769: Minas antipessoais mataram ou feriram 227 pessoas na Ucrânia

– Não teriam sido plantadas pelos ucranianos? (ironia) Na guerra onde estive, todas as minas anti-pessoais e anti-carro eram dos “santinhos” dos soviéticos ☠️卐☠️ ! As GMC tinham de ter os tejadilhos da cabina serrados, os condutores iam sentados nas costas do banco, os pés no volante, um pau para acelerar ou travar, sacos de areia em cima das guardas dos pneus e à frente o pelotão de sapadores a picar os trilhos…

UCRÂNIA/MINAS/MORTES

Estudos calculam em 26,5 milhões o número de minas anti-pessoais que podem permanecer armazenadas pela Rússia.

Um “deminer” do Serviço de Emergência da Ucrânia caminha durante uma apresentação à imprensa do primeiro veículo de desminagem especializado Armtrac 400 da Ucrânia, adquirido através da plataforma de recolha de fundos UNITED24, perto de Kharkiv, a 27 de Outubro de 2022, no meio da invasão russa da Ucrânia.
© (SERGEY BOBOK / AFP)

As minas anti-pessoais provocaram pelo menos 227 vítimas civis nos primeiros nove meses de guerra na Ucrânia, cinco vezes mais que os mortos por este tipo de arma em 2021, indica um relatório anual sobre o impacto destes artefactos.

No decurso da guerra na Ucrânia, o exército russo utilizou sete tipos diferentes de minas, indica um estudo da ONG Campanha Internacional pela Proibição das Minas Anti-pessoais (ICBL) e divulgado esta quinta-feira pela Human Rights Watch (HRW).

A organização não-governamental empenhada na abolição das minas confirmou que a Rússia desenvolveu e produziu este tipo de armas entre 2019 e 2021, apesar de não excluir a utilização de minas de origem soviética produzidas há mais de três décadas.

No total, os dados do estudo calculam em 26,5 milhões o número de minas deste tipo que podem permanecer armazenadas pela Rússia.

A ICBL também sublinhou a possibilidade de utilização de minas anti-pessoais pelas forças ucranianas durante o conflito, e que implicaria uma violação da Convenção de Otava, da qual a Ucrânia é signatária.

A Ucrânia refere ter pendente a destruição de 3,3 milhões destas minas.

Para além da Ucrânia, e de acordo com o estudo da ICBL, 69 dos Estados signatários da convenção conservam minas anti-pessoais nos seus arsenais.

Em Junho de 2022, os Estados Unidos renunciaram ao uso, compra e produção de novas minas anti-pessoais, saindo da lista de países produtores deste tipo de armamento.

Entre os países que fabricam minas anti-pessoais inclui-se Mianmar, que com a Rússia é o principal foco de preocupação desta ONG.

O país asiático utilizou este tipo de arma de forma ininterrupta desde 1999, apesar de ter incrementado a sua utilização entre 2021 e 2022, ao utilizá-la junto a infra-estruturas como torres telefónicas e gasodutos.

Nesse país as minas também provocaram vítimas civis nas proximidades de edifícios religiosos, zonas de operações militares e jazidas mineiras.

As minas anti-pessoais foram ainda utilizadas por grupos armados na República Centro Africana, Colômbia, República Democrática do Congo e Índia.

Segundo o relatório, 5.544 pessoas em todo o mundo sofreram ferimentos provocados pelas minas anti-pessoais durante o ano de 2021.

Mais de 75% das vítimas são civis, e entre estas 50% foram crianças.

A Síria foi o país com mais mortes e feridos (1.227), seguido do Afeganistão, signatário do acordo de Otava, com 1.074.

O relatório deste ano foi publicado uma semana antes do início da 20ª reunião dos Estados que integram o tratado de proibição de minas, que decorre em Genebra (Suíça) entre 21 e 25 de Novembro sob a presidência da Colômbia, e que pela primeira vez terá a presença dos Estados Unidos, signatários do acordo de Otava.

Diário de Notícias
DN/Lusa
17 Novembro 2022 — 15:53