1009: NASA atinge mais de 423 mil km de distância e quebra recorde de Apollo

Nasa NASA / ORION / ARTEMIS 1 / LUA

Este é o ponto mais distante que uma nave espacial concebida para transportar humanos até ao espaço conseguiu alcançar. Na imagem captada pela NASA é possível ver a Terra e a Lua juntas, num dia em que “a Lua apareceu para eclipsar a Terra”.

© NASA

A Orion, cápsula espacial da NASA, atingiu, na segunda-feira, mais de 423 mil quilómetros, alcançando, assim, a sua distância máxima da Terra durante a missão Artemis I, e ultrapassando também o recorde de Apollo 13. Este é o ponto mais distante que uma nave espacial concebida para transportar humanos até ao espaço conseguiu atingir até agora.

Numa imagem captada pela NASA, a Orion consegue ter uma “visão única” da Terra e da Lua, “através de uma câmara montada numa das matrizes solares”. “A nave também captou imagens da Terra e da Lua juntas, num dia em que a Lua que apareceu para eclipsar a Terra”, explica a NASA em comunicado.

O recorde de Apollo 13 foi quebrado pela Orion no sábado, 26 de Novembro, quando a cápsula atingiu cerca de 400 mil quilómetros de distância da Terra.

A primeira fase da missão Artemis I tem uma duração de 25 dias e, para já, a Orion “mantém-se em boas condições enquanto continua a sua viagem em órbita retrógrada distante”, ou seja, “a milhares de quilómetros para lá da Lua”.

“A Artemis I teve um sucesso extraordinário e completou uma série de acontecimentos históricos”, disse o administrador da NASA Bill Nelson. “É incrível como esta missão tem corrido sem sobressaltos”, sublinha.

A Orion deve voltar à Terra a 11 de Dezembro.

A missão da NASA, Artemis, marca o início do programa com que os Estados Unidos pretendem regressar à superfície da Lua em 2025, colocando a primeira astronauta mulher e o primeiro astronauta negro em solo lunar.

No topo do foguetão está a cápsula Orion que, para esta primeira missão, está equipada com um “manequim” que vai registar os impactos do voo no corpo humano.

O lançamento da missão ocorreu após duas tentativas de lançamento em Agosto e Setembro, que foram canceladas devido a problemas técnicos.

TSF
Por Carolina Quaresma
30 Novembro, 2022 • 10:28



 

1007: Rover Perseverance detecta mais carbono orgânico em Marte, em busca de sinais de vida

CIÊNCIA / ASTRONOMIA / ASTROBIOLOGIA

O rover Perseverance encontrou moléculas orgânicas em Marte semelhantes aos químicos que deram origem à vida na Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

No chão da cratera Jezero, o rover Perseverance da NASA descobriu sinais de moléculas orgânicas, os tipos de químicos que compõem a vida na Terra. Com base nas medições que o rover tem realizado até agora, é impossível dizer se as moléculas orgânicas provêm de vida antiga ou de processos geológicos.

No entanto, mesmo moléculas orgânicas formadas geologicamente reforçam as evidências da habitabilidade passada de Marte, porque a vida na Terra provavelmente começou por coalescência a partir de moléculas orgânicas naturais como estas, diz Amy Williams, astrobióloga da Universidade da Florida e uma das planeadoras a longo prazo da missão do Perseverance.

“Os compostos orgânicos compõem a vida tal como a conhecemos”, disse Williams. “Ver carbono orgânico em Marte permite-nos compreender se os blocos de construção da vida estavam presentes no planeta no passado através da lente de como a vida evoluiu na Terra”.

O Perseverance recolheu múltiplas amostras de rochas que vão ser enviadas para a Terra graças à missão MSR (Mars Sample Return). Algumas dessas amostras incluem rochas alteradas pela água e os cientistas pensam que um Marte húmido pode ter suportado vida há milhares de milhões de anos atrás.

Testes mais sofisticados na Terra podem verificar os sinais de moléculas orgânicas e determinar se as amostras rochosas possuem evidências convincentes de vida passada em Marte.

Num artigo científico publicado dia 23 de Novembro na revista Science, liderado por Eva Scheller do Caltech (California Institute of Technology), Williams e o resto da equipa do Perseverance partilharam a sua análise de moléculas orgânicas em vários locais do chão da cratera.

O rover também avistou vários sais minerais que se formaram a partir da interacção da água com rochas na cratera.

