1007: Rover Perseverance detecta mais carbono orgânico em Marte, em busca de sinais de vida

CIÊNCIA / ASTRONOMIA / ASTROBIOLOGIA

O rover Perseverance encontrou moléculas orgânicas em Marte semelhantes aos químicos que deram origem à vida na Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

No chão da cratera Jezero, o rover Perseverance da NASA descobriu sinais de moléculas orgânicas, os tipos de químicos que compõem a vida na Terra. Com base nas medições que o rover tem realizado até agora, é impossível dizer se as moléculas orgânicas provêm de vida antiga ou de processos geológicos.

No entanto, mesmo moléculas orgânicas formadas geologicamente reforçam as evidências da habitabilidade passada de Marte, porque a vida na Terra provavelmente começou por coalescência a partir de moléculas orgânicas naturais como estas, diz Amy Williams, astrobióloga da Universidade da Florida e uma das planeadoras a longo prazo da missão do Perseverance.

“Os compostos orgânicos compõem a vida tal como a conhecemos”, disse Williams. “Ver carbono orgânico em Marte permite-nos compreender se os blocos de construção da vida estavam presentes no planeta no passado através da lente de como a vida evoluiu na Terra”.

O Perseverance recolheu múltiplas amostras de rochas que vão ser enviadas para a Terra graças à missão MSR (Mars Sample Return). Algumas dessas amostras incluem rochas alteradas pela água e os cientistas pensam que um Marte húmido pode ter suportado vida há milhares de milhões de anos atrás.

Testes mais sofisticados na Terra podem verificar os sinais de moléculas orgânicas e determinar se as amostras rochosas possuem evidências convincentes de vida passada em Marte.

Num artigo científico publicado dia 23 de Novembro na revista Science, liderado por Eva Scheller do Caltech (California Institute of Technology), Williams e o resto da equipa do Perseverance partilharam a sua análise de moléculas orgânicas em vários locais do chão da cratera.

O rover também avistou vários sais minerais que se formaram a partir da interacção da água com rochas na cratera.

Liderado pelo JPL da NASA, o Perseverance está a estudar a cratera Jezero porque em tempos acolheu um grande delta de rio que desaguava num antigo lago. Esse passado húmido faz da cratera um local promissor para a identificação de quaisquer sinais de vida de há milhares de milhões de anos atrás.

Esta não é a primeira vez que moléculas orgânicas são detectadas em Marte. O rover Curiosity – no qual Williams também trabalha – encontrou carbono orgânico noutros locais do planeta em 2015.

Agora que o Perseverance viu assinaturas semelhantes num contexto geológico completamente diferente, as evidências estão a acumular-se de que o carbono orgânico é omnipresente no Planeta Vermelho, embora a níveis baixos.

“Ver uma história consistente é sempre reconfortante como cientista”, disse Williams. “Agora que temos uma ideia dos compostos orgânicos, isso está a ajudar-nos a ligá-los a uma biosfera marciana ou a processos geológicos no passado”.

Astronomia On-line
29 de Novembro de 2022



 

549: Rover Perseverance vai largar amostras de Marte que viajarão até à Terra

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

A NASA tem em Marte vários robôs com tecnologia de ponta. O rover Perseverance, por exemplo, está equipado com várias câmaras, múltiplos espectrómetros, e até uma pequena caixa que produz oxigénio. No entanto, mesmo com tanta tecnologia, é aqui na Terra que se poderá obter informações com muito mais rigor do que foi escavado e recolhido no planeta vermelho.

Como tal, precisamos de trazer esses pedaços marcianos até ao nosso planeta. A tarefa não é fácil, nunca foi feita, mas há já um plano entre a NASA e a ESA para “trazer Marte à Terra”.

Perseverance começa a largar pelo planeta as amostras recolhidas

A NASA e a ESA acordaram um local para o Perseverance depositar a primeira cache (tubo) de amostras, que poderá ser recuperada daqui a uns anos quando se iniciar a chamada Mars Sample Return Campaign (Campanha de Devolução de Amostras de Marte).

