776: “Cobra” celestial apanhada a rastejar pelo Sol a 170 quilómetros por segundo

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/SOL

A cobra é na verdade um tubo de gases atmosféricos mais frios que rapidamente rastejaram pelo campo magnético do Sol.

A missão do Orbitador Solar, que está a ser levada a cabo pela Agência Espacial Europeia, captou uma “cobra” celestial a rastejar a alta velocidade pelo Sol.

A imagem foi captada no dia 5 de Setembro, quando o Orbitador Solar se aproximou do Sol para uma passagem mais próxima que aconteceu a 12 de Outubro.

Na verdade, esta cobra é um “tubo” de gases atmosféricos mais frios que foi suspenso pelo campo magnético poderoso da nossa estrela no plasma mais quente circundante na atmosfera do Sol.

O plasma é um estado de matéria incrivelmente quente, tão quente que os electrões saem dos seus átomos, o que o torna um gás de partículas carregadas. Dado serem partículas carregadas, são muito sensíveis aos campos magnéticos. As temperaturas altas no Sol levam a que todo o gás do Sol seja plasma, escreve o SciTech Daily.

O plasma da cobra está a seguir um filamento particularmente longo no campo magnético do Sol. O vídeo captado é uma time-lapse que foi construída com imagens do Gerador de Imagens Ultravioleta incluído no orbitador.

No total, a cobra demorou três horas a percorrer todo o filamento, mas dado o tamanho enorme do Sol, isto significa que o plasma estava a viajar a uma velocidade de 170 quilómetros por segundo ou 612 mil quilómetros por hora.

O que torna esta cobra tão intrigante é que ela começou a sua jornada numa região solar activa que mais tarde entrou em erupção, ejectando milhares de milhões de toneladas de plasma no espaço. Isto levanta a possibilidade de que a cobra tenha sido a causadora desse evento.

ZAP //
17 Novembro, 2022



 

516: Diz cheese! NASA apanha o Sol a “sorrir”

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/NASA/SOL

NASA / Twitter

Uma nova fotografia da NASA apanhou os buracos coronais do Sol numa posição onde parece que a nossa estrela tem dois olhos e uma boca sorridente.

Já são conhecidos os benefícios da luz solar para a saúde mental e para a nossa disposição — e agora o Sol decidiu mesmo “sorrir” para nós.

Os astrónomos da NASA captaram a nossa estrela a arreganhar a tacha de forma alegre e decidiram partilhar a fotografia com o resto do mundo através do Twitter.

Claro que este “sorriso” não é, verdadeiramente, um sorriso. O que forma os “olhos” e a “boca sorridente” do Sol são os buracos coronais, os mesmos buracos de onde saem as golfadas de vento solar que a nossa estrela cospe.

Quando este vento solar é expelido a uma grande velocidade, gera violentas tempestades solares. Se estas tempestades chegarem à Terra e colidirem com a nossa atmosfera, dão origem à incrível dança de luzes típica das auroras boreais, que acontecem nos pólos do nosso planeta. O choque com o vento solar pode também causar falhas no funcionamento dos satélites.

Este “sorriso” foi só uma grande coincidência, com estes buracos coronais a  aparecerem em forma de dois olhos e uma boca, e mais um exemplo do fenómeno psicológico da pareidolia — quando nós conseguimos ver rostos em objectos ou padrões aleatórios.

Para alguns utilizadores do Twitter, este não é um sorriso qualquer. A forma do “rosto” do nosso Sol assemelha-se à cara do famoso vilão da série Ghostbusters, o homem de marshmallow Stay Puft. Será que é esta a fantasia do Sol para o Dia das Bruxas?

  Adriana Peixoto, ZAP //
29 Outubro, 2022



 

495: Morte do Sol pode gerar novas vidas no Sistema Solar Exterior

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

Em cerca de 5 biliões de anos, após a morte do Sol, o sistema solar mudará drasticamente. Os oceanos ficaram secos, planetas inteiros serão consumidos e mundos de gelo finalmente poderão prosperar.