Liderado pelo JPL da NASA, o Perseverance está a estudar a cratera Jezero porque em tempos acolheu um grande delta de rio que desaguava num antigo lago. Esse passado húmido faz da cratera um local promissor para a identificação de quaisquer sinais de vida de há milhares de milhões de anos atrás.

Esta não é a primeira vez que moléculas orgânicas são detectadas em Marte. O rover Curiosity – no qual Williams também trabalha – encontrou carbono orgânico noutros locais do planeta em 2015.

Agora que o Perseverance viu assinaturas semelhantes num contexto geológico completamente diferente, as evidências estão a acumular-se de que o carbono orgânico é omnipresente no Planeta Vermelho, embora a níveis baixos.

“Ver uma história consistente é sempre reconfortante como cientista”, disse Williams. “Agora que temos uma ideia dos compostos orgânicos, isso está a ajudar-nos a ligá-los a uma biosfera marciana ou a processos geológicos no passado”.

Astronomia On-line
29 de Novembro de 2022



 

1000: A missão Artemis pode ser a última dos astronautas da NASA

POST Nº. 1.000 DESTE BLOGUE

CIÊNCIA / TECNOLOGIA / ESPAÇO / ARTEMIS 1

Neil Armstrong deu o seu histórico “pequeno passo” na Lua em 1969. E apenas três anos depois, os últimos astronautas da Apollo deixaram o nosso vizinho celestial.

NASA

Desde então, centenas de astronautas foram lançados ao Espaço, mas principalmente para a Estação Espacial Internacional que orbita a Terra. Nenhum, de facto, se aventurou mais do que algumas centenas de quilómetros da Terra.

O programa Artemis liderado pelos EUA, no entanto, visa devolver os humanos à Lua nesta década – com o Artemis I voltando para a Terra como parte do seu primeiro voo de teste, girando ao redor da Lua.

As diferenças mais relevantes entre a era Apollo e meados da década de 2020 são uma melhoria incrível no poder do computador e na robótica. Além disso, a rivalidade das super-potências não pode mais justificar gastos massivos, como na competição da Guerra Fria com a União Soviética.

A missão Artemis está a usar o novo Sistema de Lançamento Espacial da NASA, que é o foguete mais poderoso de todos os tempos – semelhante em design aos foguetes Saturn V que enviaram uma dúzia de astronautas da Apollo para a Lua.

Como os seus antecessores, o propulsor Artemis combina hidrogénio líquido e oxigénio para criar um enorme poder de elevação antes de cair no oceano, para nunca mais ser usado. Cada lançamento, portanto, tem um custo estimado entre dois e quatro mil milhões de dólares.

Isto é diferente do seu concorrente da SpaceX, “Starship”, que permite à empresa recuperar e reutilizar o primeiro estágio.

Os benefícios da robótica

Os avanços na exploração robótica são exemplificados pelo conjunto de rovers em Marte, onde o Perseverance, o mais recente prospector da NASA, pode conduzir-se por terrenos rochosos com orientação limitada da Terra.

Melhorias em sensores e inteligência artificial (IA) permitirão ainda que os próprios robôs identifiquem locais particularmente interessantes onde devem recolher amostras para trazer à Terra.

Nas próximas uma ou duas décadas, a exploração robótica da superfície marciana poderá ser quase totalmente autónoma, com a presença humana a oferecer poucas vantagens.

Da mesma forma, projectos de engenharia – como o sonho dos astrónomos de construir um radiotelescópio no outro lado da Lua, livre de interferências da Terra – não requerem intervenção humana. Tais projectos podem ser construídos por robôs.

Em vez dos astronautas, que precisam de um local bem equipado para morar se forem necessários para fins de construção, os robôs podem permanecer permanentemente no seu local de trabalho.

Da mesma forma, se a mineração de solo lunar ou asteróides para materiais raros se tornasse economicamente viável, isso também poderia ser feito de forma mais barata e segura com robôs.

Os robôs também poderiam explorar Júpiter, Saturno e as suas fascinantes luas diversas com poucos gastos adicionais, já que viagens de vários anos apresentam pouco mais desafios para um robô do que a viagem de seis meses a Marte. Algumas dessas luas poderiam, de facto, abrigar vida nos seus oceanos subterrâneos.

Mesmo que pudéssemos enviar humanos para lá, seria uma má ideia, pois poderiam contaminar esses mundos com micróbios da Terra.

Gestão de riscos

Os astronautas da Apollo foram heróis. Aceitaram altos riscos e levaram a tecnologia ao limite. Em comparação, viagens curtas à Lua na década de 2020, apesar do custo de 90 mil milhões de dólares do programa Artemis, parecerão quase rotineiras.

