264: SNS24 passa a emitir baixas médicas

 

🇵🇹 SAÚDE PÚBLICA // SNS 24 // BAIXAS MÉDICAS

Proposta do Partido Socialista prevê a simplificação dos pedidos de baixa mais curtas, até três dias. E com limite anual.

António Cotrim / Lusa

Passar uma baixa médica vai deixar de ser possível apenas por declaração de estabelecimento hospitalar, ou centro de saúde, ou ainda por atestado médico.

A partir de Abril, em princípio, os pedidos de baixas médicas de, no máximo, três dias de duração, poderão ser pedidas através do SNS24.

Estas baixas, sem vencimento, são as mais requisitadas, lembrou Fernando Araújo, director-executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), na SIC.

“Trata-se apenas de justificar a ausência ao trabalho e é nessas que vamos apostar, que são aquelas que são mais requisitadas”, comentou o responsável.

A ideia é criar um mecanismo “equilibrado” em articulação com o Ministério do Trabalho, que evite o recurso ao médico de família, mas que evite também “abusos“.

O Partido Socialista vai apresentar uma proposta para que essas baixas de curta duração sejam pedidas e confirmadas por via digital.

A “via digital” é o portal SNS24 (não a linha de telefone), o balcão digital do Serviço Nacional de Saúde onde o cidadão pode aceder a informações e serviços de saúde.

Não será necessário ir ao centro de saúde ou hospital, ou contactar o médico de família. Mas haverá um limite de 6 dias de baixa por ano neste sistema, avisou o deputado socialista Fernando José, no Jornal de Negócios.

Fernando José justifica esta medida com uma tentativa de “desburocratização do Serviço Nacional de Saúde” e “facilitar a vida” dos trabalhadores.

A proposta vai ser apresentada na reunião do grupo de trabalho, na próxima quarta-feira.

ZAP //
28 Janeiro, 2023



 

published in: 7 dias 

 

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29: Alexandra Reis: a negociadora

 

🇵🇹 HISTÓRIAS DE ENCANTAR

Publicado: 1 mês 

Alexandra Reis é natural de Leiria

Sem filiação partidária ou experiência política conhecidas, Alexandra Reis pode gabar-se de ter merecido a confiança dos dois ministros rivais, conhecendo-se a exigência de ambos nessa matéria. E de os ter colocado em causa, de uma assentada.

Em Maio de 2022, é oradora numa talk dedicada ao tema “Negociar salários e orçamentos”. O “Executiva” – site “de carreira para mulheres”, dirigido essencialmente “a empresárias, gestoras e empreendedoras” -, responsável pelo evento, apresenta a “especialista em negociação” e garante que a “docente em programas para executivos” deixará “ideias muito úteis sobre este tema no “Bootcamp Executiva: 8 atitudes para acelerar a sua carreira”.

Em Setembro do mesmo ano, no mesmo site, a já então CEO da Navegação Aérea de Portugal (NAV) revela o segredo de um bom negociador: “Preparação, preparação, preparação”. E deixa “um conselho fundamental” ao processo de entendimento: “Sermos fiéis ao nosso valor, actuar com ética e respeito pelo outro”.

Na mesma entrevista, vai mais longe. Questionada sobre as funções anteriores – administradora da TAP -, diz ter “abraçado o desafio com espírito de missão”. Que o importante “era acudir à empresa”, uma empresa “crítica”.

Descreve o desafio – “Implementação de etapas-chave do processo e reestruturação, de redução de custos, suportado por um conjunto de recursos muito escassos”, para concluir: “Espero que nenhuma empresa volte a sentir com aquela intensidade”. Por isso, agradece “o sacrifício e o contributo de várias equipas, todas com um compromisso e dedicação inigualáveis”.

Alexandra Reis, a recém-demitida secretária de Estado do Tesouro, foi um dos rostos da reestruturação da companhia aérea e da execução de um plano que exigiu o corte de 25% da massa salarial da TAP, e levou à saída de cerca de três mil trabalhadores.

Em Fevereiro de 2022 – demitiu-se ou foi demitida? – chegou a vez da gestora. E quando chega a vez dela, Reis pede à TAP uma indemnização de 1,4 milhões de euros, vindo a assinar a rescisão por meio milhão, líquido. 336 mil euros dizem respeito a remunerações correspondentes a um ano de trabalho por cumprir, num contrato que fechava a 31 de Dezembro de 2024.

Acontece, porém, que, apenas quatro meses depois de ter recebido 500 mil euros, a negociadora é escolhida por Fernando Medina, das Finanças, e por Pedro Nuno Santos, das Infra-estruturas (que acabou por cair devido à polémica), para presidir à NAV (Navegação Aérea de Portugal).

Passagem breve: a convite de Fernando Medina, sobe a secretária de Estado do Tesouro. Para uma passagem brevíssima: menos de um mês e é demitida.

Sem filiação partidária ou experiência política conhecidas, Alexandra Reis pode gabar-se de ter merecido a confiança dos dois ministros rivais, conhecendo-se a exigência de ambos nessa matéria. E de os ter colocado em causa, de uma assentada.

No PS, pergunta-se: “Por onde terá chegado a Medina e a Pedro Nuno Santos?”. Não se sabe. “No partido não tem história”, diz um militante socialista. Que brinca: “Terá vindo a conselho de Lacerda Machado, que é como se sabe um fanático da aviação?”.

Estranho é, dizem, “que antes de um convite para o Governo não haja quem faça, nem que seja uma busca no Google, por saber o mínimo sobre o convidado. São surpresas a mais”.

Nada surpreendidos com tamanha indemnização ficaram Tiago Lopes (Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil) e Ricardo Penarroias (Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil). “Nunca reuni com ela, mas sei que é uma negociadora altamente intransigente.

Para tirar aos trabalhadores e para dar a ela, como se vê”, atira Tiago Lopes. “Será que recebeu os 500 mil euros a prestações, como aconteceu com todos os trabalhadores indemnizados acima de 50 mil euros? Esta é uma das muitas perguntas para as quais exigimos respostas.”

Com uma pós-graduação e posterior docência na AESE, bussiness scholl conotada com a Universidade de Navarra – por sua vez, associada à Opus Dei -, Alexandra Reis explicou ao “Executiva” o que a levou à Engenharia Tecnológica.

“Aos 18 anos não tinha bem ideia do que queria ser, não fazia ideia do que era o mercado de trabalho, acabei para o fazer uma escolha pragmática. (…) Porque tinha a ideia de que isto das tecnologias tinha futuro.” Tinha.

Alexandra Margarida Vieira Reis
Nascimento:
1974
Nacionalidade: Portuguesa (Leiria)

Notícias Magazine
por Alexandra Tavares-Teles
fotos Ilustração: João Vasco Correia
03/01/2023



 

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