Morte do Sol pode gerar novas vidas no Sistema Solar Exterior © Morte do Sol pode gerar novas vidas no Sistema Solar Exterior (Foto: Brano/Unsplash)

O Sol é alimentado por fusão nuclear e transforma hidrogénio em hélio num processo que converte massa em energia. Quando esse suprimento de combustível acabar, o Sol começará a crescer dramaticamente.

Suas camadas externas se expandirão até engolir grande parte do sistema solar, à medida que se torna o que os astrónomos chamam de “gigante vermelha”.

Mas, o que vai acontecer com os planetas quando o Sol entrar na fase de gigante vermelha? Esse assunto ainda é debatido entre cientistas, mas a maioria concorda que a vida na Terra será completamente destruída, ao passo que esse fenómeno pode criar mundos habitáveis ​​no que são actualmente os pontos mais frios do sistema solar.

Quaisquer humanos que sobrarem podem encontrar refúgio em Plutão e outros planetas anões distantes no Cinturão de Kuiper, uma região repleta de rochas espaciais geladas. À medida que o nosso Sol se expande, esses mundos de repente se encontrarão com as condições necessárias para a evolução da vida.

Esses são os “mundos habitáveis ​​de gratificação atrasada”, de acordo com o cientista planetário Alan Stern, do Southwest Research Institute. “No final da vida do Sol – na fase gigante vermelha – o Cinturão de Kuiper será uma Miami Beach metafórica”, explicou ele.

Uma vez que o nosso Sol se tornou uma gigante vermelha, Plutão e seus primos no Cinturão de Kuiper, além da lua de Neptuno, Tritão, podem ser o local mais valioso para a vida do sistema solar.

Hoje, esses mundos contêm gelo abundante e materiais orgânicos complexos. Alguns deles podem até conter oceanos sob suas superfícies geladas, ou pelo menos tiveram num passado distante.

No entanto, as temperaturas da superfície em planetas anões como Plutão geralmente ficam em inóspitas centenas de graus abaixo de zero.

Mas quando tudo que sobrar da Terra forem cinzas, as temperaturas em Plutão serão semelhantes às temperaturas médias do nosso próprio planeta hoje. “Quando o Sol se tornar uma gigante vermelha, as temperaturas na superfície de Plutão serão aproximadamente as mesmas que as temperaturas médias na superfície da Terra agora”, disse Stern.

Em uma pesquisa publicada na revista Astrobiology em 2003, ele analisou as perspectivas de vida no sistema solar externo após o Sol entrar na sua fase de gigante vermelha. A Terra será torrada, mas Plutão será balsâmico e repleto dos mesmos tipos de compostos orgânicos complexos que existiam quando a vida evoluiu pela primeira vez no nosso próprio planeta.

Stern explicou que Plutão provavelmente terá uma atmosfera espessa e uma superfície de água líquida. Colectivamente, os mundos, de rochas espaciais semelhantes a cometas e planetas anões como Eris e Sedna, nesta nova zona habitável terão três vezes mais área de superfície do que todos os quatro planetas do sistema solar interno combinados.

Isso pode parecer uma discussão académica relevante apenas para nossos descendentes distantes, isso se eles tiverem a sorte de sobreviver biliões de anos a partir de agora.

No entanto, como Stern aponta, existem cerca de 1 bilião de estrelas gigantes vermelhas na Via Láctea hoje. São muitos lugares para os seres vivos podem evoluir e depois perecerem enquanto suas estrelas os consomem.

MSN Notícias
26.10.2022
às 18:40



 

178: A Terra poderá ser expulsa do nosso sistema solar?

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

Vivemos hoje num momento muito especial no que toca à exploração espacial e à compreensão do Universo. Contudo, já no passado havia quem teorizasse sobre um futuro incerto do ponto de vista cósmico, que obrigasse os humanos a tomar medidas radicais, embora impossíveis aos olhos da actualidade.

No conto de Liu Cixin “The Wandering Earth“, Cixin retrata um cenário em que os líderes do planeta concordam em expulsar a Terra do sistema solar para escapar de uma explosão solar iminente que iria dizimar tudo no planeta.

