725: Há centenas de medicamentos esgotados. Hipertensos e diabéticos são os mais afectados

– E qual a razão para este esgotamento de medicamentos? Não explicam porquê?

SAÚDE PÚBLICA/RUPTURA DE MEDICAMENTOS/FARMÁCIAS

Farmacêuticos denunciam a falta de centenas de medicamentos por todo o país. Os mais afectados são os pacientes hipertensos e diabéticos.

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Um pouco por todo o país, farmacêuticos continuam a denunciar a falta de vários medicamentos. Os mais afectados são os pacientes hipertensos e diabéticos, para os quais os farmacêuticos têm encontrado maior dificuldade em arranjar alternativas para os medicamentos esgotados.

O Inderal, indicado para controlar a hipertensão, está em falta há várias semanas. João Ferreira de Almeida, presidente da Associação de Lares e Casas de Repouso (ALI), denuncia o problema e diz ter sido informado que “só em Janeiro será regularizado”.

O mesmo verifica-se no caso da diabetes. O uso indevido de Ozempic, aprovado e comparticipado em Portugal para o tratamento da diabetes tipo 2, para casos de perda de peso está a resultar em fortes perdas para o Serviço Nacional de Saúde e a causar disrupções no abastecimento do mercado.

Ao Correio da Manhã, a presidente da Federação Portuguesa das Associações de Pessoas com Diabetes, Emiliana Querido, sublinha que “os doentes não podem ser prejudicados” e reclama medidas que assegurem a medicação.

A solução, tanto para o Inderal como para o Ozempic, tem sido procurar os medicamentos em Espanha.

O Correio da Manhã adianta ainda que, com o inverno à porta, falta xarope não sujeito a receita médica para tratar a febre ou dores. Em Lisboa, algumas farmácias relatam ainda a falta de Ben-u-ron.

A presidente da Associação Nacional das Farmácias, Ema Paulino, diz que há um grupo de trabalho que se debruça sobre a indisponibilidade de medicamentos no Infarmed, que procura prever possíveis faltas.

Em Outubro, segundo o CM, foram identificadas 858 apresentações de falta de medicamentos, sendo que o Lorenin, o Inderal, o Ovestin, o Ozempic e o Cloxam são alguns dos exemplos dos remédios esgotados.

ZAP //
14 Novembro, 2022



 

494: Quase 10% dos medicamentos sem ‘stock’. Rupturas levam meses a ser corrigidas

MEDICAMENTOS/RUPTURAS/FARMÁCIAS

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Dos 9.545 fármacos comercializados em Portugal e sujeitos a receita médica, 858 estão em ruptura de ‘stock’, representando 8%. Este cenário tem levado os médicos a receitar outros tratamentos, mas há três medicamentos em falta para os quais não há outra opção terapêutica no mercado nacional.

Como avançou o Jornal de Notícias, perante esta situação, os hospitais e farmácias estão a ser obrigados a pedir uma Autorização de Utilização Excepcional (AUE) para comprar os fármacos que não têm substituição em Portugal.

De acordo com o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, a situação é “preocupante”. “Os médicos fazem de tudo para encontrar soluções para os doentes”, mas é o Estado que tem de monitorizar e de encontrar alternativas, referiu.

Entre os indisponíveis, além dos três que não têm opção terapêutica, há 33 substâncias que não têm alternativa dentro da mesma molécula.

Os dados apresentados pelo jornal foram extraídos, na segunda-feira, da plataforma de Gestão da Disponibilidade do Medicamento acessível no site do Infarmed, havendo rupturas que levam meses a ser corrigidas. Tratam-se de comprimidos, injectáveis, xaropes e colírios.

Um desses casos é o Inderal, “um fármaco importante” para o tratamento da hipertensão e da angina de peito, que entrou em ruptura em Setembro e cuja reposição só está prevista para o início do próximo ano.

Também a Nimodipina, indicada na prevenção e tratamento de défices neurológicos isquémicos; a vacina contra a encefalite japonesa; a Mesterolona, substância para tratamento da infertilidade masculina; o Champix, indicado para o tratamento do tabagismo; e o Ozempic, para o tratamento da diabetes tipo 2, estão em falta.

Na terça-feira, a Comissão Nacional de Farmácia e Terapêutica do Infarmed emitiu uma orientação sobre o Ozempic, pedindo seja prescrito “em consciência”, tendo em conta os doentes com diabetes, “a saúde global da população” e “os princípios éticos de justiça na distribuição dos recursos aos que mais deles necessitam”.

Indicado e comparticipado em 90% pelo Serviço Nacional de Saúde para a diabetes, o Ozempic está em falta nas farmácias por estar a ser prescrito para a redução de peso. O ministro da Saúde já informou que os médicos terão de assinalar com clareza que a receita se destina ao tratamento da diabetes tipo 2.

  ZAP //
26 Outubro, 2022