1009: NASA atinge mais de 423 mil km de distância e quebra recorde de Apollo

Nasa NASA / ORION / ARTEMIS 1 / LUA

Este é o ponto mais distante que uma nave espacial concebida para transportar humanos até ao espaço conseguiu alcançar. Na imagem captada pela NASA é possível ver a Terra e a Lua juntas, num dia em que “a Lua apareceu para eclipsar a Terra”.

© NASA

A Orion, cápsula espacial da NASA, atingiu, na segunda-feira, mais de 423 mil quilómetros, alcançando, assim, a sua distância máxima da Terra durante a missão Artemis I, e ultrapassando também o recorde de Apollo 13. Este é o ponto mais distante que uma nave espacial concebida para transportar humanos até ao espaço conseguiu atingir até agora.

Numa imagem captada pela NASA, a Orion consegue ter uma “visão única” da Terra e da Lua, “através de uma câmara montada numa das matrizes solares”. “A nave também captou imagens da Terra e da Lua juntas, num dia em que a Lua que apareceu para eclipsar a Terra”, explica a NASA em comunicado.

O recorde de Apollo 13 foi quebrado pela Orion no sábado, 26 de Novembro, quando a cápsula atingiu cerca de 400 mil quilómetros de distância da Terra.

A primeira fase da missão Artemis I tem uma duração de 25 dias e, para já, a Orion “mantém-se em boas condições enquanto continua a sua viagem em órbita retrógrada distante”, ou seja, “a milhares de quilómetros para lá da Lua”.

“A Artemis I teve um sucesso extraordinário e completou uma série de acontecimentos históricos”, disse o administrador da NASA Bill Nelson. “É incrível como esta missão tem corrido sem sobressaltos”, sublinha.

A Orion deve voltar à Terra a 11 de Dezembro.

A missão da NASA, Artemis, marca o início do programa com que os Estados Unidos pretendem regressar à superfície da Lua em 2025, colocando a primeira astronauta mulher e o primeiro astronauta negro em solo lunar.

No topo do foguetão está a cápsula Orion que, para esta primeira missão, está equipada com um “manequim” que vai registar os impactos do voo no corpo humano.

O lançamento da missão ocorreu após duas tentativas de lançamento em Agosto e Setembro, que foram canceladas devido a problemas técnicos.

TSF
Por Carolina Quaresma
30 Novembro, 2022 • 10:28



 

913: Artemis 1: Hoje é um dia especial, a nave Orion entra na órbita lunar (vídeo)

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/NASA/LUA/ARTEMIS 1

A nave espacial Orion da missão Artemis 1 DA ASA chegará à órbita da Lua hoje, sexta-feira dia 25 de Novembro, e poderá assistir ao momento marcante ao vivo. O evento, que acontecerá pelas 21:52 hora de Lisboa, irá por à prova a cápsula, dado que o caminho até lá chegar é sinuoso.

Com mais esta etapa, a nave não tripulada atinge com sucesso o seu objectivo principal. A entrada em órbita será acompanhada da Terra e poderá assistir a tudo em directo. Veja como.

Artemis 1: Hoje será batido um novo recorde

Hoje, pelas 21:52 horas de Portugal continental, a Orion está programado para ligar o motor que irá atirar a nave espacial numa órbita retrógrada distante à volta da Lua.

A cápsula irá utilizar o Módulo de Serviço Europeu, projectado e implantado pela Agência Espacial Europeia (ESA), que realizará uma manobra com suporte da gravidade da Lua. É esse movimento que é chamado de “órbita retrógrada distante” (DRO).

Segundo informações a DRO levará Orion cerca de 64.000 quilómetros para além da lua no seu ponto mais distante. Ao percorrer este caminho, a cápsula estabelecerá um novo recorde, afastando-se mais da Terra do que qualquer outra nave espacial anterior de classificação humana.

