389: Inês tem 17 anos e irá morrer nos próximos meses, se tudo correr bem

1. Andamos tantas vezes pela vida a achar que somos grandes.

Ou a achar que não valemos a “ponta de um corno”.

Tantas vezes a tornar os problemas maiores do que são. Ou a desistir por medo. Ou tão gordos de arrogância e soberba. Ou a acreditar que ter dinheiro nos salva de um fim igual ao da pessoa que a esta hora que me escutas não sabe ainda se irá jantar.

2. Tanta gente anestesiada e depois conhecemos a Inês, uma miúda de 17 anos, filha da Mariana e do Filipe, que irá morrer nos próximos meses, se tudo correr bem.

Porque pode correr mal e morrer na próxima semana ou na outra.

Ou amanhã.

Conheci a Inês numa reportagem escrita pela excelente jornalista Ana Tulha, na última Notícias Magazine.

Apaixonei-me pela sua esperança sem esperança.
Pela sua força frágil.

A Nini…

(ela prefere ser chamada assim)

… a quem foi diagnosticada uma leucemia terminal.

A Nini a quem a mãe, depois de tanto sofrimento, após um transplante de medula que todos acharam que fora bem-sucedido, depois de tantas quimioterapias que lhe rebentaram algumas vezes o ânimo e muitas o corpo, a Nini a quem a mãe, em Dezembro passado, num dia de frio no IPO do Porto, lhe contou que mais nada poderia ser feito.

Que não havia cura.
Que os médicos lhe haviam dito que mais valia parar com os tratamentos.

A Nini, de lágrimas nos olhos, a Nini incrédula pela morte da esperança, a perguntar para que as dúvidas fossem desfeitas.

“Mas mãe estás a dizer-me que vou morrer?

– Estás a dizer-me que não vou poder ter filhos?

– Que não me vou apaixonar?”

3. Andamos nós pela vida como se esta nos devesse alguma coisa e depois somos confrontados com a nossa pequenez.

Com a Nini – a quem chamarei Inês se um dia a puder conhecer – uma menina mulher que após essa revelação decidiu enfrentar a morte com um sorriso.

Foi aí que nasceu uma página de TikTok a que chamou “A Morrer Comigo”.

Foi aí que, mais do que nunca, fez de cada manhã uma oportunidade de recomeço e de fome de vida.

As viagens com os pais tornaram-se constantes.

As brincadeiras com o irmão.

A escrita, o ir ao Dragão ver o seu FC. Porto, o fazer legos.

Há uns meses conheceu o Papa Francisco, em Roma – um encontro patrocinado por padres jesuítas do Porto. Nesses dias “habitava” uma cadeira de rodas, acreditava-se que a sua partida estava para breve. O abraço de Francisco deu-lhe força e Inês não morreu a meio do verão.

Chegámos ao outono e ela continua.

Sabendo que não há milagre possível, que talvez já não veja o Mundial de Futebol.

A Inês que parece ter nascido para sofrer. Que aos dois anos teve um cancro que lhe afectou a visão e a fragilizou para sempre.

Mas a Inês sorri.

A Inês grita ao mundo que não há razões para o medo, que não há razões para que as pessoas percam tempo com coisas pequenas.

A Inês prepara-se para a chegada do frio com o seu melhor sorriso de boas-vindas.

TSF
Por Luís Osório
30 Setembro, 2022 • 18:21



 

385: Portugal com 19.703 casos e 41 mortes por covid-19 entre 20 e 26 de Setembro

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTOS

Registaram-se mais 1.493 casos e quatro mortes em relação à semana anterior.

Portugal registou, entre 20 e 26 de Setembro, 19.703 infecções pelo coronavírus SARS-CoV-2, 41 mortes associadas à covid-19 e uma nova redução dos internamentos, indicou esta sexta-feira a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Segundo o boletim epidemiológico semanal da DGS, em relação à semana anterior, registaram-se mais 1.493 casos de infecção, verificando-se ainda mais quatro mortes na comparação entre os dois períodos.

Quanto à ocupação hospitalar em Portugal continental por covid-19, a DGS passou a divulgar às sextas-feiras os dados dos internamentos referentes à segunda-feira anterior à publicação do relatório.

Com base nesse critério, o boletim indica que, na última segunda-feira, estavam internadas 404 pessoas, menos 18 do que no mesmo dia da semana anterior, com 26 doentes em unidades de cuidados intensivos, menos um.

