252: Descobertos dois super planetas com potencial para receber vida. Serão a “nova Terra”?

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Um dos grandes impulsos da astronomia é a descoberta de potenciais planetas onde haja vida ou possa abrigar a nossa. A humanidade para prolongar a sua existência por mais de 4 mil milhões de anos tem de partir, tem de conseguir um novo planeta que seja a casa dos terráqueos. Numa das recentes descobertas, os astrónomos detectaram dois super planetas potencialmente habitáveis.

Ambos estão a apenas 100 anos-luz, são planetas rochosos em órbita da estrela LP 890-9. Esta é uma descoberta que está a prender a atenção dos caçadores de exoplanetas “que podem ter condições de habitabilidade”.

Será este o planeta que poderá ser “a nova Terra”?

Um par de planetas rochosos, em órbita da estrela LP 890-9 – também conhecida como SPECULOOS 2, poderão ter condições para serem habitados. Pelo menos um deles pode ser o segundo exoplaneta mais habitável descoberto até agora.

Os planetas são chamados LP 890-9b – que já tinham sido avistados antes, mas sabíamos pouco sobre isso – e LP 890-9c, também chamado de SPECULOOS-2c.

Apenas alguns detalhes são conhecidos sobre a SPECULOOS-2c além do seu tamanho e os oito dias que leva para orbitar a sua estrela, LP 890-9. Amaury Triaud na Universidade de Birmingham, Reino Unido, e os seus colegas, que a avistaram, esperam que o Telescópio Espacial James Webb (JWST) possa trazer mais dados em relação a aspectos como a existência de atmosfera e outras características que se suspeita que tenham.

Aliás, são estas resposta que nos informam sobre o potencial do planeta para acolher vida. Estar na zona habitável em torno de uma estrela significa que as condições não são demasiado quentes ou demasiado frias, pelo que poderá existir água líquida na superfície.

Como foi descoberta esta dupla de exoplanetas?

Para encontrar planetas noutros sistemas solares, os astrónomos podem procurar o escurecimento da luz de uma estrela quando um planeta passa em frente dela, perturbando a nossa visão.

No entanto, isto é difícil de conseguir quando uma estrela é tão brilhante como o nosso próprio sol, porque os planetas são comparativamente mais escuros, mas mais fáceis de detectar se a estrela hospedeira for mais fria e mais escura, como as anãs vermelhas.

Figura 1: Uma renderização concetual da descoberta. (Crédito: Astrobiology Center/MuSCAT team)

Segundo o que foi dado a conhecer, SPECULOOS 2c tem um raio 30 a 40% maior do que o da Terra e leva apenas 8,4 dias a orbitar a sua estrela (a Terra leva 365 dias).

Tem uma característica, contudo, muito diferente da Terra. Sofrem de acoplamento gravitacional. Isto é, há um lado do planeta que é sempre dia e o outro é sempre noite.

Exemplo de um corpo celeste “preso” gravitacionalmente”.

Apesar destas diferenças, a equipa estima que parece ser o segundo planeta mais habitável descoberto até agora, depois do TRAPPIST-1e, fora do nosso sistema solar, e ainda pode potencialmente ter água líquida na sua superfície.

O planeta exterior está no limite interior do que se chama a zona habitável, um pouco como a Terra. A partir dos meus cálculos, o sistema é o segundo melhor no momento para estudar o clima ou descobrir a atmosfera com um instrumento como o JWST.

Disse Amaury Triaud, um estudiosos dos exoplanetas.

Há uma lista de possíveis exoplanetas que podem ser habitáveis

Em 2021, o satélite Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS) da NASA, que procura exoplanetas pelo espaço, divulgou uma lista de planetas potenciais recentemente descobertos.

Um destes planetas, o TOI-4306.01, também chamado LP 890-9b, chamou a atenção de Triaud e da sua equipa, pelo que seguiram com telescópios terrestres em todo o mundo, durante mais de 600 horas de observação na sua estrela anfitriã.

Para além de confirmarem a descoberta inicial do TESS, descobriram também um segundo planeta, SPECULOOS-2c. Não conseguiram medir quaisquer outros detalhes para além do seu raio e órbita, mas com base na proximidade das órbitas da sua estrela e da sua radiação estimada, e uma massa projectada a partir do seu raio com base no que sabemos sobre outros exoplanetas, Triaud e a sua equipa calcularam que se encontrava directamente na zona habitável.

A definição de uma zona habitável para uma determinada estrela muda dependendo das propriedades dessa estrela, mas os investigadores esperam que as observações com JWST possam ajudá-los a ajustar a sua definição e revelar muito mais, tais como as massas dos planetas e se têm atmosferas.
Pplware
Autor: Vítor M.
10 Set 2022



 

237: Dois novos mundos rochosos e temperados

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista que mostra a estrela vermelha e os seus dois planetas, juntamente com alguns dos telescópios utilizados para a descoberta. Os dados que levaram à descoberta estão ilustrados nos painéis solares do satélite TESS.
Crédito: Universidade de Birmingham/Amanda J. Smith

Uma equipa internacional de investigação anunciou a descoberta de duas “super-Terras” em órbita de uma estrela a 100 anos-luz do nosso planeta. A equipa, que inclui astrónomos da Universidade de Birmingham, detectou os exoplanetas em órbita de LP 890-9, uma estrela pequena e fria.