Algo mais ambicioso, como um pouso em Marte, poderia custar à NASA um bilião de dólares – gasto questionável quando estamos a lidar com uma crise climática e pobreza na Terra.

O alto preço é resultado de uma “cultura de segurança” desenvolvida pela NASA nos últimos anos em resposta às atitudes do público.

Isto reflecte o trauma e consequentes atrasos no programa que se seguiram aos desastres do space shuttle em 1986 e 2003, cada um dos quais matou os sete civis a bordo.

Dito isso, o space shuttle, que teve 135 lançamentos no total, alcançou uma taxa de falhas abaixo de dois por cento. Seria irreal esperar uma taxa tão baixa quanto esta para o fracasso de uma viagem de regresso a Marte – afinal, a missão duraria dois anos inteiros.

Os astronautas também precisam de muito mais “manutenção” do que os robôs – as suas jornadas e operações de superfície requerem ar, água, comida, espaço para viverem e protecção contra radiação nociva, especialmente de tempestades solares.

Já substancial para uma viagem à Lua, as diferenças de custo entre viagens humanas e robóticas cresceriam muito mais para qualquer estadia de longo prazo.

Uma viagem a Marte, centenas de vezes mais longe do que a Lua, não apenas exporia os astronautas a riscos muito maiores, mas também tornaria o apoio de emergência muito menos viável. Mesmo os entusiastas dos astronautas aceitam que podem decorrer quase duas décadas antes da primeira viagem tripulada a Marte.

Certamente haverá caçadores de emoção e aventureiros que aceitariam de bom grado riscos muito maiores – alguns até se inscreveram para uma proposta de viagem só de ida no passado.

Isso sinaliza uma diferença fundamental entre a era Apollo e hoje: o surgimento de um forte sector privado de tecnologia espacial, que agora abrange voos espaciais tripulados.

As empresas do sector privado competem agora com a NASA, de modo que viagens de alto risco e preços reduzidos a Marte, financiadas por bilionários e patrocinadores privados, podem ser tripuladas por voluntários dispostos. Em última análise, o público poderia animar estes aventureiros sem pagar por eles.

Dado que é altamente provável que o voo espacial humano além da órbita baixa seja totalmente transferido para missões com financiamento privado preparadas para aceitar altos riscos, é questionável se o projecto Artemis de vários milhares de milhões de dólares da NASA é uma boa maneira de gastar o dinheiro do governo.

ZAP // The Conversation
30 Novembro, 2022



 

913: Artemis 1: Hoje é um dia especial, a nave Orion entra na órbita lunar (vídeo)

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/NASA/LUA/ARTEMIS 1

A nave espacial Orion da missão Artemis 1 DA ASA chegará à órbita da Lua hoje, sexta-feira dia 25 de Novembro, e poderá assistir ao momento marcante ao vivo. O evento, que acontecerá pelas 21:52 hora de Lisboa, irá por à prova a cápsula, dado que o caminho até lá chegar é sinuoso.

Com mais esta etapa, a nave não tripulada atinge com sucesso o seu objectivo principal. A entrada em órbita será acompanhada da Terra e poderá assistir a tudo em directo. Veja como.

Artemis 1: Hoje será batido um novo recorde

Hoje, pelas 21:52 horas de Portugal continental, a Orion está programado para ligar o motor que irá atirar a nave espacial numa órbita retrógrada distante à volta da Lua.

A cápsula irá utilizar o Módulo de Serviço Europeu, projectado e implantado pela Agência Espacial Europeia (ESA), que realizará uma manobra com suporte da gravidade da Lua. É esse movimento que é chamado de “órbita retrógrada distante” (DRO).

Segundo informações a DRO levará Orion cerca de 64.000 quilómetros para além da lua no seu ponto mais distante. Ao percorrer este caminho, a cápsula estabelecerá um novo recorde, afastando-se mais da Terra do que qualquer outra nave espacial anterior de classificação humana.

A actual marca de 400.171 km é mantida pela missão Apollo 13 da NASA, que não se destinava a viajar tão longe. A Apollo 13 deu a volta à Lua em vez de aterrar no solo lunar, depois da explosão de um tanque de oxigénio no módulo de serviço da nave espacial.

Orion vai chegar, cumprimentar a Lua e vir embora

A Orion passará um pouco menos de uma semana na DRO. A cápsula deixará a órbita lunar com o impulso gerado após ligar o motor no dia 1 de Dezembro, depois começará a viagem para casa, para a Terra.

