Passe-se o que se passar em África ou na Ásia, o que importa “é proteger os mais vulneráveis”

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/PROTECÇÃO

Num ano, o vírus SARS-CoV-2 evoluiu de tal forma que deu ao mundo mais uma nova variante e cinco sub-variantes, cada uma mais transmissível do que a outra. O que se vai passar a seguir e de onde podem surgir novas ameaças, o investigador do Instituto de Medicina Molecular Luís Graça diz ser incerto. Por agora, sabe-se que a existência de vacinas com elevada efectividade contra a doença grave e morte atenuou o investimento nas vacinas de quarta geração, destinadas à transmissão.

China é dos países que mantém uma política de eliminação da circulação do vírus, sendo o objectivo atingir os zero casos, a qual para o mundo ocidental é “inviável”.

O ano de 2022 começou com o mês de Janeiro a ultrapassar os 62 mil casos de covid-19. Nada que não tivesse sido previsto pelos analistas um mês antes.

Mas este início de ano pouco ou nada teve a ver com o início de 2021, em que o país ultrapassava os 12 mil casos, com mais de 900 doentes a necessitarem de cuidados intensivos e 300 óbitos por dia. A única diferença de um cenário para o outro, dizem os especialistas, não foi a mutação do vírus, mas a vacinação.

O médico imunologista e investigador do Instituto de Medicina Molecular (iMM) Luís Graça explica ao DN: “Ao longo da pandemia temos vindo a assistir a uma progressiva evolução do vírus, que sofre mutações e as quais vão sendo cada vez mais competitivas, acabando por estar mais representadas na comunidade.

Daí o surgimento de variantes cada vez mais transmissíveis, que conseguem entrar no sistema imunitário de populações não-vacinadas ou vacinadas.”

Neste momento o que se está a verificar é o aparecimento de novas sub-variantes da variante Ómicron.

Aliás, no espaço de um ano pode dizer-se que apareceu uma nova variante, a Ómicron, detectada na África do Sul, que destronou a anterior, a Delta, identificada na Índia, e mais seis sub-variantes desta, todas consideradas de interesse para investigação, cada uma mais transmissível do que a outra, nomeadamente a BA.1, a BA.2 e a BA.5, e recentemente a BQ1 e a BQ1.1, originárias da BA.5, e a XXB, detectada em Singapura, originária da BA.2.

A boa notícia “é que a transmissibilidade maior destas variantes não parece ser acompanhada de doença mais grave”, sustenta Luís Graça.

Embora o aparecimento destas seja recente, com muito pouco tempo de análise, “o que se nos apresenta é que a protecção conferida pela vacinação não é menor para estas sub-variantes do que tem sido em relação às anteriores, sobretudo no que toca à doença grave e à morte, o que, no fundo, é o principal objectivo da estratégia de vacinação neste momento”, sublinha.

Em relação a Portugal, e como têm vindo a registar os relatórios da Direcção-Geral da Saúde e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), há já uma sub-variante a ganhar vantagem à BA.5, que é a BQ1.1, e neste momento a sua circulação na comunidade é da ordem dos 35%, mas até ao final do mês poderá chegar até aos 50%.

Luís Graça destaca mesmo que em “outros países europeus, como em França, a sua representação já é bem mais elevada”.

Taxa de circulação do vírus irá manter-se elevada

Mas face ao aparecimento de tantas sub-variantes este ano e a possíveis novas ameaças que a evolução do SARS-CoV-2 ainda pode trazer ao mundo, o imunologista considera que, independentemente do que se passar em África ou na Ásia, de onde vieram as últimas variantes, o que é importante, reforça, “é garantir que a população mais vulnerável está protegida, nomeadamente com a vacinação inicial e reforços, uma vez que está demonstrado que as vacinas continuam a ser um excelente instrumento contra doença grave e morte”.

Recentemente a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou o mundo, mais uma vez, para possíveis novas ameaças da mutação do vírus, já que foi detectado haver países que pararam a vacinação.

Na altura, países africanos, como a Nigéria, foram citados como exemplo, mas o investigador principal do iMM mantém ao DN que, “independentemente do que se passar no exterior, e ao qual nós não estamos imunes, o vírus manterá uma elevada taxa de circulação no nosso país, não sendo expectável que esta taxa de circulação venha a desaparecer, logo é preciso que as pessoas mais susceptíveis a complicações com esta infecção tenham o máximo de protecção”.

