1083: Pandemia provocou mais 300 mil mortes na UE do que as oficiais

SAÚDE PÚBLICA // PANDEMIA // COVID-19

Relatório da OCDE e da Comissão Europeia indica que a covid-19 “reduziu a esperança de vida em quase todos os países europeus”, tendo diminuído mais de um ano no conjunto da União Europeia, “atingindo níveis vistos pela última vez há uma década”.

© Artur Machado / Global Imagens

A pandemia provocou mais 300 mil mortes na Europa do que os dados oficiais e reduziu a esperança de vida em mais de um ano, a maior diminuição desde a II Guerra Mundial, indica um relatório divulgado esta segunda-feira.

“No final de Outubro de 2022, mais de 1,1 milhões de mortes de covid-19 foram reportadas em todos os 27 países da UE, mas os dados sobre o excesso de mortalidade sugerem que se trata de uma sub-estimativa e que mais 300 mil pessoas morreram devido ao efeito directo ou indirecto da pandemia”, refere o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e da Comissão Europeia (CE).

O documento, que analisa vários indicadores de saúde nos últimos anos, salienta ainda que a covid-19 “reduziu a esperança de vida em quase todos os países europeus”, tendo diminuído mais de um ano no conjunto da União Europeia (UE), “atingindo níveis vistos pela última vez há uma década”.

“A pandemia teve um impacto dramático na vida das pessoas na Europa e em todo o mundo. Conduziu a uma redução de mais de um ano de esperança de vida na UE em 2021 em comparação com 2019. Estas foram as maiores reduções da esperança de vida desde a II Guerra Mundial na maioria dos países da UE”, avança o relatório.

A OCDE e a CE adiantam ainda que a grande maioria das mortes por covid-19 – mais de 90% – foi registada em pessoas com mais de 60 anos.

Em números absolutos, até final de Outubro, a mortalidade por covid-19 mais elevada registou-se em Itália (179 mil mortes), França (171 mil), Alemanha (154 mil), Polónia (117 mil) e Espanha (115 mil), mas em percentagem da população, as taxas mais altas verificaram-se na Bulgária, Hungria, Croácia, República Checa e Eslovénia e as mais baixas na Islândia e na Noruega.

De acordo com os dados agora divulgados, em Portugal a mortalidade por covid-19, entre Março de 2020 e Junho de 2022, foi ligeiramente inferior à média da UE e o excesso de mortalidade ficou sensivelmente dentro da média dos 27.

“As diferenças entre países geralmente reflectem variações na estrutura etária da população, o tempo e a eficácia das estratégias de contenção, a aceitação da vacinação covid-19 em 2021 e 2022 e as diferenças na capacidade dos sistemas de saúde para tratar os doentes com covid-19”, explica o documento.

De acordo com os dados agora divulgados, o excesso de mortalidade na UE, desde o início da pandemia até ao final de Junho, foi 26% superior ao registado pelas mortes de covid-19.

“Isto traduz-se em cerca de 300 mil mortes adicionais em comparação com o número reportado de mortes covid-19, que podem ser devido ao impacto directo ou indirecto da pandemia, ou a outros eventos”, adianta a OCDE.

“A diferença entre o excesso de mortalidade e as mortes reportadas pela covid-19 foi particularmente grande na Bulgária, na Roménia, na Polónia, na Eslováquia e na Estónia, indicando que os dados relativos à mortalidade covid-19 reportados por esses países subestimaram substancialmente o impacto da pandemia”, sublinha o relatório.

Em 2019, ou seja, antes da pandemia, as duas principais causas de mortalidade na UE foram as doenças circulatórias, que representaram mais de 1,6 milhões de mortes ou 35% de todas as mortes, e o cancro, que representou quase 1,2 milhões de mortes ou 26% de todas as mortes.

Vacinas evitaram mais de 250 mil mortes na UE em 2021

Relatório indica ainda que as vacinas contra a covid-19 evitaram mais de 250 mil mortes em 2021 na União Europeia (UE), onde se estima que a `long covid´ tenha afectado cerca de 25 milhões de pessoas.

Estima-se que as vacinas tenham evitado mais de 250 mil mortes em toda a UE apenas em 2021, embora as taxas de vacinação entre grupos vulneráveis tenham permanecido bastante baixas em alguns países”, refere o relatório da OCDE e da Comissão Europeia.

O documento diz que um dos efeitos colaterais positivos da pandemia é que ajudou a aumentar a cobertura da vacinação contra a gripe sazonal entre idosos e outros grupos vulneráveis, apontando o exemplo da Dinamarca, onde a cobertura de vacinação entre pessoas com mais de 65 anos aumentou 23 pontos percentuais em 2020 em comparação com 2019, chegando aos 75%.

A OCDE e a CE alertam também que a `long covid´ – a permanência de sintomas após a infecção pelo coronavírus SARS-CoV-2 – “surgiu como uma nova condição crónica que exigirá mais investigação para melhorar o diagnóstico e o tratamento e uma coordenação entre prestadores de cuidados primários e especialistas” de saúde.

“As estimativas preliminares indicam que pelo menos 10% das pessoas infectadas com covid-19 experimentam alguns sintomas de `long covid´ que duram mais de um mês, o que significa que afectou e possivelmente continua a afectar mais de 25 milhões de pessoas em todos os países da EU”, avança o relatório.

Os dados agora divulgados referem ainda que os atrasos no rastreio do cancro durante os primeiros anos da pandemia levaram a que muitos doentes oncológicos fossem diagnosticados em fases mais avançadas, “tornando o seu tratamento mais complexo e reduzindo as suas hipóteses de sobrevivência”.

“As taxas de rastreio do cancro da mama diminuíram na maioria dos países da UE em 2020, com uma redução média de 6% em 16 países da UE com dados disponíveis. A redução foi geralmente maior nos países que já tinham taxas baixas antes da pandemia”, adianta o documento.

Os dados indicam que a Dinamarca, Finlândia e Irlanda estão entre os poucos países que não suspenderam os seus programas de rastreio do cancro em 2020 e, por isso, “não sofreram uma queda significativa no rastreio do cancro da mama”.

“Os diagnósticos e tratamentos tardios do cancro têm custos elevados, tanto para os doentes como para os sistemas de saúde. Adiar o tratamento cirúrgico para cancros comuns aumenta o risco de morte em cerca de 7%, enquanto adiar a quimioterapia ou a radioterapia em quatro semanas aumenta o risco de morte em até 13%”, alerta a OCDE.

O relatório refere também que, em 2020, foram realizados menos dois milhões de intervenções cirúrgicas programadas (como cirurgias às cataratas e à anca e joelho) do que em 2019 nos países da UE, aumentando os tempos de espera dos doentes.

“Muitos países da UE disponibilizaram fundos adicionais para fazer face a estes atrasos, mas o principal constrangimento ao aumento do volume de procedimentos tem sido a escassez de trabalhadores da saúde”, sublinha o documento.

O relatório considera positivo o rápido desenvolvimento de tele-consultas no início de 2020, que ajudou a manter o acesso aos cuidados de pessoas com doenças crónicas, mas alerta para os riscos do aumento das desigualdades em saúde, através da exclusão digital de pessoas mais velhas, mais pobres e que vivem em zonas rurais.