Esta história é, claro, baseada no reino da ficção, mas será que a Terra alguma vez poderá realmente deixar o sistema solar?

E se um dia a Terra fosse expulsa do sistema solar?

Numa visão micro, de dentro para fora em relação ao planeta no universo, esta conversa parece até absurda. Aliás, Matteo Ceriotti, engenheiro aeroespacial e professor de engenharia de sistemas espaciais na Universidade de Glasgow no Reino Unido, disse mesmo que este cenário “é muito improvável”.

No entanto, como Ceriotti explicou, “improvável” não significa que seja “impossível”, e sugeriu uma forma de o fazer teoricamente.

A Terra poderia ser afastada da sua órbita através da acção de um enorme objecto interestelar, que ao voar através do espaço interestelar, entrasse no sistema solar e passasse perto da Terra.

Referiu o engenheiro aeroespacial.

Esta realidade seria possível, pois neste encontro próximo, conhecido como “flyby”, a Terra e o objecto trocariam energia e impulso, e a órbita da Terra seria perturbada. Se o objecto fosse suficientemente rápido, massivo e próximo, poderia projectar a Terra para uma órbita de fuga dirigida para fora do sistema solar.

Timothy Davis, um professor superior de física e astronomia na Universidade de Cardiff no Reino Unido, concordou que a Terra poderia ser teoricamente expulsa do sistema solar, e tem a sua própria hipótese sobre como isto poderia acontecer.

Os planetas, tal como existem neste momento, estão em órbitas estáveis à volta do Sol. Contudo, se o Sol tivesse um encontro próximo com outra estrela, então as interacções gravitacionais destes corpos poderiam perturbar estas órbitas, e potencialmente causar a expulsão da Terra do sistema solar.

Explicou Davis num comentário à Live Science.

No entanto, Davis observou que, embora este cenário seja viável, é incrivelmente duvidoso que venha a acontecer – pelo menos, num futuro previsível.

Tais encontros estelares são bastante raros. Por exemplo, sabemos que se espera que a estrela Gliese 710 se aproxime bastante, em termos astronómicos, do Sol dentro de cerca de um milhão de anos – mas mesmo este “flyby” é pouco provável que perturbe os planetas.

Referiu o investigador de física e astronomia da Universidade de Cardiff.

E se um dia tivéssemos mesmo que “fugir” para longe do nosso Sol?

Em cenários apocalípticos, na orça da ficção, um dia poderíamos ter de fugir de onde estamos. Embora seja improvável que forças externas forcem a Terra a sair do sistema solar em breve, poderá a humanidade construir maquinaria capaz de deslocar o planeta a tal ponto que este acabe por ser ejectado?

A energia necessária para remover a Terra da sua órbita e expulsá-la do sistema solar é tão maciça – equivalente a mil triliões (um 1 com 21 zeros depois dele) de bombas nucleares mega-toneladas a explodirem de uma só vez – que isto parece improvável.

Disse Davis.

Embora tal evento esteja longe de ser provável, o que aconteceria se a Terra se separasse do sistema solar? Que impactos ocorreriam se o nosso planeta natal acabasse por ser permanentemente arrancado para as profundezas do universo?

A Terra voaria para o espaço interestelar até ser capturada ou engolida por outra estrela ou por um buraco negro. Além disso, se a Terra deixasse o sistema solar, provavelmente resultaria na dizimação de muita – se não de toda – a vida do planeta.

Explicou Ceriotti.

O investigador referiu que nesse cenário seria improvável que a atmosfera permanecesse: O clima global da Terra é muito delicado devido a um fino equilíbrio entre a radiação que chega do sol e a energia dissipada para o espaço profundo. Se isto viesse a variar, as temperaturas mudariam imediata e dramaticamente.

Portanto, a maioria da vida na Terra não sobreviveria a este movimento cataclísmico de afastamento do sistema solar.

