790: Casos de covid em Portugal aumentaram na última semana

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTOS

Com estes números, Portugal registou mais 1.202 casos de infecção e mais seis mortes em relação à última semana.

© D.R.

Portugal registou, entre 8 e 14 de Novembro, 6.478 infecções pelo coronavírus SARS-CoV-2, 51 mortes associadas à covid-19 e uma estabilização dos internamentos, indicou esta sexta-feira a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Segundo o boletim epidemiológico semanal da DGS, em relação à semana anterior, registaram-se mais 1.202 casos de infecção, verificando-se ainda mais seis mortes na comparação entre os dois períodos.

Quanto à ocupação hospitalar em Portugal continental por covid-19, a DGS passou a divulgar às sextas-feiras os dados dos internamentos referentes à segunda-feira anterior à publicação do relatório.

Com base nesse critério, o boletim indica que, na última segunda-feira, estavam internadas 570 pessoas, menos uma apenas do que no mesmo dia da semana anterior, com 42 doentes em unidades de cuidados intensivos, mais oito do que na semana anterior.

De acordo com o boletim da DGS, a incidência a sete dias estava, na segunda-feira, nos 63 casos por 100 mil habitantes, tendo registado um aumento de 24% em relação à semana anterior, e o índice de transmissibilidade (Rt) do coronavírus aumentou para 1,03 a nível nacional.

Por regiões, Lisboa e Vale do Tejo registou 2.412 casos na última semana, mais 256 do que no período anterior, e 24 óbitos, mais oito.

A região Centro contabilizou 887 casos (mais 114) e 11 mortes (mais duas) e o Norte totalizou 1.610 casos de infecção (mais 378) e 11 mortes (menos cinco).

No Alentejo foram registados 254 casos positivos (mais 12) e um óbito (o mesmo número da semana anterior) e no Algarve verificaram-se 228 infecções pelo SARS-CoV-2 (mais oito) e três mortes (o mesmo número da semana anterior).

Quanto às regiões autónomas, os Açores tiveram 300 novos contágios nos últimos sete dias (mais 105) e nenhuma morte, enquanto a Madeira registou 787 casos nesse período (mais 329) e um óbito (mais um), de acordo com os dados da DGS.

Segundo o relatório, a faixa etária entre os 60 e os 69 anos foi a que apresentou maior número de casos a sete dias (1.064), seguindo-se a das pessoas entre os 50 e os 59 anos (1.034), enquanto as crianças até aos 9 anos foram o grupo com menos infecções nesta semana (206).

Dos internamentos totais, 230 foram de idosos com mais de 80 anos, seguindo-se a faixa etária dos 70 aos 79 anos (124) e dos 60 aos 69 anos (84).

A DGS contabilizou ainda 13 internamentos no grupo etário das crianças até aos 9 anos, quatro dos 10 aos 19 anos, 13 dos 20 aos 29 anos, 16 dos 30 aos 39 anos, 22 dos 40 aos 49 anos e 36 dos 50 aos 59 anos.

O boletim refere também que, nestes sete dias, morreram 40 idosos com mais de 80 anos, seis pessoas entre os 70 e 79 anos, três entre os 60 e 69 anos e duas entre 40 e 49 anos.

Os dados indicam ainda que 71% dos idosos com mais de 80 anos já receberam a vacina de reforço sazonal contra a covid-19, percentagem que baixa para os 64% no grupo entre os 65 e 79 anos.

Quanto à vacina da gripe, a DGS refere que já foi administrada a 75% dos idosos com mais de 80 anos e a 61% das pessoas do grupo etário entre os 65 e 79 anos.

Diário de Notícias
DN / Lusa
18 Novembro 2022 — 20:07



 

Reunião do Infarmed devia ter incluído “recomendações fortes” de protecção individual

– Como tem sido habitual neste Portugal dos Pequeninos…

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFARMED

Especialistas consideram que encontro entre políticos e peritos decorreu com “zero novidades”, embora nesta fase da pandemia fosse fundamental “recomendações fortes” para se minimizar a circulação do vírus. Do lado da saúde, só houve uma palavra para a prevenção: vacinação.

Ministro Manuel Pizarro esteve ontem no Infarmed para ouvir os peritos de instituições do Estado sobre a situação epidemiológica do país.

A pandemia ainda não terminou. E por muito que se queira incluir a infecção por SARS-CoV-2 no lote das doenças comuns, por infecção respiratória, ainda há muito para fazer, nomeadamente no que toca a “fortes recomendações para protecção individual”, senão mesmo algumas medidas obrigatórias, como o uso de máscara em situações muito específicas, bem como no que toca “a uma vigilância mais activa, para se ter noção real do que se está a passar no país”.

Mas não só. É preciso até “mais literacia da população sobre este tipo de doença”, precisamente “para se minimizar os riscos e as consequências”. Isto mesmo foi defendido ao DN por três especialistas que têm acompanhado a evolução da pandemia no nosso país, e daí que uma das críticas feitas à reunião que esta sexta-feira assinalou o regresso entre políticos e peritos ao Infarmed seja precisamente a de “não ter incluído fortes recomendações à população”.

Até porque todos os recados que têm vindo a ser dados pelas autoridades de saúde visam única e exclusivamente “a responsabilidade individual” e têm como palavras de ordem “vacinação, vacinação”.

O presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Saúde Pública (APMSP), Gustavo Tato Borges, considerou que a reunião foi “exactamente o que se esperava e o que o Sr. Ministro já tinha dito que iria ser.

Falou-se da evidência e recordou-se desafios, com zero de novidades ou com pouco impacto na vida das pessoas. Ou seja, com uma ausência total de recomendações e de implementação de medidas. E, neste sentido, a reunião foi o que se esperava, simpática e pouco mais”.

O médico infecciologista António Silva Graça disse ao DN ter estado a acompanhar a reunião e que “esperava mais”, questionando mesmo que, para ter decorrido desta forma, “se seria mesmo necessária”, pois “já tínhamos ouvido o Sr. Ministro dizer na véspera que não iriam ser tomadas medidas significativas relativamente à pandemia”.

Antes também já se tinha assumido “a pobreza dos números registados”, portanto, diz Silva Graça, “o que considerava importante era haver pelo menos uma recomendação muito forte sobre a utilização da máscara”.

O epidemiologista Manuel Carmo Gomes, que integra a equipa da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa que faz a modelação da evolução da doença desde o início da pandemia, e que desta vez não esteve no Infarmed, confessou não ter tido a oportunidade de acompanhar em directo, mas não deixa de referir que o importante, mesmo para esta fase, “era a obrigatoriedade do uso de máscara em situações muito específicas, nomeadamente nos transportes públicos, porque é uma medida que não tem impacto económico nem social nas nossas vidas”.

Querem tornar a covid-19 uma doença do dia-a-dia, mas é preciso mais literacia

Do lado da saúde pública, Gustavo Tato Borges comentou ao DN ter concordado com o ministro Manuel Pizarro no que defendeu sobre a vacinação, “tem de ser fomentada” e “as pessoas que forem chamadas devem ser vacinadas”, mas “nesta reunião faltou dizer que as pessoas devem manter os cuidados quando estão doentes e evitar ir trabalhar”, e, se forem, “deve haver a garantia de que usam máscara”.

Mais. “Esta deve ser usada em qualquer momento do nosso dia sempre que possa haver um risco acrescido de se ser infectado ou de se transmitir a infecção a outras pessoas.”

O médico reforça que outra das recomendações que deveriam ter sido feitas no encontro “era a da ventilação dos espaços interiores”. Nesta fase da pandemia, é preciso termos a garantia de que “há melhores espaços com ventilação interior”.

Gustavo Tato Borges sublinha: “O que me parece é que se pretende que a covid seja cada vez mais uma doença normal, como outras de infecção respiratória, e que integre aquilo que é a vigilância habitual destas, só que, se calhar, esta vigilância é que deveria ser aperfeiçoada, não só para a covid-19, mas para as outras infecções respiratórias”, lembrando ainda que “as mudanças de comportamento exigem o aumento da literacia sobre as doenças virais.

Só assim conseguiremos minimizar o risco futuro de tais doenças, e, nomeadamente, da covid-19 na nossa sociedade e na minimização do recurso aos serviços de saúde, como urgências, nas quais já se sente uma sobrecarga considerável”.