Ao nível da saúde mental, em vários países europeus, como a Bélgica, a Estónia, a França, a Suécia e a Noruega, a percentagem de jovens que reportam sintomas de depressão mais do que duplicou durante a pandemia, atingindo níveis de prevalência pelo menos duas vezes mais elevados do que nas faixas etárias mais velhas, refere o documento.

Diário de Notícias
DN/Lusa
05 Dezembro 2022 — 11:28



 

Reunião do Infarmed devia ter incluído “recomendações fortes” de protecção individual

– Como tem sido habitual neste Portugal dos Pequeninos…

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFARMED

Especialistas consideram que encontro entre políticos e peritos decorreu com “zero novidades”, embora nesta fase da pandemia fosse fundamental “recomendações fortes” para se minimizar a circulação do vírus. Do lado da saúde, só houve uma palavra para a prevenção: vacinação.

Ministro Manuel Pizarro esteve ontem no Infarmed para ouvir os peritos de instituições do Estado sobre a situação epidemiológica do país.

A pandemia ainda não terminou. E por muito que se queira incluir a infecção por SARS-CoV-2 no lote das doenças comuns, por infecção respiratória, ainda há muito para fazer, nomeadamente no que toca a “fortes recomendações para protecção individual”, senão mesmo algumas medidas obrigatórias, como o uso de máscara em situações muito específicas, bem como no que toca “a uma vigilância mais activa, para se ter noção real do que se está a passar no país”.

Mas não só. É preciso até “mais literacia da população sobre este tipo de doença”, precisamente “para se minimizar os riscos e as consequências”. Isto mesmo foi defendido ao DN por três especialistas que têm acompanhado a evolução da pandemia no nosso país, e daí que uma das críticas feitas à reunião que esta sexta-feira assinalou o regresso entre políticos e peritos ao Infarmed seja precisamente a de “não ter incluído fortes recomendações à população”.

Até porque todos os recados que têm vindo a ser dados pelas autoridades de saúde visam única e exclusivamente “a responsabilidade individual” e têm como palavras de ordem “vacinação, vacinação”.

O presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Saúde Pública (APMSP), Gustavo Tato Borges, considerou que a reunião foi “exactamente o que se esperava e o que o Sr. Ministro já tinha dito que iria ser.

Falou-se da evidência e recordou-se desafios, com zero de novidades ou com pouco impacto na vida das pessoas. Ou seja, com uma ausência total de recomendações e de implementação de medidas. E, neste sentido, a reunião foi o que se esperava, simpática e pouco mais”.

O médico infecciologista António Silva Graça disse ao DN ter estado a acompanhar a reunião e que “esperava mais”, questionando mesmo que, para ter decorrido desta forma, “se seria mesmo necessária”, pois “já tínhamos ouvido o Sr. Ministro dizer na véspera que não iriam ser tomadas medidas significativas relativamente à pandemia”.

Antes também já se tinha assumido “a pobreza dos números registados”, portanto, diz Silva Graça, “o que considerava importante era haver pelo menos uma recomendação muito forte sobre a utilização da máscara”.

O epidemiologista Manuel Carmo Gomes, que integra a equipa da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa que faz a modelação da evolução da doença desde o início da pandemia, e que desta vez não esteve no Infarmed, confessou não ter tido a oportunidade de acompanhar em directo, mas não deixa de referir que o importante, mesmo para esta fase, “era a obrigatoriedade do uso de máscara em situações muito específicas, nomeadamente nos transportes públicos, porque é uma medida que não tem impacto económico nem social nas nossas vidas”.

Querem tornar a covid-19 uma doença do dia-a-dia, mas é preciso mais literacia

Do lado da saúde pública, Gustavo Tato Borges comentou ao DN ter concordado com o ministro Manuel Pizarro no que defendeu sobre a vacinação, “tem de ser fomentada” e “as pessoas que forem chamadas devem ser vacinadas”, mas “nesta reunião faltou dizer que as pessoas devem manter os cuidados quando estão doentes e evitar ir trabalhar”, e, se forem, “deve haver a garantia de que usam máscara”.

Mais. “Esta deve ser usada em qualquer momento do nosso dia sempre que possa haver um risco acrescido de se ser infectado ou de se transmitir a infecção a outras pessoas.”

O médico reforça que outra das recomendações que deveriam ter sido feitas no encontro “era a da ventilação dos espaços interiores”. Nesta fase da pandemia, é preciso termos a garantia de que “há melhores espaços com ventilação interior”.

Gustavo Tato Borges sublinha: “O que me parece é que se pretende que a covid seja cada vez mais uma doença normal, como outras de infecção respiratória, e que integre aquilo que é a vigilância habitual destas, só que, se calhar, esta vigilância é que deveria ser aperfeiçoada, não só para a covid-19, mas para as outras infecções respiratórias”, lembrando ainda que “as mudanças de comportamento exigem o aumento da literacia sobre as doenças virais.

Só assim conseguiremos minimizar o risco futuro de tais doenças, e, nomeadamente, da covid-19 na nossa sociedade e na minimização do recurso aos serviços de saúde, como urgências, nas quais já se sente uma sobrecarga considerável”.

Neste momento nada mais há a fazer em relação à covid-19 que não seja “prevenção, protecção, comportamento individual e ventilação”, mas se isto não for dito sobejamente à população o vírus continuará a circular de forma elevada.

Por isso, alerta, a partir do momento “que se comece a notar que a doença está a ter maior impacto nos internamentos e óbitos é necessário o regresso da máscara obrigatória e de uma ou outra medida mais dramática”.

Manuel Pizarro com a secretária de Estado para a Promoção da Saúde, Margarida Tavares, e a directora-geral da Saúde, Graça Freitas.
© Miguel Lopes/Lusa

O infecciologista António Silva Graça avança também: “Parece-me pouco esperar-se que as pessoas utilizem a máscara quando estão com sintomas e infectadas, só porque é uma questão cívica e de respeito pelos outros.

É preciso que esta medida seja fortemente recomendada pelas autoridades de saúde, dizendo mesmo que, “embora não seja uma fase crítica, a pandemia não acabou e existem mais casos do que aqueles que se admite existirem”.

Para o médico a vigilância está a ser feita de uma forma com a qual não concorda e, se o país quer “evitar um agravamento da situação, dever-se-ia, pelo menos, reverter o que foi feito relativamente à testagem – permitindo que as pessoas pudessem voltar a aceder mais facilmente aos testes para confirmarem a infecção – e à protecção ao isolamento dos infectados”, porque senão “vamos ter reflexos maiores no trabalho e nas escolas”.

O epidemiologista Manuel Carmo Gomes considerou que “a situação ainda não é muito preocupante, mas que vamos ter de esperar para ver, porque há duas grandes incógnitas às quais ainda não se consegue responder: uma é o verdadeiro impacto das sub-variantes e outra a protecção que dão as vacinas adaptadas a estas sub-variantes”.

Do lado da Saúde, a prevenção remete-se à vacinação, vacinação

Durante quase uma hora os peritos de instituições do Estado, Henrique de Barros, presidente do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, João Paulo Gomes, director do Departamento Bioinformático do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), e Carlos Alves, infecciologista do Infarmed, autoridade da saúde e do medicamento, resumiram a situação epidemiológica do país, usando a vacinação como palavra de ordem para a prevenção.