Durante o seu tempo em Marte, o robô analisará numerosas amostras com as ferramentas à disposição, mas a equipa responsável pelo rover e pela missão está também a recolher cuidadosamente uma colecção de amostras que regressará à Terra.

Esta nave que habita o solo marciano foi concebida com um sistema inovador de recolha de amostras, que embala núcleos de rocha em tubos de metal virgem que os protegerão da contaminação na viagem de regresso. Até agora, o Perseverance recolheu 14 amostras de núcleos de rocha nos tubos. O robô tem várias dezenas de tubos de amostra à sua disposição.

Numa década… Marte chegará à Terra

A NASA e a ESA concordaram que o primeiro lote de amostras será depositado num local conhecido como Three Forks, perto da base do antigo delta do rio na cratera de Jezero.

A missão de recuperar as amostras ainda está a evoluir, pelo que a equipa tem de fazer algumas suposições sobre como a Campanha de Regresso irá funcionar.

Há alguns meses, as agências actualizaram o plano para largar um segundo rover que deveria voar com o veículo de regresso. Agora, o Perseverance será o principal meio de levar amostras para o Veículo de Ascensão a Marte (MAV). Terá também um par de helicópteros baseados no desenho extremamente bem sucedido do Ingenuity.

A cache de tubos em Three Forks funcionará como backup no caso do Perseverance não poder encontrar-se com o MAV ou surgir um problema no sistema de armazenamento de amostras.

Logo após o Perseverance deixar cair a sua primeira recolha de amostras, os engenheiros na Terra iniciarão o processo de teste de hardware para a campanha de devolução.

No que é conhecido como “Fase B”, a equipa trabalha para desenvolver protótipos que acabarão por se tornar o hardware de voo final, que esperamos não tenha defeitos ou falhas de software. Já há o suficiente que pode correr mal sem falhas de hardware.

Depois de aterrar na cratera Jezero, o MAV depositará os tubos recuperados num foguete que será enviado para órbita.

Nesse momento, uma nave espacial da ESA terá de os apanhar e regressar à Terra. Se tudo correr como planeado, as amostras poderão estar de volta à Terra logo em 2033.

Pplware
Autor: Vítor M
01 Nov 2022



 

307: Rover Perseverance da NASA investiga terreno geologicamente rico de Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE/GEOLOGIA

O rover Perseverance da NASA põe o seu braço robótico a trabalhar em torno de um afloramento rochoso chamado “Skinner Ridge” na Cratera Jezero de Marte. Composto por múltiplas imagens, este mosaico mostra rochas sedimentares em camadas na face de um penhasco no delta, bem como um dos locais onde o rover raspou uma área circular para analisar a composição de uma rocha.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU/MSSS

O rover Perseverance da NASA está já na sua segunda campanha científica, recolhendo amostras rochosas a partir de características dentro de uma área há muito considerada pelos cientistas como das melhores para encontrar sinais de vida microbiana antiga em Marte.

O rover recolheu quatro amostras de um antigo delta de rio na cratera Jezero do Planeta Vermelho desde 7 de Julho, elevando a contagem total de amostras de rochas cientificamente atraentes para 12.

“Escolhemos a Cratera Jezero para o Perseverance explorar porque pensámos que tinha a melhor hipótese de fornecer amostras cientificamente excelentes – e agora sabemos que enviámos o rover para o local certo”, disse Thomas Zurbuchen, administrador associado da NASA para ciência em Washington.

“Estas duas primeiras campanhas científicas produziram uma incrível diversidade de amostras a serem trazidas para a Terra pela campanha MSR (Mars Sample Return)”.

Com 45 quilómetros de largura, a Cratera Jezero contém um delta – uma antiga característica em forma de leque que se formou há cerca de 3,5 mil milhões de anos na convergência de um rio e de um lago marcianos.

O Perseverance está actualmente a investigar as rochas sedimentares do delta, formadas quando partículas de vários tamanhos se instalaram no ambiente outrora aquático.