Neste momento nada mais há a fazer em relação à covid-19 que não seja “prevenção, protecção, comportamento individual e ventilação”, mas se isto não for dito sobejamente à população o vírus continuará a circular de forma elevada.

Por isso, alerta, a partir do momento “que se comece a notar que a doença está a ter maior impacto nos internamentos e óbitos é necessário o regresso da máscara obrigatória e de uma ou outra medida mais dramática”.

Manuel Pizarro com a secretária de Estado para a Promoção da Saúde, Margarida Tavares, e a directora-geral da Saúde, Graça Freitas.
© Miguel Lopes/Lusa

O infecciologista António Silva Graça avança também: “Parece-me pouco esperar-se que as pessoas utilizem a máscara quando estão com sintomas e infectadas, só porque é uma questão cívica e de respeito pelos outros.

É preciso que esta medida seja fortemente recomendada pelas autoridades de saúde, dizendo mesmo que, “embora não seja uma fase crítica, a pandemia não acabou e existem mais casos do que aqueles que se admite existirem”.

Para o médico a vigilância está a ser feita de uma forma com a qual não concorda e, se o país quer “evitar um agravamento da situação, dever-se-ia, pelo menos, reverter o que foi feito relativamente à testagem – permitindo que as pessoas pudessem voltar a aceder mais facilmente aos testes para confirmarem a infecção – e à protecção ao isolamento dos infectados”, porque senão “vamos ter reflexos maiores no trabalho e nas escolas”.

O epidemiologista Manuel Carmo Gomes considerou que “a situação ainda não é muito preocupante, mas que vamos ter de esperar para ver, porque há duas grandes incógnitas às quais ainda não se consegue responder: uma é o verdadeiro impacto das sub-variantes e outra a protecção que dão as vacinas adaptadas a estas sub-variantes”.

Do lado da Saúde, a prevenção remete-se à vacinação, vacinação

Durante quase uma hora os peritos de instituições do Estado, Henrique de Barros, presidente do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, João Paulo Gomes, director do Departamento Bioinformático do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), e Carlos Alves, infecciologista do Infarmed, autoridade da saúde e do medicamento, resumiram a situação epidemiológica do país, usando a vacinação como palavra de ordem para a prevenção.

Henrique de Barros defendeu que “a pandemia actual é aquilo a que os economistas chamam um exemplo de incerteza radical, ou seja, é demasiado complexa para ser capturada por modelos simples”, lembrando, no entanto, que “as vacinas são indispensáveis”, mas “podem não ser suficientes”.

No entanto, o médico ressalvou que estas preveniram “mais de um milhão de infecções, mais de dois milhões de dias de internamento e 130 mil em cuidados intensivos, bem como 12 mil mortos”.

E é neste sentido que defende a vacinação como “uma estratégia de imunização”, considerando até que se há “vacinas disponíveis, como nós temos, nada justifica que as pessoas não possam vacinar-se qualquer que seja a sua idade”.

Mas o médico reforçou que esta pode não ser suficiente, sendo necessário manter de forma responsável um “conjunto de medidas” da parte da população, como: quem está doente deve ficar em casa ou não continuar a “funcionar socialmente”.

O técnico do INSA, João Paulo Gomes, começou a sua declaração por fazer o ponto de situação sobre as variantes, linhagens e sub-linhagens que caracterizam o panorama epidemiológico a nível nacional e internacional, referindo que “a variante Delta foi a mais severa e esteve em Portugal cerca de 7 meses, até que “importámos da África do Sul a famosa Ómicron”.

Referiu ainda que a taxa de vacinação “excelente” que temos aumentou a imunidade, permitindo que se passasse a falar apenas das sub-linhagens desta – BA.1, BA.2 e BA.5 e agora BQ.1.1, estando esta última “a crescer”, “cerca de 30% dos casos devem-se já a esta sub linhagem, a mais transmissível actualmente”.

Todavia, “não há evidências de que estas sub-linhagens sejam mais severas”. João Paulo Gomes destacou, no entanto, que “as vacinas têm-se mostrado “muito eficazes”, mas “menos contra estas linhagens emergentes”.

Na área do medicamento, Carlos Alves reforçou que no combate à pandemia “as medidas não farmacológicas são importantes”, mas que as farmacológicas “fizeram a grande diferença”, tendo sido as vacinas “a terem mais impacto na evolução da pandemia” e que “estar vacinado faz a diferença. É importante fazer reforços”.

O coronel Penha Gonçalves, que coordena agora o processo de vacinação, lembrou que 94,7% da população residente em Portugal iniciou o processo de vacinação e que 74% dos elegíveis já recebeu a segunda dose de reforço, que está a ser dada desde Setembro.

O médico militar anunciou ainda haver um aumento de 10% na capacidade vacinal para permitir administrar a dose de reforço às pessoas acima dos 50 anos antes do final do ano, mas assumiu que ainda há cerca de 600 mil pessoas que ainda não se vacinaram.

A seguir a esta reunião do Infarmed, e como dizem alguns especialistas, resta esperar para ver, até porque o que está definido em termos de directrizes de acção para as unidades de saúde está desactualizado, já que vem tudo do período em que estávamos sob o estado de alerta.

No ano passado, nesta altura, já havia plano de outono-inverno, agora, sobre este nada se sabe, tal como nada se sabe sobre o sistema de vigilância para a covid-19, em simultâneo com a gripe, através dos médicos de sentinela, um projecto que foi anunciado ainda no início do verão.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
11 Novembro 2022 — 22:53



 

671: Portugal com 5.291 casos e 44 mortes por covid-19 entre 1 e 7 de Novembro

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTOS

Registaram-se menos 602 casos de infecção em relação à semana anterior, verificando-se ainda menos 12 mortes na comparação entre os dois períodos.

Portugal registou, entre 1 e 7 de Novembro, 5.291 infecções pelo coronavírus ​​​​​​​SARS-CoV-2, 44 mortes associadas à covid-19 e um novo aumento dos internamentos, indicou esta sexta-feira a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Segundo o boletim epidemiológico semanal da DGS, em relação à semana anterior, registaram-se menos 602 casos de infecção, verificando-se ainda menos 12 mortes na comparação entre os dois períodos.

Quanto à ocupação hospitalar em Portugal continental por covid-19, a DGS passou a divulgar às sextas-feiras os dados dos internamentos referentes à segunda-feira anterior à publicação do relatório.

Com base nesse critério, o boletim indica que, na última segunda-feira, estavam internadas 571 pessoas, mais 46 do que no mesmo dia da semana anterior, com 34 doentes em unidades de cuidados intensivos, o mesmo número do que na semana anterior.

De acordo com o boletim da DGS, a incidência a sete dias estava, na segunda-feira, nos 51 casos por 100 mil habitantes, tendo registado uma redução de 11% em relação à semana anterior, e o índice de transmissibilidade (Rt) do coronavírus aumentou para 0,97.

Por regiões, Lisboa e Vale do Tejo registou 2.170 casos entre 01 e 07 de Novembro, menos 125 do que no período anterior, e 16 óbitos, menos quatro.

A região Centro contabilizou 776 casos (menos 38) e nove mortes (menos quatro) e o Norte totalizou 1.233 casos de infecção (menos 205) e 15 mortes (mais uma).

No Alentejo foram registados 244 casos positivos (menos 48) e um óbito (menos cinco) e no Algarve verificaram-se 223 infecções pelo SARS-CoV-2 (mais três) e três mortes (mais duas).

Quanto às regiões autónomas, os Açores tiveram 189 novos contágios nos últimos sete dias (menos 60) e nenhuma morte, enquanto a Madeira registou 456 casos nesse período (menos 129), também sem qualquer óbito, de acordo com os dados da DGS.

Segundo o relatório, a faixa etária entre os 60 e os 69 anos foi a que apresentou maior número de casos a sete dias (944), seguindo-se a das pessoas entre os 70 e os 79 anos (826), enquanto as crianças até aos 9 anos foram o grupo com menos infecções nesta semana (147).

Dos internamentos totais, 229 foram de idosos com mais de 80 anos, seguindo-se a faixa etária dos 70 aos 79 anos (140) e dos 60 aos 69 anos (80).