Por outro lado, e do ponto de vista clínico, também já se sabe mais como lidar com a doença, pois ao longo destes dois anos foram sendo testadas várias terapêuticas, existindo agora “uma diversidade de medicamentos que oferecem uma boa efectividade no tratamento da doença”.

Olhando para o mundo, a China continua a ser dos poucos países, senão mesmo o único, a manter uma política de eliminação da circulação do vírus, o que, diz Luís Graça, “é uma medida que, perante as variantes em circulação, seria inviável no nosso país ou em qualquer outro do mundo ocidental”. E isto porque o pensamento científico também mudou.

“Inicialmente, quando o vírus em circulação era o original, acreditava-se que haveria a oportunidade de se trabalhar no sentido de se obter um impacto muito significativo na diminuição da sua circulação, sobretudo se se abrangesse uma grande parte da população com a vacinação, mas com o surgimento de novas variantes, cada uma com maior capacidade de transmissão do que a outra, isso não será possível.”

Daí que “as estratégias de vacinação continuem a ser dirigidas sobretudo para a protecção das populações mais vulneráveis em relação à doença grave”.

Isto fez também com que o entusiasmo lançado precisamente há um ano em relação à investigação sobre as vacinas de quarta geração, dirigidas à transmissão, para se mitigar a circulação do vírus, e que poderiam chegar ao mercado a meio deste ano, também tivesse sido atenuado.

O especialista em vacinas justifica: “Continua a haver investigação com novos formatos de vacinas e novas estratégias de vacinação que ainda podem ter um impacto maior na transmissibilidade, contudo o facto de terem surgido variantes com uma transmissibilidade muito elevada veio tornar este objectivo mais difícil, porque o que se alcançou foi a evidência de que as vacinas já existentes, apesar de não terem impacto na transmissibilidade, têm uma efectividade muito elevada na protecção contra doença grave.”

Desta forma, “tem sido possível manter a população vulnerável protegida”. “Estas vacinas, bem como algum desenvolvimento na terapêutica, têm permitido que pessoas com doenças imunitárias de base respondam melhor às consequências mais graves da infecção.”

Por isso, confirma, “o facto de estas vacinas serem muitos eficientes contra a doença grave e óbitos, aliado à maior transmissibilidade das novas variantes, atenuou o entusiasmo quanto ao investimento em estratégias centradas nas vacinas que poderão actuar na transmissão predominantemente”.

Esta semana Portugal ultrapassou os mais de 5,72 milhões de infecções por SARS-CoV-2.

E, ao longo de quase três anos, o país tem seguido a estratégia definida no mundo ocidental e pela própria União Europeia no sentido de mitigar a transmissibilidade e as complicações da doença nas pessoas mais vulneráveis, mas foi dos poucos países, senão mesmo o único, que conseguiu alcançar a mais elevada adesão da população ao esquema vacinal primário e até de reforço, que já atingiu os 50% de cobertura na segunda dose de reforço da população elegível, acima dos 60 anos.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
06 Novembro 2022 — 00:03



 

478: Portugal está numa situação estável, mas pode mudar. Tudo vai depender das novas sub-variantes

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/SUB-VARIANTES

Os alertas e o impacto que as novas sub-variantes podem ter no aumento de casos não cessam. Desta vez, chegaram da parte da OMS/Europa, que diz: “Não podemos ser complacentes”. Em Portugal, internamentos e óbitos estão controlados, mas “é preciso manter a vigilância”, diz o professor da Faculdade de Ciências de Lisboa Carlos Antunes.

Portugal está a fazer o reforço vacinal dos maiores de 60 anos nesta época.

Na última semana, a Europa registou 1,4 milhões de infecções por covid-19 e 3.250 mortes. Os números foram anunciados ontem por Richard Pebody, chefe da Equipa de Alta Ameaça Patogénica da OMS/ Europa à Agência Lusa , que diz mesmo: “Não podemos dar-nos ao luxo de ser complacentes neste momento.”

O dirigente da OMS/Europa aproveitou a ocasião para destacar que o aumento do número de infecções está a ser sentido desde o início de Outubro, e com particular incidência na Alemanha, França e Itália, devendo obrigar todos os países a preparem-se para um eventual aumento de hospitalizações.