Henrique de Barros defendeu que “a pandemia actual é aquilo a que os economistas chamam um exemplo de incerteza radical, ou seja, é demasiado complexa para ser capturada por modelos simples”, lembrando, no entanto, que “as vacinas são indispensáveis”, mas “podem não ser suficientes”.

No entanto, o médico ressalvou que estas preveniram “mais de um milhão de infecções, mais de dois milhões de dias de internamento e 130 mil em cuidados intensivos, bem como 12 mil mortos”.

E é neste sentido que defende a vacinação como “uma estratégia de imunização”, considerando até que se há “vacinas disponíveis, como nós temos, nada justifica que as pessoas não possam vacinar-se qualquer que seja a sua idade”.

Mas o médico reforçou que esta pode não ser suficiente, sendo necessário manter de forma responsável um “conjunto de medidas” da parte da população, como: quem está doente deve ficar em casa ou não continuar a “funcionar socialmente”.

O técnico do INSA, João Paulo Gomes, começou a sua declaração por fazer o ponto de situação sobre as variantes, linhagens e sub-linhagens que caracterizam o panorama epidemiológico a nível nacional e internacional, referindo que “a variante Delta foi a mais severa e esteve em Portugal cerca de 7 meses, até que “importámos da África do Sul a famosa Ómicron”.

Referiu ainda que a taxa de vacinação “excelente” que temos aumentou a imunidade, permitindo que se passasse a falar apenas das sub-linhagens desta – BA.1, BA.2 e BA.5 e agora BQ.1.1, estando esta última “a crescer”, “cerca de 30% dos casos devem-se já a esta sub linhagem, a mais transmissível actualmente”.

Todavia, “não há evidências de que estas sub-linhagens sejam mais severas”. João Paulo Gomes destacou, no entanto, que “as vacinas têm-se mostrado “muito eficazes”, mas “menos contra estas linhagens emergentes”.

Na área do medicamento, Carlos Alves reforçou que no combate à pandemia “as medidas não farmacológicas são importantes”, mas que as farmacológicas “fizeram a grande diferença”, tendo sido as vacinas “a terem mais impacto na evolução da pandemia” e que “estar vacinado faz a diferença. É importante fazer reforços”.

O coronel Penha Gonçalves, que coordena agora o processo de vacinação, lembrou que 94,7% da população residente em Portugal iniciou o processo de vacinação e que 74% dos elegíveis já recebeu a segunda dose de reforço, que está a ser dada desde Setembro.

O médico militar anunciou ainda haver um aumento de 10% na capacidade vacinal para permitir administrar a dose de reforço às pessoas acima dos 50 anos antes do final do ano, mas assumiu que ainda há cerca de 600 mil pessoas que ainda não se vacinaram.

A seguir a esta reunião do Infarmed, e como dizem alguns especialistas, resta esperar para ver, até porque o que está definido em termos de directrizes de acção para as unidades de saúde está desactualizado, já que vem tudo do período em que estávamos sob o estado de alerta.

No ano passado, nesta altura, já havia plano de outono-inverno, agora, sobre este nada se sabe, tal como nada se sabe sobre o sistema de vigilância para a covid-19, em simultâneo com a gripe, através dos médicos de sentinela, um projecto que foi anunciado ainda no início do verão.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
11 Novembro 2022 — 22:53



 

Reunião do Infarmed vai colocar as pessoas em “estado de alerta”

– Este sujeito, por natureza, é sempre do contra. Seria a favor de qualquer tipo de medidas se elas fossem a partir de um governo da sua cor partidária. Acho bem a reunião com o Infarmed para que seja efectuada uma análise com os intervenientes na área da saúde e isso não me coloca em nenhum tipo de “estado de alerta”.

ORDEM DOS MÉDICOS/PANDEMIA/INFARMED

Na opinião de Miguel Guimarães, “o facto de existir uma reunião no Infarmed vai colocar as pessoas em estado de alerta” porque vão pensar que, se os peritos se estão a reunir, é porque “as coisas não estão bem”.

© ANTÓNIO COTRIM/Lusa

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, considerou esta quinta-feira que a realização da reunião de peritos do Infarmed para avaliar a situação da pandemia no país vai colocar as pessoas em “estado de alerta”.

Os peritos voltam a reunir-se na sexta-feira no auditório do Infarmed, em Lisboa, para fazer um ponto de situação da covid-19, mas o ministro da Saúde, Manuel Pizarro, esclareceu na altura do anúncio da reunião que a realidade mostra que a decisão de interromper o estado de alerta, no dia 1 de Outubro, foi acertada.

“Eu percebo que se queira fazer uma reunião para fazer o ponto da situação do estado da pandemia actualmente, mas não era preciso fazer uma reunião formal, com a conotação que as reuniões do Infarmed têm”, disse Miguel Guimarães, que falava à agência Lusa a propósito do 25.º Congresso Nacional da Ordem dos Médicos que decorre na sexta-feira em Braga.

Na sua opinião, “o facto de existir uma reunião no Infarmed vai colocar as pessoas em estado de alerta” porque vão pensar que, se os peritos se estão a reunir, é porque “as coisas não estão bem”.

Miguel Guimarães adiantou que nesta época do ano vai haver mais casos de covid-19, de gripe, vão morrer mais pessoas, mas o que se deve fazer é apelar às pessoas para se vacinarem e dar condições para que a vacinação seja acelerada.

“A vacinação agora não está a ser igual (…) é tudo muito mais lento e o tempo passa. Daqui a bocado estamos em Janeiro e corremos o risco de não estar vacinados, pelo menos, a população-alvo”, disse, afirmando que a Direcção-Geral de Saúde (DGS) “podia estar melhor nesse aspecto e o Governo também”.

Por outro lado, defendeu, é preciso proteger as pessoas mais frágeis, que, de uma forma geral, são as que têm morrido.

“São pessoas que têm alterações do sistema imunitário, que estão a fazer imuno-supressores, ou que estão imuno-deprimidas pela doença que têm, o que significa que a vacina nessas pessoas funciona menos bem porque elas não conseguem produzir os anticorpos necessários para ficarem protegidas”, adiantou.

Para prevenir a doença grave nestes doentes, o bastonário defendeu que o país tem “a obrigação de disponibilizar anticorpos mono-clonais neutralizantes” para que possam “estar tão protegidas como as pessoas que fazem a vacinação”, uma prática que disse estar a ser feita em praticamente em todos os países da Europa.

Questionado sobre se os serviços de urgência estão preparados para uma maior procura, disse que, neste momento, já têm a capacidade de resposta limitada devido à saída de “muitos médicos” do SNS.

Adiantou que o serviço de urgência tem “vivido muito” das horas extraordinárias que os médicos vão fazendo, mas há muitos que já não estão disponíveis para as continuar a fazer todas as semanas, e às vezes mais do que uma vez por semana, “em prejuízo da sua vida pessoal e familiar”.

“Portanto, eu prevejo que a situação seja complicada”, disse, apontando que, para a resolver, “é perceber quem é que vai estar disponível para fazer serviço de urgência, e isso vê-se com tempo, dentro do SNS” e recorrendo a prestação de serviços, mas directamente com os médicos.