Diário de Notícias
DN/Lusa
30 Setembro 2022 — 19:36



 

384: Número de casos confirmados de Monkeypox em Portugal sobe para os 926

SAÚDE PÚBLICA/SURTO/MONKEYPOX/INFECÇÕES

Segundo os dados da DGS, 99,1% das infecções foram registadas em homens, a maior parte dos quais pertence ao grupo etário entre os 30 e 39 anos.

O número de casos confirmados de infecção pelo vírus Monkeypox em Portugal subiu para 926, mais nove do que o total registado na última semana, anunciou esta quinta-feira a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

“Em 03 de Maio foi detectada a presença do vírus Monkeypox (VMPX) em Portugal, com a confirmação laboratorial de cinco casos de infecção humana por VMPX. Desde então até 28 de Setembro de 2022, foram identificados 926 casos confirmados laboratorialmente”, adiantou a DGS em comunicado.

De acordo com a autoridade de saúde, até quarta-feira, foram reportados 851 casos no SINAVEmed (Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica), a maior parte dos quais pertence ao grupo etário entre os 30 e 39 anos (44%).

Segundo os dados da DGS, 99,1% das infecções foram registadas em homens (843), tendo sido notificados oito casos em mulheres.

Relativamente à vacinação pós-exposição, a DGS adiantou que, desde 16 de Julho, já foram vacinados 500 contactos próximos.

Quanto à vacinação preventiva para grupos com risco acrescido de infecção, a autoridade de saúde avançou que se iniciou em Lisboa e Vale do Tejo e no Centro na segunda-feira, enquanto as restantes regiões “estão a organizar e a implementar a administração de vacinas neste contexto”.

Os sintomas mais comuns da infecção por Monkeypox são febre, dor de cabeça intensa, dores musculares, dor nas costas, cansaço, aumento dos gânglios linfáticos com o aparecimento progressivo de erupções que atingem a pele e as mucosas.

Uma pessoa que esteja doente deixa de estar infecciosa apenas após a cura completa e a queda de crostas das lesões dermatológicas, período que poderá, eventualmente, ultrapassar quatro semanas.

O vírus Monkeypox transmite-se por contacto físico próximo, nomeadamente com as lesões ou fluidos corporais, ou por contacto com material contaminado, como lençóis, atoalhados ou utensílios pessoais.

Diário de Notícias
DN/Lusa
29 Setembro 2022 — 20:41



 

383: Os avanços da extrema-direita europeia: um novo normal?

OPINIÃO

Em Abril, num total de 199 lugares, Viktor Orbán passou a contar com 135 eleitos no Parlamento húngaro. Nas Legislativas de Junho, o partido de Marine Le Pen saltou de 8 para 89 deputados.

Há cerca de três semanas, o partido ultra-direitista Democratas Suecos conseguiu 20,5% dos votos e a coligação conservadora de que faz parte obteve a maioria na Assembleia Nacional da Suécia.

Agora, em Itália, a extrema-direita e os seus aliados conseguiram eleger cerca de três vezes mais deputados e senadores que o centro-esquerda.

O partido de Giorgia Meloni, o grande vencedor destas eleições, passou de 4% dos votos em 2018 para 26%. Esse partido, Fratelli d’Italia, foi o mais votado, apesar de as suas raízes serem de inspiração fascista.

A esta lista pode acrescentar-se o partido no poder na Polónia (Lei e Justiça), o Vox em Espanha, que já é a terceira força política no Congresso dos Deputados, a Alternativa para a Alemanha (AfD) e outros, incluindo o Chega.

A extrema-direita está a ganhar terreno no espaço europeu. Surge, assim, uma questão muito directa: o que leva os eleitores a votarem por Meloni ou pelos seus aparentados, nestes diferentes países?

Personalizo e digo Meloni, como diria Orbán ou Le Pen, ou mesmo Ventura, porque estes partidos são, de um modo geral, construídos à volta de uma personagem política, que encabeça a agremiação e procura fazer coincidir a imagem do partido com a do líder. Ainda agora, Fratelli d’Italia nos mostrou este facto: o nome da dirigente aparece primeiro e é escrito em letras mais gordas do que o nome do partido.

O partido é uma mera câmara de eco, que existe apenas para repetir e amplificar a mensagem do chefe. Nestes partidos extremistas não existe um directório político. O líder é o pastor de um aglomerado de carneirinhos, ao qual se misturam alguns lobos esfomeados de poder.

