617: Zimbabué enviou satélite para o espaço apesar da grave crise económica

– “… Lançar um satélite quando a economia está fragilizada é estúpido. A pobreza aumentou nos últimos cinco anos. Não se pode comprar um carro quando a família está a morrer de fome“.

ZIMBABUÉ/POBREZA/SATÉLITE

O Zimbabué, país da África Austral que atravessa uma grave crise económica, entrou esta segunda-feira para o clube dos Estados com satélites no espaço, ao anunciar o envio do primeiro engenho da sua história.

Ilustração do foguetão que a bordo levou três CubeSats desenvolvidos pelo Zimbabué, Uganda e Japão, segundo informou a NASA.
© Twitter

O satélite é um pequeno bloco do tamanho de uma caixa de sapatos que vai tirar fotos da Terra e recolher dados.

“A História está a caminho. #ZimSat1 está no espaço!”, escreveu na rede social Twitter o porta-voz do Governo, Nick Mangwana, que saudou o feito como “um importante passo científico para o país”.

Um foguete partiu às 10:32 TMG (mesma hora em Lisboa) na Virgínia, nos Estados Unidos da América, uma carga com destino à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), levando a bordo três CubeSats desenvolvidos pelo Zimbabué, Uganda e Japão, confirmou a NASA.

“Os satélites tirarão fotos da Terra para recolha de dados de monitoramento do clima e desastres“, disse a agência espacial norte-americana também no Twitter, numa mensagem com uma foto dos pequenos centros de tecnologia, cada um decorado com a respectiva bandeira nacional.

As imagens recolhidas também permitirão distinguir o solo não arborizado e terras agrícolas e que podem ser usadas “para melhorar os meios de subsistência dos cidadãos do Uganda e do Zimbabué”, anunciou também a agência espacial norte-americana NASA num comunicado.

O Zimbabué está a trabalhar no projecto desde 2018, menos de um ano após a posse do Presidente Emmerson Mnangagwa, que sucedeu a Robert Mugabe e criou a Agência Nacional Geoespacial e Espacial do Zimbabué (Zingsa, no acrónimo em inglês).

Neste país assolado pela pobreza e com uma economia debilitada, o anúncio da colocação em órbita de um satélite provocou fortes reacções nas redes sociais. O custo do projecto não foi divulgado.

“Lançar um satélite quando a economia está fragilizada é estúpido. A pobreza aumentou nos últimos cinco anos. Não se pode comprar um carro quando a família está a morrer de fome”, escreveu nas redes sociais alguém que assina como @patriot263.

O Zimbabué está mergulhado numa profunda crise económica há 20 anos e continua a ser alvo de sanções internacionais.

Em Setembro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou novas previsões de crescimento em baixa, em particular devido à queda na produção agrícola.

Diário de Notícias
DN/Lusa
07 Novembro 2022 — 21:17



 

285: Há um novo satélite gigantesco em órbita. Os astrónomos estão perplexos

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/SATÉLITES

Não é boa a convivência entre os astrónomos e o projecto Starlink. Aliás, esta relação acabou de levar um novo sopapo depois do último lançamento do Falcon 9 da SpaceX.

No fim de semana passado, o foguetão transportou para o espaço mais satélites da sua rede Starlink. A rede tem já 2.200 em órbita. Contudo, foi também colocado em órbita o BlueWalker 3, um satélite de comunicações muito especial.

O BlueWalker 3 é, na verdade, um protótipo criado pela empresa americana AST SpaceMobile. O que está a deixar furiosos os astrónomos, é que quando estiver totalmente aberto e operacional, este gigante de 1.500 kg terá uma área de 64 metros quadrados. Mas o tamanho não é tudo… há pior!

Astrónomos estupefactos com o satélite

A empresa AST SpaceMobile lançou este prototipo para dar início ao que virá a ser num futuro próximo uma constelação de satélites de comunicações.

Segundo o projecto, alguns dos modelos finais (os ‘Bluebirds’) poderão mesmo ter o dobro do tamanho do Bluewalker 3. Portanto, poderão ocupar uma área de mais de 120 metros quadrados por cima da Terra.

