52: NASA prepara-se para regressar à Lua. Já começaram os treinos

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O foguetão mais poderoso do mundo vai partir em 2024 e os astronautas devem chegar à Lua no ano seguinte.

© MARK FELIX / AFP

“Trabalho aqui há 37 anos e é a coisa mais emocionante em que já estive envolvido.” Rick LaBrode é o director de voo da NASA e, no final do mês, será responsável por uma missão espacial histórica: a primeira do programa a marcar o regresso dos americanos à Lua.

Um dia antes da descolagem “não vou conseguir dormir muito, com certeza”, disse à AFP, diante das dezenas de ecrãs da sala de controle de voo em Houston, Texas.

Pela primeira vez desde a última missão Apollo em 1972, um foguetão – o mais poderoso do mundo – impulsionará uma cápsula habitável para orbitar ao redor da Lua, antes de regressar à Terra. A partir de 2024, os astronautas embarcarão para fazer a mesma jornada e, no ano seguinte (no mínimo), voltarão a pisar na Lua.

Para esta primeira missão de teste de 42 dias, chamada Artemis 1, dez pessoas estarão o tempo todo na famosa sala “Mission Control Center”, modernizada para a ocasião.

As equipas ensaiam o plano de voo há três anos. “É tudo completamente novo. Um foguete totalmente novo, uma nave totalmente nova, um centro de controlo totalmente novo”, resume Brian Perry, que será o responsável pela trajectória logo após o lançamento. “Posso dizer que meu coração vai acelerar, mas vou conseguir manter o foco”, disse à AFP, dando uma palmada no peito. Afinal, já participou de muitos voos espaciais.

Piscina lunar

Além da sala de controlo, todo o Centro Espacial Johnson, em Houston, foi ajustado para a hora da Lua. No meio da enorme piscina de mais de 12 metros de profundidade onde os astronautas treinam, foi colocada uma cortina preta.

De um lado ainda está a réplica submersa da Estação Espacial Internacional. Do outro, um ambiente lunar desenvolve-se gradualmente no fundo, com gigantescos modelos de rochas, fabricados por uma empresa especializada em decoração de aquários.

“Começamos a colocar areia no fundo da piscina há apenas alguns meses. As pedras grandes chegaram há duas semanas”, diz Lisa Shore, vice-directora deste Laboratório de Flutuabilidade (NBL). “Tudo está ainda em desenvolvimento.”

Na água, os astronautas podem experimentar uma sensação próxima à ausência de peso. Para o treino lunar, são preparados para sentir apenas um sexto de seu peso. De uma sala acima da piscina, são guiados à distância, com o atraso de quatro segundos que enfrentarão na Lua.

Seis astronautas já treinaram no local e outros seis devem fazê-lo até o final de Setembro, vestindo os novos trajes lunares desenvolvidos pela NASA. “O auge deste edifício foi quando ainda estávamos a pilotar os autocarros espaciais e a construir a estação espacial”, explica o chefe da NBL, John Haas. Na altura, eram realizadas 400 sessões de treino por ano, em comparação com cerca de 150 de hoje.

Mas o programa Artemis traz um novo impulso. No momento da visita da AFP, engenheiros e mergulhadores estavam a avaliar como empurrar um carrinho na Lua.

“Nova era de ouro”

Os exercícios aquáticos podem durar até seis horas. “É como correr uma maratona, duas vezes, mas com as mãos”, comenta à AFP Victor Glover, astronauta da NASA, que esteve seis meses no espaço. Hoje, trabalha num prédio inteiramente dedicado a simuladores.

O seu papel é ajudar a “verificar os procedimentos e o material”, para que quando aqueles que forem à Lua (Glover pode ser um deles) forem finalmente escolhidos, possam preparar-se intensivamente e estar rapidamente prontos para ir”.

Graças aos equipamentos de realidade virtual, eles poderão acostumar-se a caminhar nas difíceis condições de luz do pólo sul da Lua, onde as missões Artemis irão pousar. Lá, o Sol nasce muito pouco acima do horizonte, formando constantemente longas sombras muito escuras.

Também terão de se familiarizar com as novas naves e os seus softwares, como a cápsula Orion. Num dos simuladores, sentado no lugar do comandante, é preciso, com um joystick, acoplar-se com a futura estação espacial lunar, Gateway.

Noutros lugares, uma réplica da cápsula, com o volume de 9 metros cúbicos para quatro passageiros, é usada para testes em escala real.

Os astronautas “fazem muito treino de saída de emergência neste local”, mostra à AFP Debbie Korth, vice-gerente do projecto Orion, no qual trabalha há mais de dez anos. Em todo o centro espacial, “as pessoas estão animadas”, diz. Para a NASA, “acredito que seja uma nova era de ouro” que está a começar.

Diário de Notícias
DN/AFP
15 Agosto 2022 — 14:31