A DGS contabilizou ainda 11 internamentos no grupo etário das crianças até aos 9 anos, um dos 10 aos 19 anos, 10 dos 20 aos 29 anos, 24 dos 30 aos 39 anos, 21 dos 40 aos 49 anos e 37 dos 50 aos 59 anos.

O boletim refere também que, nestes sete dias, morreram 33 idosos com mais de 80 anos, seis pessoas entre os 70 e 79 anos, quatro entre os 60 e 69 anos e uma entre 40 e 49 anos.

Os dados indicam ainda que 69% dos idosos com mais de 80 anos já receberam a vacina de reforço sazonal contra a covid-19, percentagem que baixa para os 57% no grupo entre os 65 e 79 anos.

Quanto à vacina da gripe, a DGS refere que já foi administrada a 72% dos idosos com mais de 80 anos e a 56% das pessoas do grupo etário entre os 65 e 79 anos.

Diário de Notícias
DN/Lusa
11 Novembro 2022 — 22:08



 

646: Ministro da Saúde afasta regresso ao estado de alerta

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/ESTADO DE ALERTA

O ministro da Saúde, Manuel Pizarro, afirmou ainda que o Governo vai apostar no reforço dos cuidados de saúde primários, sendo o objectivo garantir que todos os portugueses tenham acesso a uma equipa de saúde familiar.

© MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

O ministro da Saúde, Manuel Pizarro, afastou esta quinta-feira a hipótese, “pelo menos no curto prazo”, de regressar ao estado de alerta e impor medidas de saúde pública para combater a covid-19.

“Para efeitos de tranquilidade da opinião pública, não há nenhuma intenção, nem nenhuma necessidade de regressar, pelo menos a curto prazo, a quaisquer medidas que envolvam o estado de alerta ou imposições em matéria de saúde pública, Isso está completamente afastado”, disse Manuel Pizarro em respostas a questões levantadas pelos jornalistas na conferência de imprensa no final do Conselho de Ministros.

O ministro adiantou que as autoridades de saúde vão continuar a “monitorizar atentamente” a evolução da pandemia de covid-19 e de todas as outras doenças respiratórias habituais no inverno.

Na sexta-feira vai realizar-se uma reunião de peritos para informar “com detalhe técnico” sobre as circunstâncias epidemiológicas no plano nacional, plano europeu e internacional.

“Amanhã vamos fazer uma actualização da situação epidemiológica e na sequência disso anunciaremos o nosso plano de intervenção para o inverno”, disse.

Na próxima semana, acrescentou Manuel Pizarro, serão anunciadas medidas adicionais do ponto de vista do funcionamento do Serviço Nacional de Saúde, “em resposta àquilo que é uma dificuldade sazonal habitual com o aumento das infecções respiratórias”.

“Este ano em Portugal, como na generalidade dos países da Europa e como já tinha ocorrido no hemisfério sul, houve uma certa antecipação de alguns dos vírus respiratórios” e por isso foi antecipado o plano de vacinação para 07 de Setembro, ao abrigo do qual já foram vacinadas quase dois milhões de portugueses contra a gripe e com o reforço da covid-19.

Para o ministro, a vacinação é a medida “mais relevante” para prevenir estas infecções.

Questionado sobre o aumento da procura dos serviços de urgência nos últimos dias, disse que foi uma situação sentida no conjunto dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde por motivos relacionados com as infecções respiratórias.

“A verdade é que, com algumas perturbações de funcionamento, que são muito difíceis de evitar nessas circunstâncias, os hospitais foram capazes de dar a resposta devida”, salientou, acrescentando que “a situação é hoje, felizmente, bastante mais calma do que a que ocorreu nos últimos dias.

Ministro admite possibilidade de cooperativas de médicos de família por período transitório

O ministro da Saúde admitiu a possibilidade de cooperativas de médicos de família em regiões do país mais carenciadas destes profissionais “por um período transitório”.

Manuel Pizarro já tinha admitido durante uma audição nas comissões parlamentares de Orçamento e Finanças e de Saúde, na terça-feira, a criação de Unidades de Saúde Familiar (USF) modelo C temporárias para responder à falta de médicos de família, uma possibilidade que o BE considerou ser a “privatização” dos cuidados primários de saúde.

Questionado esta quinta-feira sobre este assunto na conferência de imprensa no final do Conselho de Ministro, o ministro começou por afirmar que o Governo tem uma “aposta clara” no reforço dos cuidados de saúde primários, sendo o objectivo garantir que todos os portugueses tenham acesso a uma equipa de saúde familiar.

Mas, disse, “é conhecido que em algumas regiões do país, sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo”, há “carência de profissionais” para cumprir já esse objectivo.

“Nesse contexto, encaramos medidas que sejam transitórias e supletivas e, entre essas, poderá também haver a possibilidade de cooperativas de médicos poderem concorrer à prestação deste nível de cuidados durante um período temporário, até que o maior aumento de sempre do número de médicos em formação na especialidade possa produzir os seus efeitos”, salientou.

Manuel Pizarro lembrou que, em 2023, há o maior número de vagas de sempre (574) para formação de especialistas em Medicina Geral e Familiar, que tem a duração de quatro anos.

“O processo de formação de profissionais demora o seu tempo e nós temos que garantir que, entretanto, a nossa capacidade de resposta melhore e é apenas neste contexto que essa possibilidade existe”, vincou Manuel Pizarro.

“Não estamos a falar de nenhuma privatização do SNS, o que seria, aliás, estranho da parte de um Governo que se insere na tradição da criação do Serviço Nacional de Saúde público, geral e universal”, rematou Manuel Pizarro.

O ministro salientou ainda que o reforço dos cuidados de saúde primários quer dizer “levar até ao fim uma reforma muito importante” que têm promovido e que criaram, pelo menos na última década e meia.

Trata-se do reforço dos centros de saúde, a criação de unidades de saúde familiar, o rejuvenescimento das profissões associadas à prestação deste nível de cuidados, médicos, enfermeiros, secretários clínicos ou outros técnicos de saúde, adiantou.

Na audição parlamentar Manuel Pizarro salientou que o modelo do Governo para a reforma dos cuidados de saúde primários assenta na criação de USF modelo A, correspondentes aos centros de saúde tradicionais, e na sua transformação, “por amadurecimento organizativo”, em USF modelo B, em que os profissionais são pagos de acordo com o desempenho.

As Unidades de Saúde Familiar (USF) modelo C assentam em entidades estabelecidas com autonomia organizacional e financeira e com um contrato-programa com as Administrações Regionais de Saúde.

Diário de Notícias
DN/Lusa
10 Novembro 2022 — 16:12



 

643: Covid-19. Vacinação a partir dos 50 anos vai avançar em breve

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/VACINAÇÃO/>50 ANOS

A taxa de vacinação nas pessoas acima dos 80 anos é inferior ao que o Governo gostaria. A secretária de Estado da Promoção da Saúde faz, por isso, um apelo. “Gostaríamos que fosse mais e faço aqui um apelo a todas as pessoas mais velhas: não deixem de se vacinar”.

© MIGUEL A. LOPES / LUSA

As pessoas a partir dos 50 anos vão poder vacinar-se contra a covid-19 em breve, anunciou a secretária de Estado da Promoção da Saúde, que apela aos mais velhos que não deixem de se vacinar.

Numa entrevista ao jornal Público, Margarida Tavares explica que a estratégia da Direcção-Geral da Saúde (DGS) “foi mais cautelosa” – o plano era o de vacinar apenas as pessoas a partir dos 60 anos até Dezembro – porque as autoridades queriam concentrar-se nas classes etárias de maior risco, mas que, em breve, a idade para a vacinação vai baixar para os 50 anos.

“Essa medida vai ser anunciada pela Direcção-Geral da Saúde em breve”, revela.

Margarida Tavares reconhece que a taxa de vacinação nas pessoas acima dos 80 anos – que está abaixo dos 70% – é inferior ao que o Governo gostaria e apela à vacinação dos mais velhos: “Gostaríamos que fosse mais e faço aqui um apelo a todas as pessoas mais velhas: não deixem de se vacinar”.