Estamos a fala de um gigante. Segundo os seus criadores, este satélite é tão grande porque “para comunicar com um telefone de baixa potência e baixa força de sinal, é preciso uma antena grande numa ponta com muita potência, por isso é uma parte crítica da nossa infra-estrutura”.

A ideia, explicaram, é que a sua plataforma pode funcionar com os actuais smartphones sem que tenham de actualizar para novos componentes ou desenhos.

No entanto, numa órbita baixa da Terra um “mostro” destes com uma antena igualmente enorme… faz mossa!

O protótipo BlueWalker e as versões finais dos satélites 5G, chamados Bluebirds, serão colocados em órbita baixa terrestre (entre 220 e 340 km). A mudança é necessária para minimizar a distância que os utilizadores têm para ligarem os seus smartphones.

É uma estrela? É um planeta? Não, é o Bluewalker 3

Apesar de termos visto que o caminho das comunicações dos smartphones passarem pelos satélites, sejam para já só as de SOS, sejam no futuro mais algumas (ou até todas as comunicações), a verdade é que está aberta a caixa de Pandora.

Como tal, estes satélites precisam de estrutura e esse tamanho pode fazer com que seja confundido com corpos celestiais. Isso tem preocupado os astrónomos. John Barentine, astrónomo da Dark Sky Consulting, explicou à New Scientist que este satélite “poderá ser o objecto mais brilhante do céu, potencialmente mais brilhante do que o planeta Vénus”.

E parece ainda pior para os astrónomos. Não é apenas o seu tamanho, mas o poder das ondas de rádio que enviará para tais comunicações. Os astrónomos acreditam que poderá interferir com instrumentos que estudam o universo, mas este satélite é apenas o primeiro de muitos naquela constelação.

Se no passado recente houve já queixas sobre o que a constelação de SpaceX, porque os pequenos satélites Starlink brilhavam muito e criaram ruído que interferia com as observações dos astrónomos, imaginemos então uma constelação de gigantes de 120 metros quadrados a espelhar a luz!

Devemos limitar o tamanho dos satélites? Chris Johnson, um consultor sobre questões espaciais, disse que não existe qualquer regulamento que limite a dimensão máxima dos satélites, este lançamento poderia iniciar um debate sobre a questão.

Barentine, entretanto, explica que a comunidade astronómica aceita que haverá logicamente mais destes ao longo do tempo. O que eles querem, explica, “é uma coexistência pacífica”.

Pplware
Autor: Vítor M
16 Set 2022



 

175: Portugal: Tecnologia desenvolvida permite fazer satélites mais eficientes

CIÊNCIA/TECNOLOGIA ESPACIAL/PORTUGAL

As Universidades e Politécnicos de Portugal têm enormes provas dadas ao nível da investigação e não só. Recentemente, investigadores da Universidade de Aveiro (UA) comprovaram a eficiência de uma nova tecnologia usada em satélites.

Os investigadores conseguiram comprovar, ao fim de seis anos, a eficácia de um semicondutor de nitreto de gálio (gan).

Menor consumo energético dos satélites de telecomunicações = serviços mais baratos

A tecnologia desenvolvida em Aveiro “voou pelo espaço para provar que é possível fazer satélites mais eficientes, e está mais perto de substituir os transístores utilizados actualmente”, revelou a Instituição.

Nuno Borges, coordenador da equipa de investigação da UA…

O que ganhamos com isto a partir da Terra? Serviços mais baratos. Uma diminuição do consumo energético dos satélites de telecomunicações pode significar que os serviços por eles prestados diminuam de preço, ao haver uma rede de telecomunicações via satélite

Nuno Borges, investigador e docente do Departamento de Electrónica, Telecomunicações e Informática (DETI) da UA, está convicto que os sistemas tradicionais serão “completamente substituídos e poderão ser construídos com transístores de nitreto de gálio”.

