85: Os hipertensos podem ficar descansados durante o verão?

– Médicos e enfermeiros, actualmente, preocupam-se mais em apresentar escusas de responsabilidade do que tratar dos seus doentes. Se estivesse à espera do meu médico de família para certo tipo de situações, já tinha morrido. Felizmente possuo equipamento de medição de tensão arterial (sou hipertenso há muitos anos), oxímetro (medição de oxigénio no sangue SpO2), além de smartband que me indica e avisa 24 horas/dia, a minha tensão arterial, SpO2, sedentarismo, passos percorridos, exercícios, sono, etc.. É um complemento dos equipamentos médicos.

SAÚDE PÚBLICA/HIPERTENSÃO

Quem tem hipertensão precisa de cuidados redobrados nos dias quentes de verão, para evitar complicações cardiovasculares. É fundamental a avaliação médica para ajustar a medicação e adoptar um plano preventivo.

As ondas de calor podem ocorrer em qualquer altura do ano, sendo mais frequentes no verão.

Nos dias quentes, em que as temperaturas estão acima dos 30 graus, as pessoas, principalmente as mais vulneráveis, em que se incluem as hipertensas, devem ter cuidados redobrados de forma a gerir a hipertensão e a evitar possíveis complicações.

A hipertensão arterial é uma doença crónica e é o principal factor de risco para o desenvolvimento de complicações cardiovasculares graves, como o enfarte agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral.

Sabe-se que mais de 40% da população portuguesa sofre de hipertensão arterial -44,4% dos homens e 40,2% das mulheres – dados revelados pelo estudo PHYSA (Portuguese HYpertension and SAlt Study), desenvolvido em 2011 e 2012 pela Sociedade Portuguesa de Hipertensão.

Estes dados são preocupantes porque as doenças do foro cardiovascular continuam a ser a principal causa de mortalidade em Portugal. Segundo dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística, os acidentes vasculares cerebrais foram a causa do maior número de óbitos em 2019, representando 9,8% da mortalidade.

Vários factores influenciam o controlo de tensão arterial, tais como o consumo de sal, a obesidade, o álcool, o sedentarismo, a falta do sono, possíveis factores de stress e a temperatura ambiente, entre outros.

Existem estudos que demonstram a influência sazonal no controlo da tensão e que as alterações na temperatura ambiente podem provocar uma subida ou uma descida da tensão arterial.

Por exemplo, no verão, com temperaturas elevadas, pode existir uma diminuição dos valores da tensão arterial diurna assintomática ou com sintomas como tonturas, dor de cabeça e mal-estar, enquanto à noite pode verificar-se o fenómeno inverso, com o aumento da tensão arterial.

Se no verão há um aumento durante a noite não será motivado pela temperatura, mas sim por um estado de desconforto físico e pela má qualidade do sono em resultado das condições atmosféricas do período estival.

A variação sazonal da tensão arterial, principalmente em populações mais vulneráveis, como é o caso das pessoas idosas, está associada ao aumento da incidência de problemas cardiovasculares.

A supressão do excesso de alterações sazonais da tensão arterial contribui para a prevenção de eventos cardiovasculares. Daí a importância da medição regular da tensão arterial em consultório médico, em casa e na farmácia.

É fundamental a avaliação do doente hipertenso pelo médico antes das mudanças sazonais, de forma a ajustar a sua medicação e a elaborar um plano preventivo adequado.

O doente hipertenso deve ter especial atenção e avaliar a sua tensão arterial se tiver sintomas como tonturas, visão turva, dor de cabeça, sensação de desmaio ou perda excessiva de líquidos do organismo no caso de vómitos ou diarreia.

Que cuidados deve ter um doente hipertenso, em particular nos meses mais quentes, de forma a não pôr em causa umas férias descansadas, aproveitando o tempo para “recarregar as baterias” e melhorar o seu desempenho?

Seguem alguns conselhos simples e fáceis de seguir. Em primeiro lugar, manter uma alimentação equilibrada, pobre em gorduras e rica em legumes e frutas. Segundo, reduzir a utilização do sal, na confecção dos alimentos, dando preferência à utilização da salicórnia, uma planta com propriedades antioxidantes e óptimo substituto de sal convencional.

Depois, evitar o excesso de álcool e não fumar, reforçando a hidratação, bebendo cerca de 1.5 a 2 litros de água por dia. O calor e a humidade causam uma perda mais acentuada de água e sais minerais, através da transpiração e da respiração, perda essa que tem de ser reposta.

Fundamental também é evitar a exposição prolongada ao sol, principalmente entre as 11 horas e as 17 horas, usando roupa larga que cubra a maior parte do corpo (preferencialmente de algodão) e chapéu. Finalmente, devemos evitar locais de elevada poluição do ar e procurar ambientes frescos e arejados ou climatizados, de forma a evitar mudanças rápidas de temperatura ambiente;

Mesmo nas férias, deve-se manter o controlo adequado da tensão arterial. Uma reavaliação médica durante o período de férias pode implicar a necessidade, ou não, de alterar a dosagem ou o grupo dos medicamentos prescritos, particularmente na presença de sintomas e nos doentes com tensão máxima, mesmo se assintomáticos.

