479: A idade avançada é o principal factor de mortalidade por covid-19

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/IDOSOS/RISCOS

Estudo conduzido em Espanha conclui que a idade mais avançada é o principal factor de mortalidade em doentes infectados por covid-19, embora o tipo de células do sangue sejam também factores relevantes

© D.R.

A idade é o principal factor de risco de mortalidade com covid-19, segundo um estudo conduzido em Espanha em que se analisaram dados de mais de 1.200 doentes com uma média de idades de 65 anos.

O estudo foi realizado com uma amostra de 1.246 pacientes e está publicado no Open Respiratory Archives, a revista científica da Sociedade Espanhola de Pneumologia e Cirurgia Torácica (SEPAR).

A pneumologista Irene Nieto, membro da SEPAR e primeira autora do estudo, explicou que o objectivo do estudo foi identificar os factores que podem prever pacientes com risco mais elevado de morrer por covid.

Segundo Nieto, o nível de risco dos doentes com covid-19, que se pode manifestar em formas leves, moderadas ou severas, é essencial para encaminhar os doentes para o recurso de cuidados mais apropriado em função da sua evolução e gravidade, tais como unidades de cuidados respiratórios intermédios

Depois de recolher todos os dados médicos dos pacientes e de os analisar, descobriram que 168 pacientes, 13% do total da amostra, morreram durante a admissão hospitalar e que a maioria destas mortes foram de adultos mais velhos.

O estudo conclui que a idade mais avançada é o principal factor de mortalidade em doentes infectados por covid, embora o impacto dos reagentes (proteínas que aumentam ou diminuem durante a fase aguda da infecção) e o tipo de células do sangue sejam também factores relevantes

Nieto salientou que “estas descobertas podem ser muito úteis para supervisionar pacientes com covid-19 na prática clínica e atribuí-los aos cuidados mais apropriados”.

Os autores destacam no estudo que “modelos de aprendizagem automática de última geração podem proporcionar novos conhecimentos clínicos, uma vez que são capazes de detectar interacções de ordem mais elevada entre as variáveis, nunca antes vistas”.

Diário de Notícias
DN/Lusa
26 Outubro 2022 — 07:34



 

“É agora que temos de nos proteger. Em Dezembro será tarde”

– Se no pico da pandemia, os grunhos labregos estavam-se marimbando para a sua (e dos outros) protecção, agora ainda muito menos. Nos transportes públicos, apenas uma pequena percentagem de pessoas responsáveis usam a máscara, assim como nos supers e hipers. Siga o bailarico!

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/PROTECÇÃO

Quinze dias depois do início da campanha de vacinação com a quarta dose, o coordenador do Núcleo de Apoio ao Ministério da Saúde admite que esta começou com “baixa adesão”. Até agora, foram vacinadas cerca de 8% da população elegível. O objectivo é vacinar três milhões até ao Natal. E o coronel Penha Gonçalves lança um alerta: “Os picos vão voltar e a única arma que temos para nos proteger é a vacina.”

NO dia 8 de Setembro, Graça Freitas esteve presente no início desta quarta fase da vacinação para os idosos com 80 ou mais anos.

Portugal foi dos primeiros países da União Europeia a comprar as vacinas já adaptadas às novas variantes para iniciar o processo de reforço com a quarta dose mais cedo. Mas, a verdade, é que esta campanha de outono-inverno começou com “baixa adesão”, embora, agora, esteja “a ganhar a velocidade cruzeiro que se pretende”, assume ao DN o coordenador do Núcleo de Apoio ao Ministério da Saúde, coronel Penha Gonçalves.

“O nosso objectivo é conseguir vacinar cerca de 30 mil pessoas por dia e isso já começou a acontecer esta semana”, sustenta, explicando: “Foi feito um grande esforço para se começar mais cedo a protecção da população, e já com as vacinas adaptadas às novas variantes, porque temos a noção de que em Portugal há sempre um pico ligeiro em Novembro, antes de chegarmos ao Natal, e depois outro mais forte em Janeiro e Fevereiro.

E é agora que temos de ganhar protecção para esse horizonte temporal. Por isso, é muito importante que as pessoas percebam que este é o momento de se vacinarem e não de adiarem este processo”.

A campanha de reforço para o este outono-inverno, com a quarta dose, começou a 8 de Setembro. E até ontem, 15 dias depois, só cerca de 8% da população elegível para esta fase – cidadãos com 60 ou mais anos, pessoas com outras patologias, independentemente da idade, e profissionais de risco, critérios definidos pela Direcção-Geral da Saúde – é que tinham sido vacinadas.