O objectivo era “utilizar um inovador transístor com nitreto de gálio, um semicondutor usado para amplificar ou trocar sinais electrónicos, e testar se aquele material era mais resistente à radiação cósmica, que pode prejudicar o desempenho das operações espaciais”.

Nuno Borges revelou que a alteração nos sistemas “já está a acontecer para satélites de baixa órbita” e disse que “acontecerá em breve para outros sistemas e para alguns dos principais componentes de um satélite, como por exemplo os sistemas de telecomunicações”.

Já em 2013 um consórcio financiado pela Agência Espacial Europeia (ESA) levou nitreto de gálio para o espaço, a bordo do satélite Alphasat, utilizado num circuito electrónico, desenvolvido pelo Instituto de Telecomunicações (IT) da Universidade de Aveiro.

A Apple também está a desenvolver novos carregadores de energia baseados na tecnologia de nitreto de gálio. Esta evolução irá permitir que os carregadores sejam mais compactos e mais leves.

Pplware
Autor: Pedro Pinto
01 Set 2022


 

44: Satélites Starlink ameaçados pelos detritos causados na destruição de satélite russo

LIXO ESPACIAL/SATÉLITES

Há dias, uma organização criou um estudo para apurar a probabilidade de um ser humano ser morto por lixo espacial. Bom, cada vez existem mais detritos à volta da Terra e há um perigo maior de destruição de satélites operacionais.

No final do ano de 2021, a Rússia usou um míssil para destruir um satélite no espaço. Esta explosão do velho equipamento russo causou uma tempestade de detritos que poderá trazer consequências graves. Os satélites da Starlink estão em risco.

Estas conclusões foram apresentadas durante um evento da Secure World Foundation na Small Satellite Conference, no passado dia 8 de Agosto.

Destruição dos satélites trazem graves problemas

Detritos de uma demonstração russa de armas anti-satélite que causou uma “tempestade” de passagens próximas aos satélites no início deste ano está agora a afectar uma nova série de satélites Starlink. Quem o afirmou foi Dan Oltrogge, cientista chefe da COMSPOC. Segundo este investigador, a sua empresa encontrou um “problema conjuntural” que afectou os satélites Starlink no dia 6 de Agosto, com um pico no número de aproximações próximas de detritos do antigo satélite Cosmos 1408.

Segundo o que foi descrito, estes destroços, criados quando um ASAT russo de ascensão directa destruiu o Cosmos 1408 num teste em Novembro de 2021, estão numa órbita que se alinha com os satélites em órbita sincronizada com o Sol.

A COMSPOC descobriu no início deste ano que isto criou surtos de aproximações próximas, ou conjunções, à medida que os satélites voam de frente para os destroços.

No evento, Oltrogge disse que havia mais de 6.000 passagens próximas, definidas como estando dentro de 10 quilómetros, envolvendo 841 satélites Starlink, cerca de 30% da constelação. Não é claro quantos, se é que houve algum, dos satélites tiveram de manobrar para evitar colisões.

Esta conjunção foi exacerbada por um novo grupo de satélites Starlink. A SpaceX lançou o primeiro conjunto de satélites Starlink “Grupo 3”, a 10 de Julho, da Base da Força Espacial de Vandenberg para a órbita polar, seguido de um segundo conjunto a 22 de Julho. Um terceiro lote de satélites do Grupo 3 está programado para lançamento hoje, 12 de Agosto.

SpaceX diz que a rede Starlink poderá desviar-se do lixo espacial

A SpaceX há muito que enfatiza a capacidade dos seus satélites Starlink conseguirem manobrar autonomamente para evitar conjunções. A empresa disse que, entre Dezembro de 2021 e Maio de 2022, os satélites Starlink efectuaram quase 7.000 manobras para evitar colisões, das quais 1.700 estavam ligadas aos escombros russos do ASAT.

Embora a SpaceX possa ser capaz de gerir essas conjunções com a sua tecnologia, tal feito pode ser mais difícil para outros operadores de constelações de satélites.

Se não tivesse aquele sistema automatizado a tratar de um problema como este, poderia ser realmente um desafio resolvê-lo.

Disse Dan Oltrogge.