Também chamada TOI-4306 ou SPECULOOS-2, é a segunda estrela mais fria que se sabe hospedar exoplanetas, depois da famosa TRAPPIST-1. Esta rara descoberta é o tema de uma futura publicação na revista Astronomy & Astrophysics.

O planeta mais interior do sistema, chamado LP 890-9b, é cerca de 30% maior do que a Terra e completa uma órbita a cada 2,7 dias. Este primeiro planeta foi inicialmente detetado como um possível candidato pelo TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, uma missão espacial em busca de exoplanetas em órbita de estrelas próximas.

Este candidato foi confirmado e caracterizado pelos telescópios SPECULOOS (Search for habitable Planets EClipsing ULtra-cOOl Stars), um dos quais é operado pela Universidade de Birmingham.

Os investigadores do SPECULOOS utilizaram então os seus telescópios para procurar planetas adicionais em trânsito que não teriam sido observados pelo TESS.

“O TESS procura exoplanetas usando o método de trânsito, monitorizando o brilho de milhares de estrelas em simultâneo, procurando ligeiras quedas de brilho que possam ser provocadas pela passagem de planetas em frente das suas estrelas”, explica Laetitia Delrez, investigadora pós-doutorada na Universidade de Liège e autora principal do artigo científico.

“Contudo, é frequentemente necessário um acompanhamento com telescópios terrestres para confirmar a natureza planetária dos candidatos detectados e refinar as medidas das suas dimensões e propriedades orbitais”.

Este acompanhamento é particularmente importante no caso de estrelas muito frias, como LP 890-9, que emitem a maior parte da sua luz no infravermelho próximo e para o qual o TESS tem uma sensibilidade bastante limitada.

Os telescópios do projecto SPECULOOS, instalados no Observatório Paranal do ESO no Chile e na ilha de Tenerife, estão optimizados para observar este tipo de estrelas com alta precisão, graças a câmaras muito sensíveis no infravermelho próximo.

“O objectivo do SPECULOOS é a procura de planetas terrestres potencialmente habitáveis que transitam algumas das estrelas mais pequenas e frias na vizinhança solar, como o sistema planetário TRAPPIST-1, que descobrimos em 2016”, recorda Michaël Gillon, da Universidade de Liège e investigador principal do projecto SPECULOOS.

“Esta estratégia é motivada pelo facto de tais planetas estarem particularmente bem-adaptados a estudos detalhados das suas atmosferas e à procura de possíveis vestígios químicos de vida com grandes observatórios, como o Telescópio Espacial James Webb”.

As observações de LP 890-9 recolhidas pelo SPECULOOS revelaram-se frutuosas, pois não só confirmaram o primeiro planeta, como foram fundamentais para a detecção de um segundo planeta, anteriormente desconhecido.

Este segundo planeta, LP 890-9c (renomeado SPECULOOS-2c pelos investigadores do SPECULOOS), é semelhante em tamanho ao primeiro (40% maior que a Terra) mas tem um período orbital mais longo de cerca de 8,5 dias.

Este período orbital, posteriormente confirmado com o instrumento MuSCAT3 no Hawaii, coloca o planeta na chamada “zona habitável” em torno da sua estrela.

“A zona habitável é um conceito sob o qual um planeta, com condições geológicas e atmosféricas semelhantes à Terra, teria uma temperatura superficial que permitiria à água permanecer líquida durante milhares de milhões de anos”, explica Amaury Triaud, professor de Exoplanetologia na Universidade de Birmingham e líder do grupo de trabalho SPECULOOS que programou as observações conducentes à descoberta do segundo planeta.

“Isto dá-nos uma licença para observar mais e descobrir se o planeta tem uma atmosfera e, em caso afirmativo, para estudar o seu conteúdo e avaliar a sua habitabilidade”.

O passo seguinte será estudar a atmosfera deste planeta, por exemplo com o Telescópio Webb, para o qual LP 890-9c parece ser o segundo alvo mais favorável entre os planetas terrestres potencialmente habitáveis conhecidos até agora, ultrapassado apenas pelos planetas de TRAPPIST-1 (para os quais o professor Triaud foi também co-descobridor).

“É importante detectar o maior número possível de mundos terrestres temperados para estudar a diversidade dos climas exoplanetários e, eventualmente, estar em posição de medir a frequência com que a biologia surgiu no Cosmos”, acrescentou o professor Triaud.

Astronomia On-line
9 de Setembro de 2022