Para responder à questão, creio poder dizer que se vota nessa gente por três razões principais.

Porque eles são ultranacionalistas e profundamente conservadores, numa altura de incertezas, de medos colectivos e de grandes confusões em termos de valores culturais e sociais.

As fronteiras nacionais e a tradição oferecem, a muitos eleitores, um refúgio que eles não descortinam nos espaços mais vastos, do tipo UE, nas alianças entre países ou nas instituições multilaterais.

Também, porque esses partidos encenam pôr em causa as elites, incluindo os oportunistas da política, mostrando, ao mesmo tempo, roupagens de ocasião em defesa dos cidadãos comuns. Giorgia Meloni insiste, frequentemente, nas suas origens proletárias, para sublinhar que é uma das nossas e não o produto das classes tradicionalmente dominantes e de nome sonante.

Ainda, porque os partidos que representavam o protesto, o descontentamento social, desapareceram da cena política, como é o caso dos comunistas por essa Europa fora, ou passaram a fazer parte do centro moderado, dentro ou às portas dos governos.

Já os novos movimentos de protesto, à esquerda, gastam demasiado tempo com questões comportamentais, que interessam apenas a certas franjas sociais, e não dão uma atenção suficiente aos problemas do quotidiano dos mais vulneráveis.

São, na realidade elitistas de um outro tipo, uma pequena burguesia intelectual desconectada de quem tenta sobreviver no labirinto suburbano da vida.

É assim que se cultiva e crescem as Meloni de hoje. O simplismo das soluções que propõem faz o resto.

Os italianos votaram como melhor lhes pareceu. O que me preocupa, enquanto europeísta, não é a visão da futura primeira-ministra. Parece ter a astúcia política suficiente para compreender que uma cadeia de confrontações com Bruxelas não beneficia a Itália.

E que o apoio à Ucrânia é no interesse de todos nós. Também não vejo grandes problemas do lado de Sílvio Berlusconi, que deverá ficar tranquilo com a presidência do Senado. Preocupa-me, isso sim, Matteo Salvini, um xenófobo militante que desconhece o que significa o realismo político.

Aquilo que agora parece uma aliança estável, para uma legislatura – coisa inédita na Itália moderna -, tem imensas fragilidades internas. Que serão agravadas pelas fracturas existentes no país e pelos problemas que a UE tem pela frente. Veremos.

Conselheiro em Segurança Internacional.
Ex-secretário-geral-adjunto da ONU

Diário de Notícias
Victor Ângelo
30 Setembro 2022 — 00:19



 

“Islamizar” a Democracia!

OPINIÃO

Há muito que penso sobre isto, sobre a imposição de um modelo político estanque concebido fora e imposto dentro. Ainda no contexto do Curso de Estudos Africanos que hoje termina no Instituto Universitário Militar, a Professora Edalina Rodrigues Sanches, do ISCTE-IUL, referiu, na sua comunicação da passada terça-feira, a necessidade de “africanizar a democracia”, a partir da sugestão do cada vez mais respeitado economista-diplomata bissau-guineense Carlos Lopes.

Foi nesse momento que “me caiu esta ficha” que me permite voltar à Tunísia, por exemplo, para tentar explicar, de novo, porque é que o recente processo de transição constitucional neste país magrebino entra na normalidade islâmica, mas também na anormalidade ocidental e, por isso mesmo, foi alvo de críticas, bem como se projectou no Presidente (PR) Kais Saied um novo Ben Ali.

A saber, os regimes democráticos definem-se pelo voto universal e secreto para homens e mulheres no acto da escolha política e, posteriormente, já no exercício do poder pelo(s) eleito(s), na separação de poderes. De forma resumida e até simplista, o PR não pode interferir na acção dos governos, nem dos tribunais e vice-versa.

Quanto ao ponto do universal, é tradição nestes países rotulados de árabes os polícias e os militares não poderem votar nas eleições, mas poderem fazê-lo nos referendos, tendo como premissa que por certo aprovarão a pergunta e/ou o projecto proposto pelo topo da pirâmide do poder.

Ora isto já nos faz “torcer o nariz”, do Cabo da Roca à Lapónia, dos Açores à Roménia, já que democracia é para militares e civis, polícias e ladrões, com todas as garantias de voto seguro.