Richard Peabody justificou ainda este cenário com o facto de nos estarmos a aproximar do inverno, sabendo-se já ser normal um agravamento das doenças respiratórias neste período.

Em Portugal, por agora, e de acordo com a análise feita ao DN pelo professor Carlos Antunes, que integra a equipa da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa que se tem dedicado à modelação da evolução da covid-19 desde o início da pandemia, “a situação parece estar estável, mas é preciso manter-se a vigilância através dos factores de gravidade da doença, devido ao impacto que as novas sub-variantes, BQ.1 e BQ.1.1, possam vir a ter na nossa população”.

O professor recorda mesmo que, em poucas semanas, e citando os relatórios do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA), a prevalência destas novas sub-variantes passou de 0.9 para 4.9.

“Foi uma evolução muito rápida, portanto é provável que nesta altura a prevalência já seja da ordem dos 20% e que, no próximo mês, possa chegar aos 50%”, como já está a acontecer em alguns países europeus.

Daí que alerte, mais uma vez, para a necessidade de “estarmos preparados para o caso de termos de agir de forma individual e colectiva, se o número de infecções começar a aumentar e os internamentos e óbitos também”.

Carlos Antunes sublinhou o facto de se poder “considerar que Portugal está numa situação controlada” a todos os níveis, mas alerta que, nas últimas semanas, se tem vindo a registar “um aumento ligeiro de internamentos em cuidados intensivos e em óbitos”.

É certo que “este aumento está a ser mobilizado sobretudo por uma única região do país, Lisboa e Vale do Tejo (LVT), embora na última semana a Região Centro também tivesse começado a dar sinais deste aumento”, mas é preciso “continuar a vigilância”.

Segundo o professor da Faculdade de Ciências, de 2 a 17 de Outubro, o número de internamentos geral passou de 390 para 480, sendo que o número de camas em Intensivos passou de 22 para 38. Uma situação que considera que ainda tem a ver com o efeito da sub-variante da Ómicron, BA.5, que ainda é a dominante no país.

“O aumento de infecções começou nas camadas mais novas, ainda em Setembro, devido ao início das aulas, mas duas a três semanas depois propagou-se ao resto da população, levando a este aumento, mas sem grande repercussão em termos de óbitos”.

Os dados divulgados no dia 24 pela Direcção-Geral da Saúde, referentes a domingo, dia 23, revelavam a existência de 468 casos e 11 óbitos, embora a média diária seja de 6.5 de óbitos.

Carlos Antunes considera que o factor vacinação tem permitido também o controlo da situação relativa aos óbitos. “Podemos assumir que a situação dos óbitos está mais ao menos controlado pelo reforço vacinal, mas, e como sabemos que as sub-variantes BQ.1 e BQ1.1 também já estão em Portugal, é prematuro ajuizar que tal situação se irá manter”.

Ou melhor, “não sabemos o que estas sub-variantes ainda vão trazer para a Europa ou para Portugal”, especifica. Por isto, sublinha, “é preciso manter a monitorização através dos factores de gravidade”.

Estes são aliás os únicos factores, embora indirectos, que nos podem dar agora uma ideia de como a infecção está a evoluir no nosso país, porque “o número de infecções registadas apenas corresponde a cerca de 1/3 ou de 1/4 da realidade, pois há muitas pessoas infectadas que não são detectadas.

Os casos registados surgem basicamente de quem tem de ir a um hospital e tem de fazer teste”, uma das consequências do fim da estratégia de testagem massiva.

Basta perceber que no final de Setembro passámos de cerca de três mil infecções para mil. Portanto, o número de infecções pouco ou nenhum significado tem agora. O importante é a evolução da gravidade da doença”.

Mas a marcar o dia de ontem, fica o alerta do epidemiologista da OMS/ Europa sobre o facto de terem sido detectadas novas “sub-variantes da Ómicron mais transmissíveis do que as suas antecessoras e que muitas pessoas continuam por vacinar ou com a vacinação incompleta”, não se podendo assim “dizer com certeza o que pode acontecer a seguir”.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
26 Outubro 2022 — 07:00



 

434: BQ.1 e B.Q.1.1. As novas variantes que podem fazer ressurgir os casos de covid

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/VARIANTES

Detectadas inicialmente na Nigéria, já foram encontradas entretanto em mais de 20 países.