Com o passar do tempo, algum deste lixo cai na atmosfera. No entanto, muitos detritos passam para outras órbitas colocando em risco satélites que não conseguem exercer tácticas de evasão atempadamente.

Oltrogge refere que os detritos deslocam o risco para outras órbitas, nomeadamente para a Estação Espacial Internacional.

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Autor: Vítor M

25: Qual a probabilidade de um ser humano ser morto por lixo espacial?

LIXO ESPACIAL/ASTERÓIDES/SATÉLITES

Cada vez o lixo espacial tem mais impacto na nossa vida e pode ser um problema de várias ordens, até de começar a cair na cabeça das pessoas, literalmente.

Claro, actualmente, a hipótese de alguém ser morto por este tipo de detritos caídos do céu pode parecer ridiculamente pequena. Afinal, ninguém ainda morreu de tal acidente, embora tenha havido casos de ferimentos e danos à propriedade.

Assim, a questão que não quer calar é: com o aumento de lançamento de satélites, foguetões e sondas no espaço, temos de começar a levar a sério este risco?

Caem na Terra por ano cerca de 5 toneladas de pó extraterrestre

Um novo estudo, publicado na Nature Astronomy, estimou a hipótese de causalidades da queda de partes de foguetões nos próximos dez anos.

A cada minuto de cada dia chovem destroços do espaço sobre as nossas cabeças – um perigo que desconhecemos quase por completo. As partículas microscópicas dos asteróides e dos cometas deslizam através da atmosfera para pousarem despercebidas na superfície da Terra. Há uma conta que nos diz que todos os anos caem no solo do planeta cerca de 40.000 toneladas de pó de corpos que estão no espaço, sendo que mais de 5 toneladas são de corpos extraterrestres.

Embora isto não seja um problema para nós, tais detritos podem causar danos às naves espaciais – como foi recentemente relatado para o telescópio espacial James Webb.

Ocasionalmente, uma amostra maior chega como um meteorito, e, eventualmente, uma vez a cada 100 anos aproximadamente, um corpo de dezenas de metros de diâmetro consegue atravessar a atmosfera para escavar uma cratera.

E, muito raramente, felizmente, objectos do tamanho de quilómetros podem chegar à superfície, causando morte e destruição – como demonstra a falta de dinossauros que hoje em dia percorrem a Terra. Estes são exemplos de destroços espaciais naturais, cuja chegada descontrolada é imprevisível e espalhados de forma mais ou menos uniforme pelo globo.

Há 10% de probabilidade de lixo espacial atingir um ser humano no solo

O novo estudo, contudo, investigou a chegada descontrolada de detritos espaciais artificiais, tais como os estágios largados de foguetões, associados a lançamentos de foguetões e satélites.

Utilizando uma modelação matemática das inclinações e órbitas das partes de foguetes no espaço e densidade populacional abaixo delas, bem como o valor de 30 anos de dados de satélites passados, os autores estimaram onde os detritos de foguetes e outras partes de lixo espacial aterram quando caem de volta à Terra.

Descobriram que existe um pequeno, mas significativo, risco de as peças voltarem a entrar na próxima década. Mas isto é mais provável que aconteça nas latitudes meridionais do que nas do norte. De facto, o estudo estimou que os corpos de foguetes têm aproximadamente três vezes mais probabilidade de aterrar nas latitudes de Jacarta na Indonésia, Dhaka no Bangladesh ou Lagos na Nigéria do que os de Nova Iorque nos EUA, Pequim na China ou Moscovo na Rússia.

Os autores também calcularam uma “expectativa de baixas” – o risco para a vida humana – durante a próxima década como resultado de reentradas descontroladas de foguetões.

Assumindo que cada reentrada espalha destroços letais por uma área de dez metros quadrados, descobriram que existe uma probabilidade de 10% de uma ou mais baixas durante a próxima década, em média.

Portanto, ocasionalmente, dê uma vista de olhos ao espaço sobre a sua cabeça. Pode aparecer algum “encontro imediato”.

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Autor: Vítor M.