Se a Terra abandonasse o sistema solar, é muito provável que a grande maioria da vida tal como a conhecemos desaparecesse. Quase toda a energia utilizada pelos organismos vivos da Terra tem origem no Sol, quer directamente (por exemplo, plantas que foto-sintetizam), quer indirectamente (por exemplo, herbívoros que comem as plantas, e carnívoros que comem os herbívoros).

Neste cenário, quanto mais a Terra se afastasse do Sol, mais baixa seria a sua temperatura. Acabaria por congelar por completo. A única fonte natural de calor restante seria o decaimento dos elementos radioactivos na crosta terrestre remanescentes da formação do sistema solar.

Concluiu Timothy Davis.

Olhando para o futuro, os investigadores concordam que o nosso sistema solar acabará por ser gravemente perturbado, que a Terra ou será arrasada, ou será inteiramente destruída.

Pplware
Autor: Vítor M
01 Set 2022


 

57: Gaia revela o passado e o futuro do Sol

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ASTROFÍSICA

Impressão artística de alguns possíveis percursos evolutivos para estrelas de diferentes massas iniciais.
Algumas proto-estrelas, anãs castanhas, nunca ficam quentes o suficiente para se tornarem verdadeiramente estrelas, e simplesmente arrefecem e desvanecem-se.
As anãs vermelhas, o tipo estelar mais comum, continuam a arder até terem transformado todo o seu hidrogénio em hélio, transformando-se numa anã branca.
Estrelas semelhantes ao Sol incham em gigantes vermelhas antes de libertarem os seus invólucros exteriores para uma nebulosa colorida, enquanto os seus núcleos colapsam numa anã branca.
As estrelas mais massivas colapsam abruptamente depois de terem queimado o seu combustível, provocando uma explosão de super-nova ou explosão de raios-gama, e deixando para trás uma estrela de neutrões ou um buraco negro.
Crédito ESA

Todos desejamos, por vezes, ver o futuro. Agora, graças aos dados mais recentes da missão Gaia da ESA, os astrónomos podem fazer exactamente isso para o Sol. Ao identificar com precisão estrelas de massa e composição semelhantes, podem ver como o nosso Sol vai evoluir no futuro. E este trabalho vai muito além de um pouco de clarividência astrofísica.

A terceira grande divulgação de dados do Gaia (DR3, “data release 3”) foi tornada pública a 13 de Junho de 2022. Um dos principais produtos a sair desta publicação foi uma base de dados das propriedades intrínsecas de centenas de milhões de estrelas. Estes parâmetros incluem quão quentes são, quão grandes são e quais as massas que possuem.

O Gaia faz leituras excepcionalmente precisas do brilho aparente de uma estrela, tal como visto da Terra, e da sua cor. A transformação destas características observacionais básicas nas propriedades intrínsecas de uma estrela é um trabalho meticuloso.

Orlagh Creevey, do Observatório Côte d’Azur, França, e colaboradores da Unidade de Coordenação 8 do Gaia, são responsáveis pela extracção de tais parâmetros astrofísicos das observações do Gaia.

Ao fazê-lo, a equipa está a acrescentar ao trabalho pioneiro dos astrónomos que trabalharam no HCO (Harvard College Observatory), no estado norte-americano de Massachusetts, durante o final do século XIX e início do século XX.

Naquela altura, os esforços dos astrónomos centravam-se na classificação do aparecimento de “linhas espectrais”. Estas são linhas escuras que aparecem no arco-íris de cores produzidas quando a luz de uma estrela é dividida com um prisma. Annie Jump Cannon concebeu uma sequência de classificação espectral que ordenou as estrelas de acordo com a força destas linhas espectrais.

Esta ordem foi posteriormente descoberta como estando directamente relacionada com a temperatura das estrelas. Antonia Maury fez uma classificação separada com base na largura de certas linhas espectrais. Mais tarde, descobriu-se que esta se relacionava com a luminosidade e a idade de uma estrela.

A correlação destas duas propriedades permite que cada estrela no Universo seja traçada num único diagrama. Conhecido como diagrama de H-R (Hertzsprung-Russell), tornou-se uma das pedras angulares da astrofísica.