Sobre o inverno, reconhece que “não vai ser fácil”, com a circulação, em simultâneo, do vírus que provoca a covid-19, do da gripe e do vírus sincicial respiratório.

“Como infecciologista, sabia que, volvido algum tempo, estaríamos a assistir a uma dinâmica dos vírus respiratórios que foi totalmente alterada e não me surpreende nada que o vírus sincicial respiratório se tenha antecipado e que os casos de gripe sejam mais precoces”, afirma.

A secretária de Estado fala ainda do plano de contingência para o inverno que o Governo está a preparar e, quanto à reunião de peritos agendada para sexta-feira no Infarmed, diz que “vai ser apenas um momento de reflexão e transparência”, não devendo ser tomadas novas medidas de contenção.

Contudo, alerta que as máscaras “não desapareceram” e que são “altamente recomendadas para as pessoas que têm sintomas respiratórios, quando estão próximas de outras pessoas”. “Vamos recomendá-las vivamente nos espaços fechados. Eventualmente, vamos fazer recomendações mais apertadas para os transportes públicos, por exemplo”, revela.

Depois de o ministro Manuel Pizarro ter esta semana admitido criar Unidades de Saúde Familiar (USF) modelo C temporárias para responder à falta de médicos de família, uma possibilidade que o Bloco de Esquerda considerou ser a “privatização” dos cuidados primários de saúde, Margarida Tavares admite que a “constituição de cooperativas de médicos poderá ser uma resposta” para algumas regiões.

“Em algumas regiões do país, até por períodos limitados de tempo, a constituição de cooperativas de médicos poderá ser uma resposta, por exemplo, com médicos reformados”, afirma.

Contudo, a governante diz que “será uma possibilidade remota, localizada no tempo e no espaço e ponderada caso a caso”, insistindo: “Não nos passa pela cabeça privatizar os cuidados de saúde primários”.

Sobre os programas prioritários da DGS, refere que “precisam de ser reforçados” e reconhece a falta de meios da Direcção-Geral da Saúde, lembrando que a estrutura também “está muito pesada e difícil de gerir”.

A este propósito, a secretária de Estado da Promoção da Saúde adianta que será criada uma nova estrutura, dentro do Ministério da Saúde,” para “reorganizar a promoção da saúde e dar-lhe o devido espaço, recursos e meios e uma visão moderna da saúde”.

A governante acrescenta ainda que o Governo tenciona ir mais longe na legislação do tabaco e que quer “regulamentar melhor a questão do fumo em espaços fechados”.

Diário de Notícias
DN/Lusa
10 Novembro 2022 — 08:14



 

Passe-se o que se passar em África ou na Ásia, o que importa “é proteger os mais vulneráveis”

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/PROTECÇÃO

Num ano, o vírus SARS-CoV-2 evoluiu de tal forma que deu ao mundo mais uma nova variante e cinco sub-variantes, cada uma mais transmissível do que a outra. O que se vai passar a seguir e de onde podem surgir novas ameaças, o investigador do Instituto de Medicina Molecular Luís Graça diz ser incerto. Por agora, sabe-se que a existência de vacinas com elevada efectividade contra a doença grave e morte atenuou o investimento nas vacinas de quarta geração, destinadas à transmissão.

China é dos países que mantém uma política de eliminação da circulação do vírus, sendo o objectivo atingir os zero casos, a qual para o mundo ocidental é “inviável”.

O ano de 2022 começou com o mês de Janeiro a ultrapassar os 62 mil casos de covid-19. Nada que não tivesse sido previsto pelos analistas um mês antes.

Mas este início de ano pouco ou nada teve a ver com o início de 2021, em que o país ultrapassava os 12 mil casos, com mais de 900 doentes a necessitarem de cuidados intensivos e 300 óbitos por dia. A única diferença de um cenário para o outro, dizem os especialistas, não foi a mutação do vírus, mas a vacinação.

O médico imunologista e investigador do Instituto de Medicina Molecular (iMM) Luís Graça explica ao DN: “Ao longo da pandemia temos vindo a assistir a uma progressiva evolução do vírus, que sofre mutações e as quais vão sendo cada vez mais competitivas, acabando por estar mais representadas na comunidade.

Daí o surgimento de variantes cada vez mais transmissíveis, que conseguem entrar no sistema imunitário de populações não-vacinadas ou vacinadas.”

Neste momento o que se está a verificar é o aparecimento de novas sub-variantes da variante Ómicron.

Aliás, no espaço de um ano pode dizer-se que apareceu uma nova variante, a Ómicron, detectada na África do Sul, que destronou a anterior, a Delta, identificada na Índia, e mais seis sub-variantes desta, todas consideradas de interesse para investigação, cada uma mais transmissível do que a outra, nomeadamente a BA.1, a BA.2 e a BA.5, e recentemente a BQ1 e a BQ1.1, originárias da BA.5, e a XXB, detectada em Singapura, originária da BA.2.

A boa notícia “é que a transmissibilidade maior destas variantes não parece ser acompanhada de doença mais grave”, sustenta Luís Graça.

Embora o aparecimento destas seja recente, com muito pouco tempo de análise, “o que se nos apresenta é que a protecção conferida pela vacinação não é menor para estas sub-variantes do que tem sido em relação às anteriores, sobretudo no que toca à doença grave e à morte, o que, no fundo, é o principal objectivo da estratégia de vacinação neste momento”, sublinha.

Em relação a Portugal, e como têm vindo a registar os relatórios da Direcção-Geral da Saúde e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), há já uma sub-variante a ganhar vantagem à BA.5, que é a BQ1.1, e neste momento a sua circulação na comunidade é da ordem dos 35%, mas até ao final do mês poderá chegar até aos 50%.

Luís Graça destaca mesmo que em “outros países europeus, como em França, a sua representação já é bem mais elevada”.

Taxa de circulação do vírus irá manter-se elevada

Mas face ao aparecimento de tantas sub-variantes este ano e a possíveis novas ameaças que a evolução do SARS-CoV-2 ainda pode trazer ao mundo, o imunologista considera que, independentemente do que se passar em África ou na Ásia, de onde vieram as últimas variantes, o que é importante, reforça, “é garantir que a população mais vulnerável está protegida, nomeadamente com a vacinação inicial e reforços, uma vez que está demonstrado que as vacinas continuam a ser um excelente instrumento contra doença grave e morte”.

Recentemente a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou o mundo, mais uma vez, para possíveis novas ameaças da mutação do vírus, já que foi detectado haver países que pararam a vacinação.

Na altura, países africanos, como a Nigéria, foram citados como exemplo, mas o investigador principal do iMM mantém ao DN que, “independentemente do que se passar no exterior, e ao qual nós não estamos imunes, o vírus manterá uma elevada taxa de circulação no nosso país, não sendo expectável que esta taxa de circulação venha a desaparecer, logo é preciso que as pessoas mais susceptíveis a complicações com esta infecção tenham o máximo de protecção”.

Por outro lado, e do ponto de vista clínico, também já se sabe mais como lidar com a doença, pois ao longo destes dois anos foram sendo testadas várias terapêuticas, existindo agora “uma diversidade de medicamentos que oferecem uma boa efectividade no tratamento da doença”.

Olhando para o mundo, a China continua a ser dos poucos países, senão mesmo o único, a manter uma política de eliminação da circulação do vírus, o que, diz Luís Graça, “é uma medida que, perante as variantes em circulação, seria inviável no nosso país ou em qualquer outro do mundo ocidental”. E isto porque o pensamento científico também mudou.

“Inicialmente, quando o vírus em circulação era o original, acreditava-se que haveria a oportunidade de se trabalhar no sentido de se obter um impacto muito significativo na diminuição da sua circulação, sobretudo se se abrangesse uma grande parte da população com a vacinação, mas com o surgimento de novas variantes, cada uma com maior capacidade de transmissão do que a outra, isso não será possível.”

Daí que “as estratégias de vacinação continuem a ser dirigidas sobretudo para a protecção das populações mais vulneráveis em relação à doença grave”.

Isto fez também com que o entusiasmo lançado precisamente há um ano em relação à investigação sobre as vacinas de quarta geração, dirigidas à transmissão, para se mitigar a circulação do vírus, e que poderiam chegar ao mercado a meio deste ano, também tivesse sido atenuado.