Ao todo, cerca de 250 mil pessoas, mas o objectivo é vacinar três milhões. “Pretendemos oferecer a todas as pessoas acima dos 60 anos e às que integram os grupos de risco a oportunidade de serem vacinadas contra a covid antes do Natal, o que perfaz um grupo de três milhões”.

O médico militar e investigador, que ontem esteve na reunião semanal de trabalho na Administração Regional de Saúde, já com a presença do novo ministro da Saúde, Manuel Pizarro, e a nova secretária de Estado para a Promoção da Saúde, Margarida Tavares, para os colocar a par do processo, relembra que “o vírus da covid, e o da gripe também, continuam a circular na comunidade, não se foram embora. E a melhor maneira para se conviver com eles e tentar-se ter uma vida o mais normal possível é aderir à vacinação. Esta é a grande arma de protecção que continuamos a ter”.

De acordo com o cientista é “provável que os picos de infecções voltem a acontecer e a grande vantagem da vacinação é não termos problemas tão graves como teríamos se não estivéssemos vacinados. É preciso que as pessoas não o esqueçam. Uma pessoa vacinada não tem sintomas graves, não vai ao hospital e não morre. É disto que a vacina nos protege”.

O coronel acredita que “esta fase está a seguir um padrão idêntico ao do ano passado. Na semana de arranque houve pouca vacinação, mas depois o processo começou a acelerar”. Por outro lado, Penha Gonçalves diz perceber que a população não coloque, nesta altura, a questão do contágio. “Estamos a entrar num outono com temperaturas quentes e é natural que não se tenha a percepção real dos riscos, mas os picos vão aparecer e é preciso prevenir agora, em Dezembro será muito tarde”, reforça.

Questionado sobre alguns receios das pessoas em relação a esta dose, Penha Gonçalves destaca não haver razões, explicando: “Todas as vacinas que estamos a aplicar, para além de terem a componente contra a variante original, já têm também uma componente contra a variante Ómicron.

Portanto, vão dar um espectro de protecção ainda mais alargado do que as vacinas anteriores. Foi por isso que começámos mais cedo esta campanha”.

Portugal recebeu na segunda-feira uma tranche de cerca de meio milhão das novas vacinas da Pfizer com a componente já contra as variantes BA.4 e BA.5, sendo esta última a dominante nesta altura. No dia 26 de Setembro deve receber mais 400 mil novas doses, o que representa um milhão de doses para esta primeira faixa etária dos 80 ou mais anos.

Tal como nos processo anteriores a vacinação está a ser feita em primeiro lugar à população com 80 ou mais anos, começando depois a baixar para as outras faixas etárias. Penha Gonçalves relembra que todas as pessoas serão convocadas para a quarta dose por SMS e, mesmo os que não conseguirem responder à mensagem por alguma razão, podem comparecer na mesma no local e à hora indicados para fazerem a vacina, “porque temos lá os profissionais e a dose que lhes é destinada”.

Para esta fase, o Núcleo de Apoio à Vacinação mantém abertos cerca de 350 postos de vacinação, sendo que 2/3 estão a funcionar em centros de saúde e 1/3 em postos de vacinação fora destas unidades. Em Lisboa, por exemplo, mantém-se os postos no Templo Hindu, em Telheiras, no Pavilhão da Ajuda e nos serviços de saúde camarários, nas Olaias.

Ordem dos médicos apela à adesão à quarta dose

A pouca adesão na primeira semana também preocupou o bastonário da Ordem dos Médicos que, em conjunto com o coordenador do recém-criado Gabinete Estratégico para a Saúde Global, vieram ontem alertar que esta nova fase de vacinação é mais uma etapa no combate ao vírus da covid-19.

Em comunicado, estes dirigentes da Ordem sublinhavam que “o início da nova campanha de vacinação sazonal, com as vacinas de 2.ª geração adaptadas à variante Ómicron, representa uma nova etapa no combate à pandemia e visa prevenir pela vacinação o acréscimo de actividade por SARS-CoV-2 que se prevê que possa ocorrer nos próximos meses”, apelando mesmo “à população-alvo convocada pela DGA que adira, sem reservas, à campanha de modo a garantir a máxima imunização e a máxima prevenção nos meses finais da pandemia”.

No documento, é ainda salientado ser “fundamental que se mantenha a apertada vigilância clínica, epidemiológica e, em particular, virológica, para monitorizar o impacto da pandemia e o eventual aparecimento de novas variantes ou sub-variantes que possam justificar ajustes nas medidas de combate à pandemia”.

