Tanques Leopard 2? Polónia pronta para tomar medidas “fora do normal”

 

🇵🇱 POLÓNIA // TANQUES LEOPARD 2 // 🇺🇦 UCRÂNIA

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia admitiu que há “um risco sério” de a Rússia atacar outras partes da Ucrânia, uma vez que “está constantemente a mobilizar recrutas”. Assim, na sua óptica, “quanto mais cedo transferirmos mais tanques para a Ucrânia, mais segura também ficará a Polónia”.

© Getty Images

Face à indecisão da Alemanha, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia, Paweł Jabłoński, apontou, esta sexta-feira, que o país poderá “tomar decisões fora do normal” e fornecer os tanques Leopard 2 à Ucrânia, mesmo sem a luz verde alemã.

Se houver forte resistência, estaremos prontos para tomar acções fora do normal, mesmo que alguém se ofenda com isso, mas não vamos antecipar-nos aos factos. Vamos tentar garantir que o maior número possível de países, juntamente connosco, tem um impacto efectivo na Alemanha”, disse, em entrevista à rádio polaca RMF FM.

Na óptica do responsável, “é disso que se trata a diplomacia”.

“Às vezes, os nossos parceiros nem sempre querem realizar certas acções, mas se forem submetidos a vários tipos de persuasão, pressão, podem mudar de ideias, como já aconteceu”, considerou.

Questionado quanto à possibilidade de o aumento de ajuda militar à Ucrânia significar que o Ocidente dispõe de informações sobre um eventual ataque a Kyiv, Jabłoński foi taxativo: “Daquilo que posso dizer publicamente, uma coisa deve ficar clara – não podemos descartar absolutamente nada”, salientou.

“A Rússia tem, certamente, intenções muito agressivas. Se permitirmos que tenha uma vantagem sobre a Ucrânia e possa atacar, certamente que o vai fazer. Não acho que facto de os tanques serem entregues seja motivo de preocupação.

Se há algo que nos preocupa é a indecisão de fornecer equipamento. Mas é bom que comece a surgir essa mobilização, porque quanto mais cedo transferirmos mais tanques para a Ucrânia, mais segura também ficará a Polónia”, esclareceu.

Ainda assim, o vice-ministro admitiu que há “um risco sério” de a Rússia atacar outras partes da Ucrânia, uma vez que “está constantemente a mobilizar recrutas”.

“Embora todos consigamos ver que a qualidade do exército russo não é das melhores, os números são grandes e, com esses números, a Rússia pode simplesmente compensar as suas deficiências técnicas”, apontou, considerando que a indecisão da Alemanha quanto ao fornecimento de tanques Leopard 2 passa por “questões de simpatia”.

Muitas pessoas têm muita vergonha disso mas, na realidade, agem de forma a não causar muito dano à Rússia”, por o país ter “influenciado as esferas política, industrial, e empresarial” daquele país.

Contudo, o responsável considerou que o presidente russo, Vladimir Putin, “não precisa de provocações”.

Se alguma coisa provoca Putin, é a fraqueza. Vimos isso nestes 11 meses. Putin atacou a Ucrânia, convencido de que a Ucrânia era fraca, e que não receberia apoio. Contava com a sorte. No entanto, age de tal forma que apenas a força pode detê-lo”, disse, rematando que “a Ucrânia está a defender-se e tem todo o direito”.

De notar que o primeiro-ministro da Polónia, Mateusz Morawiecki, indicou, na quinta-feira, que o país poderia enviar os tanques Leopard 2, que são fabricados na Alemanha, sem a aprovação daquele país.

“O consentimento é de importância secundária, ou obtemos esse consentimento rapidamente ou faremos o que for necessário”, reforçou, citado pela agência Reuters.

Recorde-se ainda que o Grupo de Contacto para a Ucrânia criado e liderado pelos Estados Unidos e que integra cerca de 50 países reúne-se, esta sexta-feira, na base aérea norte-americana de Ramstein, na Alemanha, para coordenar o fornecimento de mais ajuda a Kyiv.

A questão dos tanques Leopard 2 pesa sobre o novo ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, que tomou posse esta semana e reuniu-se na quinta-feira, pela primeira vez, com o seu homólogo norte-americano. Após o encontro, Boris Pistorius insistiu que não haveria “decisões unilaterais” do lado alemão.

Lançada a 24 de Fevereiro, a ofensiva militar russa na Ucrânia já provocou a fuga de mais de 14 milhões de pessoas, segundo os dados mais recentes da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A entidade confirmou ainda que já morreram 6.952 civis desde o início da guerra e 11.144 ficaram feridos, sublinhando, contudo, que estes números estão muito aquém dos reais.