O especialista em vacinas justifica: “Continua a haver investigação com novos formatos de vacinas e novas estratégias de vacinação que ainda podem ter um impacto maior na transmissibilidade, contudo o facto de terem surgido variantes com uma transmissibilidade muito elevada veio tornar este objectivo mais difícil, porque o que se alcançou foi a evidência de que as vacinas já existentes, apesar de não terem impacto na transmissibilidade, têm uma efectividade muito elevada na protecção contra doença grave.”

Desta forma, “tem sido possível manter a população vulnerável protegida”. “Estas vacinas, bem como algum desenvolvimento na terapêutica, têm permitido que pessoas com doenças imunitárias de base respondam melhor às consequências mais graves da infecção.”

Por isso, confirma, “o facto de estas vacinas serem muitos eficientes contra a doença grave e óbitos, aliado à maior transmissibilidade das novas variantes, atenuou o entusiasmo quanto ao investimento em estratégias centradas nas vacinas que poderão actuar na transmissão predominantemente”.

Esta semana Portugal ultrapassou os mais de 5,72 milhões de infecções por SARS-CoV-2.

E, ao longo de quase três anos, o país tem seguido a estratégia definida no mundo ocidental e pela própria União Europeia no sentido de mitigar a transmissibilidade e as complicações da doença nas pessoas mais vulneráveis, mas foi dos poucos países, senão mesmo o único, que conseguiu alcançar a mais elevada adesão da população ao esquema vacinal primário e até de reforço, que já atingiu os 50% de cobertura na segunda dose de reforço da população elegível, acima dos 60 anos.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
06 Novembro 2022 — 00:03



 

“Não há razão para alarme, mas autoridades têm de acautelar planos de contingência”

– Com o aumento de infecções de Covid-19 não há razão para alarme? Quando se deixou de usar máscara nos transportes públicos, nos supermercados, na rua, nas ramboiadas, etc.? Líricos…!

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19

Portugal tem menos infecções por SARS-CoV-2, mas só porque as regras mudaram e há menos testagem. De qualquer forma, o professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Carlos Antunes, chama a atenção para o facto de a situação no nosso país ser diferente da de outros países: a cobertura vacinal é superior e isso dá mais alguma protecção.

– Portugal com 5.920 casos e 53 mortes por covid-19 entre 25 e 31 de Outubro.

Vacinação com dose de reforço~já foi dada a mais de 50% da população elegível, na faixa dos mais de 80 anos já há 66% vacinada.

Portugal já atingiu os 5,72 milhões de infecções por SARS-CoV-2 desde o início da pandemia. Neste momento, e com os dados actualizados ao dia 2 de Novembro pela plataforma Our World in Data, a incidência registada indicava 157,27 casos por milhão de habitante.

Embora, e como destaca ao DN o professor Carlos Antunes, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que integra a equipa que faz a modelação da evolução da doença, tal incidência não seja representativa da realidade. Carlos Antunes explica ainda que o estarmos a registar menos casos “não significa que haja menos circulação do vírus.

Pelo contrário, esta continua elevada. O que significa é que as regras mudaram e por isso não temos um espelho da realidade, que é bem diferente da que está a ser reportada”.

Mas não somos o único país em que tal está a acontecer dentro do quadro europeu. No Reino Unido, Espanha, Holanda, Suécia, Dinamarca e até mesmo nos países Bálticos deixou de haver uma vigilância da doença pelo indicador mais directo, o da incidência. Tudo porque os Estados decidiram abandonar a estratégia de testagem massiva.

Por isso mesmo, e se olharmos para os dados da mesma plataforma internacional, veremos que o Reino Unido regista 90,92 casos por milhão de habitante, a Espanha 76,24, a Noruega 22,53, a Suécia 44,57 e a Dinamarca 129,52.

A excepção são países como a Itália, que tem 504,52 casos por milhão de habitante, a Alemanha, com 436,41, e França, com 297,11, mas estes “mantiveram a estratégia de testagem e até impuseram medidas restritivas para fazer face a uma nova onda vivida entre Setembro e Outubro, que já está controlada nesta altura”.

A nível mundial, a região com maior número de casos por milhão de habitante está na China, Taiwan, com 1.340,72 casos, seguem-se depois países como a Nova Zelândia, com 1.013,86 casos por milhão de habitante, e a Coreia do Sul, com 788,98. O Japão tem 374,73, a Austrália 189,46 e os EUA 106,89.

Em relação a Portugal, o professor assume que mantém a análise dos dados fornecidos pela Direcção-Geral da Saúde, embora admita que estes “tenham deixado de ser representativos, porque a vigilância é feita agora através dos internamentos, não tanto pelo que acontece nas enfermarias, mas mais nos cuidados intensivos, e dos óbitos”, salienta.

Ou seja, “não é feita a partir de indicadores directos, mas de indicadores secundários”. E, por isso mesmo, Carlos Antunes alerta para o facto de Portugal manter nas últimas semanas uma mortalidade que considera “robusta”.

“Tivemos um mínimo de um a seis óbitos por dia, mas agora a média é de nove por dia e de nove por milhão de habitante, o que considero ser um indicador muito robusto, porque os critérios de classificação por covid-19 se mantêm e isto dá-nos uma ideia de transmissibilidade nas faixas etárias mais idosas, que são as que acabam por falecer. Se este indicador revela um aumento, significa que a incidência também aumentou, pelo menos em Outubro.”

Portugal teve onda ligeira de casos em Outubro

Aliás, de acordo com a análise da equipa da Faculdade de Ciências, “em Setembro verificou-se um aumento abrupto de incidência nas faixas etárias mais jovens, o que significa que mais tarde iria atingir outras faixas, mas em Outubro houve um corte abrupto também na incidência, quase de um dia para o outro passámos para um terço dos casos, fruto das novas regras”.

Mas a consequência do aumento da incidência em Setembro fez-se no mês seguinte, através de “um aumento de internamentos nos cuidados intensivos e da mortalidade, que ainda se continua a verificar”.

Carlos Antunes refere que desta forma pode dizer-se que “o país já voltou a viver uma nova onda, não na dimensão que registaram países como França, Alemanha e Áustria, mas uma onda ligeira”.

Agora atravessa a fase em que a BA.5 está a deixar de ser preponderante para se passar à dominância da BQ.1.1, podendo “atingir os 50% no final do mês”.

Em relação ao que é expectável, o professor revela que “não há razão para alarme ou para preocupação, mas é preciso que as autoridade acautelem planos de contingência e reforço do sistema de saúde caso seja necessário, com recomendações ou até medidas de confinamento ligeiro.”

Embora sublinhe que Portugal tem “uma situação ligeiramente diferente da de outros países europeus, devido à sua elevada cobertura vacinal, o que também nos dá maior protecção contra a doença grave e morte”.

E exemplifica: “Basta olhar para a taxa de ocupação dos cuidados intensivos, que nesta altura está em cerca de 13% em relação à média definida para as 255 camas.

É claro que esta varia também de região para região, sabendo nós que o Norte está com uma ocupação de 17%, o Centro de 20%, Lisboa e Vale do Tejo com 11%, o Alentejo com 0% e o Algarve com 9%.” No mesmo país, “diferentes realidades, mas deste ponto de vista pode dizer-se que temos uma situação controlada e que não há pressão da covid-19 sobre o SNS”.

Quanto ao futuro, o analista vinca que estamos a entrar no inverno e “numa situação de nevoeiro cerrado, porque a dificuldade de projectar o que aí vem é ainda mais difícil sem vigilância da incidência.

Agora o que é possível perceber é que o vírus continua a modificar-se de uma forma rápida, mas que, e progressivamente no tempo, a humanidade também vai reforçando o seu sistema imunitário”.

E isto faz-nos poder “acreditar que a possibilidade de surgir uma nova variante com um nível patogénico bastante mais agressivo não se confirme”.

Retrato da situação

Infecções
O último Boletim da Direcção-Geral da Saúde, publicado nesta sexta-feira, dia 4, à noite, indica que entre os dias 25 e 30 de Outubro Portugal registou 5920 infecções por SARS-CoV-2, menos 1736 do que na semana anterior, com dias, como 31 de Outubro, a registarem apenas 325 – uma dos números mais baixos dos últimos meses. De acordo com o Boletim, o país está assim com uma média de 57 infecções diárias por 100 mil habitantes e com um R(t) – índice de transmissibilidade – bem abaixo de 1, precisamente 0,87.