A actual marca de 400.171 km é mantida pela missão Apollo 13 da NASA, que não se destinava a viajar tão longe. A Apollo 13 deu a volta à Lua em vez de aterrar no solo lunar, depois da explosão de um tanque de oxigénio no módulo de serviço da nave espacial.

Orion vai chegar, cumprimentar a Lua e vir embora

A Orion passará um pouco menos de uma semana na DRO. A cápsula deixará a órbita lunar com o impulso gerado após ligar o motor no dia 1 de Dezembro, depois começará a viagem para casa, para a Terra.

A nave chegará aqui no dia 11 de Dezembro com um mergulho no Oceano Pacífico ao largo da costa da Califórnia, se tudo correr como planeado.

A missão Artemis 1 de quase 26 dias foi concebida para testar a Orion e o enorme foguetão, o SLS (Sistema de Lançamento Espacial), que enviou a cápsula para o céu na semana passada, antes das missões planeadas da tripulação para a Lua.

O primeiro desses voos dos astronautas, Artemis 2, enviará a Orion à volta da Lua em 2024. A missão Artemis 3 vai então aterrar no solo lunar perto do Polo Sul da Lua em 2025 ou 2026. Seguir-se-ão outras missões de alunagem, à medida que a NASA constrói um posto de investigação da tripulação na região polar sul – um objectivo-chave do seu programa Artemis.

Veja aqui em directo a entrada da Orion na órbita retrógrada distante da Lua:

Pplware
Autor: Vítor M
25 Nov 2022



 

“Um Pálido Ponto Azul”, o retrato de família que é um lembrete à nossa fragilidade

CIÊNCIA/ESPAÇO/TERRA/ORION

A recente imagem endereçada à Terra a partir das câmaras da sonda espacial Orion, em missão não tripulada à Lua, recorda-nos que os retratos de família do terceiro planeta a contar do Sol contam uma história de décadas. Entre as imagens icónicas, olhemos para “Um Pálido Ponto Azul” e dois nasceres da Terra captados a partir da Lua.

Três imagens que remetem para uma declaração de Carl Sagan em Nova Iorque, em 1994: “A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica.”

A uma distância de 6 mil milhões de quilómetros do corpo celeste de que se apartara havia 13 anos, a sonda espacial recebeu uma ordem proveniente de casa: apontar a lente focal de alta resolução da câmara fotográfica à retaguarda do engenho e captar uma definitiva e completa imagem do planeta mãe.

O resultado: um ponto ínfimo, menos de um pixel num universo de 640 mil pixeis a enxamear a foto, capturado dentro de um raio solar. Trinta e quatro minutos após a tomada da foto, a 14 de Fevereiro de 1990, a sonda acolheu a ordem vinda da Terra, desligou as câmaras e manteve a sua viagem, a 64 mil quilómetros por hora, rumo aos limites do Sistema Solar.

O parágrafo precedente poderia configurar o epílogo de uma novela de ficção científica, num último e nostálgico adeus ao planeta de origem. O facto ocorreu a 14 de Fevereiro de 1990, num momento em que a sonda espacial norte-americana Voyager 1, chamava a si o título de objecto humano mais distante do planeta Terra.

Uma década antes, concluíra a aproximação e o estudo do planeta Saturno, para prosseguir a viagem, que ainda mantém em 2022, 45 anos volvidos, em direcção ao espaço interestelar.

Na NASA, o astrónomo, astrofísico e divulgador científico norte-americano, Carl Sagan, então com 55 anos, somou a imagem recolhida pela Voyager 1 à colecção de 60 fotografias que a sonda enviou para a Terra entre os meses de Março e Maio de 1990. Imagens à boleia de sinais de rádio que cumpriam a distância entre os confins do Sistema Solar e o nosso planeta, em pouco mais de cinco horas, num galope de 300.000 quilómetros por segundo, a velocidade da luz.