Reforço da vacina para os mais idosos está em curso em vários países
© EPA/Lavandeira jr

Das muitas sub-linhagens do coronavírus descendentes da Omicron e identificadas em circulação nos últimos meses, há duas que parecem emergir como potenciais candidatas a substituir a actualmente dominante BA.5 e, eventualmente, provocar novas vagas de casos na Europa neste outono/inverno, alertam alguns especialistas.

A BQ.1 descende da BA.5 da Omicron, e foi inicialmente identificada na Nigéria em meados de Julho (tal como a BQ.1.1, que lhe acrescenta duas outras mutações), tendo entretanto sido detectada em cerca de duas dezenas de países da Europa, América, Ásia e Oceania – em Portugal não surgem ainda citadas no último relatório divulgado pelo INSA, esta sexta-feira.

Em comparação com a BA.5, a BQ.1 tem cinco mutações, a maioria delas na proteína S do Sars-Cov-2, que além de ser aquela que o vírus utiliza como chave de entrada nas células é também a proteína que os anticorpos reconhecem para dar início à defesa imunológica.

Quantas mais alterações nessa proteína, mais reduzida pode ser a eficácia dos anticorpos contra o vírus.

Segundo um relatório da Agência de Saúde Pública do Reino Unido, citado pelo jornal espanhol La Vanguardia, as BQ.1 e BQ.1.1 têm uma capacidade de propagação 29% maior do que a actual BA.5, parecendo oferecer uma ameaça maior do que duas outras variantes detectadas nas últimas semanas: a BA.2.75.2 e BF.7, ambas também com maior capacidade de crescimento do que a BA.5, segundo o relatório publicado a 7 de Outubro.

Um estudo do imunologista chinês Yunlong Cao, da Universidade de Pequim, apresentado na plataforma BioRxiv, indica que a BQ.1.1 tem uma capacidade maior de iludir os anticorpos adquiridos por vacinação ou infecção do que a demonstrada até aqui por qualquer variante anterior, manifestando potencial para ser mais contagiosa em populações com alto nível de imunidade.

A protecção oferecida pelas vacinas, baseada principalmente em anticorpos, é assim menor perante a BQ.1.1 do que face a outras variantes, segundo os resultados obtidos por Cao, cita o La Vanguardia.

Mas a protecção que as vacinas oferecem contra manifestações graves da covid-19, as quais dependem principalmente de células imunes e não de anticorpos, provavelmente mantém-se, refere ao jornal catalão o epidemiologista Antoni Trilla, do Hospital Clínic de Barcelona: “Não há nada que sugira que uma infecção com esta nova variante tenha maior risco de causar complicações graves do que com a variante anterior, especialmente em pessoas vacinadas com o regime completo”.

O que, sim, pode acontecer, é uma nova vaga de casos no hemisfério norte neste outono/inverno, “se as BQ.1 e BQ.1.1 se confirmarem como mais transmissíveis”.

O La Vanguardia cita o bioinformático Cornelius Roemer, da Universidade de Basileia (Suíça), que tem publicado alertas no Twitter sobre a BQ.1.1 desde 21 de Setembro: “Está a ficar bem claro que a BQ.1.1 causará uma nova onda na Europa e na América do Norte antes do final de Novembro.”

Diário de Notícias
DN
14 Outubro 2022 — 20:33



 

334: Casos podem aumentar, óbitos e internamentos estabilizados, indica INSA

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/AUMENTO DE CASOS

Relatório indica que o número de novas infecções pelo coronavírus SARS-CoV-2 por 100 mil habitantes, acumulado nos últimos sete dias, regista “possível inversão de tendência para crescente” e o índice de transmissibilidade, R(t) apresentou um valor superior a 1 a nível nacional.

© Artur Machado / Global Imagens

O número de casos de infecção pelo ​​​​​​​SARS-CoV-2 regista uma “possível inversão de tendência” para crescente, mas a mortalidade por covid-19 e a ocupação hospitalar mantêm-se estabilizadas, indica o relatório da evolução da pandemia.

O número de novas infecções pelo coronavírus SARS-CoV-2 por 100 mil habitantes, acumulado nos últimos sete dias, foi de 178 casos, com “possível inversão de tendência para crescente” a nível nacional, refere o documento da Direcção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Ricardo Jorge (INSA) hoje divulgado.