Internamentos
Num dos indicadores que agora sustenta a monitorização da doença – os internamentos -, a situação parece estar controlada. Neste mesmo período foram contabilizados 525 internamentos, mais 37 do que na semana anterior, mas apenas 34 em Unidades de Cuidados Intensivos, menos um do que na semana anterior. Relativamente a óbitos, foram registados 53, mais seis do que na semana anterior.

Vacinação
O Boletim indica também que 66% da população com mais de 80 anos e elegível para a quarta dose, segundo reforço, já foi vacinada. Na faixa etária entre os 65 e os 79 anos esta percentagem é de 51%.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
06 Novembro 2022 — 00:05



 

593: Sem testes gratuitos e isolamento pago é difícil conter transmissão, mas hospitais estão preparados

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19

O que aí vem ninguém sabe, mas há uma expectativa. E esta é: mesmo que a infecção por SARS-CoV-2 se mantenha elevada, o impacto da doença covid-19 será muito menor do que no início de 2021, quando ainda não havia vacinação. Neste momento, nos hospitais a preparação para eventuais surtos é permanente, mas a saúde pública alerta: “É preciso vigilância mais apertada no número de casos.” Reuniões do Infarmed regressam dia 11.

Portugal e outros países que deixaram estratégia de testagem massiva registam agora menos casos por milhão de habitantes.

Quase três anos depois e com mais um inverno à porta, regressa a imprevisibilidade em relação à infecção pelo vírus que invadiu o mundo a partir da China, no final de 2019 – o SARS-CoV-2. Sobretudo porque não há garantias de que não apareçam novas variantes que substituam a Ómicron, dominante desde o início deste ano em todo o mundo, ou novas sub-variantes desta.

Sobre as que apareceram recentemente, a BQ1 e a BQ1.1, identificadas na Nigéria, e que estão a substituir a BA.5, ainda pouco se sabe quanto ao seu impacto.

Até agora, a percepção que existe é a de que estas sub-variantes podem ser mais transmissíveis do que as anteriores, mas menos agressivas na doença grave e com protecção das vacinas que existem. E esta é também a esperança de quem está no terreno, na saúde pública, a gerir hospitais e na medicina intensiva.

Ao DN, o diretor clínico do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), que inclui os Hospitais de Santa Maria e Pulido Valente, assume a imprevisibilidade: “O que aí vem ninguém sabe”, mas em termos de preparação “já estamos permanentemente, desde há quase três anos”. Luís Pinheiro diz até que, na sua opinião, “a nível de unidades hospitalares há uma preparação global muito maior”.

O presidente do Colégio da Especialidade de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos, José Artur Paiva, concorda que “o país está mais preparado nesta área” e que “mau seria se não fosse assim”, depois do “curso intensivo que tivemos nos primeiros dois anos”, mas o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP) alerta para o facto de ser esperado um aumento significativo de infecções e de eventuais surtos – como destacou também, na semana passada, a própria Organização Mundial de Saúde, pedindo aos países que se preparassem -, e o que está a acontecer é que

“Muitas pessoas positivas não se testam nem cumprem isolamento”, fazendo com que não haja um retrato real da infecção no país e que a transmissão aumente.

Por isso mesmo pede ao governo que defina orientações e directrizes e que faça regressar medidas como a testagem e o apoio ao isolamento.

Gustavo Tato Borges concorda que “o país tem muito mais experiência do que no início da pandemia para lidar com novos casos de covid-19. Não só ao nível da saúde, mas também do cidadão, tendo em conta o conhecimento e os hábitos que se adquiriram.

Portanto, está melhor preparado para lidar com a situação no caso de poderem existir novos surtos”, mas relativamente à área da saúde pública “é fundamental uma monitorização mais apertada dos casos, que deixou de existir com o fim do estado de alerta.

Não é voltarmos a ter de contactar telefonicamente todos os infectados, mas é voltarmos a ter mais facilidade no diagnóstico. Ou seja, precisamos que a população volte a ter testes gratuitos disponíveis nas farmácias para ter o diagnóstico rapidamente”, diz.

Acrescentando: “Não existindo isto, então que se comece a fazer a vigilância da carga viral da covid-19 nas águas residuais, que é um indicador extremamente importante para se perceber a circulação do vírus e o impacto que a infecção poderá ter ao nível da doença e da sua gravidade.”

Desta forma, explica ao DN, “poderemos estar mais tranquilos. Ou seja, se ficarmos a saber que não há uma carga viral elevada nas águas residuais e que os internamentos não estão a aumentar, quer dizer que a situação está controlada.

Mas se houver uma carga viral elevada nas águas residuais e os internamentos a aumentar, então teremos de fazer alguma coisa rapidamente para impedir a circulação do vírus na comunidade”.

Por outro lado, o médico argumenta ser também fundamental a manutenção do isolamento dos casos positivos com o respectivo apoio, salário pago a 100% durante os cinco dias.

“A maior parte das pessoas não se testa porque não arrisca a que lhe digam que tem de ficar em casa. Muitas já ganham tão pouco que não podem ganhar menos e passam à frente deste crivo quando o isolamento de cinco dias continua a ser muito importante.”

E explica porquê: “Não podemos pensar só no caso das empresas. Temos de pensar também nos lares e em outras instituições que lidam com idosos ou com pessoas mais vulneráveis, porque os seus funcionários também irão trabalhar positivos.

Há uns que são assintomáticos, e já escapam ao controlo, os outros não arriscam ficar em casa, podendo estar a contaminar as pessoas mais vulneráveis. E será difícil não haver disseminação da transmissão.”

Se não continuamos a monitorizar “a incidência da doença, não sabemos o número de infecções reais que temos e não sabemos em que ponto estamos.

Se não continuamos a monitorizar “a incidência da doença, não sabemos o número de infecções reais que temos e não sabemos em que ponto estamos. O que estamos a fazer é a monitorizar os internamentos gerais, enfermarias e cuidados intensivos, e os óbitos.

Esperemos que não se comece a tomar medidas só quando os internamentos atingirem níveis preocupantes”, frisa, reforçando mais uma vez que “uma medida restrita só tem efeitos entre três a quatro semanas. Primeiro baixam os casos, depois os internamentos, e só depois os óbitos”.

Neste momento, destaca Gustavo Tato Borges, “desconhece-se quais são as medidas que estão pensadas pelo governo e pelas autoridades de saúde para este inverno. Mas é importante que haja um plano de vigilância e orientações que sejam divulgados, porque as que existem são do tempo do estado de alerta em vigor e estão desactualizadas”.

Isto porque, apesar de haver sempre imprevisibilidade, nos anos anteriores havia muitas medidas que permitiam “mitigar a transmissão da infecção, agora não”. Nesta quinta-feira, o ministro da Saúde anunciou que as reuniões do Infarmed, entre governo e peritos, regressam dia 11.

Os dados divulgados pela plataforma internacional, Our World in Data revelam que Portugal não regista das piores situações no quadro europeu, sobretudo em relação a países como Alemanha, França e Itália. Mas há uma diferença enorme. Estes países mantêm a testagem massiva, daí que consigam identificar maior número de casos e ter maior vigilância através da incidência. Espanha está melhor do que Portugal, mas tem as mesmas regras.

Hospitais preparados para eventuais surtos

Em relação às unidades hospitalares, os circuitos separados para doentes respiratórios e não respiratórios mantêm-se, mas há algumas alterações na gestão de camas e de recursos.

Como explica o director clínico do CHULN, Luís Pinheiro, “os circuitos separados mantêm-se, os doentes não circulam misturados, seja no espaço da urgência, de enfermaria ou em áreas comuns, mas há maior flexibilidade na gestão dos recursos e dos espaços”.

Ou seja, “a filosofia do início da pandemia que levou à criação de enfermarias estritamente dedicadas a doentes com covid-19 mudou completamente e o que fazemos agora é colocar os doentes positivos em espaços próprios, naturalmente separados dos outros, mas nas enfermarias em que devem tratar a sua doença base, porque a realidade dos últimos meses é que o facto de um doente estar positivo para a infecção SARS-CoV-2 não significa que tenha covid-19. Foi internado por outra patologia e testou positivo”.

