772: Pessoas impedidas de entrar no Portugal-Nigéria com T-shirt da Amnistia

– Neste Portugal dos pequeninos, o “excesso de zelo” serve de desculpa para muita merda que se vai fazendo…

AMNISTIA INTERNACIONAL PORTUGAL/FPF/UEFA

Federação Portuguesa de Futebol explicou que a organização do encontro, a cargo da UEFA, não tinha sido informada da iniciativa, pelo que alguns seguranças agiram “com excesso de zelo”. A partir do momento em que a FPF soube do caso, quem quis pôde entrar com as camisolas.

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© Gerardo Santos / Global Imagens

A Amnistia Internacional denunciou esta quinta-feira casos de pessoas que receberam uma T-shirt em prol dos direitos humanos antes do Portugal-Nigéria em futebol, em Alvalade, que foram depois impedidas de entrar com elas vestidas.

“Foi com tristeza e pesar que a Amnistia Internacional Portugal viu ser restringida uma acção de solidariedade para com os trabalhadores migrantes no Qatar pelos seguranças no Estádio de Alvalade”, pode ler-se em comunicado divulgado por aquela organização em Portugal.

As cerca de mil T-shirts, que se assemelham aos coletes de trabalhadores da construção civil, da ‘Equipa Esquecida’, os migrantes que morreram, sofreram lesões e abusos de direitos humanos nos preparativos do Mundial2022, foram entregues antes do Portugal-Nigéria, particular de preparação.

Segundo a Amnistia, várias pessoas denunciaram que seguranças no recinto os obrigavam “a tirar e entregar-lhes as camisolas”, o que foi comprovado por uma equipa de activistas daquela organização.

“Tendo-lhes sido dada a mesma indicação: que apenas poderiam entrar se despissem as camisolas e as deixassem fora, colocando-as no lixo. Por fim, os seguranças recusaram-se a restituir as camisolas abandonadas aos activistas da organização”, pode ler-se na nota.

A Amnistia acrescenta que os seguranças “justificaram esta acção respondendo às pessoas que estão a seguir indicações da Federação Portuguesa de Futebol”, instituição a quem pediram já “esclarecimentos urgentes”.

À Lusa, fonte da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) explicou que a organização do encontro, a cargo da UEFA, não tinha sido informada da iniciativa, atribuindo esta acção a “alguns seguranças com excesso de zelo”.

Segundo a mesma fonte, a partir do momento em que a federação soube do caso, outros adeptos puderam entrar com as camisolas, defendeu.

“Esperamos que tudo não passe de um mal-entendido e que a Federação Portuguesa de Futebol possa esclarecer ou dissociar-se deste triste episódio de falta de respeito pela liberdade de expressão dos adeptos da nossa selecção”, considerou Pedro A. Neto, director executivo da Amnistia Internacional Portugal.

Aquela organização “teme que este episódio seja mais uma mancha num evento que deveria também ser uma oportunidade de inclusão, respeito e promoção dos direitos humanos”, sentindo que foi restringido um direito à liberdade de expressão.

O Campeonato do Mundo masculino de futebol vai decorrer entre 20 de Novembro e 18 de Dezembro, com a selecção portuguesa apurada e inserida no grupo H, com Uruguai, Gana e Coreia do Sul.

Diário de Notícias
DN/Lusa
17 Novembro 2022 — 22:10