Apostar em medidas adequadas de vigilância e de cuidados, associadas à toma rigorosa da medicação ajustada e personalizada para cada doente, é uma condição essencial não só para um verão descansado, mas para uma vida longa e sem problemas.

Coordenadora da Unidade de Hipertensão Arterial do Hospital CUF Descobertas

Diário de Notícias
Nataliya Polishchuk
20 Agosto 2022 — 07:10

Governo e IPMA alertam: “Vamos entrar na terceira onda de calor”

– Avisem o sr. bastonário da ordem dos médicos deste facto, por e-mail, fax ou carta registada com aviso de recepção, porque ele não deve ler as notícias e assim responde-se directamente à sua “preocupação” com o excesso de mortalidade em Portugal!

SAÚDE PÚBLICA/TEMPERATURAS EXCESSIVAS

O ministro da Administração Interna esteve reunido com o Instituto do Mar e da Atmosfera e do final do encontro saiu uma certeza: os próximos dias serão difíceis no que diz respeito aos incêndios.

Foto Global Imagens

A partir de dia 20, sábado, Portugal entra naquela que será a terceira onda de calor deste verão. O alerta foi feito pelo Governo e pelo Instituto do Mar e da Atmosfera no final de um encontro que aconteceu na manhã desta quarta-feira.

“”O perigo de incêndio rural em Portugal está ainda a meio da campanha, passámos uma onda de calor de grande intensidade e que chegou a temperaturas que quase rondaram os cinquenta graus, passámos uma segunda onda com menos intensidade, mas mesmo assim com grande impacto e vamos passar uma terceira onda de calor provavelmente dentro de dias“, realçou Jorge Miguel Miranda, presidente do IPMA, apontando para dia 20, o seu início.

Salientou ainda que o mês de Setembro será mais quente e mais seco que o habitual. “Temos mais um mês e meio pela frente para ultrapassar”, disse.

Jorge Miguel Miranda acrescentou que “as previsões não são positivas” em termos de precipitação e que provavelmente “Setembro será um pouco mais seco e um pouco mais quente” como têm sido os meses anteriores.

O alerta foi reforçado pelo ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, que realçou que a onda de calor se vai prolongar por Setembro, “que será 50 e 60% mais quente e 40 a 50% mais seco” do que em anos anteriores.

O ministro esclareceu que não se pode dizer que a próxima onda de calor será mais grave que as anteriores e que a mais crítica terá sido a do mês de Julho.

No entanto, defendeu que o prolongamento das ondas de calor é um factor de risco no que respeita aos incêndios e que o esforço de toda a comunidade é “absolutamente indispensável”.

© JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

No que diz respeito ao incêndio na serra da Estrela, José Luís Carneiro sublinhou que todos os meios disponíveis têm estado no terreno. “Ouvimos aqui uma informação muito importante da parte do IPMA: efectivamente, na serra da Estrela, estão reunidas todas as variáveis de maior complexidade”, disse o ministro, referindo-se “às temperaturas, à orografia e à complexidade dos ventos”.

Variáveis, continuou, que ajudam a explicar a “razão de ser de, por vezes, ser difícil de compreender como é que, permanentemente, há aqueles reacendimentos na serra da Estrela”. “Há factores técnicos que ajudam a explicar o que efectivamente se tem vindo a passar”, afirmou.

O governante disse ainda que as causas dos reacendimentos no incêndio da serra da Estrela estão a ser investigadas. Afirmou que as autoridades estão a desenvolver as investigações não só na serra da Estrela mas noutras regiões do país, sublinhando que tem “havido eficácia no combate ao fogo posto”.

Existem fogos que são praticamente não combatíveis“, afirmou Jorge Miguel Miranda, presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). “A Serra da Estrela não é uma zona qualquer do país, é a mais montanhosa e com as escarpas mais significativas, à excepção da Madeira”, facto que dificulta o combate, destacou.

“Cada incêndio é um incêndio. A ciência tenta sempre desenvolver meios para saber como vai ser combatido, mas tenhamos todos sentido das proporções. O nosso país é frágil perante o desenvolvimento de um incêndio rural”, acrescentou, referindo que os meios são finitos.

© JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Ou temos uma capacidade de solidariedade entre organizações, pessoas, aldeias, vilas que permita sermos capazes de passar este período que se avizinha ou vamos ter situações que poderão ser de maior complexidade do que as que tivemos até agora. Estamos a viver um momento muito complicado da história climática da Terra“, concluiu o presidente do IPMA.

Jorge Miguel Miranda disse ainda que, depois do que tem acontecido na Europa do Norte, em França, Espanha e em Portugal, é possível perceber que “a mudança climática é o factor determinante” e que aparece sob duas formas “que se pioram uma a outra”: seca prolongada – “estamos numa situação de seca histórica” – e fenómenos de onda de calor e de “onda de vento”.

“Isto leva a que as situações sejam tremendamente difíceis de controlar”, afirmou.

Diário de Notícias
DN
17 Agosto 2022 — 09:41