Defendeu ainda que se deve também “preparar já e perceber” junto dos hospitais privados quem pode estar disponível, caso seja necessário, para receber, por exemplo, doentes respiratórios.

“É importante que haja também uma consciencialização por parte da sociedade de libertar o espaço da urgência para as pessoas que têm doenças mais graves”, concluiu.

Diário de Notícias
DN/Lusa
10 Novembro 2022 — 14:48



 

646: Ministro da Saúde afasta regresso ao estado de alerta

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/ESTADO DE ALERTA

O ministro da Saúde, Manuel Pizarro, afirmou ainda que o Governo vai apostar no reforço dos cuidados de saúde primários, sendo o objectivo garantir que todos os portugueses tenham acesso a uma equipa de saúde familiar.

© MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

O ministro da Saúde, Manuel Pizarro, afastou esta quinta-feira a hipótese, “pelo menos no curto prazo”, de regressar ao estado de alerta e impor medidas de saúde pública para combater a covid-19.

“Para efeitos de tranquilidade da opinião pública, não há nenhuma intenção, nem nenhuma necessidade de regressar, pelo menos a curto prazo, a quaisquer medidas que envolvam o estado de alerta ou imposições em matéria de saúde pública, Isso está completamente afastado”, disse Manuel Pizarro em respostas a questões levantadas pelos jornalistas na conferência de imprensa no final do Conselho de Ministros.

O ministro adiantou que as autoridades de saúde vão continuar a “monitorizar atentamente” a evolução da pandemia de covid-19 e de todas as outras doenças respiratórias habituais no inverno.

Na sexta-feira vai realizar-se uma reunião de peritos para informar “com detalhe técnico” sobre as circunstâncias epidemiológicas no plano nacional, plano europeu e internacional.

“Amanhã vamos fazer uma actualização da situação epidemiológica e na sequência disso anunciaremos o nosso plano de intervenção para o inverno”, disse.

Na próxima semana, acrescentou Manuel Pizarro, serão anunciadas medidas adicionais do ponto de vista do funcionamento do Serviço Nacional de Saúde, “em resposta àquilo que é uma dificuldade sazonal habitual com o aumento das infecções respiratórias”.

“Este ano em Portugal, como na generalidade dos países da Europa e como já tinha ocorrido no hemisfério sul, houve uma certa antecipação de alguns dos vírus respiratórios” e por isso foi antecipado o plano de vacinação para 07 de Setembro, ao abrigo do qual já foram vacinadas quase dois milhões de portugueses contra a gripe e com o reforço da covid-19.

Para o ministro, a vacinação é a medida “mais relevante” para prevenir estas infecções.

Questionado sobre o aumento da procura dos serviços de urgência nos últimos dias, disse que foi uma situação sentida no conjunto dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde por motivos relacionados com as infecções respiratórias.

“A verdade é que, com algumas perturbações de funcionamento, que são muito difíceis de evitar nessas circunstâncias, os hospitais foram capazes de dar a resposta devida”, salientou, acrescentando que “a situação é hoje, felizmente, bastante mais calma do que a que ocorreu nos últimos dias.

Ministro admite possibilidade de cooperativas de médicos de família por período transitório

O ministro da Saúde admitiu a possibilidade de cooperativas de médicos de família em regiões do país mais carenciadas destes profissionais “por um período transitório”.

Manuel Pizarro já tinha admitido durante uma audição nas comissões parlamentares de Orçamento e Finanças e de Saúde, na terça-feira, a criação de Unidades de Saúde Familiar (USF) modelo C temporárias para responder à falta de médicos de família, uma possibilidade que o BE considerou ser a “privatização” dos cuidados primários de saúde.

Questionado esta quinta-feira sobre este assunto na conferência de imprensa no final do Conselho de Ministro, o ministro começou por afirmar que o Governo tem uma “aposta clara” no reforço dos cuidados de saúde primários, sendo o objectivo garantir que todos os portugueses tenham acesso a uma equipa de saúde familiar.

Mas, disse, “é conhecido que em algumas regiões do país, sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo”, há “carência de profissionais” para cumprir já esse objectivo.

“Nesse contexto, encaramos medidas que sejam transitórias e supletivas e, entre essas, poderá também haver a possibilidade de cooperativas de médicos poderem concorrer à prestação deste nível de cuidados durante um período temporário, até que o maior aumento de sempre do número de médicos em formação na especialidade possa produzir os seus efeitos”, salientou.

Manuel Pizarro lembrou que, em 2023, há o maior número de vagas de sempre (574) para formação de especialistas em Medicina Geral e Familiar, que tem a duração de quatro anos.

“O processo de formação de profissionais demora o seu tempo e nós temos que garantir que, entretanto, a nossa capacidade de resposta melhore e é apenas neste contexto que essa possibilidade existe”, vincou Manuel Pizarro.

“Não estamos a falar de nenhuma privatização do SNS, o que seria, aliás, estranho da parte de um Governo que se insere na tradição da criação do Serviço Nacional de Saúde público, geral e universal”, rematou Manuel Pizarro.

O ministro salientou ainda que o reforço dos cuidados de saúde primários quer dizer “levar até ao fim uma reforma muito importante” que têm promovido e que criaram, pelo menos na última década e meia.

Trata-se do reforço dos centros de saúde, a criação de unidades de saúde familiar, o rejuvenescimento das profissões associadas à prestação deste nível de cuidados, médicos, enfermeiros, secretários clínicos ou outros técnicos de saúde, adiantou.

Na audição parlamentar Manuel Pizarro salientou que o modelo do Governo para a reforma dos cuidados de saúde primários assenta na criação de USF modelo A, correspondentes aos centros de saúde tradicionais, e na sua transformação, “por amadurecimento organizativo”, em USF modelo B, em que os profissionais são pagos de acordo com o desempenho.

As Unidades de Saúde Familiar (USF) modelo C assentam em entidades estabelecidas com autonomia organizacional e financeira e com um contrato-programa com as Administrações Regionais de Saúde.

Diário de Notícias
DN/Lusa
10 Novembro 2022 — 16:12



 

643: Covid-19. Vacinação a partir dos 50 anos vai avançar em breve

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/VACINAÇÃO/>50 ANOS

A taxa de vacinação nas pessoas acima dos 80 anos é inferior ao que o Governo gostaria. A secretária de Estado da Promoção da Saúde faz, por isso, um apelo. “Gostaríamos que fosse mais e faço aqui um apelo a todas as pessoas mais velhas: não deixem de se vacinar”.

© MIGUEL A. LOPES / LUSA

As pessoas a partir dos 50 anos vão poder vacinar-se contra a covid-19 em breve, anunciou a secretária de Estado da Promoção da Saúde, que apela aos mais velhos que não deixem de se vacinar.

Numa entrevista ao jornal Público, Margarida Tavares explica que a estratégia da Direcção-Geral da Saúde (DGS) “foi mais cautelosa” – o plano era o de vacinar apenas as pessoas a partir dos 60 anos até Dezembro – porque as autoridades queriam concentrar-se nas classes etárias de maior risco, mas que, em breve, a idade para a vacinação vai baixar para os 50 anos.