Segundo a DGS e o INSA, o índice de transmissibilidade (Rt) do vírus apresentou um valor superior a 1 a nível nacional, assim como no Norte, em Lisboa e Vale do Tejo, no Alentejo, no Algarve, nos Açores e na Madeira, o que “indica uma tendência crescente de novos casos nestas regiões”.

Apesar do aumento da incidência, o relatório avança que se regista uma estabilização da ocupação hospitalar por casos de covid-19, com um total de 422 internados na última segunda-feira.

Quanto aos cuidados intensivos, os 27 doentes internados nessas unidades em Portugal continental correspondiam a 10,6% do limiar definido como crítico de 255 camas ocupadas por casos de covid-19.

De acordo com o documento, a mortalidade específica por covid-19 estava nos 7,2 óbitos a 14 dias por um milhão de habitantes, indicando uma estabilização, mas com uma possível tendência decrescente, valor que é bastante inferior ao limiar de 20,0 mortes definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC).

O INSA adianta ainda que a linhagem BA.5 da variante Ómicron continua a ser “claramente dominante em Portugal”, sendo responsável por 95% das infecções registadas no país.

“Entre as diversas sub-linhagens em circulação em Portugal, destacam-se as BA.4.6 e BF.7, as quais apresentam mutações adicionais de interesse, com uma frequência relativa tendencialmente crescente em Portugal e uma considerável circulação em alguns países”, adianta o documento.

Perante estes indicadores, a DGS e o INSA recomendam que seja mantida a vigilância da situação epidemiológica da covid-19, a manutenção das medidas de protecção individual, a vacinação de reforço e a comunicação frequente destas medidas à população.

Diário de Notícias
DN/Lusa
23 Setembro 2022 — 21:01



 

192: Portugal vai receber cerca de 600 mil vacinas adaptadas na próxima semana

– Curioso a oposição chungosa não pedir a demissão da directora-geral da saúde…

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/VACINAS

As vacinas adaptadas aprovadas até ao momento pela Agência Europeia do Medicamento são as das farmacêuticas Pfizer e Moderna, ambas com tecnologia RNA mensageiro.

© EPA/Carl Court

Cerca de 600 mil vacinas adaptadas contra a covid-19 chegam na próxima semana a Portugal para iniciar o reforço da vacinação de três milhões de pessoas, com um dispositivo com capacidade para administrar 280 mil vacinas por semana.

Segundo o presidente do Infarmed, Rui Santos Ivo, em declarações em conferência de imprensa na sede deste organismo em Lisboa sobre o arranque da campanha de vacinação de outono contra a gripe e a covid-19, Portugal recebe na próxima semana as primeiras doses das novas vacinas adaptadas contra a doença provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, esperando-se cerca de 500 mil doses de uma das vacinas aprovadas e cerca de 100 mil da outra.

As vacinas adaptadas aprovadas até ao momento pela Agência Europeia do Medicamento são as das farmacêuticas Pfizer e Moderna, ambas com tecnologia RNA mensageiro (mRNA).

“A campanha de vacinação de outono é dirigida a cerca de três milhões de pessoas, que serão chamadas à vacinação contra a covid-19 e contra a gripe. Inicia-se na próxima quarta-feira, 7 de Setembro, e prevê-se que termine no dia 17 de Dezembro”, adiantou o coronel Penha-Gonçalves, coordenador da campanha de vacinação, sobre o calendário previsto.

O coordenador da vacinação referiu ainda que os primeiros a ser chamados à vacinação serão os maiores de 80 anos com comorbilidades, cujo processo de convocatória arranca esta sexta-feira, e que a campanha irá decorrer “de forma escalonada”, por faixas etárias, avançando à medida que se esgotem os agendamentos na faixa etária precedente.

“Nesta campanha de outono vamos focar-nos na faixa etária dos mais de 60 anos e dos grupos de risco. Para executar esta campanha foi estabelecido um dispositivo que tem uma capacidade semanal de agendamento de cerca de 280 mil pessoas, está distribuído por todo o território nacional em 397 pontos de vacinação, dois terços dos quais estão localizados em centros de saúde e um terço em centros de vacinação”, adiantou ainda o responsável.

