera positivas algumas iniciativas que têm vindo a ser feitas.

“O problema é que são muito lentas. E o fogo muito rápido”. Aponta como exemplo a criação de uma estrutura criada para os fogos florestais – “com a preocupação de envolver as comunidades, o que foi muito positivo. Claro que foi uma resposta directa a Pedrogão, mas foi importante”.

De resto, foi ela a responsável pelo programa para a coesão territorial, e fala por isso com orgulho do BUPI (Balcão Único do Prédio). Ainda que seja esse também um exemplo da lentidão de que fala: “Foi iniciado em 2017, e a norte do Tejo nem 20% temos ainda feito”.

Olhando para o resto da Europa, estabelece termos de comparação. “Há países que também têm problemas embora não tão graves, como França ou Espanha, e que estão a introduzir medidas mais drásticas. Designadamente no que respeita à questão da propriedade abandonada, que transita para o Estado”.

Helena Freitas defende, em primeira instância, que se promova o ordenamento da floresta, o cadastro, e se torne mais robusta a estrutura de missão que tem esse encargo. Outra questão importante é envolver as populações. “Temos de reconectar comunidades com os territórios. Hoje quase que vivemos em guerra com o mundo rural.

Quem vive no meio urbano vai descansado de férias para a praia, e quem vive no mundo rural já sabe que tem a desgraça dos incêndios à porta. E isto é insustentável. Só temos essa saída, trabalhar o ordenamento da floresta. Os cenários climáticos graves que temos podem escalar rapidamente”.

Uma nova estrutura climática

No que respeita às alterações climáticas, a investigadora deixa um alerta: “Penso que o país também precisa de criar uma estrutura de avaliação da condição climática mais actuante, mais disponível até para o próprio Estado. Nós temos o IPMA, que tem um trabalho notável, mas é preciso que esse conhecimento técnico-científico seja mais actuante, e mais disponível”, defende.

Helena Freitas fala da criação “de um interface entre a comunidade científica, capaz de produzir esta informação, e as entidades que depois a colocam no terreno”, ao mesmo tempo que invoca a importância da literacia das comunidades, “que devem saber como reagir perante um fogo.

dnot@dn.pt

Diário de Notícias
Paula Sofia Luz
11 Agosto 2022 — 00:14

20: Mês de Julho foi o mais quente dos últimos 92 anos

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/METEOROLOGIA

O mês de Julho foi o mais quente dos últimos 92 anos, com temperaturas quase sempre acima do normal e com um registo de 47ºC no Pinhão, um novo extremo para Julho no continente.

© NUNO VEIGA/LUSA

Os dados fazem parte do boletim climatológico de Julho divulgado pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que classifica o mês de Julho de 2022, em Portugal continental, como extremamente quente em relação à temperatura do ar e muito seco em relação à precipitação.

Num mês “excepcional”, foram excedidos os extremos absolutos de temperatura máxima em 28 estações e da temperatura mínima em 21 estações.

“Entre os dias 07 e 14 de Julho foram registados 98 novos recordes de temperatura máxima, com o maior número de recordes absolutos no dia 14 e mensais no dia 13”, diz o IPMA.

No mês passado, o valor médio da temperatura média do ar foi de 25.14ºC (graus celsius), o que representa quase três graus (2.97ºC) acima do valor normal.

O valor médio da temperatura máxima do ar, com mais de 33ºC (33.16 °C), foi o segundo mais alto desde 1931 (desde que há registos), só ultrapassado pelo mês de Julho de 2020). Foram mais 4.44ºC do que o normal.

No documento o IPMA salienta que os quatro maiores valores da média da temperatura máxima em Julho ocorreram depois de 2000.

O valor médio da temperatura mínima (17.13ºC) também foi quase dois graus acima do normal, e foi o quarto mais alto desde 1931.

Durante o mês de Julho, diz também o IPMA, os valores de temperatura do ar estiveram quase sempre muito acima do valor normal, com períodos excepcionalmente quentes, como entre 07 e 17 e entre 20 e 26, e ainda 29 e 31.

Além dos 47ºC no dia 14 registados na estação do Pinhão, o IPMA destaca a persistência de valores muito altos de temperatura mínima, média e máxima em vários dias, e diz que dia 13 foi o dia mais quente deste ano no continente e o quinto dia mais quente deste século.

Tendo em conta a média do continente, o país teve em Julho valores médios da temperatura média superiores a 25 graus e valores médios da temperatura máxima superiores a 34 graus em 11 dias consecutivos. E durante três dias seguidos os valores médios da temperatura máxima foram acima dos 38 graus, o que confirma um “carácter excepcional” do mês de Julho.

Esse carácter excepcional, de extremamente quente, contribuiu para que o período de Janeiro a Julho deste ano fosse o terceiro mais quente desde há 92 anos, só ultrapassado pelos períodos idênticos de 2020 e 2017.

Quanto à precipitação Julho foi o quarto mais seco desde 2000, com o total de precipitação a corresponder apenas a 22% do normal.

No fim de Julho, em relação ao final de Junho, havia “uma diminuição significativa dos valores de percentagem de água no solo em todo o território, que foram mais significativas nas regiões Centro e Sul” diz o IPMA, que realça o aumento da área com valores inferiores a 10% e iguais ao ponto de emurchecimento permanente.

A 31 de Julho, com todo o país em seca meteorológica, havia um aumento da área na classe de seca extrema: 55% do território está na classe de seca severa e 45% na classe de seca extrema.

Diário de Notícias
DN/Lusa
05 Agosto 2022 — 19:20