Notícias ao MinutoNotícias ao Minuto
20/01/23 09:31
por Daniela Filipe



 

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163: Alemanha bate o pé e não acelera decisão sobre tanques para Kiev

 

– A política e certos políticos são autênticas cagadeiras portáteis! Qual o motivo ou a razão da Alemanha não fornecer os Leopard 2 ou deixar que os países que já se disponibilizaram a fornecê-los o façam? Os russonazis 🇷🇺☠️卐☠️🇷🇺 vão-se aproveitando destes impasses sem nexo e vão destruindo o que resta da Ucrânia, assassinando tudo o que mexe na frente deles, não importa que sejam crianças, jovens ou idosos – são todos nazis na óptica psicopata deles – e quando estiver tudo destruído é que vão dar luz verde para os Leopard 2 avançarem? “Analistas dizem que Alemanha bloqueia entrega de tanques por receio da reacção russa” Serão ainda reflexos do Merkelreich?💩💩💩 para esta gente!

🇩🇪 ALEMANHA // RAMSTEIN // 🇺🇦 UCRÂNIA

Apesar dos apelos da Ucrânia e da pressão dos aliados, Berlim não tomou ainda ​​​​​​​a decisão de fornecer os Leopard ou deixar que outros forneçam os que têm nos seus arsenais.

Os titulares da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, dos EUA, Lloyd Austin, e da Ucrânia, Olsksii Reznikov.
© EPA/RONALD WITTEK

A reunião do Grupo de Contacto da Ucrânia terminou com promessas de um “potente” pacote de ajuda militar a Kiev, mas nenhuma decisão em relação ao envio de tanques pesados de fabrico alemão aos ucranianos.

Berlim não cedeu às pressões dos últimos dias dos aliados para fornecer os seus Leopard, nem desbloqueou a hipótese de outros países enviarem aqueles que têm no seu arsenal (eles têm que dar luz verde a essa eventual transferência).

“O tempo continua a ser uma arma russa”, lembrou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, dizendo que “não há alternativa” ao envio dos tanques.

“Hoje ainda não podemos dizer quando uma decisão será tomada, e qual será essa decisão, em relação aos tanques Leopard”, afirmou o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, há menos de uma semana no cargo.

Num intervalo da reunião na base aérea norte-americana de Ramstein, na Alemanha, onde estiveram representantes de 50 países, o ministro lembrou que a ideia de que “há uma coligação unida” e que Berlim “está a meter-se no caminho é errada”, alegando que “há muitos aliados que dizem partilhar a visão” alemã.

A Polónia, um dos países que já mostrou disponibilidade para fornecer os seus próprios Leopard à Ucrânia (Zelensky diz que Portugal é outro), está convencida de que os aliados acabarão por formar essa coligação para ceder os tanques pedidos por Kiev.

“Estou convencido que a formação desta coligação será um sucesso”, indicou o ministro da Defesa polaco, Mariusz Blaszczak. Mas a decisão ainda não foi tomada em Ramstein.

“Há boas razões a favor da entrega e há boas razões contra”, tinha referido o alemão Pistorius, dizendo que é preciso pesar os prós e contras.

O secretário da Defesa dos EUA, Lloyd Austin, considera que “todos podemos fazer mais” pela Ucrânia, mas em relação à posição alemã reiterou que Berlim é um “aliado confiável”.

Os próprios EUA não têm em cima da mesa o envio dos seus tanques pesados Abrams, com os alemães a rejeitar a notícia de que o envio dos Leopard estaria dependente de Washington decidir também enviar os seus Abrams.

Austin lembrou que a Alemanha vai enviar blindados Marder e que o sucesso ucraniano “não depende de uma única plataforma”, mas de um “esforço combinado” de todos.

O Pentágono, que admitiu que será “muito difícil” expulsar as tropas russas da Ucrânia este ano, anunciou na véspera da reunião um novo pacote de ajuda militar no valor de 2,5 mil milhões de dólares para Kiev, que inclui 90 veículos de combate Stryker e mais 59 blindados Bradley. Zelensky agradeceu esta “poderosa” ajuda, tal como o 12.º pacote de apoio da Finlândia, no valor de 400 milhões de euros.

Alemanha e Países Baixos vão enviar sistemas de mísseis Patriot. Portugal vai enviar mais 14 viaturas blindadas M113 e, sobre os Leopard, está disponível para treinar os militares para os usar e “identificar, de forma coordenada com os seus parceiros, formas de apoiar a Ucrânia com esta capacidade”.

O Kremlin mostrou-se convencido de que a entrega de tanques à Ucrânia “não mudará em nada” a situação no terreno, acusando o Ocidente de manter a “dramática ilusão” de que é possível uma vitória militar de Kiev.

“É preciso não exagerar a importância da entrega de tais armas, nem a sua capacidade em mudar alguma coisa. Não mudarão nada no que diz respeito ao progresso do lado russo no cumprimento dos seus objectivos”, referiu o porta-voz, Dmitry Peskov.

susana.f.salvador@dn.pt

Diário de Notícias
Susana Salvador
20 Janeiro 2023 — 23:15



 

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