923: A Grande Mentira da Lua: porque tanta gente caiu?

SOCIEDADE/HISTÓRIA/GRANDE MENTIRA DA LUA

Em 1835, foi publicada uma história que deixou milhares de pessoas a olhar para o céu nocturno à procura de uma paisagem lunar maravilhosamente estranha.

(pd) New York Sun
The Great Moon Hoax

Tudo começou na Escócia, com um artigo publicado na revista científica Edinburgh Journal of Science com o título de “Grandes Descobrimentos Astronómicos” .

O artigo apresentava descobertas que teriam sido feitas pelo famoso astrónomo Sir John Herschel, que em 1834 tinha feito uma viagem até ao Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, para catalogar as estrelas do hemisfério sul.

Segundo o artigo, escrito pelo investigador Andrew Grant, que teria sido companheiro de viagem e secretário do astrónomo britânico, na sua demanda Herschel teria encontrado muito mais do que estrelas.

Com uma enorme lente telescópica de 7 metros de diâmetro e  7 toneladas de peso, o astrónomo tinha conseguido observar, pela primeira vez,  vida na Lua. Na realidade, uma fantástica descoberta.

O jornal americano New York Sun chamou na altura a atenção para a descoberta, tendo publicado o artigo de Grant em seis fascículos.

O artigo afirmava que não só havia água na Lua, mas que as suas rochas estavam cobertas de flores vermelhas semelhantes às papoulas na Terra.

À sombra das árvores de uma floresta, relatava o artigo, havia rebanhos de animais semelhantes a bisontes. Num vale, havia cabras de chifres azuis e “uma estranha criatura anfíbia de forma esférica, que rolava a grande velocidade por uma praia de pedras”.

Particularmente significativa foi a observação de uma espécie de castores que se moviam sobre as patas traseiras — que seriam uma forma de vida inteligente, embora primitiva.

“Os castores transportam os filhotes nos braços, como os humanos, e as suas cabanas são mais altas e melhor construídas do que as de muitas tribos humanas”, dizia o artigo.

Além disso, pelo fumo que se podia ver perto das cabanas, não havia dúvidas de que sabiam usar o fogo.

“O toque final foi a descoberta dos chamados homens-morcego, cujo nome latino era Vespertilio homo“, conta à BBC o escritor Matthew Goodman, autor do livro “The Sun and the Moon”.

“Essas criaturas de 1,2 metros de altura voavam e falavam, construíam templos e faziam arte e fornicavam em público”, relatava o artigo.

A quarta parte da série de artigos falava de seres humanos alados e, para tirar quaisquer dúvidas, adiantava que Herschel iria publicar um relatório detalhado, juntamente com certificados de autoridades civis, religiosas e científicas que testemunharam os achados durante uma visita ao observatório .

A última parte do artigo descrevia as actividades de um novo grupo de Vespertilio homo que teria sido encontrado — em diversos aspectos, uma espécie ainda mais avançada de criaturas lunares.

Mas, segundo explicava o artigo, as observações tiveram que ser suspensas porque a dada altura o enorme telescópio se encontrava numa posição em que concentrou demasiadamente os raios solares e provocou um incêndio no observatório.

Depois de o telescópio ter sido reparado, no entanto, nunca mais foi possível observar as maravilhas da vida na Lua.

No entanto, garantia Grant, num futuro próximo Herschel iria revelar detalhes sobre uma espécie ainda maior de Vespertilio homo — que era “infinitamente mais bonita e apenas um pouco menos encantadora do que os anjos representados pelas mais imaginativas escolas de pintores”.

(pd) New York Sun
90% dos nova-iorquinos acreditaram na história

A série de artigos, que pode ser lida na íntegra no Museum of Hoaxes, causou uma enorme sensação. Foi republicada em inúmeros jornais de todo o mundo, e segundo algumas estimativas 90% das pessoas em Nova Iorque acreditaram na história, diz  Goodman.

A história foi tema de conversa por todo o lado, incluindo em universidades como Yale. O New York Times considerou as descobertas de “prováveis ​​e possíveis”, enquanto a New Yorker chamou à descoberta “uma nova era na astronomia e na ciência em geral”.

Mas acontece que…

Obviamente, nada na história era verdade. Mas, como acontece sempre com as melhores mentiras, esta tinha pequenos toques de verdade.

Sir John Herschel tinha de facto feito uma viagem à África do Sul para observar o céu, embora não tivesse as 70 mil libras que o rei William IV supostamente lhe teria dado para a expedição. Na verdade, teve que financiar a expedição do próprio bolso.

O astrónomo britânico tinha de facto um telescópio, mas não era tão grande nem tão sofisticado como tinha sido apresentado no artigo.

(pd) New York Sun

Mas o companheiro de viagens não era o “investigador Andrew Grant”, que era tão fictício como as descobertas relatadas no Edinburgh Journal of Science — revista científica que, por sua vez, tinha cessado a publicação dois anos antes do suposto artigo.

Tudo não passava de uma paródia brilhante, um mistura de ficção científica e ironia que, para surpresa do seu criador, convenceu milhares de pessoas de que o inacreditável era real — e só ultrapassada em 1897 pela invasão de extraterrestres da mítica Guerra dos Mundos inventada pelo escritor britânico H.G. Wells.

Incompreendido

O verdadeiro autor da Grande Mentira da Lua era o escritor e jornalista britânico Richard Adams Locke, descendente do filósofo John Locke, formado pela Universidade de Cambridge e recém-chegado à redacção do New York Sun.

O jornal tinha sido fundado dois anos antes por Benjamin Day, no início dos penny presss newspapers, os “jornais baratos para as pessoas comuns”.

O New York Sun, no entanto, não era sequer o mais popular destes jornais.

Day e Locke sabiam que precisavam de uma história sensacional para despertar a curiosidade dos leitores. Se havia uma coisa que fascinava o público na altura eram artigos sobre descobertas científicas e viagens de exploração a lugares remotos, e, por casualidade, Locke estava a ler artigos sobre astronomia.

Muitos dos astrónomos da época eram religiosos“, explica Goodman. “A crença geral era de que todos os corpos celestes eram habitados — porque Deus não teria criado esses mundos sem criar também seres inteligentes para os apreciar”.

De acordo com as teorias desta “Teologia da Natureza“, a observação da natureza dava evidências da existência de Deus e permitia vislumbrar o seu plano divino.

Um dos mais ardentes apoiantes dessa tese era o popular astrónomo escocês Thomas Dick, que escreveu livros de sucesso como “O Filósofo Cristão”, ou “A Ligação da Ciência com a Religião”.

Na sua obra, Dick apresentava uma astronomia “em íntima relação com a religião” e descrevia a forma como o Sol “sobe gradualmente até à abóbada do céu”, a Lua “apresenta a sua face redonda iluminada” e a mente é “elevada até à contemplação de um poder invisível”.

O astrónomo escocês chegou a calcular, com grande precisão, que a população do Sistema Solar era de 21.891.974.404.480 habitantes — dos quais 4,2 mil milhões viviam na Lua.

Richard Adams Locke tinha uma opinião muito diferente sobre estas teses. O jornalista britânico, para quem a religião não tinha lugar na pesquisa científica, decidiu então escrever uma série de artigos a satirizar as crenças destes astrónomos religiosos.

“Se acham que há criaturas na Lua, vou dar-lhes morcegos lunares; e se acham que há água na Lua, terão oceanos; e vou envolver tudo com o tipo de retórica grandiosa e científica que usam”.