Durante a sua primeira campanha científica, o rover explorou o chão da cratera, encontrando rochas ígneas que se formam no subsolo profundo a partir do magma ou durante a actividade vulcânica à superfície.

“O delta, com as suas rochas sedimentares diversas, contrasta maravilhosamente com as rochas ígneas – formadas a partir da cristalização do magma – descobertas no chão da cratera”, disse o cientista do projecto Perseverance Ken Farley do Caltech em Pasadena, Califórnia, EUA.

“Esta justaposição proporciona-nos uma rica compreensão da história geológica após a formação da cratera e um conjunto diversificado de amostras. Por exemplo, encontrámos um arenito que transporta grãos e fragmentos de rocha criados longe da cratera Jezero – e um lamito que inclui compostos orgânicos intrigantes”.

“Wildcat Ridge” é o nome dado a uma rocha com cerca de 1 metro de largura que provavelmente se formou há milhares de milhões de anos, à medida que a lama e a areia fina assentavam num lago de água salgada em evaporação.

No dia 20 de Julho, o rover raspou parte da superfície de Wildcat Ridge para poder analisar a área com o instrumento SHERLOC (Scanning Habitable Environments with Raman & Luminescence for Organics & Chemicals).

A análise do SHERLOC indica que as amostras contêm uma classe de moléculas orgânicas que estão espacialmente correlacionadas com as de minerais sulfatados. Os minerais sulfatados encontrados em camadas de rocha sedimentares podem produzir informações significativas sobre os ambientes aquosos em que se formaram.

O que é a matéria orgânica?

As moléculas orgânicas consistem numa grande variedade de substâncias feitas principalmente de carbono e normalmente incluem átomos de hidrogénio e oxigénio. Podem também conter outros elementos, tais como azoto, fósforo e enxofre. Embora existam processos químicos que produzem estas moléculas que não requerem vida, alguns destes elementos são os blocos de construção química da vida.

A presença destas moléculas específicas é considerada uma potencial bio-assinatura – uma substância ou estrutura que poderia ser evidência de vida passada, mas que também pode ter sido produzida sem a presença de vida.

Em 2013, o rover Curiosity da NASA encontrou evidências de matéria orgânica em amostras de rocha e o Perseverance já tinha detectado antes matéria orgânica na Cratera Jezero.

Mas, ao contrário daquela descoberta anterior, esta última detecção foi feita numa área onde, num passado distante, sedimentos e sais foram depositados num lago sob condições em que a vida poderia, potencialmente, ter existido. Na sua análise de Wildcat Ridge, o instrumento SHERLOC registou as detecções orgânicas mais abundantes na missão até à data.

“No passado distante, a areia, lama e sais que agora constituem a amostra de Wildcat Ridge eram depositados em condições onde a vida poderia, potencialmente, ter prosperado”, disse Farley. “O facto de a matéria orgânica ter sido encontrada numa rocha sedimentar – conhecida por preservar fósseis de vida antiga aqui na Terra – é importante.

No entanto, por mais capazes que sejam os nossos instrumentos a bordo do Perseverance, outras conclusões relativas ao que está contido na amostra de Wildcat Ridge terão de esperar até que esta seja enviada para a Terra para um estudo aprofundado como parte da campanha MSR da agência espacial”.

O primeiro passo na campanha MSR da NASA-ESA teve início quando o Perseverance obteve a sua primeira amostra de rocha em Setembro de 2021. Juntamente com as suas amostras de rocha, o rover recolheu uma amostra atmosférica e dois “tubos testemunha”, todos eles armazenados na barriga do rover.

A diversidade geológica das amostras já transportadas no rover é tão boa que a equipa do rover está a estudar o depósito de tubos seleccionados perto da base do delta daqui a cerca de dois meses. Depois de depositar a cache, o rover continuará as suas explorações do delta.