Recorde-se que a DGS, na semana passada, já veio recomendar à população o uso de máscara sempre que se encontre em locais fechados e com ajuntamentos, nomeadamente transportes públicos e zonas comerciais.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
22 Setembro 2022 — 00:11



 

97: Alterações climáticas estão a secar alguns rios do mundo… Veja estes 6 do espaço!

CIÊNCIA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/SECA

As consequências das alterações climáticas saltam descaradamente à vista e os últimos Verões têm sido prova clara disso. Um dos exemplos mais berrantes é a seca, que tem provocado preocupações e estimulado avisos: os rios do mundo estão a secar e as diferenças já são notórias.

Com imagens captadas do espaço, veja como estão estes seis rios.

Seca dos rios já é evidente

As ondas de calor que temos conhecido não consomem apenas os seres humanos. Muito pelo contrário, impactam a natureza de uma forma que é já impossível de ignorar. A par delas, a falta de chuva contribui também para preocupantes secas e para a consequente falta de água.

Por não ser um problema pequeno, há rios por todo o mundo a sentir o efeito das alterações climáticas e a ver o seu caudal significativamente reduzido.

Desde os Estados Unidos da América à Ásia, não escapando a Europa, muitos são os rios a ver-se prejudicados pelas alterações climáticas que, consequentemente, afectam a vida dos seres humanos que dependem deles – seja para acesso a água potável, rega de alimentos, energia ou transporte de mercadorias.

Perante este cenário de seca, a CNN compilou imagens de seis rios vistos a partir do espaço. Partilhamo-la, agora, consigo.

Rio Colorado

À medida que a seca histórica, no Oeste dos Estados Unidos, mostra poucos sinais de abrandamento, o rio Colorado está a secar e a afinar-se. Essencialmente, este é mantido por dois dos maiores reservatórios do país, estando um deles, o Lago Mead, a diminuir em tamanho a par da descida dos níveis da água.

Apesar dos níveis da água estarem em queda desde o ano 2000, esta acentuou-se, em 2020.

Rio Colorado, em julho de 2000

Rio Colorado, em Julho de 2022

Existem cerca de 40 milhões de pessoas, sem sete estados americanos e no México, dependentes do rio para acesso a água, para agricultura e para electricidade. Por forma a salvaguardar a bacia hidrográfica, o governo implementou cortes de água obrigatórios e pediu aos estados que apresentassem planos de acção adicionais.

Rio Yangtze

Fica na Ásia e está a ver as suas margens a secar. Apesar de o seu leito estar a emergir em algumas áreas, os seus afluentes estão extremamente ressequidos. A província de Sichuan, que aloja 84 milhões de pessoas, tem recebido metade da chuva que habitualmente recebe e há reservatórios que já secaram completamente.

Rio Yangtze, em Agosto de 2021

Rio Yangtze, em Agosto de 2022

O impacto da seca no rio Yangtze tem sido enorme, de acordo com a CNN. Em Sichuan, a energia hidroeléctrica representa cerca de 80% da capacidade eléctrica, sendo que grande parte desta provém do rio.

Pela primeira vez em alguns anos, a China emitiu um alerta nacional relativamente à seca, em resposta à onde de calor mais longa das últimas seis décadas.

Rio Reno

Dos Alpes Suíços até ao Mar do Norte, passando pela Alemanha e pelos Países Baixos, o Rio Reno é um canal crucial para a navegação europeia. No entanto, neste momento, não tem respondido da forma mais animadora: partes do seu leito têm emergido acima da superfície da água, pelo que os navios que tentam navegá-lo são obrigados a contornar um conjunto de obstáculos, atrasando todo o processo.

Rio Reno, em Agosto de 2021

Rio Reno, em Agosto de 2022

Os baixos níveis da água representam um custo mais alto para as empresas que as querem navegar, passando esse custo para os consumidores.

Rio Pó

Este rio é alimentado pela neve dos Alpes e pelas chuvas da primavera, e possui uma queda íngreme que lhe garante um fluxo rápido. Como os que vimos anteriormente, o seu aspecto já dá conta da seca de que é alvo.

Rio Pó, em Agosto de 2021

Rio Pó, em Agosto de 2022

Um dos grandes problemas é que há milhões de pessoas dependentes do rio pó, principalmente para a agricultura. Aliás, a CNN refere que cerca de 30% dos alimentos italianos são produzidos ao longo do rio e algumas das exportações do país, como o queijo parmesão, são feitas por lá.

Rio Loire

O Loire sustenta o vale vinhateiro onde são produzidos alguns dos vinhos mais famosos do mundo e, sendo considerado o último rio selvagem de França, apoia ecossistemas ao longo de todo o vale. Algumas das suas partes estão tão secas que as pessoas já conseguem atravessar a pé.