A ideia de Locke era expor como estas ideias eram absurdas. O problema é que o seu artigo foi demasiadamente bem escrito… e deu para o torto.

Locke não previu — e esta é a grande ironia da Mentira Lunar — é que as pessoas tinham sido tão formatadas nas ideias dos astrónomos religiosos da época, que, quando os seus artigos saíram, acreditaram que era tudo verdade — porque era muito parecido com o que lhes era dito, explica Goodman.

Locke ficou muito aflito, mas sentiu que não tinha o direito de revelar a verdade, porque a série pertencia ao dono do jornal — e, ainda por cima, tinha começado a ser publicada em todo o mundo. Há ilustrações do século XIX com morcegos-da-lua em vários estilos artísticos.

Antes de a verdade ter sido revelada, grupos religiosos nos Estados Unidos juntaram dinheiro para enviar Bíblias para a Lua, e em Londres, uma sociedade filantrópica organizou reuniões para “aliviar as necessidades do povo da Lua e, sobretudo, abolir a escravidão, caso ela exista entre os seus habitantes“.

O próprio Sir John Herschel demorou a descobrir o que tinha acontecido e, quando lhe mostraram os artigos, até lhes achou graça. A narrativa lunar era tão bem fundamentada, com “detalhes tão minuciosos”,  que até compreendia que os nova-iorquinos tivessem acreditado, conta a sua mulher.

O principal alvo da paródia, Thomas Dick, respondeu a Locke na sua obra Cenário Celestial, de 1837, dizendo que “todas estas tentativas de enganar eram violações das leis do Criador, que é o Deus da Verdade”.

Mas, para consolo de Locke, algumas pessoas entenderam a sua sátira. Um deles foi o cientista francês François Arago, que leu os artigos na Academia de Ciências de Paris, numa sessão constantemente interrompida por “risadas escandalosas e incontroláveis”.

O escritor Edgar Allan Poe disse que percebeu imediatamente que se travava de uma piada, que tinha ficado muito impressionado com a “narrativa requintada” e que Locke era “um dos poucos homens de génio inquestionável”.

Quando a série chegou ao fim, o New York Sun era o jornal mais lido do mundo — e, embora nada nos artigos fosse verdade, as suas vendas não diminuíram. O jornal nunca reconheceu publicamente a mentira.

Um divertido editorial do jornal, publicado em 2010, mais de 175 anos após A Grande Mentira da Lua, dizia que “uma das coisas que uma longa vida como jornalista nos ensinou sobre as correcções é que, por mais obrigatórias que sejam quando a verdade é conhecida, não nos devemos se precipitar.”

“Por enquanto, vamos apenas dizer que estamos cientes da alegação de que não há homens-morcego, nem na Lua nem na Terra. Mas fiquem seguros de que estamos a investigar o assunto, e podem consultar mais informação, neste mesmo espaço, daqui a uns 25 anos“, rematava o editorial.

ZAP // BBC
25 Novembro, 2022



 

593: Sem testes gratuitos e isolamento pago é difícil conter transmissão, mas hospitais estão preparados

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19

O que aí vem ninguém sabe, mas há uma expectativa. E esta é: mesmo que a infecção por SARS-CoV-2 se mantenha elevada, o impacto da doença covid-19 será muito menor do que no início de 2021, quando ainda não havia vacinação. Neste momento, nos hospitais a preparação para eventuais surtos é permanente, mas a saúde pública alerta: “É preciso vigilância mais apertada no número de casos.” Reuniões do Infarmed regressam dia 11.

Portugal e outros países que deixaram estratégia de testagem massiva registam agora menos casos por milhão de habitantes.

Quase três anos depois e com mais um inverno à porta, regressa a imprevisibilidade em relação à infecção pelo vírus que invadiu o mundo a partir da China, no final de 2019 – o SARS-CoV-2. Sobretudo porque não há garantias de que não apareçam novas variantes que substituam a Ómicron, dominante desde o início deste ano em todo o mundo, ou novas sub-variantes desta.

Sobre as que apareceram recentemente, a BQ1 e a BQ1.1, identificadas na Nigéria, e que estão a substituir a BA.5, ainda pouco se sabe quanto ao seu impacto.

Até agora, a percepção que existe é a de que estas sub-variantes podem ser mais transmissíveis do que as anteriores, mas menos agressivas na doença grave e com protecção das vacinas que existem. E esta é também a esperança de quem está no terreno, na saúde pública, a gerir hospitais e na medicina intensiva.

Ao DN, o diretor clínico do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), que inclui os Hospitais de Santa Maria e Pulido Valente, assume a imprevisibilidade: “O que aí vem ninguém sabe”, mas em termos de preparação “já estamos permanentemente, desde há quase três anos”. Luís Pinheiro diz até que, na sua opinião, “a nível de unidades hospitalares há uma preparação global muito maior”.

O presidente do Colégio da Especialidade de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos, José Artur Paiva, concorda que “o país está mais preparado nesta área” e que “mau seria se não fosse assim”, depois do “curso intensivo que tivemos nos primeiros dois anos”, mas o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP) alerta para o facto de ser esperado um aumento significativo de infecções e de eventuais surtos – como destacou também, na semana passada, a própria Organização Mundial de Saúde, pedindo aos países que se preparassem -, e o que está a acontecer é que

“Muitas pessoas positivas não se testam nem cumprem isolamento”, fazendo com que não haja um retrato real da infecção no país e que a transmissão aumente.

Por isso mesmo pede ao governo que defina orientações e directrizes e que faça regressar medidas como a testagem e o apoio ao isolamento.

Gustavo Tato Borges concorda que “o país tem muito mais experiência do que no início da pandemia para lidar com novos casos de covid-19. Não só ao nível da saúde, mas também do cidadão, tendo em conta o conhecimento e os hábitos que se adquiriram.

Portanto, está melhor preparado para lidar com a situação no caso de poderem existir novos surtos”, mas relativamente à área da saúde pública “é fundamental uma monitorização mais apertada dos casos, que deixou de existir com o fim do estado de alerta.

Não é voltarmos a ter de contactar telefonicamente todos os infectados, mas é voltarmos a ter mais facilidade no diagnóstico. Ou seja, precisamos que a população volte a ter testes gratuitos disponíveis nas farmácias para ter o diagnóstico rapidamente”, diz.

Acrescentando: “Não existindo isto, então que se comece a fazer a vigilância da carga viral da covid-19 nas águas residuais, que é um indicador extremamente importante para se perceber a circulação do vírus e o impacto que a infecção poderá ter ao nível da doença e da sua gravidade.”

Desta forma, explica ao DN, “poderemos estar mais tranquilos. Ou seja, se ficarmos a saber que não há uma carga viral elevada nas águas residuais e que os internamentos não estão a aumentar, quer dizer que a situação está controlada.

Mas se houver uma carga viral elevada nas águas residuais e os internamentos a aumentar, então teremos de fazer alguma coisa rapidamente para impedir a circulação do vírus na comunidade”.

Por outro lado, o médico argumenta ser também fundamental a manutenção do isolamento dos casos positivos com o respectivo apoio, salário pago a 100% durante os cinco dias.

“A maior parte das pessoas não se testa porque não arrisca a que lhe digam que tem de ficar em casa. Muitas já ganham tão pouco que não podem ganhar menos e passam à frente deste crivo quando o isolamento de cinco dias continua a ser muito importante.”