A nave chegará aqui no dia 11 de Dezembro com um mergulho no Oceano Pacífico ao largo da costa da Califórnia, se tudo correr como planeado.

A missão Artemis 1 de quase 26 dias foi concebida para testar a Orion e o enorme foguetão, o SLS (Sistema de Lançamento Espacial), que enviou a cápsula para o céu na semana passada, antes das missões planeadas da tripulação para a Lua.

O primeiro desses voos dos astronautas, Artemis 2, enviará a Orion à volta da Lua em 2024. A missão Artemis 3 vai então aterrar no solo lunar perto do Polo Sul da Lua em 2025 ou 2026. Seguir-se-ão outras missões de alunagem, à medida que a NASA constrói um posto de investigação da tripulação na região polar sul – um objectivo-chave do seu programa Artemis.

Veja aqui em directo a entrada da Orion na órbita retrógrada distante da Lua:

Pplware
Autor: Vítor M
25 Nov 2022



 

843: Artemis 1: Cápsula Orion, da NASA, completa com sucesso o seu voo próximo à Lua

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/ARTEMIS 1/LUA/NASA

A missão Artemis 1 continua no espaço e a decorrer como a NASA e os seus parceiros esperavam. Agora que a cápsula Orion está próxima da Lua, é hora de realizar algumas manobras mais críticas e que vão avaliar o futuro desta missão.

Esta cápsula da NASA atingiu um novo momento crítico e chegou ao pronto mais próximo da Lua. Voou a 130 km do satélite natural da Terra durante o voo mais próximo, enquanto realizava um teste ao seu sistema de propulsão.

Cápsula Orion passou a rasar a Lua

Foi durante dois minutos e 20 segundos que o motor principal da cápsula Orion este activo para corrigir a sua trajectória. Esta acção foi criada para testar mais uma das várias fases que esta cápsula terá de realizar nas futuras missões que vão acontecer.

No momento do teste, a Orion viajava 528 quilómetros acima da Lua e deslocava-se a 8.064 km por hora. No seu momento mais próximo da Lua passou a apenas 130 km desta, marcando a aproximação lunar mais próxima da missão Artemis 1. A cápsula acabou por ficar a viajar a velocidades que chegam a 8.211 km/h, agora que se afasta da Lua.

Artemis 1 vai continuar a sua missão

Esta foi a primeira de duas manobras necessárias para entrar na órbita retrógrada distante à volta da Lua. Na próxima sexta feita, dia 25, a Orion irá realizará a queima de inserção em órbita retrógrada distante, usando o Módulo de Serviço Europeu. A cápsula Orion vai permanecer nesta órbita por cerca de uma semana para testar os sistemas da espaço-nave.

A órbita retrógrada distante é conhecida como tal porque as naves nesta órbita viajam muito longe da Lua nos seus pontos mais distantes. Também o é porque viajam à volta da Lua em direcção oposta à direcção em que a o satélite natural orbita a Terra. Esta “altamente estável” e “permite que uma nave reduza o consumo de combustível e permaneça em posição enquanto viaja à volta da Lua”.

NASA vê esta missão como um sucesso

As estações terrestres na Terra perderam temporariamente o contacto com a Orion, quando a cápsula passou atrás da Lua. A Deep Space Network da NASA restabeleceu o contacto 34 minutos depois. Caso pretenda seguir este voo, a NASA tem disponível um site com toda a informação em tempo real.

Na informação partilhada, a NASA revelou que a Artemis 1 tem sido uma missão muito limpa”. A equipe trabalhou em 13 anomalias, a maioria das quais são “relativamente benignas”. A cápsula Orion está a “superar as expectativas” e é esperada que volte à Terra no dia 11 de Dezembro.

Pplware
Autor: Pedro Simões
22 Nov 2022



 

826: NASA: Teremos seres humanos a viver na Lua ainda esta década

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/VIDA/LUA

Quando será poderemos viver na Lua? Esta é uma questão que se tem colocado, face aos avanços que têm acontecido na área espacial. Howard Hu, considerado o “pai” da missão Artemis e responsável do projecto aeroespacial Orion da NASA referiu que em breve teremos seres humanos a viver na Lua.

O passo seguinte? Marte.

Seres humanos a viver na Lua: devem ser criados habitats

Até 2030 a NASA tem intenções de ter astronautas a viver e a trabalhar na Lua. Tal afirmação foi proferida por Howard Hu, líder do projecto aeroespacial Orion, da agência americana, ao programa de Laura Kuenssberg, da BBC. Para que tal aconteça deverão ser criados habitats específicos e aeronaves destinadas a apoiar o seu trabalho.