“Tendo estudado a habitabilidade e geologia marcianas durante grande parte da minha carreira e conheço em primeira mão o incrível valor científico de enviar um conjunto cuidadosamente recolhido de rochas de Marte”, disse Laurie Leshin, directora do JPL da NASA no sul da Califórnia.

“O facto de estarmos a semanas de depositar as fascinantes amostras do Perseverance e a meros anos de as trazer para a Terra, para que os cientistas as possam estudar em requintados detalhes, é verdadeiramente fenomenal. Vamos aprender muito.”

Mais sobre a missão Perseverance

Um objectivo principal da missão do Perseverance em Marte é a investigação astrobiológica, incluindo a busca por sinais de vida microbiana antiga. O rover vai caracterizar a geologia do planeta e o clima passado e será a primeira missão a recolher e a armazenar rochas e rególito marciano, abrindo caminho para a exploração humana do Planeta Vermelho.

As missões subsequentes da NASA, em cooperação com a ESA, vão enviar naves a Marte para recolher estas amostras armazenadas à superfície e trazê-las para a Terra para uma análise mais profunda.

A missão Mars 2020 do rover Perseverance faz parte da abordagem da exploração da Lua e de Marte da NASA, que inclui as missões Artemis à Lua que vão ajudar a preparar a exploração humana do Planeta Vermelho.

Astronomia On-line
20 de Setembro de 2022



 

174: Há um robô a produzir oxigénio respirável em Marte

CIÊNCIA/MARTE/TECNOLOGIA

Marte, para onde os Estados Unidos ambicionam levar astronautas na década de 2030, tem uma atmosfera fina rica em dióxido de carbono, o que o torna num planeta irrespirável.

Há um robô a produzir oxigénio respirável em Marte © NASA

O robô norte-americano Perseverance, que está em Marte há ano e meio, conseguiu produzir oxigénio respirável a partir de dióxido de carbono, numa experiência que perspectiva a possível sobrevivência humana no planeta inóspito, foi divulgado.

Os resultados da experiência, que produziu por sete vezes oxigénio numa quantidade por hora equivalente à gerada por uma árvore pequena na Terra, são descritos num artigo publicado na revista científica Science Advances.

Marte, para onde os Estados Unidos ambicionam levar astronautas na década de 2030, tem uma atmosfera fina rica em dióxido de carbono, o que o torna num planeta irrespirável.

O robô

Um dos instrumentos a bordo do veículo robótico Perseverance (Perseverança), que a agência espacial norte-americana (NASA) fez pousar em Marte em 18 de Fevereiro de 2021, conseguiu produzir oxigénio respirável durante o dia e a noite e durante as várias estações marcianas.

O instrumento, do tamanho de uma lancheira e que tem a designação de Moxie (cujas iniciais da palavra remetem para a experiência), permitiu demonstrar pela primeira vez que é possível usar recursos de um planeta (no caso dióxido de carbono) para produzir ‘in situ’ recursos (oxigénio) que, de outro modo, têm de ser transportados da Terra.

Segundo os cientistas, uma versão melhorada e maior do Moxie poderia ser enviada para Marte, antes de uma missão humana, para produzir continuamente oxigénio equivalente à gerada por várias centenas de árvores.

Com essa capacidade, o instrumento poderia gerar oxigénio suficiente para sustentar uma instalação habitada em Marte e para produzir combustível para o regresso de astronautas à Terra, de acordo com um comunicado do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, que participa na experiência.

O processo

A versão actual do Moxie foi construída para caber no interior do robô Perseverance e para funcionar por curtos períodos de tempo, ligando e desligando em cada experiência.

O instrumento foi ligado remotamente sete vezes ao longo do ano marciano (um ano em Marte tem 687 dias, o correspondente a quase dois anos na Terra).

De cada vez que era ligado, o aparelho levava algumas horas a aquecer e depois uma hora para produzir oxigénio antes de ser desligado.Na experiência, o ar marciano foi filtrado, pressurizado e conduzido para um outro instrumento que divide electro-quimicamente o ar rico em dióxido de carbono em iões de oxigénio e monóxido de carbono.