E explica porquê: “Não podemos pensar só no caso das empresas. Temos de pensar também nos lares e em outras instituições que lidam com idosos ou com pessoas mais vulneráveis, porque os seus funcionários também irão trabalhar positivos.

Há uns que são assintomáticos, e já escapam ao controlo, os outros não arriscam ficar em casa, podendo estar a contaminar as pessoas mais vulneráveis. E será difícil não haver disseminação da transmissão.”

Se não continuamos a monitorizar “a incidência da doença, não sabemos o número de infecções reais que temos e não sabemos em que ponto estamos.

Se não continuamos a monitorizar “a incidência da doença, não sabemos o número de infecções reais que temos e não sabemos em que ponto estamos. O que estamos a fazer é a monitorizar os internamentos gerais, enfermarias e cuidados intensivos, e os óbitos.

Esperemos que não se comece a tomar medidas só quando os internamentos atingirem níveis preocupantes”, frisa, reforçando mais uma vez que “uma medida restrita só tem efeitos entre três a quatro semanas. Primeiro baixam os casos, depois os internamentos, e só depois os óbitos”.

Neste momento, destaca Gustavo Tato Borges, “desconhece-se quais são as medidas que estão pensadas pelo governo e pelas autoridades de saúde para este inverno. Mas é importante que haja um plano de vigilância e orientações que sejam divulgados, porque as que existem são do tempo do estado de alerta em vigor e estão desactualizadas”.

Isto porque, apesar de haver sempre imprevisibilidade, nos anos anteriores havia muitas medidas que permitiam “mitigar a transmissão da infecção, agora não”. Nesta quinta-feira, o ministro da Saúde anunciou que as reuniões do Infarmed, entre governo e peritos, regressam dia 11.

Os dados divulgados pela plataforma internacional, Our World in Data revelam que Portugal não regista das piores situações no quadro europeu, sobretudo em relação a países como Alemanha, França e Itália. Mas há uma diferença enorme. Estes países mantêm a testagem massiva, daí que consigam identificar maior número de casos e ter maior vigilância através da incidência. Espanha está melhor do que Portugal, mas tem as mesmas regras.

Hospitais preparados para eventuais surtos

Em relação às unidades hospitalares, os circuitos separados para doentes respiratórios e não respiratórios mantêm-se, mas há algumas alterações na gestão de camas e de recursos.

Como explica o director clínico do CHULN, Luís Pinheiro, “os circuitos separados mantêm-se, os doentes não circulam misturados, seja no espaço da urgência, de enfermaria ou em áreas comuns, mas há maior flexibilidade na gestão dos recursos e dos espaços”.

Ou seja, “a filosofia do início da pandemia que levou à criação de enfermarias estritamente dedicadas a doentes com covid-19 mudou completamente e o que fazemos agora é colocar os doentes positivos em espaços próprios, naturalmente separados dos outros, mas nas enfermarias em que devem tratar a sua doença base, porque a realidade dos últimos meses é que o facto de um doente estar positivo para a infecção SARS-CoV-2 não significa que tenha covid-19. Foi internado por outra patologia e testou positivo”.

Isto mesmo está a ser feito em Santa Maria e em muitas outras unidades. A prioridade agora é tratar os doentes que tiveram de entrar no hospital porque tiveram um AVC ou outra situação nas áreas correspondentes, embora dentro destas enfermarias haja salas para doentes positivos e salas para os outros doentes. Luís Pinheiro salienta: “Não temos um número de camas alocadas e vazias à espera de doentes com covid-19, como havia anteriormente. Isso hoje seria um desperdício.

O que temos é um modelo de organização mais flexível e mais ágil, que adaptaremos conforme a evolução da pandemia, reconvertendo salas de enfermarias para que os doentes se mantenham separados dos outros mas tenham o tratamento adequado à sua patologia.”

“Não temos um número de camas alocadas e vazias à espera de doentes com covid-19, como havia anteriormente. Isso hoje seria um desperdício.

A sua expectativa é de que, embora possa “haver um aumento de transmissão da infecção, o que é natural, e um maior número de doentes a testar positivo e doentes internados com covid-19, o impacto desta seja significativamente menos grave do que foi no passado, não só pelas característica do vírus, mas também pela vacinação da população com doses de reforço, como está a ser feito agora”.

Por exemplo, nesta semana a instituição que dirige tinha “um doente com covid internado em UCI, mas até há muito pouco tempo não tínhamos nenhum.

Nas enfermarias temos cerca de 30 positivos, mas, como digo, estes não são sinónimo de doença – a maioria, cerca de 60% a 65%, testou positivo à covid e tem de estar separado dos outros, mas a tratar as suas doenças originais”. Um número que diz “manter-se estável desde há várias semanas”.

Como médico, reforça que “o que aí vem nenhum de nós sabe. Há sempre uma incógnita em relação ao vírus e às variantes ou sub-variantes que venham a predominar”. E isto é o que o incomoda mais, embora tenha “a expectativa de que se passe a viver mais com a infecção pelo SARS-CoV-2 do que com a covid-19”.

Esta será mais uma que deverá “fazer parte do conjunto de patologias infecciosas respiratórias com as quais já lidamos e a fazer parte da rotina que é a nossa resposta clínica, para lidarmos com a doença de forma mais organizada e menos dramática”.

UCI. Há camas instaladas mas não activas por falta de recursos

O presidente do Colégio da Especialidade de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos, José Artur Paiva, concorda que, nesta altura, “o país está mais preparado para lidar com a covid-19 nesta área do que no início de 2020”. E isto porque “se saltou de 620 camas, no final de 2019, para 860”.

Assim, “há uma capacitação muito significativa dos cuidados intensivos”, mas alerta que ainda “há camas instaladas que não estão activas por falta de recursos humanos, sobretudo de enfermeiros, e, como se sabe, um médico ou um enfermeiro para esta área não se forma em duas semanas. Este é um problema que convém resolver a breve prazo”.

José Artur Paiva recorda que a capacitação que a pandemia trouxe à medicina intensiva fez “com que se aumentasse o número de camas e melhorou também a capacidade em termos de quartos de isolamento”. Por isto, e por todo o saber, ou melhor, “pelo curso intensivo que ganhámos nestes quase três anos, mau seria se os hospitais não estivessem preparados”.

Na sua opinião, “os profissionais estão mais conscientes e ganharam conhecimento da doença e de como a tratar, o que é muito importante comparado com o que vivíamos em Março e em Abril de 2020”, destacando ainda que, “do ponto de vista de capacidade das unidades de medicina intensiva e de quartos isolados, estamos agora perto da média europeia, quando naquela altura éramos dos piores países”.

Ao olhar para o próximo inverno, o presidente do colégio da especialidade espera que na área da medicina intensiva este possa ser “encarado de uma forma significativamente diferente dos dois Invernos anteriores”.

Isto é, em termos de organização, “mais do que ter áreas de cuidados intensivos divididos para doentes com covid-19 e não covid, parece-me mais importante que o doente seja internado nas áreas adequadas à sua patologia”, defende, explicando: “Um doente que precisa de cuidados críticos porque teve um AVC ou uma hemorragia cerebral deve ir para a área onde são fornecidos os cuidados neuro-críticos, o mesmo em relação a doente com traumatismo grave, e nestas áreas devem ser usados os quartos de isolamento que permitam a prevenção da transmissão da infecção.”