“Certamente, nesta década, teremos seres humanos a viver lá por alguns períodos. Terão habitats e rovers no solo”, afirmou, acrescentando que os astronautas enviados para a superfície da Lua estarão lá a fazer “fazer ciência”.

“É o primeiro passo que estamos a dar rumo à exploração profunda do Espaço a longo prazo, não apenas para os EUA mas para o Mundo. É um dia histórico para a NASA mas também para todos aqueles que amam o voo espacial humano”, referiu, durante a entrevista. Howard Hu disse ainda que a missão Artemis representa o início do regresso do ser humano à Lua.

Se tudo correr bem com a missão, o próximo voo já será tripulado. É provável que esse voo leve astronautas a pousarem na Lua, o que não acontece desde a Apollo 17, em Dezembro de 1972.

A missão Artemis 1, é a primeira etapa para a NASA voltar a colocar a humanidade em solo lunar, que deverá acontecer em 2024. A caminho do satélite natural, a viagem da cápsula poderá ser acompanhada por todos nós na Terra.

Pplware
Autor: Pedro Pinto
20 Nov 2022



 

810: Artemis 1: Siga a nave Orion da NASA no seu caminho até à Lua

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/ARTEMIS/LUA

Após vários adiamentos, no passado dia 16 de Novembro, o foguetão SLS da NASA, que carregava a nave Orion, finalmente disparou até ao espaço com o objectivo de chegar à Lua.

A missão Artemis 1, é a primeira etapa para a NASA voltar a colocar a humanidade em solo lunar, que deverá acontecer em 2024. A caminho do nosso satélite natural, a viagem da cápsula poderá ser acompanhada por todos nós na Terra.

A agência espacial norte-americana disponibiliza um site com informação em tempo real, assim como imagens, que nos faz sentir como se estivéssemos na parte de fora da nave.

A Artemis 1, o primeiro voo do programa Artemis, lançado no início da manhã de quarta-feira passada. Um foguete do Sistema de Lançamento Espacial (SLS), na sua primeira missão de sempre, enviou com sucesso uma nave espacial Orion não tripulada em direcção à Lua.

Embora o lançamento tenha terminado, podemos continuar a acompanhar em tempo real a missão de quase um mês neste website da NASA. E, se quiser, pode descarregar os dados da trajectória para criar as suas próprias aplicações, conforme sugeriu a agência.

Acompanha em directo o caminho da Orion até à Lua

O website mostra uma animação da Orion no espaço com o tempo decorrido da missão, a velocidade da cápsula e a sua distância da Terra e da Lua.

Podemos mudar a vista da nave espacial girando a câmara, assim como podemos mesmo escolher a perspectiva entre quatro câmaras da matriz solar, ou alternar entre as vistas da rota da missão até agora. Também é possível olhar para a nave espacial de perto.

Os dados da efeméride podem ser utilizados para seguir o Orion com a sua própria aplicação de software de voo espacial ou telescópio. Pode também ser usado para criar um modelo de física, animação, visualização, aplicação de monitorização ou outros projectos concebíveis.

Disse Erika Peters, editora do blog da NASA sobre este serviço.

A viagem “nos olhos” da Artemis 1

Os vectores de estado disponíveis, ou dados que descrevem a localização e movimentos da Orion no espaço, poderão também ser usados para aplicações de monitorização e visualização de dados abrindo uma janela de mais informação sobre esta viagem da NASA e também mais informação sobre o projecto.

Os dados visíveis online são os mesmos que são gerados por um grupo dentro do controlo da missão da NASA no Johnson Space Center em Houston.

O grupo, chamado operações de dinâmica de voo (FDO), é responsável por “manter um registo da localização da nave espacial e de onde ela vai estar.

O FDO ganha informação ao seguir a Orion na Rede do Espaço Profundo, que é um trio de enormes antenas parabólicas na Terra que permitem a comunicação com as missões da NASA através do sistema solar. Entre a informação de rastreio recebida e os modelos que a FDO gera, a equipa pretende fornecer precisão no caminho da Orion para alimentar os controladores de voo da Artemis.