Segundo Penha-Gonçalves, Portugal recebe as primeiras doses em 6 de Setembro e a vacinação arranca “em locais limitados” em 07 de Setembro, em cerca de uma dezena de pontos de vacinação de norte a sul do país, “generalizando-se depois o processo a todo o dispositivo na quinta-feira”, 08 de Setembro.

Ainda sobre esta campanha, o coordenador disse que a vacinação contra a gripe e contra a covid-19 ocorrerá “preferencialmente em co-administração”, mas nestes três meses o dispositivo prevê continuar a fazer vacinação primária e vacinação pediátrica contra a covid-19, para quem ainda não completou os esquemas vacinais.

Sobre a modalidade Casa Aberta, o coronel Penha-Gonçalves esclareceu que nesta campanha estará disponível para cada faixa etária depois de terminado o período de agendamento definido para vacinação desse intervalo de idades, ou seja, quando começar a vacinação das pessoas agendadas entre os 70 e os 79 anos, a faixa etária dos 80 e mais anos passa a poder receber a dose de reforço na modalidade Casa Aberta se tiver falhado a sua data de agendamento.

Independentemente da idade ou das doses de reforço anteriores, todas as doses de reforço que forem administradas nesta campanha de vacinação serão feitas com as novas vacinas adaptadas, “igualmente protectoras” e, por isso, vão ser administradas “indiferenciadamente”, frisou o coronel Penha-Gonçalves.

“Não há escolha de vacinas”, reiterou.

Numa conferência de imprensa em que também estavam presentes o presidente do Infarmed e a directora-geral da Saúde, Graça Freitas, ninguém quis comentar a demissão da ministra da Saúde, Marta Temido, por todos os participantes serem representantes de “entidades externas”, como justificou Graça Freitas, mas o coronel Penha-Gonçalves deixou a garantia que a saída não terá impactos na operacionalização da campanha de vacinação, a ser preparada desde Junho.

“As orientações que precisamos para operacionalizar este plano já as tivemos, portanto, estamos muito confortáveis para continuar a executar o plano”, disse.

Questionada sobre a campanha se dirigir apenas aos maiores de 60 anos e sobre eventuais receios de um pico de novos casos, Graça Freitas disse que a estratégia em curso é ajustável.

“Vamos monitorizar atentamente a forma como o vírus se vai distribuir, as variantes que poderão circular ou não no próximo inverno e estas estratégias têm capacidade de ser ajustadas”, disse a directora-geral da Saúde.

Diário de Notícias
DN/Lusa
02 Setembro 2022 — 17:33


 

191: Agência Europeia de Medicamentos alerta para possíveis novas variantes da covid-19 no inverno

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/NOVAS VARIANTES

A União Europeia vai lançar uma campanha de doses de reforço da vacina contra a covid-19 adaptadas à variante Ómicron. A Agência Europeia de Medicamentos garante que as vacinas protegem a população das formas graves da doença.

© Carlos Alberto / Global Imagens

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) alertou esta sexta-feira que novas variantes do coronavírus podem aparecer durante o inverno, mas garantiu que as vacinas protegerão a população contra as formas graves da doença.

Diante da perspectiva de uma nova onda de contágios antes do final do ano, a União Europeia prepara-se para lançar uma campanha de doses de reforço da vacina contra a covid-19.

Esta campanha será realizada com vacinas adaptadas – que a EMA aprovou na quinta-feira – para a variante Ómicron e com aquelas desenvolvidas contra a primeira variante do vírus, que apareceu pela primeira vez na China em 2019, detalhou a EMA.

Mas “as pessoas não devem esperar por uma vacina específica”, assumiu o chefe da estratégia de vacinação da EMA, Marco Cavaleri. “Pode haver uma nova variante emergente que hoje não podemos prever”, acrescentou.

A EMA aprovou na quinta-feira as vacinas da Pfizer/BioNTech e da Moderna contra a sub-variante Ómicron BA.1.

Em meados de Setembro, espera-se também a aprovação de uma nova vacina da Pfizer contra as sub-variantes BA.4 e BA.5 da Ómicron.

Essas vacinas adaptadas à Ómicron seriam reservadas principalmente para as pessoas mais vulneráveis, como idosos, grávidas e trabalhadores do sector de saúde, sublinhou Cavaleri.

Por outro lado, não está “excluído” que novas variantes mais próximas Ómicron surjam neste inverno, disse a instituição.

Diário de Notícias
DN/AFP
02 Setembro 2022 — 18:02