Mas o mais curioso ainda, é que se falarmos com as populações destes países do “arco islâmico”, da Mauritânia à Indonésia, o que ouvimos, regra geral, é um “acho muito bem, já viu que assim não há o risco de um polícia me pegar pelo braço e me obrigar a votar no que ele quer!”

Isto também nos remete para um conceito muito divergente do nosso sobre o papel e os poderes das polícias e dos militares. Em Portugal, apesar de termos crescido com o “não comes a sopa chamo o polícia”, sempre soubemos que era a brincar.

Aquilo que para nós é visto como a manifestação de práticas dignas de um ditador, para quem toma a decisão de interferir é uma honra, no sentido em que está a cumprir um “sunnat”.

Saltando para a separação de poderes, ou melhor, para o que realmente foi uma ingerência do PR da Tunísia no Executivo, Legislativo e Judicial desde 25 de Julho de 2021 até 25 de Julho de 2022, dia que referendou a nova Constituição que, por sua vez, reforçou os poderes presidenciais.

Kais Saied interferiu? Sim, mas porquê? Porque a grande referência para os muçulmanos é Maomé, o Profeta do Islão e este, para unificar a Península Arábica e para fazer do Islão aquilo que ele é hoje, também teve de interferir junto das partes desavindas (tribos, clãs, regiões), procurando o impossível, a consensualidade.

Naturalmente noutro tempo, noutro modelo, por outros meios, mas o que ficou foi o exemplo que se tornou tradição, o chamado cumprimento do “sunnat” (de onde deriva o termo sunita e que se resume a fazer e dizer o que o Profeta fez e disse, da mesma maneira que o fez e o disse).

Em resumo, aquilo que para nós é visto como a manifestação de práticas dignas de um ditador, para quem toma a decisão de interferir é uma honra, no sentido em que está a cumprir um “sunnat“, a seguir os passos do seu líder de sempre, um quase sexto pilar do Islão!

Não sei como se islamiza a democracia, sei que não há interesse em ir-se por aí, mas também sei que a democracia enquanto adquirida do Ocidente é sempre vista a Sul enquanto elemento neocolonizador e que, como tal, deverá estar aberta à adaptação, à “africanização” proposta por Carlos Lopes e à “islamização” proposta por mim, sem saber como se faz!

Politólogo/arabista
www.maghreb-machrek.pt
Escreve de acordo com a antiga ortografia

Diário de Notícias
Raul M. Braga Pires
30 Setembro 2022 — 00:17



 

381: Portugueses chumbam pacote de apoio às famílias. Pensões serão penalizadas

– 01.- Em ordem ao imposto do IRS continuo a afirmar, sem qualquer dúvida, que este imposto é um autêntico ROUBO institucional à carteira dos contribuintes. A razão: um casal com dois rendimentos paga metade de IRS de quando um deles falece. O viúvo(a) passa então a pagar o DOBRO desse imposto. Ora, com menos um rendimento, pagar o dobro?
02.-NUNCA fui achado, ao longo da minha vida – e já vou a caminho dos 77 anos -, fui sondado pelas inúmeras “sondagens” que se fazem neste país. Desconheço o motivo, por isso NÃO ACREDITO nelas.

GOVERNO/APOIO ÀS FAMÍLIAS/SONDAGEM

Quase 70% dos que estão nas duas faixas etárias mais velhas criticam Governo. Dois terços dos inquiridos trocavam a entrega de dinheiro por dedução no IRS, revela a sondagem DN, JN e TSF.

O Governo promoveu o adiantamento de “meia pensão” como um apoio excepcional.
© ANTONIO PEDRO SANTOS/LUSA

A avaliação dos portugueses ao pacote “Famílias Primeiro” é profundamente negativa. A medida que gera mais críticas, de acordo com uma sondagem da Aximage para o DN, JN e TSF, é a dos pensionistas: 61% chumbam a solução do Governo, uma vez que penalizará as pensões no futuro.

No que diz respeito aos apoios monetários aos trabalhadores (125 euros) e aos seus filhos (50 euros), também não há dúvidas: dois terços dos portugueses (67%) trocavam esse subsídio único por uma redução das taxas de IRS.

O Governo promoveu o adiantamento de “meia pensão” como um apoio excepcional. É o que ainda hoje está escrito na sua página oficial. A Oposição em peso argumentou que não se tratava de um apoio, mas de um “truque”, através do qual se impedia uma actualização definitiva das pensões de acordo com o valor da inflação deste ano, como prevê a lei, aliás desenhada pelos socialistas. Venceu esta última tese. Apenas uma pequena minoria (23%) classifica a medida como positiva.