Imagem: NASA
Fonte: NASA

Pplware
Autor: Vítor M
19 Nov 2022



 

782: Programa Artemis: Lançamento do SLS; nave espacial Orion a caminho da Lua

CIÊNCIA/ARTEMIS/LUA/NASA

O foguetão SLS (Space Launch System) da NASA, transportando a nave espacial Orion, foi lançado no teste de voo Artemis I, quarta-feira, 16 de Novembro de 2022, a partir da plataforma de lançamento 39B do Centro Espacial Kennedy da NASA, na Florida. A missão Artemis I da NASA é o primeiro teste de voo integrado dos sistemas de exploração de espaço profundo da agência: a nave espacial Orion, o foguetão SLS e os sistemas terrestres.
Crédito: NASA/Bill Ingalls

Após um lançamento bem-sucedido do SLS (Space Launch System) da NASA, o foguetão mais poderoso do mundo, a nave espacial Orion da agência está a caminho da Lua como parte do programa Artemis.

Sem tripulação, o SLS descolou no seu primeiro teste de voo às 06:47 (hora portuguesa) da manhã de quarta-feira passada a partir da plataforma de lançamento 39B do Centro de Voo Espacial Kennedy da NASA no estado norte-americano da Florida.

O lançamento é a primeira etapa de uma missão na qual a Orion vai viajar aproximadamente 64.000 quilómetros para lá da Lua e regressar à Terra ao longo de 25,5 dias.

Conhecida como Artemis I, a missão é uma parte crítica da abordagem de exploração da Lua e de Marte pela NASA. É um teste importante para a agência antes de transportar astronautas na missão Artemis II.

“Que visão incrível ver o foguetão SLS da NASA e a nave Orion lançarem juntos pela primeira vez. Este teste de voo não tripulado vai empurrar a Orion até aos limites dos rigores do espaço profundo, ajudando-nos a preparar para a exploração humana da Lua e, em última instância, de Marte”, disse o Administrador da NASA, Bill Nelson.

Depois de atingir a sua órbita inicial, a Orion abriu os seus painéis solares e os engenheiros começaram a fazer testes dos sistemas da nave espacial. Após cerca de 1,5 horas de voo, o estágio superior do foguetão disparou com sucesso aproximadamente 18 minutos para dar à Orion o grande impulso necessário para a enviar para fora da órbita da Terra e em direcção à Lua.

A Orion separou-se do seu estágio superior e dirige-se para a Lua graças ao módulo de serviço, que é o propulsor central fornecido pela ESA através de uma colaboração internacional.

“Foi preciso muito para chegar até aqui, mas a Orion está agora a caminho da Lua”, disse Jim Free, administrador adjunto associado da NASA. “Este lançamento bem-sucedido significa que a NASA e os nossos parceiros estão num percurso para explorar mais longe no espaço do que nunca, em benefício da humanidade”.

Nas horas seguintes, uma série de 10 pequenas investigações científicas e demonstrações tecnológicas, denominadas CubeSats, foram lançados a partir de um anel que ligava o estágio superior do foguetão à nave.

Cada CubeSat tem a sua própria missão com o potencial de preencher lacunas no nosso conhecimento do Sistema Solar ou demonstrar tecnologias que possam beneficiar o desenvolvimento de futuras missões para explorar a Lua e para lá dela.

O módulo de serviço Orion também realizou o primeiro de uma série de queimas de combustível para manter a nave na rota para a Lua. Nos dias que se seguem, os controladores da missão no Centro Espacial Johnson da NASA em Houston vão realizar testes adicionais e correcções de rota, conforme necessário.

A Orion deverá passar pela Lua no dia 21 de Novembro, realizando uma aproximação próxima da superfície lunar a caminho de uma órbita retrógrada distante, uma órbita altamente estável milhares de quilómetros para lá da Lua.

“O foguetão SLS forneceu a potência e o desempenho para enviar a Orion a caminho da Lua”, disse Mike Sarafin, gestor da missão Artemis I. “Com a realização do primeiro grande marco da missão, a Orion vai agora embarcar na fase seguinte para testar os seus sistemas e preparar-se para missões futuras com tripulação”.

O foguetão SLS e a nave espacial Orion chegaram à rampa de lançamento 39B do Centro Kennedy no dia 4 de Novembro, onde aguentaram a passagem do furacão Nicole.

Após a tempestade, as equipas realizaram avaliações exaustivas do foguetão, da nave espacial e dos sistemas terrestres associados e confirmaram que não houve impactos significativos devido às condições meteorológicas severas.

Os engenheiros já tinham colocado o foguetão novamente no edifício VAB (Vehicle Assembly Building) dia 26 de Setembro antes do furacão Ian e depois de cancelarem duas tentativas de lançamento, uma no dia 29 de Agosto devido a um sensor de temperatura defeituoso, e a outra a 4 de Setembro devido a uma fuga de hidrogénio líquido numa interface entre o foguetão e o lançador móvel.

