129: Rui Moreira questiona capacidade do IPMA para prever fenómenos torrenciais

 

– Ó Rui Moreira, previsões não significam certezas, capicce? E que tal proceder às drenagens e limpeza de fossas da tua cidade? Aqui, por Lisboa, a merda é a mesma! Ou já foram esquecidas as recentes inundações? Esta coisa dos políticos andarem sempre a malhar nos outros quando eles mesmos fracassam… porra, pá! Chega de tanta banalidade e idiotice!

🇵🇹 METEOROLOGIA // IPMA // PREVISÕES

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O presidente da Câmara do Porto considera que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera “tem fracassado nas suas previsões”.

Mau tempo provocou estragos no Porto
© Pedro Granadeiro / Global Imagens

“Pergunto se o IPMA está dotado dos instrumentos que deveria de ter. O IPMA tem sucessivamente fracassado nas suas previsões”, afirmou hoje Rui Moreira, durante a reunião do executivo.

No decorrer da discussão em torno da proposta apresentada pelo BE, centrada nas drenagens da cidade para impedir o risco de cheias, o autarca independente afirmou que o ocorrido há mais de uma semana no Porto não foi uma “cheia”, mas uma “tormenta” e que, em consequência, “houve um fenómeno torrencial”.

“Os radares do IPMA não conseguiram prever”, acrescentou Rui Moreira, questionando novamente se o IPMA tem “capacidade de previsão destes fenómenos” que não são exclusivos do Porto, nem “são únicos”.

O concelho do Porto registou, a 6 de Janeiro, em menos de duas horas, 150 pedidos de ajuda por causa das inundações em habitações e vias públicas, principalmente na baixa da cidade, disse à Lusa fonte da Protecção Civil local.

As enxurradas causaram também danos em algumas habitações na zona das Fontainhas.

Em 9 de Janeiro, o meteorologista do IPMA, Nuno Lopes, disse à Lusa que “é muito pouco provável” que o fenómeno de fortes chuvas e enxurradas volte a acontecer, não descartando totalmente essa possibilidade.

“Que pode voltar a acontecer, pode. Que é provável, não. É muito pouco provável”, disse o chefe da divisão de Previsão Meteorológica e Vigilância do IPMA.

Segundo Nuno Lopes, “já estava previsto que ocorresse muita precipitação, de forma persistente, ao longo do dia de sábado [6 de Janeiro]”.

Associada à precipitação prevista estava um sistema frontal, que “normalmente tem uma frente quente e uma frente fria”, tendo as frentes “uma parte próxima da superfície, que se chama superfície frontal”.

“Normalmente, a acompanhar a superfície frontal, e até a superfície frontal fria, há, digamos, um agravamento da situação”, que sucede quando há “rajadas mais fortes” e se dá pico da precipitação.

No meio deste fenómeno há a convecção, que “tem a ver com movimentos verticais”, e “quanto mais forte for essa convecção, quanto mais elevado for esse movimento vertical, maior a quantidade [de água] na atmosfera que ele pode apanhar para despejar”.

Nos últimos eventos climatológicos em Lisboa e no Porto “tem havido convecção forte que não tem sido bem captada pelos modelos”, disse Nuno Lopes à Lusa.

“Nós sabemos que ela pode existir, temos alguns parâmetros onde tentamos aferir se ela está lá, se podemos ter essa convecção forte ou não, mas é sempre difícil”, acrescentou.

Segundo o meteorologista, “não há ciência, nesta altura, que identifique onde é que isso vai acontecer”, mas parece haver “mais disponibilidade de água na atmosfera para despejar”.

“O que aconteceu foi um bocadinho azar, se quiser. Ou seja, houve convecção forte exactamente sobre a cidade do Porto, que é uma zona impermeabilizada”, resumiu.

Diário de Notícias
DN/Lusa
16 Janeiro 2023 — 15:41



 

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