Rio Loire, em Agosto de 2021

Rio Loire, em Agosto de 2022

As manchas de terra à volta do rio Loire são castanhas e murchas, ao passo que, há um ano, eram verdes e viçosas.

Rio Danúbio

É o rio mais longo da Europa Ocidental e um canal de navegação crucial que passa por 10 países. Embora não esteja em tão mau estado quanto outros rios europeus, a verdade é que países, como a Hungria, dependem de tal forma dele para o turismo, por exemplo, que os impactos já estão a ser sentidos.

Rio Danúbio, em Agosto de 2021

Rio Danúbio, em Agosto de 2022

Na Roménia, na Sérvia e na Bulgária os trabalhadores estão a dragar o rio para garantir que as embarcações ainda o podem navegar.

Os rios adornam muitas paisagens e deslumbram mesmo aqueles que são menos impressionáveis. Além da sua vertente visual, são cruciais ao desenvolvimento de algumas actividades e à garantia de qualidade de vida de muitas pessoas por todo o mundo. As alterações climáticas estão a prejudicá-los e, como vimos, a eliminar alguns.

Pplware
Autor: Ana Sofia Neto
21 Ago 2022

85: Os hipertensos podem ficar descansados durante o verão?

– Médicos e enfermeiros, actualmente, preocupam-se mais em apresentar escusas de responsabilidade do que tratar dos seus doentes. Se estivesse à espera do meu médico de família para certo tipo de situações, já tinha morrido. Felizmente possuo equipamento de medição de tensão arterial (sou hipertenso há muitos anos), oxímetro (medição de oxigénio no sangue SpO2), além de smartband que me indica e avisa 24 horas/dia, a minha tensão arterial, SpO2, sedentarismo, passos percorridos, exercícios, sono, etc.. É um complemento dos equipamentos médicos.

SAÚDE PÚBLICA/HIPERTENSÃO

Quem tem hipertensão precisa de cuidados redobrados nos dias quentes de verão, para evitar complicações cardiovasculares. É fundamental a avaliação médica para ajustar a medicação e adoptar um plano preventivo.

As ondas de calor podem ocorrer em qualquer altura do ano, sendo mais frequentes no verão.

Nos dias quentes, em que as temperaturas estão acima dos 30 graus, as pessoas, principalmente as mais vulneráveis, em que se incluem as hipertensas, devem ter cuidados redobrados de forma a gerir a hipertensão e a evitar possíveis complicações.

A hipertensão arterial é uma doença crónica e é o principal factor de risco para o desenvolvimento de complicações cardiovasculares graves, como o enfarte agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral.

Sabe-se que mais de 40% da população portuguesa sofre de hipertensão arterial -44,4% dos homens e 40,2% das mulheres – dados revelados pelo estudo PHYSA (Portuguese HYpertension and SAlt Study), desenvolvido em 2011 e 2012 pela Sociedade Portuguesa de Hipertensão.

Estes dados são preocupantes porque as doenças do foro cardiovascular continuam a ser a principal causa de mortalidade em Portugal. Segundo dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística, os acidentes vasculares cerebrais foram a causa do maior número de óbitos em 2019, representando 9,8% da mortalidade.

Vários factores influenciam o controlo de tensão arterial, tais como o consumo de sal, a obesidade, o álcool, o sedentarismo, a falta do sono, possíveis factores de stress e a temperatura ambiente, entre outros.

Existem estudos que demonstram a influência sazonal no controlo da tensão e que as alterações na temperatura ambiente podem provocar uma subida ou uma descida da tensão arterial.

Por exemplo, no verão, com temperaturas elevadas, pode existir uma diminuição dos valores da tensão arterial diurna assintomática ou com sintomas como tonturas, dor de cabeça e mal-estar, enquanto à noite pode verificar-se o fenómeno inverso, com o aumento da tensão arterial.

Se no verão há um aumento durante a noite não será motivado pela temperatura, mas sim por um estado de desconforto físico e pela má qualidade do sono em resultado das condições atmosféricas do período estival.

A variação sazonal da tensão arterial, principalmente em populações mais vulneráveis, como é o caso das pessoas idosas, está associada ao aumento da incidência de problemas cardiovasculares.

A supressão do excesso de alterações sazonais da tensão arterial contribui para a prevenção de eventos cardiovasculares. Daí a importância da medição regular da tensão arterial em consultório médico, em casa e na farmácia.

É fundamental a avaliação do doente hipertenso pelo médico antes das mudanças sazonais, de forma a ajustar a sua medicação e a elaborar um plano preventivo adequado.