O sentimento é marcadamente negativo em todos os segmentos em que se divide a amostra, incluindo entre quem votou no PS nas eleições de Janeiro (52%).

Mas é quando se analisam os resultados por faixa etária que se percebe onde há maior preocupação: os dois escalões mais velhos (55 a 64 anos, que estão a chegar à idade da reforma; e 65 ou mais anos, que já lá estão) são os mais insatisfeitos: a avaliação negativa aproxima-se dos 70 pontos percentuais. Acresce que, numa segunda pergunta, uma maioria dos inquiridos (45%) acrescenta que o apoio do Governo é inferior ao esperado.

© ANTONIO PEDRO SANTOS/LUSA

Socialistas insatisfeitos

É já a 20 de Outubro que o Estado começa a entregar duas das parcelas incluídas no seu pacote de resposta ao aumento de preços: os 125 euros a trabalhadores com rendimentos até 2700 euros mensais, e os 50 euros por cada criança e jovem dependente até aos 24 anos.

No caso de um casal com dois filhos, isso significará um cheque de 350 euros. Mas são muito poucos o que revelam alguma satisfação com qualquer destas medidas.

No caso dos 125 euros, 55% dizem ser inferior ao que esperavam (com destaque para quem tem 50 a 64 anos); no caso dos 50 euros para os filhos, 54% também se mostram descontentes (em particular quem tem 35 a 49 anos). Também nestas questões concretas a insatisfação cruza todos os segmentos partidários, incluindo quem votou no PS (ainda que em menor grau do que outros).

© ANTONIO PEDRO SANTOS/LUSA

Redução nos impostos

Apenas num caso os eleitores do PS mostram uma tendência diferente dos restantes segmentos partidários: quando se pergunta se o Governo foi ao limite de capacidade do Estado com o pacote “Famílias Primeiro”, há uma maioria de socialistas que concorda (42%).

No que diz respeito aos restantes, sucede exactamente o contrário. E quando se pesa a opinião do conjunto de inquiridos, os que discordam são exactamente o dobro (48%) dos que concordam (24%).

Com tanta insatisfação com o pacote do Governo, não surpreende que uma enorme maioria de portugueses preferisse uma redução das taxas de IRS (67%), fosse ela grande ou pequena, ao apoio extraordinário que vão receber (26%). Neste caso, nem os eleitores socialistas se afastam do sentimento geral: 64% queriam uma baixa do IRS.

FICHA TÉCNICA
A sondagem foi realizada pela Aximage para o DN, JN e TSF, com o objectivo de avaliar a opinião dos portugueses sobre as medidas de apoio do Governo.
O trabalho de campo decorreu entre os dias 21 e 24 de Setembro de 2022 e foram recolhidas 810 entrevistas entre maiores de 18 anos residentes em Portugal. Foi feita uma amostragem por quotas, obtida através de uma matriz cruzando sexo, idade e região (NUTSII), a partir do universo conhecido, reequilibrada por género, grupo etário e escolaridade. Para uma amostra probabilística com 810 entrevistas, o desvio padrão máximo de uma proporção é 0,017 (ou seja, uma “margem de erro” – a 95% – de 3,44%). Responsabilidade do estudo: Aximage Comunicação e Imagem, Lda., sob a direcção técnica de Ana Carla Basílio.

rafael@jn.pt

Diário de Notícias
Rafael Barbosa
30 Setembro 2022 — 08:00



 

Líder do PSD acusa Costa de “insensibilidade social” para com os pensionistas

“… “Se é um suplemento extraordinário, o primeiro-ministro e o Governo perderam mesmo a noção de sensibilidade de justiça social: o que estão a fazer é dar 2.500 euros a quem ganha 5.000 euros de pensão, 2.000 a quem ganha 4.000, e é dar 200 a quem ganha 400 ou 150 a quem ganha 300. Isto é intolerável numa política socialista ou social-democrata”, acusou Montenegro.” Ando a bater nesta tecla desde que saiu esta “prenda extraordinária” para os pensionistas, mas não tive qualquer feedback de quem leu os meus comentários. Ou estão bem de vida e não lhes toca, ou não ligam ao que se está a passar no país em ordem aos pensionistas que tentam sobreviver… É a sociedade que temos!

POLÍTICA/PPD/PENSIONISTAS/SUPLEMENTO

Montenegro critica fórmula do suplemento que vai ser pago em Outubro aos reformados.

© JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

O presidente do PSD acusou esta quinta-feira o primeiro-ministro de manter “uma habilidade de retórica” sobre as pensões e de demonstrar “insensibilidade social” para com os reformados mais pobres, pagando em Outubro um suplemento maior aos que mais ganham.

Na intervenção inicial perante o Conselho Nacional, Luís Montenegro continuou no tema que marcou esta quinta-feira o diálogo entre o líder parlamentar do PSD, Joaquim Miranda Sarmento, e o primeiro-ministro, António Costa, no debate sobre política geral, no parlamento.

“O primeiro-ministro pode fazer os jogos de palavras que quiser, não está em causa as pensões subirem de valor de um ano para o outro, o que está em causa é que o valor do aumento para 2023 tem menos milhões de euros e o valor até ao fim da vida dos reformados terá menos mil milhões de euros, ponto final”, acusou, na passagem mais aplaudida do seu discurso perante os conselheiros, que foi aberto esta quinta-feira à comunicação social.

Luís Montenegro acusou ainda António Costa de “se atrapalhar nas suas próprias habilidades”: “É tanta habilidade, que depois dá atrapalhação, tanta habilidade que depois dá trapalhada”, disse.

O líder do PSD apontou que, depois de se referir ao valor que será pago em Outubro aos pensionistas como uma antecipação do que lhes seria devido pela fórmula de cálculo de actualização das pensões, Costa fala agora num “suplemento extraordinário”, equivalente a meia pensão.

“Se é um suplemento extraordinário, o primeiro-ministro e o Governo perderam mesmo a noção de sensibilidade de justiça social: o que estão a fazer é dar 2.500 euros a quem ganha 5.000 euros de pensão, 2.000 a quem ganha 4.000, e é dar 200 a quem ganha 400 ou 150 a quem ganha 300. Isto é intolerável numa política socialista ou social-democrata”, acusou.

Diário de Notícias
DN/Lusa
29 Setembro 2022 — 23:11



 

379: COVID-19: Casos estão a aumentar! Rt volta a disparar

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES

O coronavírus que leva à doença COVID-19 já não é propriamente tema de discussão, mas a verdade é que ainda vivemos em tempos de pandemia. De acordo com os dados mais recentes, o índice de transmissibilidade (Rt) do coronavírus SARS-CoV-2 voltou a subir bastante.

O número médio de casos diário está a aumentar.

COVID-19: Rt volta a subir e está em 1,06

Segundo o relatório semanal do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) sobre a evolução da COVID-19, o Rt, que estima o número de casos secundários de infecção resultantes de cada pessoa portadora do vírus, aumentou de 1,02 para 1,06 a nível nacional.

O INSA referiu ainda que o número médio de casos diários a cinco dias também sofreu um aumento, passando dos 2.642 para os 2.952 a nível nacional, sendo ligeiramente mais baixo no continente (2.784).

O Instituto estima que, desde 02 de Março de 2020, quando foram notificados os primeiros casos, até 23 de Setembro, Portugal tenha registado um total de 5.483.226 infecções pelo vírus que provoca a COVID-19.

Segundo o relatório do INSA, a linhagem BA.5 da variante Omicron (incluindo as suas múltiplas sub-linhagens) é dominante em Portugal desde a semana 19 (9 a 15 de Maio), apresentando uma frequência relativa de 94,2% de acordo com a mais recente amostragem aleatória por sequenciação na semana 37 (12 a 18 de Setembro).

A linhagem BA.4 da variante Omicron tem registado uma frequência relativa estável nas últimas amostragens semanais, representando 3,8% das sequências analisadas nas semanas 36 e 37.

Pplware
Autor: Pedro Pinto
28 Set 2022



 

378: Ensaios mostram que novo tratamento para Alzheimer reduz em 27% declínio cognitivo

SAÚDE PÚBLICA/ALZHEIMER/TRATAMENTO

O medicamento terá, no entanto, que ser examinado “no que diz respeito aos riscos de efeitos colaterais” detectados, “incluindo inflamação e sangramento no cérebro”.

O tratamento Lecanemab reduz em 27% o declínio cognitivo de pacientes nos estágios iniciais da doença de Alzheimer, segundo os resultados preliminares de ensaios clínicos com quase 1.800 pessoas, divulgaram as farmacêuticas Eisai e Biogen.