Concebido independentemente em 1911 por Ejnar Hertzsprung e em 1913 por Henry Norris Russell, um diagrama de H-R traça a luminosidade intrínseca de uma estrela contra a sua temperatura superficial efectiva. Ao fazê-lo, revela como as estrelas evoluem ao longo dos seus grandes ciclos de vida.

Embora a massa da estrela mude relativamente pouco ao longo da sua vida, a temperatura e o tamanho da estrela variam muito à medida que envelhece. Estas alterações são impulsionadas pelo tipo de reacções de fusão nuclear que estão a ocorrer dentro da estrela na altura.

Com uma idade de cerca de 4,57 mil milhões de anos, o nosso Sol está actualmente na sua confortável meia-idade, fundindo hidrogénio em hélio e sendo geralmente bastante estável; calmo, até. Nem sempre será esse o caso.

À medida que o combustível hidrogénio se esgota no seu núcleo, e que as mudanças começam no processo de fusão, é esperado que inche numa estrela gigante vermelha, baixando a sua temperatura de superfície no processo. Exactamente como isto acontece depende de quanta massa uma estrela contém e da sua composição química. É aqui que entra a DR3.

Orlagh e colegas vasculharam os dados à procura das observações estelares mais precisas que a missão podia oferecer. “Queríamos ter uma amostra realmente pura de estrelas com medições de alta precisão”, diz Orlagh.

Concentraram os seus esforços em estrelas que têm temperaturas de superfície entre 3000K e 10000K, porque estas são as estrelas com a vida mais longa na Galáxia e, portanto, podem revelar a história da Via Láctea. São também candidatas promissoras à descoberta de exoplanetas, porque são basicamente parecidas ao Sol, que tem uma temperatura à superfície de 6000K.

Em seguida, Orlagh e colegas filtraram a amostra para mostrar apenas aquelas estrelas que tinham a mesma massa e composição química que o Sol. Uma vez que permitiram idades diferentes, as estrelas que seleccionaram acabaram por traçar uma linha através do diagrama de H-R que representa a evolução do nosso Sol, desde o seu passado até ao seu futuro. A linha revelou a forma como a nossa estrela irá variar a sua temperatura e luminosidade à medida que envelhece.

A partir deste trabalho, torna-se claro que o nosso Sol atingirá uma temperatura máxima aproximadamente aos 8 mil milhões de anos, e que depois irá arrefecer e aumentar de tamanho, tornando-se numa estrela gigante vermelha por volta dos 10-11 mil milhões de anos. O Sol chegará ao fim da sua vida após esta fase, quando eventualmente se tornar numa ténue anã branca.

Encontrar estrelas semelhantes ao Sol é essencial para compreender como encaixamos no Universo mais vasto. “Se não compreendermos o nosso próprio Sol – e há muitas coisas que não sabemos sobre ele – como podemos esperar compreender todas as outras estrelas que constituem a nossa maravilhosa Galáxia”, comenta Orlagh.

É uma fonte de alguma ironia que o Sol seja a nossa estrela mais próxima e mais estudada, mas a sua proximidade obriga-nos a estudá-la com telescópios e instrumentos completamente diferentes dos que usamos para olhar para o resto das estrelas. Isto porque o Sol é muito mais brilhante do que as outras estrelas. Ao identificar estrelas semelhantes ao Sol, mas desta vez com idades semelhantes, podemos colmatar esta lacuna observacional.

Para identificar estas “análogas solares” nos dados do Gaia, Orlagh e colegas procuraram estrelas com temperaturas, gravidades à superfície, composições, massas e raios que são todos semelhantes ao Sol actual. Encontraram 5863 estrelas que correspondiam aos seus critérios.

Agora que o Gaia produziu a lista de alvos, outros podem começar a investigá-los com seriedade. Algumas das questões a que querem respostas incluem: todas as análogas solares têm sistemas planetários semelhantes ao nosso? Será que todas as análogas solares giram a um ritmo semelhante ao do Sol?