“Depois de dois anos em que o nosso contacto com o vírus influenza foi muito baixo, os quadros de gripe podem assumir uma gravidade acima daquilo que era normal no período pré-pandémico”.

À partida, reforça também, o próximo inverno será “um pouco imprevisível”. E por dois factores. Por um lado, porque “a percepção que se tem agora das novas sub-variantes é a de que são mais transmissíveis mas provocam menos doença grave, nomeadamente às pessoas que não têm quadros de imunodeficiência e que realizaram o suporte vacinal, mas, repito, ainda não temos certezas”.

Por outro lado, não sabemos como se irá comportar o vírus da gripe. “Depois de dois anos em que o nosso contacto com o vírus influenza foi muito baixo, os quadros de gripe podem assumir uma gravidade acima daquilo que era normal no período pré-pandémico, havendo ainda todos os outros agentes respiratórios de infecção vírica ou bacteriana.

E em termos de medicina intensiva esta é uma fase do ano em que há claramente uma procura de camas de UCI mais elevada.” No entanto, “a expectativa não é muito pessimista em relação a casos graves de covid-19”.

O DN contactou há uma semana autoridades da saúde nacional, nomeadamente a Direcção-Geral da Saúde, para saber qual a situação real que se vive no país, comparando-a com outros países europeus, assim como que plano de vigilância está a ser preparado para este inverno, que recomendações vão ser feitas e em que pé está o projecto de vigilância em simultâneo covid-19/gripe. Até ao fecho desta edição não obteve respostas.

Presidente da ANMSP pede para que Governo mantenha obrigatoriedade de máscara nos serviços de saúde, senão será difícil conter transmissão

Cuidados a ter

Unidades de Saúde

O presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública recomenda que o Governo mantenha a obrigatoriedade do uso de máscara nos serviços de saúde, senão o contágio será inevitável nestas situações. Gustavo Tato Borges diz saber que há ACES em que os médicos de família ainda usam acrílicos como separadores e viseiras, e que estas devem ser mantidas para se protegerem a eles próprios.

População

Em relação aos utentes, o primeiro conselho vai para aqueles que estão a ser chamados para a dose de reforço. “Façam-na rapidamente, quanto mais depressa tivermos uma cobertura vacinal adequada com esta dose de reforço mais depressa poderemos ter uma protecção acrescida na população”.

Sintomas

É preciso que cada um de nós esteja atento aos sintomas e que não os menospreze. Se estiver com um quadro de sintomas respiratórios é importante que imediatamente – sendo a mais adequada para proteger os outros a SP2, que é de bico de pato, e não tanto a cirúrgica. Quando se está com sintomas deve evitar-se visitar pessoas vulneráveis e contactar com outras de forma prolongada.

Ventilação

Apesar de se estar a entrar na época do frio é muito importante a ventilação, em casa, empresas e até mesmo em locais de convívio deve abrir-se regularmente as janelas os espaços onde estamos a trabalhar ou a conviver voltando a fechar para permanecer.

Teletrabalho

O médico relembra ainda: “Sempre que se puder recorrer ao teletrabalho, deve fazer-se. É a forma de se poder minimizar a disseminação da doença”. É que há sempre alguém mais vulnerável, que mesmo com a vacinação, poderá pagar um preço mais elevado.

Gustavo Tato Borges diz que os últimos dois anos foram “um período estranho da nossa vida, mas o teletrabalho, o uso de máscara e o arejamento dos espaços devem passar a ser coisas comuns do nosso dia”.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
05 Novembro 2022 — 00:16



 

525: Aumento do custo de vida faz crescer pedidos de ajuda

“… Além deste programa do Governo, as pessoas procuram apoio nas instituições sociais que fazem cada vez mais pedidos ao Banco Alimentar para conseguirem apoiar o número crescente de famílias que pedem ajuda, segundo a presidente, Isabel Jonet.” O problema é que mesmo com pedidos de ajuda ao Banco Alimentar, não existe qualquer tipo de resposta. Por que razão D. Isabel Jonet? Em contrapartida, atribui-se RSI a quem nunca trabalhou e NEGA-SE o RSI a quem efectuou descontos e pagou impostos ao Estado durante mais de trinta anos e está na situação de desempregado de longa duração, sem qualquer tipo de subsídios! Nem a porra do passe social gratuito de transportes públicos ainda foi concedido. É esta a merda de justiça “social”?

SOCIEDADE/CUSTO DE VIDA/AJUDA

Rita Valadas, presidente da Cáritas, revela que a ajuda está a ser procurada por pessoas de classe média e média-baixa, sobretudo porque o rendimento “dá cada vez para menos coisas”.

© Filipe Amorim / Global Imagens

O aumento do custo de vida está a provocar uma maior pressão junto das instituições de apoio alimentar como a Cáritas, que ajudam cada vez mais pessoas com emprego, mas cujo salário deixou de chegar para as despesas.

A presidente da Cáritas, Rita Valadas, disse à Lusa que a ajuda está a ser procurada por pessoas de classe média e média-baixa, uma vez que “o rendimento dá cada vez para menos coisas”.

Rita Valadas afirmou que esta é uma crise que se caracteriza por “um aumento brutal do custo de vida” e que tem sentido um acréscimo das dificuldades para dar resposta às solicitações.

É que, aos novos casos, juntam-se os que já eram anteriormente acompanhados desde a pandemia e que não conseguiram deixar de viver sem este apoio.

“As pessoas que se aproximaram de nós devido à pandemia não chegaram a conseguir autonomizar-se, porque, quando estavam a conseguir reprogramar a sua vida, vêem-se confrontadas com a dificuldade decorrente do aumento do custo de vida, das taxas de juro, e não têm condições para fazer essa retoma”, explicou Rita Valadas.

A presidente da Cáritas lembrou ainda que no período da crise social motivada pela pandemia, existiam moratórias e o ‘lay-off’, ao contrário das actuais “situações avulsas [como o pagamento único de 125 euros], que não resolvem a situação das pessoas senão pontualmente”.

Quem está mais próximo de se aproximar do limiar da pobreza é quem fica em maior risco de ter de recorrer a este tipo de apoios, concluiu.

“Quando o rendimento se altera, altera-se o risco, mas, quando a esse risco se acrescenta uma pressão do custo médio de subsistência, as dificuldades afectam pessoas que estão deste risco para baixo e o que antes um salário mínimo dava para pagar, hoje não dá, e os custos estão a subir e não sabemos quando vão parar”, sublinhou Rita Valadas.

Os que “batem à porta” da Cáritas, organização que trabalha em rede pelo país, têm dificuldades em pagar a renda de casa, a prestação da casa, a luz, a água ou outras contas importantes e na iminência de ficar sem esses serviços ou sem abrigo.

“Depois, a situação agudiza-se e traz outras necessidades”, acrescentou a presidente da organização, que distribui alimentação e também outros tipos de ajuda.

Primeiro, elencou, as pessoas começam por deixar de comprar determinados produtos que não são de primeira necessidade, depois passam a comprar marcas brancas, até que chegam ao momento em que, mesmo fazendo os cortes possíveis, “não têm como comprar o básico”.

Além das famílias, as instituições que fornecem alimentos no seu espaço ou ao domicílio “também estão a sofrer uma pressão enorme com o aumento dos custos dos bens”, referiu.

Rita Valadas mencionou a rede alargada pelo país e exortou quem quiser dar o seu contributo a procurar a Cáritas, as paróquias ou dioceses, que têm as suas estruturas de apoio, distribuição, respostas sociais e conseguem fazê-lo “em proximidade”.