Isto mesmo está a ser feito em Santa Maria e em muitas outras unidades. A prioridade agora é tratar os doentes que tiveram de entrar no hospital porque tiveram um AVC ou outra situação nas áreas correspondentes, embora dentro destas enfermarias haja salas para doentes positivos e salas para os outros doentes. Luís Pinheiro salienta: “Não temos um número de camas alocadas e vazias à espera de doentes com covid-19, como havia anteriormente. Isso hoje seria um desperdício.

O que temos é um modelo de organização mais flexível e mais ágil, que adaptaremos conforme a evolução da pandemia, reconvertendo salas de enfermarias para que os doentes se mantenham separados dos outros mas tenham o tratamento adequado à sua patologia.”

“Não temos um número de camas alocadas e vazias à espera de doentes com covid-19, como havia anteriormente. Isso hoje seria um desperdício.

A sua expectativa é de que, embora possa “haver um aumento de transmissão da infecção, o que é natural, e um maior número de doentes a testar positivo e doentes internados com covid-19, o impacto desta seja significativamente menos grave do que foi no passado, não só pelas característica do vírus, mas também pela vacinação da população com doses de reforço, como está a ser feito agora”.

Por exemplo, nesta semana a instituição que dirige tinha “um doente com covid internado em UCI, mas até há muito pouco tempo não tínhamos nenhum.

Nas enfermarias temos cerca de 30 positivos, mas, como digo, estes não são sinónimo de doença – a maioria, cerca de 60% a 65%, testou positivo à covid e tem de estar separado dos outros, mas a tratar as suas doenças originais”. Um número que diz “manter-se estável desde há várias semanas”.

Como médico, reforça que “o que aí vem nenhum de nós sabe. Há sempre uma incógnita em relação ao vírus e às variantes ou sub-variantes que venham a predominar”. E isto é o que o incomoda mais, embora tenha “a expectativa de que se passe a viver mais com a infecção pelo SARS-CoV-2 do que com a covid-19”.

Esta será mais uma que deverá “fazer parte do conjunto de patologias infecciosas respiratórias com as quais já lidamos e a fazer parte da rotina que é a nossa resposta clínica, para lidarmos com a doença de forma mais organizada e menos dramática”.

UCI. Há camas instaladas mas não activas por falta de recursos

O presidente do Colégio da Especialidade de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos, José Artur Paiva, concorda que, nesta altura, “o país está mais preparado para lidar com a covid-19 nesta área do que no início de 2020”. E isto porque “se saltou de 620 camas, no final de 2019, para 860”.

Assim, “há uma capacitação muito significativa dos cuidados intensivos”, mas alerta que ainda “há camas instaladas que não estão activas por falta de recursos humanos, sobretudo de enfermeiros, e, como se sabe, um médico ou um enfermeiro para esta área não se forma em duas semanas. Este é um problema que convém resolver a breve prazo”.

José Artur Paiva recorda que a capacitação que a pandemia trouxe à medicina intensiva fez “com que se aumentasse o número de camas e melhorou também a capacidade em termos de quartos de isolamento”. Por isto, e por todo o saber, ou melhor, “pelo curso intensivo que ganhámos nestes quase três anos, mau seria se os hospitais não estivessem preparados”.

Na sua opinião, “os profissionais estão mais conscientes e ganharam conhecimento da doença e de como a tratar, o que é muito importante comparado com o que vivíamos em Março e em Abril de 2020”, destacando ainda que, “do ponto de vista de capacidade das unidades de medicina intensiva e de quartos isolados, estamos agora perto da média europeia, quando naquela altura éramos dos piores países”.

Ao olhar para o próximo inverno, o presidente do colégio da especialidade espera que na área da medicina intensiva este possa ser “encarado de uma forma significativamente diferente dos dois Invernos anteriores”.

Isto é, em termos de organização, “mais do que ter áreas de cuidados intensivos divididos para doentes com covid-19 e não covid, parece-me mais importante que o doente seja internado nas áreas adequadas à sua patologia”, defende, explicando: “Um doente que precisa de cuidados críticos porque teve um AVC ou uma hemorragia cerebral deve ir para a área onde são fornecidos os cuidados neuro-críticos, o mesmo em relação a doente com traumatismo grave, e nestas áreas devem ser usados os quartos de isolamento que permitam a prevenção da transmissão da infecção.”

“Depois de dois anos em que o nosso contacto com o vírus influenza foi muito baixo, os quadros de gripe podem assumir uma gravidade acima daquilo que era normal no período pré-pandémico”.

À partida, reforça também, o próximo inverno será “um pouco imprevisível”. E por dois factores. Por um lado, porque “a percepção que se tem agora das novas sub-variantes é a de que são mais transmissíveis mas provocam menos doença grave, nomeadamente às pessoas que não têm quadros de imunodeficiência e que realizaram o suporte vacinal, mas, repito, ainda não temos certezas”.

Por outro lado, não sabemos como se irá comportar o vírus da gripe. “Depois de dois anos em que o nosso contacto com o vírus influenza foi muito baixo, os quadros de gripe podem assumir uma gravidade acima daquilo que era normal no período pré-pandémico, havendo ainda todos os outros agentes respiratórios de infecção vírica ou bacteriana.

E em termos de medicina intensiva esta é uma fase do ano em que há claramente uma procura de camas de UCI mais elevada.” No entanto, “a expectativa não é muito pessimista em relação a casos graves de covid-19”.

O DN contactou há uma semana autoridades da saúde nacional, nomeadamente a Direcção-Geral da Saúde, para saber qual a situação real que se vive no país, comparando-a com outros países europeus, assim como que plano de vigilância está a ser preparado para este inverno, que recomendações vão ser feitas e em que pé está o projecto de vigilância em simultâneo covid-19/gripe. Até ao fecho desta edição não obteve respostas.

Presidente da ANMSP pede para que Governo mantenha obrigatoriedade de máscara nos serviços de saúde, senão será difícil conter transmissão

Cuidados a ter

Unidades de Saúde

O presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública recomenda que o Governo mantenha a obrigatoriedade do uso de máscara nos serviços de saúde, senão o contágio será inevitável nestas situações. Gustavo Tato Borges diz saber que há ACES em que os médicos de família ainda usam acrílicos como separadores e viseiras, e que estas devem ser mantidas para se protegerem a eles próprios.

População

Em relação aos utentes, o primeiro conselho vai para aqueles que estão a ser chamados para a dose de reforço. “Façam-na rapidamente, quanto mais depressa tivermos uma cobertura vacinal adequada com esta dose de reforço mais depressa poderemos ter uma protecção acrescida na população”.

Sintomas

É preciso que cada um de nós esteja atento aos sintomas e que não os menospreze. Se estiver com um quadro de sintomas respiratórios é importante que imediatamente – sendo a mais adequada para proteger os outros a SP2, que é de bico de pato, e não tanto a cirúrgica. Quando se está com sintomas deve evitar-se visitar pessoas vulneráveis e contactar com outras de forma prolongada.

Ventilação

Apesar de se estar a entrar na época do frio é muito importante a ventilação, em casa, empresas e até mesmo em locais de convívio deve abrir-se regularmente as janelas os espaços onde estamos a trabalhar ou a conviver voltando a fechar para permanecer.

Teletrabalho

O médico relembra ainda: “Sempre que se puder recorrer ao teletrabalho, deve fazer-se. É a forma de se poder minimizar a disseminação da doença”. É que há sempre alguém mais vulnerável, que mesmo com a vacinação, poderá pagar um preço mais elevado.

Gustavo Tato Borges diz que os últimos dois anos foram “um período estranho da nossa vida, mas o teletrabalho, o uso de máscara e o arejamento dos espaços devem passar a ser coisas comuns do nosso dia”.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
05 Novembro 2022 — 00:16



 

590: Portugal com 5.920 casos e 53 mortes por covid-19 entre 25 e 31 de Outubro

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTOS

Registaram-se menos 1.736 casos de infecção e mais seis mortes em relação à semana anterior.

