548: “Assassino de planetas” detectado pela primeira vez próximo da Terra

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ASTERÓIDES

NOIRlab
Conceito artístico de um asteróide numa órbita do Sol mais próxima do que a órbita da Terra

Um asteróide de cerca de 1,5 quilómetros de tamanho foi detectado, pela primeira vez, na proximidade da Terra, anunciaram esta segunda-feira cientistas.

O asteróide, denominado 2022 AP7, “está no caminho da Terra, o que o torna num asteróide potencialmente perigoso”, disse um astrónomo do Instituto Carnegie para a Ciência, Scott Sheppard.

A ameaça não é imediata, uma vez que se encontra “muito longe” da Terra, mesmo ao atravessar a órbita do planeta, sublinhou.

Mas, como qualquer asteróide, a trajectória vai ser lentamente modificada devido às forças gravitacionais exercidas sobre ele, nomeadamente pelos planetas, o que torna qualquer previsão a longo prazo muito difícil, adiantou o cientista.

Este é o “maior objecto potencialmente perigoso descoberto nos últimos 8 anos”, de acordo com um comunicado de imprensa do NOIRLab norte-americano, que opera vários observatórios.

Este asteróide próximo da Terra leva cinco anos a circundar o Sol, e no seu ponto mais próximo passará a vários milhões de quilómetros da Terra.

O risco é portanto hipotético, mas, em caso de colisão, um asteróide deste tamanho teria “um impacto devastador na vida tal como a conhecemos“, explicou Scott Sheppard.

A poeira lançada para a atmosfera bloquearia a luz solar, arrefecendo o planeta e causando uma extinção em massa.

A descoberta foi feita através do telescópio Victor M. Blanco, no Chile, com os resultados publicados na revista científica The Astronomical Journal.

“A nossa pesquisa encontrou até agora dois asteróides próximos da Terra com cerca de 1km de largura — uma dimensão a que chamamos de assassinos de planetas, explica Sheppard.

Cerca de 30 mil asteróides de todos os tamanhos, incluindo mais de 850 a medir um quilómetro ou mais, foram catalogados nas proximidades da Terra, sem que nenhum represente uma ameaça para o planeta durante os próximos 100 anos.

De acordo com Scott Sheppard, há 20 a 50 grandes Objectos Próximos da Terra por detectar. “A maioria deles está em órbitas que tornam a detecção difícil“, acrescentou.

Para se preparar para uma descoberta mais grave, a agência espacial norte-americana NASA realizou em Setembro a Missão DART,  que lançou uma nave espacial contra um asteróide não perigoso — provando ser possível alterar a sua trajectória.

ZAP // Lusa
1 Novembro, 2022