A Cáritas apoiou no ano passado 120 mil pessoas, a pandemia levou a um aumento de “18 mil famílias a mais” e Rita Valadas estimou que este ano já tenha sido prestado auxílio a mais 20 mil pessoas, entre as quais muitas estrangeiras, sublinhou.

O que se sabe do impacto da crise em Portugal

Quase um terço da população portuguesa vivia em risco de pobreza em 2021, um número que já reflectia alguns efeitos da pandemia da covid-19, mas não da actual crise financeira.

Nos últimos meses, e na sequência da guerra na Ucrânia, o aumento dos preços foi uma constante em vários sectores. Este mês, a inflação em Portugal atingiu o valor mais alto desde há 30 anos (subiu para 10,2%), com impacto na vida da população.

Quase um quarto da população em risco de pobreza em 2021
Os dados oficiais mais recentes sobre pobreza em Portugal reportam a 2021. Nesse ano, a taxa de risco de pobreza ou exclusão social aumentou cerca de 12% face ao ano anterior para 22,4%.

Com quase um quarto da população portuguesa em risco de pobreza, 2021 registou o maior aumento anual do risco de pobreza em Portugal desde 2005, de acordo com o Observatório Nacional de Luta Contra a Pobreza, e a oitava taxa mais alta entre os países da União Europeia.

Mesmo após as transferências sociais, a taxa de risco de pobreza fixou-se nos 18,4% no ano passado, sendo a situação mais grave nas regiões autónomas dos Açores e Madeira, no Norte e Algarve.

Privação material e social atingiu 13,5% da população
Além do risco de pobreza, medido com base nos rendimentos individuais, as dificuldades económicas das famílias reflectem-se também na taxa de privação material e social que, em 2021, atingiu 13,5% da população, a sétima mais elevada da União Europeia.

Para 6% dos residentes em Portugal, a situação foi de privação severa, o que significa que não tiveram capacidade de suportar mais de quatro em nove encargos, que incluem o pagamento de rendas ou empréstimos, férias fora de casa, uma refeição de carne ou peixe de dois em dois dias, despesas inesperadas, telefone, televisão a cores, uma máquina de lavar, um carro e manter a casa adequadamente aquecida.

Antecipando os efeitos da inflação, o Observatório Nacional de Luta Contra a Pobreza alerta que, apesar de não se assistir a uma perda de rendimentos por parte da população portuguesa, os dados de 2022 deverão revelar a perda de poder de compra que atinge quer a população em emprego, quer a população sem emprego.

Idosos, desempregados e famílias mono-parentais são os mais vulneráveis
A pobreza e a privação material e social afectam, sobretudo, a população mais idosa, desempregados e as famílias mono-parentais.

De acordo com o relatório do Observatório Nacional da Luta Contra a Pobreza, divulgado em 17 de Outubro, cerca de 25% das pessoas com mais de 65 anos de idade encontravam-se em risco de pobreza no ano passado e 17,6% viviam em privação material e social.

A pobreza afectava 60,4% da população desempregada, sendo que 33% encontrava-se em situação de privação. No caso das famílias mono-parentais, as taxas de risco de pobreza e de privação material foram de 38,2% e 20,5%, respectivamente.

Dados do Eurostat divulgados na quinta-feira indicam que, no ano passado, 22,9% das crianças portuguesas com menos de 18 anos viviam em situação de pobreza, um valor abaixo da média da União Europeia (24,4%).

Inflação no valor mais alto em 30 anos
A taxa de variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor terá aumentado para 10,2% em Outubro, face aos 9,28% de Setembro, atingindo o máximo desde maio de 1992, segundo a estimativa rápida divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística na sexta-feira.

Já em Setembro a inflação tinha atingido um máximo em quase 30 anos, com a variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor a fixar-se em 9,3%, a mais elevada desde Outubro de 1992.

O aumento dos preços tem-se feito sentir, sobretudo, no sector energético, habitação e alimentação. Por exemplo, segundo estimativas do Banco de Portugal, o custo de um cabaz básico de bens alimentares subiu 15% entre Outubro de 2021 e Agosto deste ano, com alguns produtos a dispararem 20%.

Consequências da inflação são mais severas para quem tem menos rendimentos
Os portugueses que recebem o salário mínimo têm actualmente menos 65 euros de poder de compra do que há um ano devido à inflação, segundo dados da Portada, que indicam ainda que as pessoas que recebem pensões mínimas de velhice e invalidez ficam, na prática, com menos 25,9 euros de poder de compra do que há um ano.

Já o Banco de Portugal alertou, no início do mês, que a inflação tem consequências mais severas para as famílias de menores rendimentos do que as de rendimento mais elevado, porque para as primeiras a inflação sente-se, sobretudo, no preço de bens essenciais.

Medidas de apoio às famílias incluem pagamento extraordinário de 125 euros
Em Setembro, o primeiro-ministro anunciou que os contribuintes com rendimento mensal até 2.700 euros iriam receber um pagamento extraordinário de 125 euros, sendo este valor atribuído por pessoa, e um subsídio de 50 euros por dependente.

Foi uma das medidas excepcionais do Governo de apoio às famílias para mitigar os efeitos da inflação e que inclui o pagamento aos pensionistas de 14 meses e meio de pensões, em vez dos habituais 14 meses.

Para as crianças, o Governo tinha anunciado ainda em Outubro do ano passado um complemento ao abono de família, destinado a 150 crianças e jovens com menos de 18 anos que vivem em situação de pobreza extrema. A Garantia para a Infância começou a ser paga em Setembro.

Mais de 108 mil pessoas recebem ajuda alimentar
Actualmente, mais de 108 mil pessoas beneficiam do cabaz alimentar do Programa de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas, que chegou a 134 mil pessoas desde Janeiro deste ano.

No final do mês de Setembro, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social anunciou que está em curso a implementação de um novo modelo de apoio às pessoas mais carenciadas, que passará a ser feito através de cartão.

Além deste programa do Governo, as pessoas procuram apoio nas instituições sociais que fazem cada vez mais pedidos ao Banco Alimentar para conseguirem apoiar o número crescente de famílias que pedem ajuda, segundo a presidente, Isabel Jonet.

Diário de Notícias
DN/Lusa
30 Outubro 2022 — 10:51



 

438: 11,4% da mortalidade já se deve à alimentação inadequada

– Todo este blá-blá-blá é muito interessante e profiláctico se as pessoas mais desfavorecidas economicamente, possuíssem capacidade financeira para aderirem a uma dieta mediterrânica equilibrada e de acordo com o que foi escrito na peça. Infelizmente em Portugal milhares de pessoas lutam diariamente para tentarem (sobre)viver com o quase nada ou mesmo nada que têm, nomeadamente os DESEMPREGADOS que ficam sem qualquer ajuda ou apoio das respectivas instituições (Segurança Social, Banco Alimentar, etc.)

SAÚDE PÚBLICA/ALIMENTAÇÃO/MORTALIDADE

Direcção-Geral da Saúde lança hoje um Plano de Promoção para a Alimentação Saudável para assinalar este dia. E define como uma das prioridades a necessidade de se reduzir em 10% e 20% a ingestão de sal e de açúcares até 2027.

É preciso educar os portugueses, sobretudo crianças e adolescentes, para uma alimentação mais saudável.

Os erros alimentares e o excesso de peso e obesidade podem vir a ultrapassar o tabaco no ranking dos factores de risco que mais contribuem para a mortalidade”.