Os iões de oxigénio foram depois isolados e recombinados para formar oxigénio molecular respirável, que o Moxie mede em quantidade e pureza antes de libertá-lo, sem efeitos nocivos, para o ar, juntamente com monóxido de carbono e outros gases.

Os cientistas pretendem testar as potencialidades do instrumento ao amanhecer e ao anoitecer, quando a temperatura em Marte muda substancialmente, e na primavera, quando a densidade atmosférica e os níveis de dióxido de carbono são elevados.

MSN Notícias
Lusa
31.08.2022

163: Planeta vermelho não é todo vermelho. Cratera de Marte esconde estranhas rochas verdes

CIÊNCIA/GEOLOGIA/MARTE

O rover marciano Perseverance descobriu rochas em Marte semelhantes às que dão às praias havaianas o seu tom verde. As rochas ígneas esverdeadas foram vistas em Jezero, uma cratera de 45 km de largura que é considerada o lar de um antigo lago em Marte.

Centenas de investigadores analisaram os dados recolhidos pelo robô da NASA e afirmam que talvez o planeta vermelho não seja tão vermelho quanto pensamos.

Por que razão chamam a Marte o planeta vermelho?

Planeta vermelho, quem, Marte? Porquê?

Marte é chamado de planeta vermelho porque a maioria da suas rochas expostas ao ambiente externo são de cor vermelha. Elas contêm ferro que fica oxidado e fica avermelhado, semelhante a qualquer objecto de ferro na Terra fica vermelho e enferrujado depois de ser colocado ao ar livre.

Surpreendentemente, muitas rochas encontradas na cratera Jezero são diferentes das rochas sedimentares encontradas na superfície marciana.

O robô Perseverance detectou a presença de rochas vulcânicas compostas de grãos olivinos de grande porte na cratera. Muitas praias da Terra têm uma aparência esverdeada devido à presença de olivina, um mineral abundantemente encontrado no manto da Terra e envolvido na formação do peridoto de pedras preciosas.

A presença de rochas ricas em olivinos em Marte poderia revelar respostas para perguntas como — Marte já teve vida?

Muitas questões se levantam depois desta descoberta

Os investigadores acreditam que as rochas vulcânicas descobertas no planeta vermelho foram formadas há cerca de quatro mil milhões de anos.

Curiosamente, as rochas têm propriedades semelhantes às das rochas ígneas que existiam na Terra durante os seus primeiros dias. Para estudar o ambiente antigo de um planeta, os cientistas precisam de amostras de rocha do momento em que o planeta foi formado.

Uma das razões pelas quais não temos uma grande compreensão de onde e quando a vida evoluiu pela primeira vez na Terra é porque estas rochas desapareceram, então é muito difícil reconstruir como eram os ambientes antigos na Terra.

Disse o Briony Horgan, um dos autores e professor associado do Departamento de Ciências da Terra, Atmosferas e Planetárias da Universidade de Purdue.

Pplware
Autor: Vítor M
30 Ago 2022

157: Rover Perseverance faz novas descobertas na Cratera Jezero

CIÊNCIA/MARTE/PERSEVERANCE

O rover Perseverance da NASA capturou esta selfie perto da rocha apelidada de “Rochette”, encontrada no chão da Cratera Jezero, no dia 10 de Setembro de 2021, o 198.º dia marciano, ou sol, da missão.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

Os cientistas tiveram uma surpresa quando o rover Perseverance da NASA começou a examinar rochas no chão da Cratera Jezero, na primavera de 2021: dado que a cratera teve um lago há milhares de milhões de anos, esperavam encontrar rochas sedimentares, que se teriam formado quando a areia e a lama se estabeleceram num ambiente outrora aquático.

Ao invés, descobriram que o chão era feito de dois tipos de rocha ígnea – uma que se formou no subsolo a partir do magma, a outra a partir da actividade vulcânica à superfície.