Com a DR3, a instrumentação extremamente precisa do Gaia permitiu que os parâmetros estelares de mais estrelas fossem determinados com mais precisão do que nunca. E essa exactidão irá ondular para muitos outros estudos. Por exemplo, conhecer estrelas com mais exactidão pode ajudar ao estudo das galáxias, cuja luz é uma amalgamação de milhares de milhões de estrelas individuais.

“A missão Gaia tocou em todos os ramos da astrofísica”, diz Orlagh.

Assim, quase certamente, não será apenas o passado e o futuro do Sol que este trabalho vai ajudar a iluminar.

Astronomia On-line
16 de Agosto de 2022

39: Veja um cometa maciço a chocar contra o Sol e a vaporizar-se imediatamente

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Um cometa atingiu o Sol no momento em que o Observatório Solar e Heliosférico da NASA observava os movimentos da nossa estrela. Conforme mostram as imagens, o cometa não conseguiu resistir à intensa força gravitacional do Sol. Do outro lado da estrela podemos ver uma enorme ejecção de massa coronal.

Este astro estava condenado. Dizem os especialistas que seria já um fragmento de um corpo substancialmente maior.

O espaço sideral pode perdoar, mas o Sol não

Um cometa foi captado pelo Observatório Solar e Heliosférico da NASA, no domingo passado, enquanto observava os movimentos solares.

O astro condenado seria um “Kreutz sungrazer” ou cometas rasantes Kreutz. Basicamente são fragmentos de um cometa gigante que se partiu há muitos séculos.

Segundo o astrónomo Tony Phillips:

Há um enxame destes fragmentos que orbita o Sol, e todos os dias pelo menos um se aproxima demasiado e desintegra-se. A maioria, medindo menos de alguns metros de largura, são demasiado pequenos para serem vistos, mas ocasionalmente um grande como o de hoje atrai a atenção.

As imagens mostram que o cometa foi vaporizado na poderosa e intensa atracção gravitacional do Sol. O calor é de tal ordem que ao aproximar-se, este fragmento desaparece em poucos segundos.

Como era composto este cometa?

Os cometas, em grosso modo, são pequenos corpos do sistema solar que começam a aquecer e libertam gás à medida que passam perto do Sol. Os cometas podem variar em tamanho desde algumas centenas de metros até dezenas de quilómetros.

Segundo a NASA, os cometas são bolas de neve cósmicas de gases congelados, rochas e poeira que orbitam a nossa estrela. Quando congelados, têm o tamanho de uma pequena cidade. Quando a órbita de um cometa o aproxima do Sol, ele aquece e lança poeira e gases para uma cabeça gigantesca e brilhante, maior do que a maioria dos planetas.

O pó e os gases formam uma cauda que se afasta do Sol durante milhões de quilómetros. Há provavelmente milhar de milhões de cometas em órbita do nosso Sol no Cintura de Kuiper e ainda mais distante da Nuvem de Oort.

Pplware
Autor: Vítor M.
11 Ago 2022

33: Terra “levou uma chapada” de vento solar a 600 quilómetros por segundo

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

Não vivemos propriamente tempos pacíficos. Fala-se em seca extrema, em guerra, fogos, crises económicas e até no plano espacial a nossa estrela faz questão de fustigar o planeta com ventos solares que surpreendem os próprios cientistas que estudam estes fenómenos. O caso mais recente foi o de uma tempestade solar que atingiu a Terra neste fim de semana passado. Sem aviso, os ventos “bateram” no nosso planeta com uma forma totalmente inesperada.

No domingo, o campo magnético da Terra foi atingido por uma corrente de vento solar que atingiu velocidades de mais de 600 quilómetros por segundo.

Conforme já referimos, a nossa estrela está no seu 25.º ciclo e, quando começou, os investigadores deixaram o alerta que este novo período de 11 anos não seria tão calmo como o último que terminou em finais de 2019.