“Essa medida vai ser anunciada pela Direcção-Geral da Saúde em breve”, revela.

Margarida Tavares reconhece que a taxa de vacinação nas pessoas acima dos 80 anos – que está abaixo dos 70% – é inferior ao que o Governo gostaria e apela à vacinação dos mais velhos: “Gostaríamos que fosse mais e faço aqui um apelo a todas as pessoas mais velhas: não deixem de se vacinar”.

Sobre o inverno, reconhece que “não vai ser fácil”, com a circulação, em simultâneo, do vírus que provoca a covid-19, do da gripe e do vírus sincicial respiratório.

“Como infecciologista, sabia que, volvido algum tempo, estaríamos a assistir a uma dinâmica dos vírus respiratórios que foi totalmente alterada e não me surpreende nada que o vírus sincicial respiratório se tenha antecipado e que os casos de gripe sejam mais precoces”, afirma.

A secretária de Estado fala ainda do plano de contingência para o inverno que o Governo está a preparar e, quanto à reunião de peritos agendada para sexta-feira no Infarmed, diz que “vai ser apenas um momento de reflexão e transparência”, não devendo ser tomadas novas medidas de contenção.

Contudo, alerta que as máscaras “não desapareceram” e que são “altamente recomendadas para as pessoas que têm sintomas respiratórios, quando estão próximas de outras pessoas”. “Vamos recomendá-las vivamente nos espaços fechados. Eventualmente, vamos fazer recomendações mais apertadas para os transportes públicos, por exemplo”, revela.

Depois de o ministro Manuel Pizarro ter esta semana admitido criar Unidades de Saúde Familiar (USF) modelo C temporárias para responder à falta de médicos de família, uma possibilidade que o Bloco de Esquerda considerou ser a “privatização” dos cuidados primários de saúde, Margarida Tavares admite que a “constituição de cooperativas de médicos poderá ser uma resposta” para algumas regiões.

“Em algumas regiões do país, até por períodos limitados de tempo, a constituição de cooperativas de médicos poderá ser uma resposta, por exemplo, com médicos reformados”, afirma.

Contudo, a governante diz que “será uma possibilidade remota, localizada no tempo e no espaço e ponderada caso a caso”, insistindo: “Não nos passa pela cabeça privatizar os cuidados de saúde primários”.

Sobre os programas prioritários da DGS, refere que “precisam de ser reforçados” e reconhece a falta de meios da Direcção-Geral da Saúde, lembrando que a estrutura também “está muito pesada e difícil de gerir”.

A este propósito, a secretária de Estado da Promoção da Saúde adianta que será criada uma nova estrutura, dentro do Ministério da Saúde,” para “reorganizar a promoção da saúde e dar-lhe o devido espaço, recursos e meios e uma visão moderna da saúde”.

A governante acrescenta ainda que o Governo tenciona ir mais longe na legislação do tabaco e que quer “regulamentar melhor a questão do fumo em espaços fechados”.

Diário de Notícias
DN/Lusa
10 Novembro 2022 — 08:14



 

593: Sem testes gratuitos e isolamento pago é difícil conter transmissão, mas hospitais estão preparados

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19

O que aí vem ninguém sabe, mas há uma expectativa. E esta é: mesmo que a infecção por SARS-CoV-2 se mantenha elevada, o impacto da doença covid-19 será muito menor do que no início de 2021, quando ainda não havia vacinação. Neste momento, nos hospitais a preparação para eventuais surtos é permanente, mas a saúde pública alerta: “É preciso vigilância mais apertada no número de casos.” Reuniões do Infarmed regressam dia 11.

Portugal e outros países que deixaram estratégia de testagem massiva registam agora menos casos por milhão de habitantes.

Quase três anos depois e com mais um inverno à porta, regressa a imprevisibilidade em relação à infecção pelo vírus que invadiu o mundo a partir da China, no final de 2019 – o SARS-CoV-2. Sobretudo porque não há garantias de que não apareçam novas variantes que substituam a Ómicron, dominante desde o início deste ano em todo o mundo, ou novas sub-variantes desta.

Sobre as que apareceram recentemente, a BQ1 e a BQ1.1, identificadas na Nigéria, e que estão a substituir a BA.5, ainda pouco se sabe quanto ao seu impacto.

Até agora, a percepção que existe é a de que estas sub-variantes podem ser mais transmissíveis do que as anteriores, mas menos agressivas na doença grave e com protecção das vacinas que existem. E esta é também a esperança de quem está no terreno, na saúde pública, a gerir hospitais e na medicina intensiva.

Ao DN, o diretor clínico do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), que inclui os Hospitais de Santa Maria e Pulido Valente, assume a imprevisibilidade: “O que aí vem ninguém sabe”, mas em termos de preparação “já estamos permanentemente, desde há quase três anos”. Luís Pinheiro diz até que, na sua opinião, “a nível de unidades hospitalares há uma preparação global muito maior”.

O presidente do Colégio da Especialidade de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos, José Artur Paiva, concorda que “o país está mais preparado nesta área” e que “mau seria se não fosse assim”, depois do “curso intensivo que tivemos nos primeiros dois anos”, mas o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP) alerta para o facto de ser esperado um aumento significativo de infecções e de eventuais surtos – como destacou também, na semana passada, a própria Organização Mundial de Saúde, pedindo aos países que se preparassem -, e o que está a acontecer é que

“Muitas pessoas positivas não se testam nem cumprem isolamento”, fazendo com que não haja um retrato real da infecção no país e que a transmissão aumente.

Por isso mesmo pede ao governo que defina orientações e directrizes e que faça regressar medidas como a testagem e o apoio ao isolamento.

Gustavo Tato Borges concorda que “o país tem muito mais experiência do que no início da pandemia para lidar com novos casos de covid-19. Não só ao nível da saúde, mas também do cidadão, tendo em conta o conhecimento e os hábitos que se adquiriram.

Portanto, está melhor preparado para lidar com a situação no caso de poderem existir novos surtos”, mas relativamente à área da saúde pública “é fundamental uma monitorização mais apertada dos casos, que deixou de existir com o fim do estado de alerta.

Não é voltarmos a ter de contactar telefonicamente todos os infectados, mas é voltarmos a ter mais facilidade no diagnóstico. Ou seja, precisamos que a população volte a ter testes gratuitos disponíveis nas farmácias para ter o diagnóstico rapidamente”, diz.

Acrescentando: “Não existindo isto, então que se comece a fazer a vigilância da carga viral da covid-19 nas águas residuais, que é um indicador extremamente importante para se perceber a circulação do vírus e o impacto que a infecção poderá ter ao nível da doença e da sua gravidade.”

Desta forma, explica ao DN, “poderemos estar mais tranquilos. Ou seja, se ficarmos a saber que não há uma carga viral elevada nas águas residuais e que os internamentos não estão a aumentar, quer dizer que a situação está controlada.

Mas se houver uma carga viral elevada nas águas residuais e os internamentos a aumentar, então teremos de fazer alguma coisa rapidamente para impedir a circulação do vírus na comunidade”.

Por outro lado, o médico argumenta ser também fundamental a manutenção do isolamento dos casos positivos com o respectivo apoio, salário pago a 100% durante os cinco dias.