As descobertas estão descritas em quatro novos artigos publicados quinta-feira, dia 25 de Agosto. Na revista Science, um fornece uma visão geral da exploração do chão da cratera, pelo Perseverance, antes de chegar ao antigo delta do rio da Jezero em Abril de 2022; um segundo estudo na mesma revista detalha rochas distintas que parecem ter sido formadas a partir de um corpo espesso de magma.

Os outros dois artigos científicos, publicados na revista Science Advances, detalham as formas únicas como o laser vaporizador de rochas e o radar que penetra o solo estabeleceram que as rochas ígneas cobrem o chão da cratera.

As rochas ígneas são excelentes cronometristas: cristais no seu interior registam detalhes sobre o momento exacto em que se formaram.

“Um grande valor das rochas ígneas que recolhemos é que nos vão dizer mais sobre quando o lago estava presente em Jezero. Sabemos que esteve lá mais recentemente do que as rochas ígneas formadas no chão da cratera”, disse Ken Farley do Caltech, cientista do projecto Perseverance e autor principal do primeiro dos novos trabalhos na Science.

“Isto irá abordar algumas grandes questões: quando é que o clima de Marte foi propício a lagos e rios à superfície, e quando é que mudou para as condições muito frias e secas que vemos hoje?”

No entanto, devido ao modo como se forma, a rocha ígnea não é ideal para preservar os potenciais sinais da vida microscópica que o Perseverance procura.

Em contraste, a determinação da idade da rocha sedimentar pode ser um desafio, particularmente fragmentos de rocha que se formaram em alturas diferentes antes da rocha ser depositada. Mas a rocha sedimentar forma-se frequentemente em ambientes aquosos adequados para a vida e é melhor na preservação dos antigos sinais de vida.

É por isso que o delta rico em sedimentos que o Perseverance tem vindo a explorar desde Abril de 2022 tem sido tão tentador para os cientistas. O rover começou a perfurar e a recolher amostras de rochas sedimentares para que a campanha MSR (Mars Sample Return) possa, potencialmente, enviá-las para a Terra para serem estudadas por poderosos equipamentos de laboratórios demasiado grandes para levar para Marte.

Um segundo artigo publicado também na revista Science resolve um mistério de longa data sobre Marte. Há anos atrás, os orbitadores marcianos avistaram uma formação rochosa preenchida com o mineral olivina.

Medindo aproximadamente 70.000 quilómetros quadrados, esta formação estende-se desde a orla interior da Cratera Jezero até à região circundante.

Os cientistas têm fornecido várias teorias sobre a razão pela qual a olivina é tão abundante numa área tão grande da superfície, incluindo impactos de meteoritos, erupções vulcânicas e processos sedimentares.

Outra teoria é que a olivina se formou profundamente a partir de magma de arrefecimento lento – rocha derretida – antes de ser exposta ao longo do tempo pela erosão.

Yang Liu do JPL da NASA no sul do estado norte-americano da Califórnia, e colegas, determinaram que a última explicação é a mais provável. O Perseverance raspou uma rocha para revelar a sua composição; ao estudar a mancha exposta, os cientistas debruçaram-se sobre o grande tamanho dos grãos de olivina, juntamente com a química e textura da rocha.

Usando o instrumento PIXL (Planetary Instrument for X-ray Lithochemistry) do Perseverance, determinaram que os grãos de olivina na área medem entre 1 e 3 milímetros – muito maiores do que seria de esperar para a olivina formada em lava de arrefecimento rápido à superfície do planeta.

“Este grande tamanho e a sua composição uniforme, numa textura rochosa específica, requerem um ambiente de arrefecimento muito lento”, disse Liu. “Portanto, muito provavelmente, este magma em Jezero não estava em erupção à superfície”.

Os dois artigos na revista Science Advances detalham as descobertas dos instrumentos científicos que ajudaram a estabelecer que as rochas ígneas cobrem o chão da cratera. Os instrumentos incluem o laser da SuperCam do Perseverance e um radar de penetração de solo chamado RIMFAX (Radar Imager for Mars’ Subsurface Experiment).