Isto mesmo é afirmado pela Direcção-Geral da Saúde (DGS), no Plano Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), documento que hoje é lançado para assinalar o Dia Mundial da Alimentação e onde está plasmada a estratégia para a área da nutrição até 2030.

Neste documento, a DGS alerta para o facto de, actualmente, 11,4% da mortalidade no nosso país já ter como causa a alimentação inadequada, concretamente, mais de 13 mil pessoas, sendo que 9.666 morreram devido a doenças cardiovasculares, 2.165 por doença oncológica e 1.443 por diabetes e doenças renais.

13.275 portugueses já registam causas de morte associadas a uma alimentação inadequada, nomeadamente por doenças cardiovasculares, oncológicas, diabetes e doenças renais.

Para a autoridade nacional de Saúde, é urgente reverter esta tendência. E, neste sentido, este plano inclui duas prioridades a cinco anos, até 2027, como a redução da ingestão do teor de sal, em 10%, e dos açucares, em 20%.

Mas este plano tem ainda como objectivo “melhorar o conhecimento sobre a dieta mediterrânica”, bem como “a promoção da alimentação saudável e a prevenção e controlo de todas as formas de mal-nutrição, em particular do excesso de peso e da obesidade”, precisamente porque a continuar-se com os actuais hábitos alimentares as projecções para a 2030 são de que haverá ainda mais pessoas a morrer por esta causa, alimentação inadequada, mais do que, se calhar, ao tabaco.

No PNPAS, a DGS dá ainda nota que 56% dos portugueses (esmagadora maioria adolescentes e crianças) regista um consumo inferior a 400 gramas por dia de horto-frutícolas; que 41% dos adolescentes consume diariamente refrigerantes e que tanto estes como as crianças ingerem também diariamente mais de 10% de açúcares livres, em produtos processados.

A ingestão de sal é outro problema, estando provado que 77% dos portugueses também ingere mais de 5 gramas por dia. E como se não bastasse, 29% dos produtos ingeridos diariamente não incluem a roda dos alimentos saudáveis.

41% dos adolescentes ingerem diariamente refrigerantes, mais de 10% de açucares livres e mais de 5 gramas de sal. 29% dos alimentos que ingerem não fazem parte sequer da roda da alimentação saudável.

As orientações registadas no PNPAS 2022-2030, cujo documento estará em consulta pública a partir de hoje e durante 21 dias úteis, dão “continuidade ao trabalho iniciado em 2012, que tem como objectivo promover a saúde da população, prevenir e controlar todas as formas de mal-nutrição (alimentação inadequada, desnutrição, ingestão inadequada de vitaminas e minerais, pré-obesidade e obesidade)”, sublinha a DGS.

O PNPAS está ainda em consonância com as prioridades estratégias e recomendações da União Europeia e da Organização Mundial da Saúde, destacando ainda que se por um lado a prioridade é a promoção de uma alimentação saudável e a prevenção do excesso, por outro tem de haver uma intervenção forte por parte do sistema de saúde, quer ao nível dos cuidados primários quer dos cuidados diferenciados mais para o controlo do excesso de peso e obesidade.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
16 Outubro 2022 — 00:00



 

393: Governo propõe salário mínimo de 760 euros no próximo ano

– 760,00 euros é o salário que os deputados, governança, presidente da república e afins, deveriam ganhar para (todos) saberem o que custa e dói (sobre)viver em Portugal. Sem mordomias adjacentes (viagens, refeições, ajudas de custo, viaturas de luxo ou outras, etc., etc., etc.).

SOCIEDADE/GOVERNO/SMN

O objectivo do governo é alcançar os 900 euros até final da legislatura.

© Leonardo Negrão / Global Imagens

O salário mínimo nacional deverá aumentar dos actuais 705 euros para 760 euros em Janeiro de 2023, segundo a proposta do Governo para um acordo de rendimentos e competitividade que esta quinta-feira é discutido na Concertação Social.

De acordo com o documento a que a Lusa teve acesso, o valor para o salário mínimo proposto para o próximo ano ficará assim 10 euros acima do que estava anteriormente previsto para assegurar, segundo o Governo, um diferencial adicional para compensar os impactos da inflação.

O objectivo de alcançar os 900 euros até final da legislatura mantém-se.

“O valor da remuneração mínima mensal garantida atingirá o valor de, pelo menos, 900 euros em 2026, salvaguardando o poder de compra dos trabalhadores e assegurando a trajectória de crescimento iniciada em 2016”, pode ler-se na proposta para o acordo de médio prazo de melhoria dos rendimentos, dos salários e da competitividade.

O Governo propõe que o salário mínimo evolua para 760 euros em 2023, para 810 euros em 2024, para 855 euros em 2025 e para 900 euros em 2026.

Para fazer face a estes aumentos do salário mínimo, “nos contratos de aquisição de serviços de limpeza, de serviços de segurança e vigilância humana e de serviços de refeitórios com duração plurianual, celebrados em data anterior a 01 de Janeiro de 2023 ou, no caso de terem sido celebrados após aquela data, as propostas que estiveram na sua origem tenham sido apresentadas em data anterior a 01 de Janeiro de 2023, relativamente aos quais, a componente de mão-de-obra indexada à RMMG [Remuneração Mensal Mínima Garantida] seja o factor determinante na formação do preço contratual, é admitida, na medida do estritamente necessário para repor o valor das prestações contratadas, uma actualização extraordinária do preço”, propõe o executivo.

Na proposta anterior, apresentada em 28 de Setembro, o Governo tinha indicado que haveria um diferencial adicional no salário mínimo para compensar a inflação, mas não avançou números.

O primeiro-ministro, António Costa, disse que queria chegar a um entendimento na Concertação Social sobre o acordo antes de segunda-feira, dia em que a proposta do Orçamento do Estado para 2023 (OE2023) dará entrada no parlamento, incluindo já algumas das medidas do acordo.

Diário de Notícias
DN/Lusa
06 Outubro 2022 — 17:43



 

391: Há milhares com “reformas douradas” em Portugal (que até acumulam benesses)

E para pagar todas estas benesses, os contribuintes vão sendo trucidados com impostos desmesurados onde impera a maior atrocidade no IRS. Um casal que pagava 14% de IRS (dois rendimentos), se um deles falecer, o que fica passa a pagar o dobro (28%) com menos um rendimento! Isto, não é pagar impostos, isto é ser ROUBADO INSTITUCIONALMENTE para que os pançudos do regime possam ter as suas contas bancárias bem recheadas e uma vidinha sem problemas de andar a contar os cêntimos!

SOCIEDADE/REFORMAS DOURADAS

André Kosters, Mário Cruz / Lusa
António Guterres, Aníbal Cavaco Silva

Desde reformas após 10 anos no cargo, iguais ao último salário, até subvenções vitalícias pagas sem limite de acumulação, há inúmeros casos de regimes especiais para pensionistas.

Há vários milhares de reformados que beneficiam de regimes, passados e presentes, que geram pensões de privilégio, avança esta quinta-feira a revista Sábado.

Um estudo encomendado na altura da troika, feito pela Caixa Geral de Aposentações (CGA), dava como exemplo 35 grupos de regimes especiais. Os regimes especiais são uma das explicações para as chamadas “reformas douradas”.

Este tipo de reformas caracteriza-se não só pelo elevado valor que os seus beneficiários recebem, mas também pelas regras de formação e pela fórmula de cálculo.