“A maior parte das pessoas não se testa porque não arrisca a que lhe digam que tem de ficar em casa. Muitas já ganham tão pouco que não podem ganhar menos e passam à frente deste crivo quando o isolamento de cinco dias continua a ser muito importante.”

E explica porquê: “Não podemos pensar só no caso das empresas. Temos de pensar também nos lares e em outras instituições que lidam com idosos ou com pessoas mais vulneráveis, porque os seus funcionários também irão trabalhar positivos.

Há uns que são assintomáticos, e já escapam ao controlo, os outros não arriscam ficar em casa, podendo estar a contaminar as pessoas mais vulneráveis. E será difícil não haver disseminação da transmissão.”

Se não continuamos a monitorizar “a incidência da doença, não sabemos o número de infecções reais que temos e não sabemos em que ponto estamos.

Se não continuamos a monitorizar “a incidência da doença, não sabemos o número de infecções reais que temos e não sabemos em que ponto estamos. O que estamos a fazer é a monitorizar os internamentos gerais, enfermarias e cuidados intensivos, e os óbitos.

Esperemos que não se comece a tomar medidas só quando os internamentos atingirem níveis preocupantes”, frisa, reforçando mais uma vez que “uma medida restrita só tem efeitos entre três a quatro semanas. Primeiro baixam os casos, depois os internamentos, e só depois os óbitos”.

Neste momento, destaca Gustavo Tato Borges, “desconhece-se quais são as medidas que estão pensadas pelo governo e pelas autoridades de saúde para este inverno. Mas é importante que haja um plano de vigilância e orientações que sejam divulgados, porque as que existem são do tempo do estado de alerta em vigor e estão desactualizadas”.

Isto porque, apesar de haver sempre imprevisibilidade, nos anos anteriores havia muitas medidas que permitiam “mitigar a transmissão da infecção, agora não”. Nesta quinta-feira, o ministro da Saúde anunciou que as reuniões do Infarmed, entre governo e peritos, regressam dia 11.

Os dados divulgados pela plataforma internacional, Our World in Data revelam que Portugal não regista das piores situações no quadro europeu, sobretudo em relação a países como Alemanha, França e Itália. Mas há uma diferença enorme. Estes países mantêm a testagem massiva, daí que consigam identificar maior número de casos e ter maior vigilância através da incidência. Espanha está melhor do que Portugal, mas tem as mesmas regras.

Hospitais preparados para eventuais surtos

Em relação às unidades hospitalares, os circuitos separados para doentes respiratórios e não respiratórios mantêm-se, mas há algumas alterações na gestão de camas e de recursos.

Como explica o director clínico do CHULN, Luís Pinheiro, “os circuitos separados mantêm-se, os doentes não circulam misturados, seja no espaço da urgência, de enfermaria ou em áreas comuns, mas há maior flexibilidade na gestão dos recursos e dos espaços”.

Ou seja, “a filosofia do início da pandemia que levou à criação de enfermarias estritamente dedicadas a doentes com covid-19 mudou completamente e o que fazemos agora é colocar os doentes positivos em espaços próprios, naturalmente separados dos outros, mas nas enfermarias em que devem tratar a sua doença base, porque a realidade dos últimos meses é que o facto de um doente estar positivo para a infecção SARS-CoV-2 não significa que tenha covid-19. Foi internado por outra patologia e testou positivo”.

Isto mesmo está a ser feito em Santa Maria e em muitas outras unidades. A prioridade agora é tratar os doentes que tiveram de entrar no hospital porque tiveram um AVC ou outra situação nas áreas correspondentes, embora dentro destas enfermarias haja salas para doentes positivos e salas para os outros doentes. Luís Pinheiro salienta: “Não temos um número de camas alocadas e vazias à espera de doentes com covid-19, como havia anteriormente. Isso hoje seria um desperdício.

O que temos é um modelo de organização mais flexível e mais ágil, que adaptaremos conforme a evolução da pandemia, reconvertendo salas de enfermarias para que os doentes se mantenham separados dos outros mas tenham o tratamento adequado à sua patologia.”

“Não temos um número de camas alocadas e vazias à espera de doentes com covid-19, como havia anteriormente. Isso hoje seria um desperdício.

A sua expectativa é de que, embora possa “haver um aumento de transmissão da infecção, o que é natural, e um maior número de doentes a testar positivo e doentes internados com covid-19, o impacto desta seja significativamente menos grave do que foi no passado, não só pelas característica do vírus, mas também pela vacinação da população com doses de reforço, como está a ser feito agora”.

Por exemplo, nesta semana a instituição que dirige tinha “um doente com covid internado em UCI, mas até há muito pouco tempo não tínhamos nenhum.

Nas enfermarias temos cerca de 30 positivos, mas, como digo, estes não são sinónimo de doença – a maioria, cerca de 60% a 65%, testou positivo à covid e tem de estar separado dos outros, mas a tratar as suas doenças originais”. Um número que diz “manter-se estável desde há várias semanas”.

Como médico, reforça que “o que aí vem nenhum de nós sabe. Há sempre uma incógnita em relação ao vírus e às variantes ou sub-variantes que venham a predominar”. E isto é o que o incomoda mais, embora tenha “a expectativa de que se passe a viver mais com a infecção pelo SARS-CoV-2 do que com a covid-19”.

Esta será mais uma que deverá “fazer parte do conjunto de patologias infecciosas respiratórias com as quais já lidamos e a fazer parte da rotina que é a nossa resposta clínica, para lidarmos com a doença de forma mais organizada e menos dramática”.

UCI. Há camas instaladas mas não activas por falta de recursos

O presidente do Colégio da Especialidade de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos, José Artur Paiva, concorda que, nesta altura, “o país está mais preparado para lidar com a covid-19 nesta área do que no início de 2020”. E isto porque “se saltou de 620 camas, no final de 2019, para 860”.

Assim, “há uma capacitação muito significativa dos cuidados intensivos”, mas alerta que ainda “há camas instaladas que não estão activas por falta de recursos humanos, sobretudo de enfermeiros, e, como se sabe, um médico ou um enfermeiro para esta área não se forma em duas semanas. Este é um problema que convém resolver a breve prazo”.

José Artur Paiva recorda que a capacitação que a pandemia trouxe à medicina intensiva fez “com que se aumentasse o número de camas e melhorou também a capacidade em termos de quartos de isolamento”. Por isto, e por todo o saber, ou melhor, “pelo curso intensivo que ganhámos nestes quase três anos, mau seria se os hospitais não estivessem preparados”.

Na sua opinião, “os profissionais estão mais conscientes e ganharam conhecimento da doença e de como a tratar, o que é muito importante comparado com o que vivíamos em Março e em Abril de 2020”, destacando ainda que, “do ponto de vista de capacidade das unidades de medicina intensiva e de quartos isolados, estamos agora perto da média europeia, quando naquela altura éramos dos piores países”.

Ao olhar para o próximo inverno, o presidente do colégio da especialidade espera que na área da medicina intensiva este possa ser “encarado de uma forma significativamente diferente dos dois Invernos anteriores”.