DN/Lusa
04 Novembro 2022 — 19:25

Portugal registou, entre 25 e 31 de Outubro, 5.920 infecções pelo coronavírus SARS-CoV-2, 53 mortes associadas à covid-19 e um novo aumento dos internamentos, indicou esta sexta-feira a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Segundo o boletim epidemiológico semanal da DGS, em relação à semana anterior, registaram-se menos 1736 casos de infecção, verificando-se ainda mais seis mortes na comparação entre os dois períodos.

Quanto à ocupação hospitalar em Portugal continental por covid-19, a DGS passou a divulgar às sextas-feiras os dados dos internamentos referentes à segunda-feira anterior à publicação do relatório.

Com base nesse critério, o boletim indica que, na última segunda-feira, estavam internadas 525 pessoas, mais 47 do que no mesmo dia da semana anterior, com 34 doentes em unidades de cuidados intensivos, menos um.

De acordo com o boletim da DGS, a incidência a sete dias estava, na segunda-feira, nos 57 casos por 100 mil habitantes, tendo registado uma redução de 23% em relação à semana anterior, e o índice de transmissibilidade (Rt) do coronavírus baixou para 0,87.

Por regiões, Lisboa e Vale do Tejo registou 2.300 casos entre 25 e 31 de Outubro, menos 210 do que no período anterior, e 19 óbitos, menos quatro.

A região Centro contabilizou 823 casos (menos 1.261) e 13 mortes (mais seis) e o Norte totalizou 1.440 casos de infecção (menos 207) e 12 mortes (menos três).

No Alentejo foram registados 292 casos positivos (mais 25) e seis óbitos (mais cinco) e no Algarve verificaram-se 220 infecções pelo SARS-CoV-2 (menos 85) e uma morte (mais uma).

Quanto às regiões autónomas, os Açores tiveram 247 novos contágios nos últimos sete dias (menos dois) e nenhuma morte, enquanto a Madeira registou 598 casos nesse período (mais quatro) e dois óbitos (mais um), de acordo com os dados da DGS.

Segundo o relatório, a faixa etária entre os 60 e os 69 anos foi a que apresentou maior número de casos a sete dias (1.151), seguindo-se a das pessoas entre os 70 e os 79 anos (912), enquanto os jovens dos 10 aos 19 anos foram o grupo com menos infecções nesta semana (188).

Dos internamentos totais, 206 foram de idosos com mais de 80 anos, seguindo-se a faixa etária dos 70 aos 79 anos (131) e dos 60 aos 69 anos (82).

A DGS contabilizou ainda oito internamentos no grupo etário das crianças até aos 9 anos, seis dos 10 aos 19 anos, 12 dos 20 aos 29 anos, 14 dos 30 aos 39 anos, 14 dos 40 aos 49 anos e 34 dos 50 aos 59 anos.

O boletim refere também que, nestes sete dias, morreram 40 idosos com mais de 80 anos, sete pessoas entre os 70 e 79 anos, três entre os 60 e 69 anos e outras três entre 50 e 59 anos.

Os dados indicam ainda que 66% dos idosos com mais de 80 anos já recebeu a vacina de reforço sazonal contra a covid-19, percentagem que baixa para os 51% no grupo entre os 65 e 79 anos.

Quanto à vacina da gripe, a DGS refere que já foi administrada a 70% dos idosos com mais de 80 anos e a 50% das pessoas do grupo etário entre os 65 e 79 anos.

Diário de Notícias
DN/Lusa
04 Novembro 2022 — 19:25



 

587: Portugal pode estar com mais de 2 mil casos diários de covid-19, muito acima dos 735 oficiais

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES

Para o epidemiologista Manuel Carmo Gomes, desde que a linha SNS 24 deixou de prescrever testes de despiste da covid-19, na sequência do fim da situação de alerta em Portugal a 1 de Outubro, os dados de incidência no país “estão longe de representar a realidade”.

O epidemiologista Manuel Carmo Gomes
© D.R.

Os últimos dados oficiais indicam que Portugal regista uma média de 735 infecções diárias pelo coronavírus SARS-CoV-2, mas o epidemiologista Manuel Carmo Gomes alerta que o número real de casos pode ser cerca de três vezes superior.

“No que respeita ao número de novos casos, devemos estar acima de 2.000 por dia, no mínimo”, disse à Lusa o professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O último relatório do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), divulgado na quinta-feira, estima que o número médio de casos a cinco dias está nas 735 infecções diárias a nível nacional, baixando para as 619 no continente.

Para Manuel Carmo Gomes, desde que a linha SNS 24 deixou de prescrever testes de despiste da covid-19, na sequência do fim da situação de alerta em Portugal em 1 de Outubro, os dados de incidência no país “estão longe de representar a realidade”.

“Presentemente apenas conhecemos resultados de testes realizados em meio hospitalar e de pessoas que se deram ao trabalho de obter receita médica para se testar”, alertou o especialista, para quem essa redução dos despistes das infecções está a comprometer a monitorização atempada da pandemia em Portugal.

Perante as alterações na testagem, o “guia” sobre a situação da covid-19 no país passou a ser os números de hospitalizados e de mortes, indicadores que “chegam a ter semanas de atraso em relação ao número de casos”, explicou o epidemiologista.

Além disso, o desconhecimento de “quantos casos ocorrem de uma doença diminui a percepção do risco” entre a população, sublinhou ainda Carmo Gomes.

“Uma doença infecciosa que se propaga silenciosamente tira partido da ausência de medidas que poderiam retardar o seu avanço e, quando finalmente nos apercebemos que a carga de doença na população é já elevada, torna-se mais difícil reverter a sua propagação”, salientou ainda o professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O epidemiologista admite que o número de infecções possa estar ainda a subir em Portugal, tendo em conta que se verifica uma “leve tendência crescente” de pessoas hospitalizadas devido à covid-19.

“Durante Setembro e parte de Outubro tivemos menos de 400 camas ocupadas em enfermaria covid-19. Agora estamos com quase 500 camas”, alertou Manuel Carmo Gomes, ao adiantar que as mortes se mantiveram “muito tempo em cinco e seis por dia, mas nos últimos dias a média subiu para 7,6 óbitos”.

“Esperemos que esta tendência não se confirme, mas temos de aguardar mais uns dias para saber”, disse.

Um dos factores de incerteza sobre a evolução da covid-19 tem a ver com o facto de, nos últimos meses, a variante Ómicron se ter desdobrado em numerosas sub-variantes, que “têm em comum possuir mutações que lhes permitem fugir aos nossos anticorpos”, disse o especialista.

“Para já não existe evidência (prova) de que sejam mais patogénicas do que as primeiras Ómicron (BA.1, BA.2 e BA.5), mas ainda sabemos muito pouco sobre o seu significado clínico”, salientou Carmo Gomes.

O especialista adiantou que as próximas semanas serão decisivas para perceber se a circulação destas novas sub-variantes, combinadas com a chegada do tempo frio a Portugal, vai contribuir para uma eventual subida dos casos e de hospitalizações.

França foi o primeiro país europeu onde a “BQ.1 ultrapassou a fasquia dos 50% entre os casos e, para já, não existe evidência de maior patogenicidade”, sublinhou o epidemiologista.

“Sem dúvida que todos os que se preocupam com a dinâmica da covid e a saúde pública, gostariam de voltar a ter notificações que sejam mais representativas do verdadeiro número de casos”, afirmou Manuel Carmo Gomes.

Com a decisão do Governo de não renovar a situação de alerta, cessou a vigência de diversas leis, decretos-leis e resoluções aprovadas no âmbito da pandemia, alterações que influenciaram a “vigilância de base populacional e consequente interpretação dos indicadores” da covid-19, reconheceram recentemente a Direcção-Geral da Saúde e o INSA.

Na prática, além do isolamento deixar de ser obrigatório, os testes à covid-19 deixaram de ser prescritos através do SNS24 e passaram a ser comparticipados mediante prescrição médica, à semelhança de outras análises e meios complementares de diagnóstico.

Na quinta-feira, o ministro da Saúde, Manuel Pizarro, anunciou que vai decorrer no próximo dia 11 uma reunião de peritos para fazer um ponto de situação da covid-19 em Portugal.

Diário de Notícias
DN/Lusa
04 Novembro 2022 — 12:50