A série de imagens com o nome de baptismo “Retrato de Família”, tem na fotografia captada a 14 de Fevereiro de 1990 o membro mais famoso do clã. “Um Pálido Ponto Azul” (“Pale Blue Dot”), assim nomeada a foto, resultou da combinação de três imagens com filtros espectrais no verde, azul e violeta.

Um ponto tão ínfimo como frágil, como recordaria mais tarde Carl Sagan na conferência que proferiu na Universidade de Cornell, em Nova Iorque, a 13 de Outubro de 1994: “A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica.”

Um cenário frágil, recentemente captado numa nova imagem, a 16 de Novembro de 2022, pela cápsula Orion, parte da missão espacial Artémis 1, desenvolvida pela NASA. Missão que conta, entre outros objectivos, com o regresso dos humanos à Lua até 2025, mais tarde ao planeta Marte.

Este que será o primeiro voo tripulado a pousar no satélite natural da Terra desde a Apollo 17, em 1972, entregou-nos aquela que é a primeira imagem completa do nosso planeta, captada nos últimos 50 anos, a partir de um objecto operado por mão humana a caminho da Lua. A 90 mil quilómetros de distância, a Terra assoma na escuridão envolvente.

Uma imagem de família que nos recorda que o álbum de fotos do terceiro planeta a contar do Sol, é robusto com antecedentes ainda nas décadas de 1940 e 1950, com os primeiros voos sub-orbitais.

Na década de 1960, na sua ronda em torno do satélite natural da Terra, a sonda Lunar Orbiter 1, parte do programa Orbiter, tinha como objectivo da missão o de fotografar a superfície da Lua. Havia que identificar lugares de pouso seguros para as futuras missões tripuladas Apollo.

Entre as mais de duas mil fotos captadas nas cinco missões não tripuladas Orbiter, entre 1966 e 1967, numa cobertura de 99% da superfície da Lua, uma ganhou o estatuto de histórica. Uma extravagância no contexto da missão, ao não apontar as suas câmaras ao solo árido.

A 23 de Agosto de 1966, a câmara da Orbiter 1 fixou em fotografia o primeiro “nascer” do nosso planeta com o horizonte lunar em primeiro plano. A 380 mil quilómetros de distância da Terra, o crescente visível na imagem abarca um horizonte que se estende de Istambul à Cidade do Cabo.

Um horizonte “retocado” em 2014 quando, no âmbito do programa LOIRP (Lunar Orbiter Image Recovery Project), o nascer da Terra de 1966, mereceu digitalização a partir dos dados analógicos recolhidos nas fitas originais da missão.

Um luminoso erguer da Terra acima da linha de horizonte lunar que bisou na véspera de Natal de 1968. A missão Apollo 8 levava pela primeira vez seres humanos à orbita da Lua.

A bordo da Apollo 8, com os astronautas Frank Borman, Jim Lovell e William Anders, a humanidade estreava não só os seus olhos no lado oculto da Lua, como também na primeira imagem da Terra captada por mão humana a partir do nosso satélite natural.

“Nascer da Terra” (“Earthrise”) imagem captada por William Anders viu-se incluída em 2003 na lista das100 Fotografias que Mudaram o Mundo, a par do cogumelo atómico de Nagasaki, a imagem captada em Raio-X e a paisagem que inaugurou a arte da fotografia (“Vista da Janela em Le Gras”).

Em “Nascer da Terra” o montanhista e premiado fotógrafo norte-americano Galen Rowell identificou “a fotografia ambiental mais influente alguma vez tirada”.

Uma foto emoldurada a partir de uma órbita sobre o equador lunar, com o bordo do satélite natural na vertical face ao planeta Terra. Esta, paira no espaço ligeiramente à esquerda da superfície lunar. Uma imagem mais tarde rodada 90º, para enfatizar uma mitificada aurora da Terra.

“Um Pálido Ponto Azul” mereceu republicação por parte da NASA em 2020, data em que se completaram 30 anos sobre a captação da imagem. O pixel que identifica o nosso planeta a mais de 6 mil milhões de quilómetros parece-nos mais próximo, graças à melhor definição imprimida por software e técnicas de processamento de imagem do século XXI.