O doente hipertenso deve ter especial atenção e avaliar a sua tensão arterial se tiver sintomas como tonturas, visão turva, dor de cabeça, sensação de desmaio ou perda excessiva de líquidos do organismo no caso de vómitos ou diarreia.

Que cuidados deve ter um doente hipertenso, em particular nos meses mais quentes, de forma a não pôr em causa umas férias descansadas, aproveitando o tempo para “recarregar as baterias” e melhorar o seu desempenho?

Seguem alguns conselhos simples e fáceis de seguir. Em primeiro lugar, manter uma alimentação equilibrada, pobre em gorduras e rica em legumes e frutas. Segundo, reduzir a utilização do sal, na confecção dos alimentos, dando preferência à utilização da salicórnia, uma planta com propriedades antioxidantes e óptimo substituto de sal convencional.

Depois, evitar o excesso de álcool e não fumar, reforçando a hidratação, bebendo cerca de 1.5 a 2 litros de água por dia. O calor e a humidade causam uma perda mais acentuada de água e sais minerais, através da transpiração e da respiração, perda essa que tem de ser reposta.

Fundamental também é evitar a exposição prolongada ao sol, principalmente entre as 11 horas e as 17 horas, usando roupa larga que cubra a maior parte do corpo (preferencialmente de algodão) e chapéu. Finalmente, devemos evitar locais de elevada poluição do ar e procurar ambientes frescos e arejados ou climatizados, de forma a evitar mudanças rápidas de temperatura ambiente;

Mesmo nas férias, deve-se manter o controlo adequado da tensão arterial. Uma reavaliação médica durante o período de férias pode implicar a necessidade, ou não, de alterar a dosagem ou o grupo dos medicamentos prescritos, particularmente na presença de sintomas e nos doentes com tensão máxima, mesmo se assintomáticos.

Apostar em medidas adequadas de vigilância e de cuidados, associadas à toma rigorosa da medicação ajustada e personalizada para cada doente, é uma condição essencial não só para um verão descansado, mas para uma vida longa e sem problemas.

Coordenadora da Unidade de Hipertensão Arterial do Hospital CUF Descobertas

Diário de Notícias
Nataliya Polishchuk
20 Agosto 2022 — 07:10

66: Estudo diz que risco de falta de água atingirá 17% dos europeus até 2050

FALTA DE ÁGUA/RISCOS

Os dados do Water Risk Filter apontam para a necessidade de serem tomadas medidas urgentes pelos governos e empresas.

© Arquivo Global Imagens

Cerca de 17% da população europeia está em grande risco de escassez de água até 2050, o que poderá afectar 13% do PIB da Europa, indica uma análise esta quarta-feira divulgada pela organização “World Wide Fund for Nature” (WWF).

A nova análise “mostra que a Europa será cada vez mais propensa a secas e escassez de água”, alerta um comunicado divulgado pela Associação Natureza Portugal (ANP), que trabalha em associação com a WWF.

Os dados do “Water Risk Filter” apontam para a necessidade, segundo o comunicado, “de tomada de medidas urgentes pelos governos e empresas para aumentar a resiliência das sociedades e economia, particularmente através de soluções baseadas na natureza”.

“As secas na Europa não devem chocar ninguém: os mapas de risco da água há muito que apontam para um agravamento da escassez em todo o continente. O que nos deve chocar é que os governos, empresas e investidores europeus continuam a fechar os olhos aos riscos de escassez da água, como se estes riscos se resolvessem sozinhos”, diz, citado no comunicado, Alexis Morgan, da WWF.

Ruben Rocha, da ANP/WWF, também citado no documento, lembra que em Portugal, como nos restantes países de clima mediterrânico, a situação de seca meteorológica é cada vez mais intensa devido às alterações climáticas.

“Sabemos que a agricultura é responsável por cerca de 75% do consumo de água em Portugal, valor muito superior à média europeia (aproximadamente 25%) e maior do que a média mundial (70%), devido a práticas agrícolas insustentáveis, que exigem medidas urgentes e muitas vezes impopulares do ponto de vista político”, diz.

O estudo recorda que os rios da Europa estão actualmente a sofrer as consequências do calor, com quatro dos rios mais importantes do continente – Danúbio, Pó, Reno e Vístula – a enfrentarem recordes nos seus níveis mínimos, ameaçando os negócios, indústria, agricultura e mesmo o consumo de água pelas pessoas.

Lamentavelmente 60% dos rios da Europa estão hoje “pouco saudáveis”, diz a organização ambientalista.

Diário de Notícias
DN/Lusa
17 Agosto 2022 — 15:58