A SuperCam está equipada com um laser vaporizador de rocha que pode atingir um alvo tão pequeno quando a ponta de um lápis até 7 metros de distância. Estuda o vapor resultante usando um espectrómetro de luz visível para determinar a composição química de uma rocha. A SuperCam fez “zap” a 1450 alvos durante os primeiros 10 meses do Perseverance em Marte, ajudando os cientistas a chegar à sua conclusão sobre as rochas ígneas no chão da cratera.

Além disso, a SuperCam utilizou luz no infravermelho próximo – é o primeiro instrumento em Marte com essa capacidade – para descobrir que a água alterava minerais nas rochas do chão da cratera. No entanto, as alterações não foram generalizadas em todo o chão da cratera, de acordo com a combinação de observações laser e infravermelhas.

“Os dados da SuperCam sugerem que ou estas camadas rochosas foram isoladas da água do lago da Cratera Jezero ou que o lago existiu durante um período limitado de tempo”, disse Roger Wiens, investigador principal da SuperCam na Universidade Purdue e no Laboratório Nacional de Los Alamos.

O RIMFAX assinala outro “primeiro”: os orbitadores marcianos transportam radares de penetração no solo, mas nenhum módulo à superfície de Marte os teve antes do Perseverance. Estando à superfície, o RIMFAX pode fornecer detalhes inigualáveis, e analisou o chão da cratera até 15 metros de profundidade.

Os seus “radargramas” de alta resolução mostram camadas rochosas inesperadamente inclinadas até 15 graus no subsolo. Compreender como estas camadas de rocha estão ordenadas pode ajudar os cientistas a construir uma linha temporal da formação da cratera Jezero.

“Sendo o primeiro instrumento deste tipo a operar na superfície de Marte, o RIMFAX demonstrou o potencial valor de um radar de penetração no solo como ferramenta para a exploração subterrânea”, disse Svein-Erik Hamran, investigador principal do RIMFAX na Universidade de Oslo na Noruega.

A equipa científica está entusiasmada com o que encontrou até agora, mas está ainda mais com a ciência que se avizinha.

Astronomia On-line
30 de Agosto de 2022

34: Um fio de cabelo em Marte? Nesta descoberta da NASA ainda não há certezas

CIÊNCIA/EXPLORAÇÃO/MARTE

Desde que aterrou em Marte, o Perseverance tem escrutinado ao detalhe o terreno do planeta vermelho. Nos três quilómetros já percorridos, há descobertas particulares. Nenhuma como a do início deste mês de Agosto.

© TVI24 Um fio de cabelo em Marte? Nesta descoberta da NASA ainda não há certezas

Por agora, não há sinais de vida, apesar de a missão ter percebido que o planeta era parecido com a Terra há cerca de 3500 anos, com oceanos, rios e lagos necessários à vida.

Há dias, a NASA extraiu uma nova amostra, a décima segunda. Entre os elementos que chegaram ao sistema de recolha está um pequeno pelo, similar a um cabelo. A agência espacial norte-americana diz que está a investigar a origem do mesmo.

E, mesmo não havendo certezas por agora, há uma hipótese que os cientistas acreditam ser a mais provável: poderá tratar-se de um resquício do para-quedas que permitiu à Perseverance pousar em Marte e que foi descartado no início da missão.

Apesar de tudo, a NASA diz que é demasiado cedo para apurar a origem. Para tal, irá obter mais imagens, que deverão estar prontas no final da semana. A comunidade científica fica, assim, em suspenso.

A missão arrancou em Fevereiro de 2021, com o veículo espacial a pousar na cratera Jezero, em Marte. Desde então, tem vasculhado o planeta vermelho numa missão que deverá arrastar-se ao longo desta década e início da próxima.

A NASA espera trazer os pedaços recolhidos em Marte para a Terra, numa missão que está ainda em fase de desenvolvimento.

MSN Notícias
CNN Portugal
10.08.2022