515: Descoberta reescreve a história de como os peixes evoluíram para homens

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA/PALEOANTROPOLOGIA

IVPP
Cinco peixes silurianos da China

Investigadores do Instituto de Paleontologia e Paleoantropologia de Vertebrados (IVPP) da Academia Chinesa de Ciências encontraram recentemente dois repositórios de fósseis nos primeiros do sudoeste de Guizhou e Chongqing.

Quatro estudos diferentes que descrevem as suas análises foram recentemente publicados na revista Nature [artigo 1, artigo 2, artigo 3, artigo 4].

A história evolutiva “desde o peixe ao humano” foi reescrita depois de os investigadores analisarem estas novas descobertas.

No entanto, a forma como esta inovação ocorreu permanece um mistério, devido ao facto de os fósseis de vertebrados de mandíbula precoce não terem sido descobertos em grande número até ao início do Devoniano — há 419 milhões de anos —, apesar dos dados moleculares indicarem que a origem dos vertebrados de mandíbula deveria ter ocorrido há mais de 450 milhões de anos.

Como resultado, existe uma lacuna significativa no registo fóssil de vertebrados de mandíbula precoce, que dura pelo menos 30 milhões de anos, desde o Ordoviciano tardio ao Siluriano, segundo a Sci Tech Daily.

A equipa encontrou dois novos depósitos de fósseis, lançando luz sobre a ascensão de vertebrados de mandíbulas. Estes peixes já prosperavam nas águas do Sul da China há pelo menos 440 milhões de anos.

No final da Silúria, os peixes de mandíbula tornaram-se mais diversos e maiores. Evoluíram e começaram a espalhar-se pelo mundo, dando início à era dos peixes em terra. Depois, os humanos começaram a evoluir.

As descobertas de fósseis de peixe dos dois repositórios ajudam a rastrear muitas estruturas do corpo humano até aos peixes antigos, há cerca de 440 milhões de anos, e preenchem algumas lacunas fundamentais na evolução “do peixe para o humano”, dando mais provas que mostram o caminho evolutivo.

O depósito fóssil de peixes em Chongqing tem 436 milhões de anos. É o único Lagerstätte siluriano precoce do mundo (depósito fóssil com preservação excepcional) que preserva peixes com mandíbulas completas, cabeça a cabeça, proporcionando uma oportunidade inigualável de espreitar o “amanhecer dos peixes“.

Este “depósito fóssil de tesouros” ergue-se entre outros grandes Lagerstätten chineses: Chengjiang Biota e o Jehol Biota. Todos fornecem quebra-cabeças chave.

  ZAP //
29 Outubro, 2022



 

339: Novo estudo aponta para declínio dos dinossauros antes da colisão com asteróide

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA/PALEOANTROPOLOGIA/DINOSSAUROS/EXTINÇÃO

Mais de mil amostras de casca de ovo de dinossauro foram recolhidas por investigadores da China.

Dariusz Sankowski / Pixabay

A maioria das pessoas associa a extinção total dos dinossauros, há milhões e milhões de anos, a uma colisão entre a Terra e um asteróide.

Os pássaros passaram a ser os únicos descendentes vivos, após esse fenómeno ocorrido há cerca de 66 milhões de anos.

No entanto, e apesar de essa colisão ter mesmo “eliminado” os dinossauros, essa espécie já estava em declínio antes desse momento.

Já não havia muita diversidade de dinossauros durante os últimos 2 milhões de anos do período Cretáceo, reforçam investigadores Instituto de Paleontologia e Paleoantropologia de Vertebrados da Academia Chinesa de Ciências.

No estudo publicado no PNAS, a publicação oficial da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos da América, os especialistas escrevem que havia “baixa biodiversidade de dinossauros” e esses dados indicam um declínio na biodiversidade de dinossauros milhões de anos antes da fronteira entre Cretáceo e Paleogeno – precisamente há quase 66 milhões de anos.

“Os eventos catastróficos do final do Cretáceo provavelmente actuaram sobre um ecossistema já vulnerável e levaram à extinção de dinossauros não aviários”, defendem os chineses.

Para chegar (repetir) esta conclusão, foram analisadas mais de mil amostras de casca de ovo de dinossauro na Bacia de Shanyang, na China. Esse local é um dos mais ricos do planeta, em registos de dinossauros mais abundantes de uma sequência do Cretáceo Superior.

E, entre o mais de milhar de fósseis analisados, só estavam representadas três espécies: Macroolithus yaotunensis, Elongatoolithus elongatus e Stromatoolithus pinglingensis.

Os investigadores conseguiram estimativas detalhadas de idade das camadas de rocha analisando e aplicando modelagem computacional a mais de 5.500 amostras geológicas.

O portal EurekAlert! acrescenta que este desaparecimento gradual dos dinossauros esteve relacionado com flutuações climáticas e erupções vulcânicas maciças.

  ZAP //
Nuno Teixeira da Silva
24 Setembro, 2022