Alguns eventos, como a explosão solar da classe M4.4, ou como explosão de classe X, ocorrida em 2021, mostram a actual actividade na nossa estrela. Aliás, vimos que na semana passada estava prevista e aconteceu uma tempestade de classe G1. Segundo a NOAA, este evento, que chegou até nós no passado dia 3 de Agosto, não causou nenhum problema e a sua origem deveu-se a um buraco no sol, conforme explicado aqui.

Terra levou uma chapada inesperada a mais de 600 quilómetros segundo

Sem aviso, a Terra foi atingida no domingo passado por uma forte rajada de vento solar. Embora isso não seja muito alarmante – tempestades solares geralmente atingem o nosso planeta e provocam auroras espectaculares – o estranho é que esta tempestade foi totalmente inesperada.

Este evento não estava na previsão, então as auroras resultantes foram uma surpresa.

Relatou a SpaceWeather.

O vento solar ocorre quando um fluxo de partículas altamente energizadas e plasma não podem mais ser retidos pela gravidade do Sol e irrompem em direcção à Terra. Como ainda há muito que se desconhece como funciona o nosso Sol, acredita-se que estas emissões venham de grandes manchas brilhantes no Sol conhecidas como “buracos coronais”. Estes eventos que ocorrem na estrela são desde há muito tempo vigiados e há um óptimo trabalho de monitorização aqui na Terra.

Através desta atenção dada aos buracos, os cientistas têm conseguido criar ‘previsões’ do clima espacial. Conseguem já prever quando estas tempestades solares ou erupções solares – também conhecidas como ejecções de massa coronal (CMEs) – estão a vir na nossa direcção. Além disso, já se consegue perceber o quão poderosas serão.

Contudo, isso não significa que o Sol não nos surpreenda e nos atinja sem aviso como aconteceu no fim de semana.

Mas como foi detectado este embate dos ventos solares no nosso planeta?

No início do domingo, o Deep Space Climate Observatory da NASA (DSCOVR) notou leves fluxos de vento solar, que aumentaram significativa e inesperadamente ao longo do dia. A causa desta tempestade solar ainda é desconhecida, mas a SpaceWeather especula que pode ter sido a chegada antecipada do vento solar que deve vir de um buraco equatorial na atmosfera do Sol dois dias depois. Ou poderia ter sido uma ejecção de massa coronal perdida (CME).

Uma descontinuidade nos dados do vento solar em 0045 UT em 7 de Agosto sugere uma onda de choque incorporada no vento solar.

Hoje em dia, o sol activo está a produzir tantas pequenas explosões que é fácil ignorar CMEs fracas em direcção à Terra.

Descreveu assim o serviço SpaceWeather.

É interessante perceber, que à data de hoje, portanto, dia 9 de Agosto, o vento solar de alta velocidade continua a bater no campo magnético da Terra, com recordes que mostram que a velocidade atinge 551,3 quilómetros por segundo. Começou esta madrugada pelas 5 da manhã este novo “ataque” ao nosso escudo natural.

A boa notícia é que o vento solar não é prejudicial para nós aqui na Terra. Isto porque estamos em segurança protegidos pela atmosfera do nosso planeta.

Contudo, quando o “embate” é forte, as nossas tecnologias podem sofrer com isso. Por isso é que se fala e já temos visto, problemas com os satélites de telecomunicações e, em casos extremos, com as redes eléctricas.

Tempestade solar classificada como G2

Estes ventos foram classificados como uma tempestade solar G2 moderada – as tempestades estão classificadas como G1 no extremo mais baixo da escala até G5, que é uma poderosa tempestade solar.

As tempestades G2 podem afectar os sistemas de energia de alta latitude e podem ter impacto nas previsões de órbita das naves espaciais, de acordo com a meteorologia espacial.

É verdade que já começa a ser uma rotina. Isto porque este ano está a ser, particularmente, um ano com vários eventos deste género. Contudo, tal como já referimos em cima, estes 11 anos do 25.º ciclo solar não vai ser nada calmo.

Pplware
Autor: Vítor M
09 Ago 2022

8: A tempestade solar do buraco no sol atingirá a Terra na quarta-feira (Ago. 3)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Felizmente, a tempestade é classificada como fraca.