As palavras de Carl Sagan proferidas em Cornell em 1994, brilham hoje como há três décadas: “Olhem de novo este ponto. É aqui, é a nossa casa, somos nós.

Nele, todos os que amamos, todos os que conhecemos, qualquer um sobre quem ouviram falar, cada ser humano que já existiu, viveram as suas vidas (…) um grão de pó suspenso num raio de sol (…) A Terra é o único mundo conhecido, até hoje, que abriga vida. Não há outro lugar, pelo menos no futuro próximo, para onde a nossa espécie possa emigrar”.

dnot@dn.pt

Diário de Notícias
Jorge Andrade
21 Novembro 2022 — 00:33



 

810: Artemis 1: Siga a nave Orion da NASA no seu caminho até à Lua

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/ARTEMIS/LUA

Após vários adiamentos, no passado dia 16 de Novembro, o foguetão SLS da NASA, que carregava a nave Orion, finalmente disparou até ao espaço com o objectivo de chegar à Lua.

A missão Artemis 1, é a primeira etapa para a NASA voltar a colocar a humanidade em solo lunar, que deverá acontecer em 2024. A caminho do nosso satélite natural, a viagem da cápsula poderá ser acompanhada por todos nós na Terra.

A agência espacial norte-americana disponibiliza um site com informação em tempo real, assim como imagens, que nos faz sentir como se estivéssemos na parte de fora da nave.

A Artemis 1, o primeiro voo do programa Artemis, lançado no início da manhã de quarta-feira passada. Um foguete do Sistema de Lançamento Espacial (SLS), na sua primeira missão de sempre, enviou com sucesso uma nave espacial Orion não tripulada em direcção à Lua.

Embora o lançamento tenha terminado, podemos continuar a acompanhar em tempo real a missão de quase um mês neste website da NASA. E, se quiser, pode descarregar os dados da trajectória para criar as suas próprias aplicações, conforme sugeriu a agência.

Acompanha em directo o caminho da Orion até à Lua

O website mostra uma animação da Orion no espaço com o tempo decorrido da missão, a velocidade da cápsula e a sua distância da Terra e da Lua.

Podemos mudar a vista da nave espacial girando a câmara, assim como podemos mesmo escolher a perspectiva entre quatro câmaras da matriz solar, ou alternar entre as vistas da rota da missão até agora. Também é possível olhar para a nave espacial de perto.

Os dados da efeméride podem ser utilizados para seguir o Orion com a sua própria aplicação de software de voo espacial ou telescópio. Pode também ser usado para criar um modelo de física, animação, visualização, aplicação de monitorização ou outros projectos concebíveis.

Disse Erika Peters, editora do blog da NASA sobre este serviço.

A viagem “nos olhos” da Artemis 1

Os vectores de estado disponíveis, ou dados que descrevem a localização e movimentos da Orion no espaço, poderão também ser usados para aplicações de monitorização e visualização de dados abrindo uma janela de mais informação sobre esta viagem da NASA e também mais informação sobre o projecto.

Os dados visíveis online são os mesmos que são gerados por um grupo dentro do controlo da missão da NASA no Johnson Space Center em Houston.

O grupo, chamado operações de dinâmica de voo (FDO), é responsável por “manter um registo da localização da nave espacial e de onde ela vai estar.

O FDO ganha informação ao seguir a Orion na Rede do Espaço Profundo, que é um trio de enormes antenas parabólicas na Terra que permitem a comunicação com as missões da NASA através do sistema solar. Entre a informação de rastreio recebida e os modelos que a FDO gera, a equipa pretende fornecer precisão no caminho da Orion para alimentar os controladores de voo da Artemis.

Imagem: NASA
Fonte: NASA

Pplware
Autor: Vítor M
19 Nov 2022