Este novo medicamento para o Alzheimer é o primeiro a demonstrar claramente em ensaios clínicos que retarda a progressão da doença, reduzindo o declínio cognitivo em 27% dos pacientes tratados, durante um período de 18 meses, nos estágios iniciais da doença.

Estes resultados preliminares surgem após ensaios clínicos realizados em quase 1.800 pessoas, metade das quais recebeu o tratamento e a outra metade um placebo.

A Eisai e a Biogen planeiam publicar os resultados completos numa revista científica e apresentar pedidos de autorização de comercialização para o tratamento nos Estados Unidos, Japão e Europa antes do final de Março de 2023.

Os benefícios do medicamento para os pacientes “são modestos, mas reais”, e estes resultados são, portanto, “realmente encorajadores”, destacou o professor de neuro-ciência da University College London, John Hardy.

“Se os dados resistirem ao escrutínio, esta é uma notícia fantástica”, destacou, por sua vez, Tara Spires-Jones, da Universidade de Edimburgo.

O tratamento não leva a “uma cura”, mas “retardar o declínio cognitivo e assim preservar a possibilidade de realizar as actividades diárias normais já é uma grande vitória”, sublinhou.

O medicamento terá, no entanto, que ser examinado “no que diz respeito aos riscos de efeitos colaterais” detectados, “incluindo inflamação e sangramento no cérebro”, alertou Charles Marshall, da Universidade Queen Mary de Londres.

De qualquer forma, os resultados mostram que atacar as placas amiloides no cérebro, como faz o Lecanemab, “merece exploração contínua como estratégia de tratamento”, acrescentou.

Os pacientes com Alzheimer têm placas de proteínas, chamadas amiloides, que se formam ao redor dos seus neurónios e, eventualmente, os destroem.

Mas o papel preciso dessas placas na doença, se são a causa ou a consequência de outros fenómenos, é cada vez mais objecto de debate na comunidade científica.

Outro tratamento do laboratório norte-americano Biogen, chamado Aduhelm e também direccionado às placas amiloides, gerou muitas esperanças em 2021, por ser o primeiro medicamento aprovado nos Estados Unidos contra a doença desde 2003.

Mas também causou polémica, pois a agência norte-americana de medicamentos (FDA) foi contra a opinião de um comité de especialistas, que julgou que o tratamento não tinha demonstrado suficientemente a sua eficácia durante os ensaios clínicos.

Mais tarde, a FDA restringiu o seu uso apenas a pessoas com casos leves da doença.

Diário de Notícias
Lusa/DN
29 Setembro 2022 — 09:14



 

377: A maior ameaça do risco climático está nos extremos

OPINIÃO

Há muito que os cientistas alertam que as alterações climáticas afectarão adversamente os padrões do clima e as condições de vida em todo o mundo. Esses avisos estão agora a transformar-se numa realidade dolorosa.

Pior ainda, o leque de resultados possíveis provou ser cada vez mais uma situação de alto-risco: eventos climáticos extremos, como ondas de calor, tempestades severas e inundações, são mais prováveis do que as estatísticas normais poderiam prever.

Nada disto é um bom presságio para a futura estabilidade política ou prosperidade económica. A nossa melhor esperança é que a ameaça desses extremos nos incite à acção correctiva, necessária antes que as coisas fiquem ainda piores. Mas será que vai ser assim?

O público está cada vez mais consciente de que o aquecimento global nos está a conduzir para um clima mais volátil. Neste ano, houve registos históricos de ondas de calor em todo o mundo, não apenas na Índia, onde as temperaturas atingiram 49,2.º graus Celsius, mas também em lugares como o Reino Unido com 40,2.º.

A França e a China estão a vivenciar as suas piores secas já registadas e quatro anos consecutivos de estações chuvosas sem chuva na África Oriental deixaram mais de 50 milhões de pessoas em risco de “insegurança alimentar aguda”. Enquanto isso, tempestades e inundações devastadoras atingiram Madagáscar, Austrália, Estados Unidos, Alemanha, Bangladesh e África do Sul.

© EPA / Rolex dela Pena

Estes eventos estão a causar centenas de milhares de mortes e enormes prejuízos económicos e financeiros todos os anos, tornando a volatilidade climática um factor cada vez mais importante na avaliação de risco. Embora os aumentos de temperatura de 0,5 °C aqui ou ali sejam quase imperceptíveis, as secas, inundações e outras flutuações climáticas de curto prazo podem fazer estragos mortais.