Ilustração de um artista de uma tempestade solar (Crédito da imagem: Shutterstock)

Os ventos solares de alta velocidade de um “buraco” na atmosfera do sol devem atingir o campo magnético da Terra na quarta-feira (3 de Agosto), provocando uma pequena tempestade geomagnética G-1.

Os meteorologistas do Centro de Previsão do Tempo Espacial (SWPC) da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional fizeram a previsão depois de observar que “o material lacoso está fluindo de um buraco sul na atmosfera do sol”, de acordo com o Spaceweather.com.

Os buracos coronais são áreas na atmosfera superior do sol, onde o gás electrificado (ou plasma) da nossa estrela é mais frio e menos denso. Tais buracos também são onde as linhas do campo magnético do Sol, em vez de voltar a entrar em si mesmas, fluem para fora no espaço. Isso permite que o material solar surja em uma torrente que viaja a velocidades de até 2,9 milhões de quilómetros por hora, de acordo com o Exploratorium, um museu de ciências em São Francisco.

Em planetas com fortes campos magnéticos, como o nosso, esta barragem de detritos solares é absorvida, provocando tempestades geomagnéticas. Durante essas tempestades, o campo magnético da Terra é ligeiramente comprimido pelas ondas de partículas altamente energéticas. Essas partículas escorrem pelas linhas de campo magnético perto dos pólos e agitam moléculas na atmosfera, liberando energia na forma de luz para criar auroras coloridas, semelhantes às que compõem as luzes do norte.

A tempestade produzida por esses detritos será fraca. Como uma tempestade geomagnética do G1, tem o potencial de causar pequenas flutuações nas redes eléctricas e impactar algumas funções de satélite incluindo aquelas para dispositivos móveis e sistemas de GPS. Também trará a aurora até o sul de Michigan e Maine.

Tempestades geomagnéticas mais extremas podem perturbar o campo magnético do nosso planeta poderosamente o suficiente para enviar satélites caindo para a Terra, informou a Live Science anteriormente, e os cientistas alertaram que tempestades geomagnéticas extremas poderiam até paralisar a Internet. Os detritos que entram em erupção do sol, ou ejecções de massa coronal (CMEs), geralmente levam cerca de 15 a 18 horas para chegar à Terra, de acordo com o Centro de Previsão do Clima Espacial.

Esta tempestade ocorre quando o sol se aproxima de sua fase mais activa de seu ciclo solar de cerca de 11 anos.

Os astrónomos sabem desde 1775 que a actividade solar sobe e desce em ciclos, mas recentemente, o sol tem sido mais activo do que o esperado, com quase o dobro das aparências de manchas solares previstas pela NOAA. Os cientistas antecipam que a actividade do sol aumentará constantemente nos próximos anos, atingindo um máximo geral em 2025 antes de diminuir novamente.

Um artigo publicado em 20 de Julho na revista Astronomy and Astrophysics propôs um novo modelo para a actividade do sol contando separadamente as manchas solares em cada hemisfério – um método que os pesquisadores do artigo argumentam que poderia ser usado para fazer previsões solares mais precisas.

Os cientistas acreditam que a maior tempestade solar já testemunhada durante a história contemporânea foi o evento Carrington de 1859, que liberou aproximadamente a mesma energia que 10 bilhões de bombas atómicas de 1 megatons.

Depois de bater na Terra, o poderoso fluxo de partículas solares fritou sistemas telegráficos em todo o mundo e fez com que as auroras mais brilhantes do que a luz da lua cheia aparecesse tão ao sul quanto o Caribe.

Se um evento semelhante acontecesse hoje, alertam os cientistas, isso causaria triliões de dólares em danos e desencadearia apagões generalizados, bem como a tempestade solar de 1989 que liberou uma pluma de gás de bilhões de toneladas e causou um apagão em toda a província canadense de Quebec.NASA reported

Originalmente publicado em Live Science.
Por Jogos de Ben Turner
01.08.2022