Antes de regressar ao VAB, as equipas repararam com sucesso a fuga e demonstraram procedimentos actualizados de tancagem.

Enquanto estava no VAB, as equipas efectuaram manutenção normal para reparar pequenos danos na espuma e na cortiça do sistema de protecção térmica e recarregaram ou substituíram baterias em todo o sistema.

A Artemis I é apoiada por milhares de pessoas em todo o mundo, desde empreiteiros que construíram a Orion e o SLS, às infra-estruturas terrestres necessárias para o seu lançamento, a parceiros internacionais e universitários, a pequenas empresas fornecedoras de subsistemas e componentes.

Através das missões Artemis, a NASA vai aterrar a primeira mulher e a primeira pessoa de cor na superfície da Lua, preparando o caminho para uma presença lunar a longo prazo e servindo de pedra angular para uma viagem humana a Marte.

Astronomia On-line
18 de Novembro de 2022



 

Webb observa “ampulheta” incandescente e o nascer de uma nova estrela

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A protoestrela L1527, vista nesta imagem pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, está embebida numa nuvem de material que está a alimentar o seu crescimento. O material ejectado da estrela limpou as cavidades acima e abaixo dela, cujos limites brilham laranja e azul nesta imagem infravermelha. A região central superior exibe formas semelhantes a bolhas devido a “arrotos” estelares, ou ejecções esporádicas. O Webb também detecta filamentos feitos de hidrogénio molecular que foi chocado por ejecções estelares passadas. Intrigantemente, as bordas das cavidades no canto superior esquerdo e inferior direito aparecem direitos, enquanto os limites no canto superior direito e inferior esquerdo são curvados. A região na parte inferior direita aparece azul, pois há menos poeira entre ela e o Webb do que as regiões cor-de-laranja mais acima.
Crédito: NASA, ESA, CSA e STScI, J. DePasquale (STScI)

O Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA revelou as características outrora escondidas da protoestrela dentro da nuvem escura L1527 com o seu instrumento NIRCam (Near Infrared Camera), fornecendo uma visão da formação de uma nova estrela.

Estas nuvens abrasadoras dentro da região de formação estelar de Touro só são visíveis no infravermelho, tornando-as num alvo ideal para o Webb.

A protoestrela propriamente dita está escondida dentro do “pescoço” desta forma de ampulheta. O disco protoplanetário, visto de lado, é a linha escura que atravessa o meio do pescoço.

A luz da protoestrela “vaza” para cima e para baixo deste disco, iluminando cavidades dentro do gás e poeira circundantes.

As características mais prevalecentes da região, as nuvens azuis e alaranjadas, contornam cavidades criadas à medida que o material que se afasta da protoestrela colide com a matéria em redor.

As cores são devidas a camadas de poeira entre o Webb e as nuvens. As áreas azuis são onde a poeira é mais fina. Quanto mais espessa for a camada de poeira, menos luz azul é capaz de escapar, criando bolsas de cor laranja.

O Webb também revela filamentos de hidrogénio molecular que foram chocados à medida que a protoestrela ejeta o material para longe. Os choques e a turbulência inibem a formação de novas estrelas, que de outra forma existiriam por toda a nuvem. Como resultado, a protoestrela domina o espaço, roubando grande parte do material para si própria.

Apesar do caos que L1527 está a causar, tem apenas cerca de 100.000 anos – um corpo relativamente jovem. Dada a sua idade e o seu brilho no infravermelho distante, L1527 é considerada uma protoestrela de classe 0, a fase mais precoce da formação estelar.

Protoestrelas como esta, que ainda se encontram envoltas numa nuvem escura de poeira e gás, têm um longo caminho a percorrer antes de se tornarem estrelas de pleno direito. L1527 ainda não gera a sua própria energia através da fusão nuclear de hidrogénio, uma característica essencial das estrelas.

A sua forma, embora maioritariamente esférica, é também instável, assumindo a configuração de um pequeno, quente e inchado “tufo” de gás algures entre 20% e 40% a massa do nosso Sol.

À medida que uma protoestrela continua a acretar massa, o seu núcleo comprime-se gradualmente e aproxima-se da fusão nuclear estável. A imagem revela que L1527 está a fazer exactamente isso. A nuvem molecular circundante é constituída por poeira densa e gás que estão a ser arrastados para o centro, onde a protoestrela reside.

À medida que o material cai para dentro, espirala em torno do centro. Isto cria um disco denso de material, que alimenta o material para a protoestrela. À medida que ganha mais massa e se comprime cada vez mais, a temperatura do seu núcleo sobe, acabando por atingir o limite que dá início à fusão nuclear.