Isto é, em termos de organização, “mais do que ter áreas de cuidados intensivos divididos para doentes com covid-19 e não covid, parece-me mais importante que o doente seja internado nas áreas adequadas à sua patologia”, defende, explicando: “Um doente que precisa de cuidados críticos porque teve um AVC ou uma hemorragia cerebral deve ir para a área onde são fornecidos os cuidados neuro-críticos, o mesmo em relação a doente com traumatismo grave, e nestas áreas devem ser usados os quartos de isolamento que permitam a prevenção da transmissão da infecção.”

“Depois de dois anos em que o nosso contacto com o vírus influenza foi muito baixo, os quadros de gripe podem assumir uma gravidade acima daquilo que era normal no período pré-pandémico”.

À partida, reforça também, o próximo inverno será “um pouco imprevisível”. E por dois factores. Por um lado, porque “a percepção que se tem agora das novas sub-variantes é a de que são mais transmissíveis mas provocam menos doença grave, nomeadamente às pessoas que não têm quadros de imunodeficiência e que realizaram o suporte vacinal, mas, repito, ainda não temos certezas”.

Por outro lado, não sabemos como se irá comportar o vírus da gripe. “Depois de dois anos em que o nosso contacto com o vírus influenza foi muito baixo, os quadros de gripe podem assumir uma gravidade acima daquilo que era normal no período pré-pandémico, havendo ainda todos os outros agentes respiratórios de infecção vírica ou bacteriana.

E em termos de medicina intensiva esta é uma fase do ano em que há claramente uma procura de camas de UCI mais elevada.” No entanto, “a expectativa não é muito pessimista em relação a casos graves de covid-19”.

O DN contactou há uma semana autoridades da saúde nacional, nomeadamente a Direcção-Geral da Saúde, para saber qual a situação real que se vive no país, comparando-a com outros países europeus, assim como que plano de vigilância está a ser preparado para este inverno, que recomendações vão ser feitas e em que pé está o projecto de vigilância em simultâneo covid-19/gripe. Até ao fecho desta edição não obteve respostas.

Presidente da ANMSP pede para que Governo mantenha obrigatoriedade de máscara nos serviços de saúde, senão será difícil conter transmissão

Cuidados a ter

Unidades de Saúde

O presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública recomenda que o Governo mantenha a obrigatoriedade do uso de máscara nos serviços de saúde, senão o contágio será inevitável nestas situações. Gustavo Tato Borges diz saber que há ACES em que os médicos de família ainda usam acrílicos como separadores e viseiras, e que estas devem ser mantidas para se protegerem a eles próprios.

População

Em relação aos utentes, o primeiro conselho vai para aqueles que estão a ser chamados para a dose de reforço. “Façam-na rapidamente, quanto mais depressa tivermos uma cobertura vacinal adequada com esta dose de reforço mais depressa poderemos ter uma protecção acrescida na população”.

Sintomas

É preciso que cada um de nós esteja atento aos sintomas e que não os menospreze. Se estiver com um quadro de sintomas respiratórios é importante que imediatamente – sendo a mais adequada para proteger os outros a SP2, que é de bico de pato, e não tanto a cirúrgica. Quando se está com sintomas deve evitar-se visitar pessoas vulneráveis e contactar com outras de forma prolongada.

Ventilação

Apesar de se estar a entrar na época do frio é muito importante a ventilação, em casa, empresas e até mesmo em locais de convívio deve abrir-se regularmente as janelas os espaços onde estamos a trabalhar ou a conviver voltando a fechar para permanecer.

Teletrabalho

O médico relembra ainda: “Sempre que se puder recorrer ao teletrabalho, deve fazer-se. É a forma de se poder minimizar a disseminação da doença”. É que há sempre alguém mais vulnerável, que mesmo com a vacinação, poderá pagar um preço mais elevado.

Gustavo Tato Borges diz que os últimos dois anos foram “um período estranho da nossa vida, mas o teletrabalho, o uso de máscara e o arejamento dos espaços devem passar a ser coisas comuns do nosso dia”.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
05 Novembro 2022 — 00:16



 

590: Portugal com 5.920 casos e 53 mortes por covid-19 entre 25 e 31 de Outubro

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTOS

Registaram-se menos 1.736 casos de infecção e mais seis mortes em relação à semana anterior.

DN/Lusa
04 Novembro 2022 — 19:25

Portugal registou, entre 25 e 31 de Outubro, 5.920 infecções pelo coronavírus SARS-CoV-2, 53 mortes associadas à covid-19 e um novo aumento dos internamentos, indicou esta sexta-feira a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Segundo o boletim epidemiológico semanal da DGS, em relação à semana anterior, registaram-se menos 1736 casos de infecção, verificando-se ainda mais seis mortes na comparação entre os dois períodos.

Quanto à ocupação hospitalar em Portugal continental por covid-19, a DGS passou a divulgar às sextas-feiras os dados dos internamentos referentes à segunda-feira anterior à publicação do relatório.

Com base nesse critério, o boletim indica que, na última segunda-feira, estavam internadas 525 pessoas, mais 47 do que no mesmo dia da semana anterior, com 34 doentes em unidades de cuidados intensivos, menos um.

De acordo com o boletim da DGS, a incidência a sete dias estava, na segunda-feira, nos 57 casos por 100 mil habitantes, tendo registado uma redução de 23% em relação à semana anterior, e o índice de transmissibilidade (Rt) do coronavírus baixou para 0,87.

Por regiões, Lisboa e Vale do Tejo registou 2.300 casos entre 25 e 31 de Outubro, menos 210 do que no período anterior, e 19 óbitos, menos quatro.

A região Centro contabilizou 823 casos (menos 1.261) e 13 mortes (mais seis) e o Norte totalizou 1.440 casos de infecção (menos 207) e 12 mortes (menos três).

No Alentejo foram registados 292 casos positivos (mais 25) e seis óbitos (mais cinco) e no Algarve verificaram-se 220 infecções pelo SARS-CoV-2 (menos 85) e uma morte (mais uma).

Quanto às regiões autónomas, os Açores tiveram 247 novos contágios nos últimos sete dias (menos dois) e nenhuma morte, enquanto a Madeira registou 598 casos nesse período (mais quatro) e dois óbitos (mais um), de acordo com os dados da DGS.

Segundo o relatório, a faixa etária entre os 60 e os 69 anos foi a que apresentou maior número de casos a sete dias (1.151), seguindo-se a das pessoas entre os 70 e os 79 anos (912), enquanto os jovens dos 10 aos 19 anos foram o grupo com menos infecções nesta semana (188).

Dos internamentos totais, 206 foram de idosos com mais de 80 anos, seguindo-se a faixa etária dos 70 aos 79 anos (131) e dos 60 aos 69 anos (82).

A DGS contabilizou ainda oito internamentos no grupo etário das crianças até aos 9 anos, seis dos 10 aos 19 anos, 12 dos 20 aos 29 anos, 14 dos 30 aos 39 anos, 14 dos 40 aos 49 anos e 34 dos 50 aos 59 anos.

O boletim refere também que, nestes sete dias, morreram 40 idosos com mais de 80 anos, sete pessoas entre os 70 e 79 anos, três entre os 60 e 69 anos e outras três entre 50 e 59 anos.

