917: Quase 200 centros de saúde já têm horário alargado

SAÚDE PÚBLICA/CENTROS DE SAÚDE/HORÁRIO ALARGADO

Este aumento da capacidade de resposta dos cuidados de saúde primários pretende responder à maior procura da população nos meses de outono e inverno, e diminuir a afluência aos serviços de urgência em situações não emergentes.

© Global Imagens

Quase duas centenas de centros de saúde estão já a funcionar em todo o país com horário alargado, disponível para consulta no portal do SNS, uma medida que visa diminuir a pressão sobre as urgências hospitalares.

De acordo com um comunicado do Ministério da Saúde, divulgado hoje, “de norte a sul do país, são 176 os centros de saúde a funcionar com horários de atendimento alargado (dias úteis) ou complementar (fim de semana e feriados), disponibilizando uma resposta de proximidade à comunidade em situações de saúde não emergente”.

Este aumento da capacidade de resposta dos cuidados de saúde primários pretende responder à maior procura da população nos meses de outono e inverno, e diminuir a afluência aos serviços de urgência em situações não emergentes.

Na última semana, registou-se uma procura mais elevada das urgências hospitalares, sobretudo nas do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde os doentes urgentes (pulseira amarela) tiveram de esperar, na terça-feira de manhã, uma média de 14 horas para serem atendidos, quando o tempo recomendado é de 60 minutos.

Na quarta-feira, o ministro Manuel Pizarro apresentou o Plano Estratégico do Ministério da Saúde: Resposta Sazonal em Saúde – Inverno 2022-2023, dando conta que os centros de saúde iriam ter horário alargado ou com atendimentos suplementares e que o portal do SNS (Serviço Nacional de Saúde) disponibilizaria essa informação actualizada diariamente.

A ideia é que as pessoas tenham um acesso fácil à informação de que serviços de saúde estão abertos e possam acorrer a esses locais, evitando a sobrelotação das urgências hospitalares.

Na altura da apresentação do plano, o governante indicou que estavam abertos 36 centros de saúde com horário alargado na região de Lisboa e Vale do Tejo, e mais “quatro ou cinco” na região Norte.

Hoje são já 176 as unidades de cuidados de saúde primários com horário alargado, cuja informação está em constante actualização na área dedicada ao plano de inverno no portal do SNS.

A nota do Ministério da Saúde destaca ainda a importância de os utentes ligarem primeiro o serviço SNS 24 (808 24 24 24), para uma triagem e encaminhamento adequado de cada situação, para uma resposta mais célere e também para o melhor planeamento da actividade do SNS.

Segundo a tutela, está também em curso a operacionalização da “Via Verde ACeS” nos Serviços de Urgência (SU), existindo já protocolo celebrado com 24 Agrupamentos de Centros de Saúde (ACeS), de um total de 55, em articulação com unidades hospitalares.

Esta resposta permite que os utentes não urgentes — ou seja, pulseira branca, azul ou verde — sejam encaminhados dos hospitais para os centros de saúde, com data e hora previamente definidas, sendo atendidos, no máximo, em 24 horas.

A caminho do inverno, o Ministério da Saúde pede a todos os cidadãos elegíveis, que se vacinem contra a gripe sazonal e COVID-19. A modalidade casa aberta, que dispensa marcação, está desde esta semana disponível para maiores de 65 anos.

Diário de Notícias
Lusa/DN
26 Novembro 2022 — 11:11



 

494: Quase 10% dos medicamentos sem ‘stock’. Rupturas levam meses a ser corrigidas

MEDICAMENTOS/RUPTURAS/FARMÁCIAS

Christine Sandu / Unsplash

Dos 9.545 fármacos comercializados em Portugal e sujeitos a receita médica, 858 estão em ruptura de ‘stock’, representando 8%. Este cenário tem levado os médicos a receitar outros tratamentos, mas há três medicamentos em falta para os quais não há outra opção terapêutica no mercado nacional.

Como avançou o Jornal de Notícias, perante esta situação, os hospitais e farmácias estão a ser obrigados a pedir uma Autorização de Utilização Excepcional (AUE) para comprar os fármacos que não têm substituição em Portugal.

De acordo com o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, a situação é “preocupante”. “Os médicos fazem de tudo para encontrar soluções para os doentes”, mas é o Estado que tem de monitorizar e de encontrar alternativas, referiu.

Entre os indisponíveis, além dos três que não têm opção terapêutica, há 33 substâncias que não têm alternativa dentro da mesma molécula.

Os dados apresentados pelo jornal foram extraídos, na segunda-feira, da plataforma de Gestão da Disponibilidade do Medicamento acessível no site do Infarmed, havendo rupturas que levam meses a ser corrigidas. Tratam-se de comprimidos, injectáveis, xaropes e colírios.

Um desses casos é o Inderal, “um fármaco importante” para o tratamento da hipertensão e da angina de peito, que entrou em ruptura em Setembro e cuja reposição só está prevista para o início do próximo ano.

Também a Nimodipina, indicada na prevenção e tratamento de défices neurológicos isquémicos; a vacina contra a encefalite japonesa; a Mesterolona, substância para tratamento da infertilidade masculina; o Champix, indicado para o tratamento do tabagismo; e o Ozempic, para o tratamento da diabetes tipo 2, estão em falta.

Na terça-feira, a Comissão Nacional de Farmácia e Terapêutica do Infarmed emitiu uma orientação sobre o Ozempic, pedindo seja prescrito “em consciência”, tendo em conta os doentes com diabetes, “a saúde global da população” e “os princípios éticos de justiça na distribuição dos recursos aos que mais deles necessitam”.

Indicado e comparticipado em 90% pelo Serviço Nacional de Saúde para a diabetes, o Ozempic está em falta nas farmácias por estar a ser prescrito para a redução de peso. O ministro da Saúde já informou que os médicos terão de assinalar com clareza que a receita se destina ao tratamento da diabetes tipo 2.

  ZAP //
26 Outubro, 2022