Além disso, os eventos climáticos extremos podem causar mudanças que duram muito para além do choque e danos imediatos, principalmente quando aceleram novos acontecimentos que poderiam, de outra forma, demorar muitos anos.

Os cientistas estão cada vez mais preocupados com os “pontos de inflexão” – tais como o derretimento das camadas de gelo polar -, que nos levariam a patamares de mudanças irreversíveis. Isso poderia criar ciclos de feedback prejudiciais entre os riscos climáticos interligados, os quais se espalhariam para a economia real, levando a bancarrotas, perdas de empregos, que prejudicam desproporcionalmente comunidades desfavorecidas, e à turbulência política.

Além dos danos ao ambiente físico, o clima extremo pode, portanto, desencadear mudanças súbitas, e às vezes permanentes, nas atitudes sociais e nas políticas públicas. Quando as pessoas começam a perder as casas, os meios de subsistência ou até mesmo as vidas, os políticos têm de dar resposta.

Surpreendentemente, embora estejamos todos conscientes do clima extremo, os meteorologistas ainda ignoram amplamente o seu papel para acelerar as mudanças estruturais.

Os principais cientistas climáticos e economistas tendem a focar-se nos efeitos a longo prazo das alterações climáticas provocadas pelo aquecimento global, com ênfase em cenários que envolvam aumentos da temperatura média global com um intervalo de apenas 1,5 °C a 2 °C – as metas consagradas no Acordo Climático de Paris.

E mesmo em cenários de temperaturas mais altas, supõe-se que os efeitos nos níveis do mar e na produção agrícola, por exemplo, acumular-se-ão apenas gradualmente, o que implica que o resultado final esteja a várias décadas de distância.

Além dos danos ao ambiente físico, o clima extremo pode, portanto, desencadear mudanças súbitas, e às vezes permanentes, nas atitudes sociais e nas políticas públicas. Quando as pessoas começam a perder as casas, os meios de subsistência ou até mesmo as vidas, os políticos têm de dar resposta.

Mas um artigo recente – Climate Endgame: Exploring Catastrophic Climate Change Scenarios (Jogo Climático Final: Explorando os Cenários de Alterações Climáticas Catastróficas) – mostra que essa análise de cenário convencional subestima gravemente os riscos a longo prazo, uma vez que não dá a atenção que as consequências climáticas mais extremas merecem.

Tal como o perito em estatísticas, Nassim Taleb, realçou no contexto dos mercados financeiros, os modelos convencionais lutam para lidar com as consequências dos eventos que caem numa distribuição extrema, criando um ponto cego perigoso nas suas probabilidades.

Trajectórias de temperaturas mais altas desencadeariam o que os autores chamam “quatro cavaleiros” do jogo climático final: fome e desnutrição, clima extremo, conflitos e doenças transmitidas por vectores.

Não é preciso muita imaginação para ver como esse grupo de precursores apocalípticos pode criar o caos social e político, especialmente quando estão todos a galopar juntos, como já acontece actualmente com a crise alimentar global, uma nova guerra na Europa e a persistente pandemia.

E o pior é que a menção do segundo cavaleiro sugere que os riscos mais imediatos das alterações climáticas ainda estão a ser subestimados. Afinal, o clima extremo também é uma força-motriz dos outros três cavaleiros, tornando-o sem dúvida o mais importante.

Os choques climáticos causam um sofrimento que chama muito mais a atenção da sociedade do que os avisos abstractos (embora não menos justificados) de destruição a longo prazo. As sondagens revelam que o apoio à acção climática é maior por parte daqueles que vivenciaram pessoalmente climas extremos.

Embora o actual aumento da inflação signifique menos entusiasmo das populações por medidas que possam prejudicar as suas próprias finanças, a crescente incidência de desastres está a diminuir a minoria que permanece céptica em relação às alterações climáticas ou às políticas climáticas no geral.

Desta forma, os extremos do clima – em vez dos extremos das alterações climáticas a longo prazo – são muito mais propensos a incitar acções em prazos mais curtos que inquietem os políticos e as empresas.

Esperemos que, à medida que esses extremos se forem tornando cada vez mais comuns e dolorosos, nos estimulem a sustentar as políticas necessárias para manter a estabilidade climática.

Professor Visitante no London Institute of Banking and Finance e ex-economista-chefe do Grupo ING.

Diário de Notícias
Mark Cliffe
29 Setembro 2022 — 00:17