Os dados indicam ainda que 66% dos idosos com mais de 80 anos já recebeu a vacina de reforço sazonal contra a covid-19, percentagem que baixa para os 51% no grupo entre os 65 e 79 anos.

Quanto à vacina da gripe, a DGS refere que já foi administrada a 70% dos idosos com mais de 80 anos e a 50% das pessoas do grupo etário entre os 65 e 79 anos.

Diário de Notícias
DN/Lusa
04 Novembro 2022 — 19:25



 

574: Covid-19: Peritos voltam a reunir-se no Infarmed dia 11 para avaliar pandemia

SAÚDE PÚBLICA/INFARMED/COVID-19/PANDEMIA

Ministro da Saúde descarta, porém, a possibilidade de se realizarem reuniões permanentes.

O ministro da Saúde anunciou esta quinta-feira que vai decorrer no próximo dia 11 uma reunião de peritos no Infarmed para fazer um ponto de situação da covid-19, descartando a possibilidade de se realizarem reuniões permanentes.

“Vamos fazer na sexta-feira, dia 11 [deste mês], uma reunião de actualização no Infarmed porque foi isso que nos comprometemos”, disse Manuel Pizarro, acrescentando que até agora a realidade mostra que a decisão de interromper o estado de alerta (no dia 01 de Outubro) foi acertada.

O governante falava aos jornalistas em Campo Maior (Portalegre), à margem da sessão de encerramento do XIV Encontro de Intervenção Precoce “Desenvolvimento Infantil: Um passo atrás do outro”.

Manuel Pizarro referiu também que a interrupção do estado de alerta no início de Outubro “não significava” o fim da pandemia.

“É isso que vamos fazer no dia 11, é uma vez mais uma reunião com peritos que nos vão dar informação sobre a situação internacional e a situação nacional da pandemia e sobre os dados de monitorização que nós temos até agora”, explicou.

Segundo o ministro, esses dados baseiam-se “não tanto no número de pessoas com infecção, porque esse diagnóstico já não é feito de forma generalizada como era, mas sobretudo das pessoas que precisam de recorrer ao internamento ou precisam ou têm um desfecho menos positivo”.

O ministro da Saúde fez ainda questão de sublinhar que nesta altura “não há nenhum indicador” do ponto de vista epidemiológico ou do ponto de vista da gravidade da doença que justifique efectuar reuniões permanentemente.

Diário de Notícias
DN/Lusa
03 Novembro 2022 — 20:28



 

479: A idade avançada é o principal factor de mortalidade por covid-19

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/IDOSOS/RISCOS

Estudo conduzido em Espanha conclui que a idade mais avançada é o principal factor de mortalidade em doentes infectados por covid-19, embora o tipo de células do sangue sejam também factores relevantes

© D.R.

A idade é o principal factor de risco de mortalidade com covid-19, segundo um estudo conduzido em Espanha em que se analisaram dados de mais de 1.200 doentes com uma média de idades de 65 anos.

O estudo foi realizado com uma amostra de 1.246 pacientes e está publicado no Open Respiratory Archives, a revista científica da Sociedade Espanhola de Pneumologia e Cirurgia Torácica (SEPAR).

A pneumologista Irene Nieto, membro da SEPAR e primeira autora do estudo, explicou que o objectivo do estudo foi identificar os factores que podem prever pacientes com risco mais elevado de morrer por covid.

Segundo Nieto, o nível de risco dos doentes com covid-19, que se pode manifestar em formas leves, moderadas ou severas, é essencial para encaminhar os doentes para o recurso de cuidados mais apropriado em função da sua evolução e gravidade, tais como unidades de cuidados respiratórios intermédios

Depois de recolher todos os dados médicos dos pacientes e de os analisar, descobriram que 168 pacientes, 13% do total da amostra, morreram durante a admissão hospitalar e que a maioria destas mortes foram de adultos mais velhos.

O estudo conclui que a idade mais avançada é o principal factor de mortalidade em doentes infectados por covid, embora o impacto dos reagentes (proteínas que aumentam ou diminuem durante a fase aguda da infecção) e o tipo de células do sangue sejam também factores relevantes

Nieto salientou que “estas descobertas podem ser muito úteis para supervisionar pacientes com covid-19 na prática clínica e atribuí-los aos cuidados mais apropriados”.

Os autores destacam no estudo que “modelos de aprendizagem automática de última geração podem proporcionar novos conhecimentos clínicos, uma vez que são capazes de detectar interacções de ordem mais elevada entre as variáveis, nunca antes vistas”.

Diário de Notícias
DN/Lusa
26 Outubro 2022 — 07:34



 

466: Nova linhagem da Ómicron pode aumentar contágios nas próximas semanas

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/VARIANTES

De acordo com as previsões do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, a linhagem BQ.1 e a sub-linhagem BQ.1.1 da Ómicron tem aumentado de frequência em Portugal, chegando aos 4,9% nas últimas semanas.

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) alertou esta sexta-feira para a possibilidade de uma nova linhagem da variante Ómicron passar a ser dominante na Europa até Dezembro, o que poderá provocar um aumento de contágios.

As previsões do ECDC indicam que a “BQ.1 e a sua sub-linhagem BQ.1.1 se tornarão dominantes na UE/EEE (União Europeia e Espaço Económico Europeu) entre meados de Novembro e o início de Dezembro de 2022”, adiantou o centro europeu em comunicado.

Caso se confirme essa previsão, poderá verificar-se na Europa um aumento do número de casos de covid-19 nas próximas semanas, de acordo com a actualização epidemiológica divulgada esta sexta-feira.

Estudos laboratoriais preliminares na Ásia indicam que a BQ.1 tem a capacidade de escapar à resposta do sistema imunológico, mas, de acordo com os dados disponíveis, “não há evidência que possa estar associada ao aumento da gravidade da infecção em comparação com as variantes BA.4 e BA.5 da Ómicron”, sublinhou o ECDC.

De acordo com o último relatório do Instituto Ricardo Jorge (INSA), a sub-linhagem BQ.1.1 tem aumentado de frequência em Portugal, chegando aos 4,9% nas últimas semanas.

O ECDC disse esperar que a BQ.1 (em conjunto com a sub-linhagem BQ.1.1) seja responsável por mais de 50% das infecções até ao início de Dezembro, uma prevalência que deve subir para os 80% no início de 2023.

“Pelo menos cinco países da UE/EEE detectaram a circulação” da BQ.1 na semana de 03 a 09 de Outubro, adiantou ainda o centro europeu, ao avançar que a França, Bélgica, Irlanda, Países Baixos e Itália foram os países que registaram as percentagens mais elevadas nas amostras recolhidas.

Fora da UE/EEE, os países com maiores percentagens registadas nas amostras recolhidas no início de Outubro são a Suíça (9%) e o Reino Unido (8%).

“Os países devem permanecer vigilantes para sinais de emergência e disseminação da BQ.1 e manter uma testagem representativa”, assim como monitorizar as taxas de casos de covid-19 e os indicadores de hospitalizações, especialmente em pessoas com 65 ou mais anos, salientou a directora do ECDC, Andrea Ammon, citada no comunicado.

Diário de Notícias
DN/Lusa
21 Outubro 2022 — 18:14