“Quando um militar podia ficar em casa aos 50 anos a receber o salário dos cinco anos anteriores à aposentação isso representava uma vantagem de muitos milhares de euros, mesmo que a pensão em si não fosse alta”, exemplifica Jorge Bravo, especialista em Segurança Social, em declarações à Sábado.

Os beneficiários deste tipo de reforma variam e incluem políticos, banqueiros, gestores, juízes, diplomatas, militares e altos quadros do Estado e do sector privado.

Há até casos de pensionistas que acumulam a reforma e outras benesses. Por exemplo, uma falha na lei permite ao ex-primeiro-ministro António Guterres acumular uma subvenção vitalícia de 4.138 euros mensais com o salário da ONU.

Também Assunção Esteves, antiga juíza do Tribunal Constitucional, acumula a pensão com uma subvenção vitalícia de 3.400 euros.

Cavaco Silva recebe duas pensões no valor global mensal de 10.100 euros, uma da CGA e outra do Banco de Portugal. Além disso, recebe ainda a subvenção por ter sido Presidente da República, a rondar os 6 mil euros.

Os juízes e procuradores surgem com as reformas mais altas. Os que optem pela jubilação podem ficar com uma pensão equivalente ao último salário, que vai sendo actualizada conforme os aumentos dos seus pares no activo.

Manuel Soares, líder da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, defende que “este é o preço que o Estado e os cidadãos pagam para não ter juízes a fazerem perninhas aqui e ali, em prejuízo da sua parcialidade, ou a fazerem favores nos últimos anos da carreira aos escritórios de advocacia, para terem ali um ganchinho”.

Os juízes do Tribunal Constitucional têm vantagens quer no acesso à pensão, quer no cálculo. Só precisam de dez anos de serviço e de cumprir os mandatos até ao fim. A pensão é igual à remuneração de um juiz conselheiro no activo.

As subvenções vitalícias acabaram em 2005, mas os seus beneficiários até então continuam a recebê-las. A Caixa Geral de Aposentações divulga uma lista, desde 2016, com o nome das 304 pessoas que recebem esta subvenção.

Isto constitui uma despesa anual, no mínimo, de 7,3 milhões de euros para o erário público. No entanto, este valor baseia-se apenas no valor inicial pago. As regras definiam que a subvenção seria actualizada à medida que o salário dos titulares no activo fosse sendo aumentado e que duplicaria quando o beneficiário fizesse 60 anos, detalha a revista Sábado.

Por exemplo, o antigo político e administrador bancário Armando Vara recebe 4.502 euros de subvenção, apesar do valor inicial que surge na lista ser de 2.014 euros.

O valor mais alto na lista da CGA é do último governador de Macau: Vasco Rocha Vieira tem direito a receber 13.607 euros mensais há 22 anos.

  ZAP //
6 Outubro, 2022



 

DIREITO A RSI NEGADO PELA “SEGURANÇA” SOCIAL

Não tenho palavras suficientes para expressar a minha RAIVA, embora contida, com o despacho que a “segurança” social deu ao pedido de RSI efectuado pela minha filha Vera.

No processo de pedido, juntaram-se TODOS os documentos – que nem eram solicitados – não só sobre as RECEITAS, como as DESPESAS do agregado familiar, neste caso eu que sou o único parente da Vera e que se encontra DESEMPREGADA há mais de SEIS ANOS, tendo deixado de receber este mês de Setembro o direito ao subsídio social de desemprego por ter esgotado esse direito.

O meu rendimento, pelos vistos, referenciado pela SS, no valor de € 1.290,62, é uma quantia que chega e sobra para manter a sobrevivência de duas pessoas adultas.

Pelos vistos, estes “contabilistas” de vão de escada, fazem apenas as contas aos rendimentos, IGNORANDO as DESPESAS. Ou seja, a “fortuna” recebida pela pensão de reforma do pai é mais que suficiente para dar uma vida com um mínimo de dignidade e sustento a ele e à filha.

Só que nos mapas que foram anexados ao processo de pedido de RSI, constavam as despesas mensais com renda da casa € 531,00, IRS €1.669,68, mais despesas com alimentação, passe social, farmácia, electricidade, gás, água e Internet, com cópias de todos os documentos destas despesas, fazem com que os subsídios de férias e de natal já nem cheguem para liquidar o IRS.

Não possuindo a requerente do RSI qualquer tipo de rendimento, estando o pai a suportar todas as despesas familiares, já em situação de racionamento e contenção, será justo o indeferimento do RSI?

Para gente que nunca trabalhou na puta da vida, que nunca efectuou descontos ou pagou impostos, o RSI é atribuído sem qualquer problema porque os rendimentos não são declarados. Será isto também justo?

27.Set.2022



 

348: Desempregados sem subsídio inscritos no IEFP abrangidos pelo apoio de 125 euros

“… Em causa estão, assim, pessoas que ainda mantenham a inscrição no centro de emprego apesar de já não receberem nenhuma das versões do subsídio de desemprego, por já terem esgotado o direito a esta prestação, por exemplo.” E por terem “esgotado” o direito à prestação de subsídio de desemprego, atiram-se seres humanos desempregados para a valeta, sem qualquer tipo de apoio para a sua sobrevivência. E ainda são atingidos pela EXCLUSÃO da gratuitidade do passe de transportes públicos para poderem deslocar-se na procura de trabalho! Pelo contrário, gente que nunca trabalhou na puta da vida, nem efectuou descontos e/ou pagou impostos, recebem RSI… Porra de “democracia” esta…!!!

DESEMPREGADOS/APOIO EXCEPCIONAL

Independentemente do rendimento do agregado familiar, o pacote prevê ainda a atribuição de um apoio de 50 euros por dependente (até aos 24 anos).

Os desempregados inscritos nos centros de emprego que não recebem subsídio também vão ser abrangidos pelo apoio extraordinário de 125 euros, desde que não estejam em situação de desemprego voluntário, segundo o diploma agora publicado em Diário da República.

O apoio de 125 euros que vai ser dado à generalidade dos adultos não dependentes – exceto pensionistas -cujo rendimento não tenha excedido em 2021 os 37.800 euros integra o pacote de medidas aprovadas pelo Governo com o objetivo de mitigar o impacto da subida dos preços.

Segundo o decreto-lei publicado em Diário da República entre as pessoas elegíveis incluem-se as que “estejam inscritas como desempregados no Instituto do Emprego e Formação Profissional, I. P. (IEFP, I. P.), e não estejam numa situação de desemprego voluntário”.

Em causa estão, assim, pessoas que ainda mantenham a inscrição no centro de emprego apesar de já não receberem nenhuma das versões do subsídio de desemprego, por já terem esgotado o direito a esta prestação, por exemplo.

Diário de Notícias
DN/Lusa
07 Setembro 2022 — 17:36



 

301: Subida automática das pensões anteciparia défice da Segurança Social até 2030

– Quando há dias escrevi um sticker no meu registo do FB com o texto NÃO VALE A PENA, entre outras coisas, era a isto que me referia, ou seja, não vale a pena lutar contra quem detém o poder político e económico, os DDT e resta aos mais carenciados, a todos aqueles que não possuem qualquer hipótese de defesa por carência de meios económicos e outros, continuarem a viver o dia a dia, um dia de cada vez, tentando (sobre)viver a quem faz as leis e quem as promulga.

SS/PENSÕES

Cálculos do Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho e da Segurança Social indicam que o “fundo se esgotaria no início da primeira metade da década de 2040”.