O disco, visto na imagem como uma banda escura em frente do centro brilhante, tem aproximadamente o tamanho do nosso Sistema Solar. Dada a densidade, não é invulgar que tanto deste material se aglomere – o início dos planetas. Em última análise, esta vista de L1527 fornece uma janela do aspecto do nosso Sol e do Sistema Solar na sua infância.

Astronomia On-line
18 de Novembro de 2022



 

760: O super-secreto X-37B foi ao Espaço e o que trouxe? Nem tudo é confidencial

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/X-37B/FORÇA ESPACIAL

No dia 12 de Novembro, às 5h22 locais, o vaivém espacial X-37B da Força Espacial pousou de volta na Terra após dois anos e meio em órbita.

O avião espacial super-secreto já realizou seis missões, e a mais recente, OTV-6, foi o voo mais longo até agora.

Os detalhes sobre o propósito do X-37B são escassos, embora esteja claro que foi projectado para servir como um teste para capacidades avançadas de voo espacial. Eis o que sabemos sobre a última missão.

O X-37B, que se parece superficialmente com um autocarro espacial reformado da NASA, mas não tripulado e muito menor – cabe dentro da carenagem de um Atlas V ou Falcon 9 – ficou em órbita por um recorde de 908 dias.

A última missão apresentou uma actualização significativa em relação aos voos anteriores, uma vez que o vaivém carregava um novo módulo de serviço conectado à parte traseira (o programa X-37B, na realidade, possui uma frota de dois veículos idênticos, cada um dos quais já realizou três missões. Não está claro se o módulo de serviço será uma actualização permanente para os aviões espaciais).

O módulo expandiu a capacidade da nave espacial para experiências científicas, de acordo com Joseph Fritschen, director do programa X-37B.

“A adição do módulo de serviço no OTV-6 permitiu-nos hospedar mais experiências do que nunca”, disse Fritschen.

Num comunicado à imprensa na sexta-feira, a Força Espacial partilhou uma nova fotografia do módulo de serviço inédito, tirada antes do lançamento em 2020.

O módulo foi ejectado da nave antes da reentrada e ainda está em órbita, mas a Força Espacial fez questão de enfatizar que eventualmente será descartado com segurança, num esforço para garantir a prevenção responsável de lixo espacial desnecessário.

Das experiências a bordo do OTV-6, duas foram projectos liderados pela NASA e, portanto, não são confidenciais. O primeiro deles foi um teste projectado para ver como vários materiais reagem às condições do Espaço, enquanto o segundo estudou os efeitos da radiação espacial nas sementes.

O Laboratório de Investigação Naval também incluiu uma missão a bordo, testando a conversão de energia solar em energia de micro-ondas e retransmitindo essa energia de volta à Terra.

Em Outubro de 2021, a missão também lançou um satélite da Força Aérea chamado FalconSat-8, que continha cinco experiências a bordo: um sistema de propulsão electromagnética, uma antena experimental de baixo peso, um rastreador estelar, uma experiência de radiofrequência de nano-tubos de carbono e uma roda de reacção comercial para controlo de atitude. O FalconSat-8 ainda está em órbita.

Além destas experiências conhecidas, há poucos detalhes disponíveis sobre o OTV-6 ou o programa de forma mais ampla. O X-37B tem a capacidade de realizar manobras orbitais e, no passado, lançou cargas não especificadas em órbita. Mas, tanto quanto a maioria dos observadores pode dizer, é em grande parte um teste experimental para novas capacidades espaciais.

Como disse Fritschen, “o X-37B continua a ultrapassar os limites da experimentação, possibilitado por um governo de elite e uma equipa da indústria nos bastidores.

A capacidade de realizar experiências em órbita e trazê-las para casa com segurança para uma análise aprofundada no solo provou ser valiosa para o Departamento da Força Aérea e a comunidade científica”.

O X-37B não é o único vaivém espacial secreto. A China desenvolveu recentemente o seu próprio avião espacial reutilizável, que foi lançado pela primeira vez em 2020 e agora está no seu segundo voo.

Naves espaciais aladas de natureza menos secreta também estão a começar a ter algum uso comercial. A nave sub-orbital ‘VSS Unity’ da Virgin Galactic levou o fundador Richard Branson ao Espaço em 2021, e a Sierra Nevada está a desenvolver um avião espacial chamado Dream Chaser, projectado para transportar carga de e para a Estação Espacial Internacional já em 2023.

ZAP // Universe Today
17 Novembro, 2022