A actualização das pensões conforme a actualização automática e consequentes aumentos entre 7,1% e 8% a partir de 2023 iria antecipar os primeiros saldos negativos do sistema previdencial para o final da década de 2020.

“Os primeiros saldos negativos do sistema previdencial seriam antecipados para o final da década de 2020, podendo atingir valores negativos até 1,0% do PIB [Produto Interno Bruto] no final da década de 2030 e estimando-se que o fundo se esgotaria no início da primeira metade da década de 2040”, segundo o Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP) do Ministério do Trabalho e da Segurança Social.

A informação consta num documento enviado aos deputados e a que a Lusa teve acesso.

O relatório de sustentabilidade que tinha sido entregue com o Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) não contava com os valores de inflação para este ano tão elevados como os que têm sido registados (em Agosto, a taxa de inflação em Portugal medida pelo Índice Harmonizado de Preços ao Consumidor (IHPC) foi de 9,3%, contra 1,3% em termos homólogos e 9,4% em Julho).

Esse documento apresentado com o OE2022 previa já que o sistema entrasse em défice, mas apenas no início da década de 2030, segundo noticia hoje o diário Público.

Segundo o documento consultado pela Lusa, a actualização automática das pensões empurraria o défice do sistema para quase 1.080 milhões de euros em 2030 e para 3.314 milhões de euros em 2040, contra as previsões entregues com o OE deste ano de um saldo de 12 milhões em 2030 e défices de 2.243 milhões de euros e 2.325 milhões de euros em 2040 e 2050, respectivamente.

O Público regista ainda que a actualização automática das pensões teria “um impacto imediato no saldo do sistema, com os primeiros défices a ocorrerem meia década mais cedo que o previsto”.

O diário aponta ainda que as contas do GEP concluem que o Fundo de Estabilização Financeira se esgotaria no início da primeira década de 2040, colocando em causa “metade da evolução positiva” registada nos últimos anos.

O Governo anunciou, no âmbito do pacote de apoios às famílias para responder à inflação, a atribuição de um complemento extraordinário aos pensionistas de invalidez, velhice e sobrevivência do sistema de Segurança Social e os pensionistas por aposentação, reforma e sobrevivência do regime de protecção social convergente, residentes em território nacional.

O subsídio, pago de uma única vez em Outubro, corresponderá a 50% do valor total auferido em Outubro de 2022 a título pensões ou de complementos por dependência, por cônjuge a cargo, extraordinário de solidariedade ou extraordinário de pensão de mínimos.

Excluídos ficam os pensionistas com pensões de valor superior a 12 vezes o indexante de apoios sociais (IAS) — cerca de 5.300 euros.

Apesar de ser pago com a pensão de Outubro, este apoio extraordinário será objecto de retenção na fonte do IRS de forma separada — solução que evita que as pessoas em Outubro pudessem ‘subir’ na tabela de retenção na fonte e pagar uma taxa de imposto mais elevada.

Somada ao pagamento extra de 50% da pensão que é feito em Outubro, a actualização de Janeiro assegura que cada pensionista receba no próximo ano o valor que resultaria da aplicação integral da lei da actualização das pensões.

O Governo tem justificado a solução desenhada neste pacote de apoios, e no que às pensões diz respeito, com a necessidade de disponibilizar no imediato mais rendimento aos pensionistas (com o pagamento extra de Outubro) e de acautelar a sustentabilidade do sistema de Segurança Social.

Diário de Notícias
DN/Lusa
19 Setembro 2022 — 12:42



 

272: Informação sobre transportes da Área Metropolitana de Lisboa será disponibilizada em tempo real em aplicação

CARRIS/INFORMAÇÃO/APP

Horários e possíveis constrangimentos vão estar disponíveis, em tempo real, na aplicação da Moovit.

© Leonardo Negrão/Global Imagens

Os horários e possíveis constrangimentos na circulação dos transportes da Área Metropolitana de Lisboa vão estar disponíveis, em tempo real, na aplicação da Moovit, através de um protocolo assinado esta quarta-feira com empresa israelita de mobilidade.

O protocolo assinado entre a Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML) e a Moovit “regula a parceria para a disponibilização de dados da Carris Metropolitana” nesta aplicação, segundo explicaram à agência Lusa os dois promotores.

“Vai melhorar a forma como nós chegamos às pessoas, como damos informação às pessoas. Para darmos mais informação fiável, com um parceiro de créditos firmados neste mundo das aplicações”, justificou à Lusa o vogal da TML Rui Lopo.

O responsável explicou que a integração na aplicação da Moovit vai permitir que os utilizadores saibam “em tempo real onde anda o autocarro” e também os constrangimentos que possam ocorrer durante a circulação.

“Há um conjunto de funcionalidades que a Moovit disponibiliza que nós agora, gradualmente, vamos implementando. A questão das notificações, as pessoas saberem linha a linha os problemas que possam existir”, apontou.

Mais tarde, em comunicado, a TML adiantou que esta parceria “possibilita o acesso à informação, de forma fácil, aos cerca de 80 mil utilizadores diários da Carris Metropolitana.

A nota acrescenta que a Moovit “já integrou 260 linhas e 4.290 paragens de autocarros da Carris Metropolitana na aplicação, que serão incrementados com o aumento de oferta previsto e com a expansão da rede à margem norte”.

Por seu turno, o director de marketing e comunicação da Moovit, Yovav Meydad, destacou o facto de os utilizadores da aplicação passarem a obter todas as informações que necessitam, mesmo que vivam longe do centro da cidade de Lisboa.

“Este protocolo é muito importante para nós porque permite aos utilizadores da Moovit, de toda a Área Metropolitana de Lisboa, receber informação precisa sobre como viajar de um ponto para o outro, usando qualquer tipo de transporte público. Eles podem fazê-lo utilizando uma única aplicação”, sublinhou.

Actualmente, a aplicação da Moovit está disponível em 3.500 cidades de 112 países.

Rui Lopo adiantou que a TML estabeleceu também parcerias com a Google para que a informação da Carris Metropolitana esteja também disponível na aplicação “google maps”.

A Carris Metropolitana é a marca comum sob a qual vão funcionar as operações de transporte público rodoviário na AML, gerindo as redes municipais de 15 dos 18 municípios (Barreiro, Cascais e Lisboa mantêm as operações locais) e a totalidade da operação inter-municipal dos 18 concelhos.

Para tal foi criada a empresa Transportes Metropolitanos de Lisboa, detida a 100% pela entidade inter-municipal.

A área 1 inclui Amadora, Cascais, Lisboa, Oeiras e Sintra; a área 2 Loures, Mafra, Odivelas e Vila Franca de Xira; a área 3 Almada, Seixal e Sesimbra; e a área 4 Alcochete, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela e Setúbal.

Os novos autocarros amarelos da Carris Metropolitana começaram a operar em 01 de Junho nos concelhos de Setúbal, Alcochete, Moita, Montijo e Palmela (área 4) e em 01 de Julho nos de Almada, Seixal e Sesimbra (área 3), todos eles no distrito de Setúbal.

O início da operação da Carris Metropolitana nos concelhos da margem norte do Tejo, no distrito de Lisboa (áreas 1 e 2), foi adiado para 01 de Janeiro de 2023 por não estarem “garantidas as condições consideradas essenciais”.

Diário de Notícias
DN/Lusa
14 Setembro 2022 — 14:01