414: 40% dos moradores de Lisboa dizem sentir frio em casa no inverno

– Não sei ou desconheço se estes 40% de moradores de Lisboa residem em prédios ou barracas, pessoalmente, discordo dessa opinião de terem frio em casa no Inverno. Resido num prédio velho, construção de tabique, sem ar condicionado ou aquecedores de qualquer espécie e nos dias mais frios apenas visto, por cima do pijama, um kispo normal, até chegar a hora de deitar. Quando me deito, apenas acrescento uma manta por cima do cobertor e está resolvida a questão. Desconhecendo os meus antepassados mais longínquos, talves descenda de alguma tribo de esquimós…

LISBOA/MORADORES/INVERNO/FRIO

Estudo pioneiro sobre a capital mostra que mais de 70% dos residentes optam por vestir mais roupa ou usar mais cobertores antes de recorrer a aparelhos de aquecimento.

© Paulo Spranger/Global Imagens

Em Lisboa, 40% dos seus moradores admitem sentir frio em casa no inverno, sendo que este valor sobe para 52% quando falamos do calor sentido nas residências da capital no verão. É ainda referido que o frio e o calor excessivos no interior das suas habitações afectam negativamente a saúde, nomeadamente a qualidade do sono.

Estas são algumas das conclusões preliminares do estudo sobre o desempenho térmico e pobreza térmica realizado pela Lisboa E-Nova – Agência de Energia e Ambiente de Lisboa, que serão apresentadas quinta-feira.

“Uma das principais conclusões deste estudo, referindo que em Lisboa ainda não tinha sido feito um deste género, é que acima de metade dos inquiridos reconhece que há uma relação entre conforto térmico e saúde”, diz ao DN Sara Freitas, coordenadora de projecto na Lisboa E-Nova.

“E depois temos a questão de as pessoas sentirem a sua casa, tanto no inverno como no verão, desconfortável em grande parte do tempo”, acrescenta a mesma responsável.

Olhando para os resultados preliminares deste estudo, de facto, 54% dos moradores em Lisboa considera que passar frio ou calor em casa tem um impacto negativo no seu estado de saúde, sendo que “tanto no verão, como no inverno, a percentagem de pessoas que sente impacto no sono é muito grande”, refere Sara Freitas.

No que diz respeito à forma como os lisboetas tentam combater o frio ou o calor nas suas casas, os resultados trazem algumas surpresas, como a opção por usar roupa mais quente ou apostar na abertura de janelas e estores antes de recorrem a aparelhos de climatização.

“Em Lisboa, mais de 70% referiu vestir roupa mais quente, também acima de 70% está a opção por colocar mais cobertores e roupa mais quente na cama.

E depois existem dados interessantes, como os cerca de 20% que dizem que não aquecem a casa no inverno, face aos acima de 40% que afirmam que não arrefecem a casa no verão”, enumera esta responsável da Lisboa E-Nova.

“Aqui a questão da pobreza energética e do conforto ainda é algo que está muito focado no inverno e na questão do aquecimento, e ainda não se percebeu que o calor excessivo também tem um impacto, que é mais gradual ao longo do tempo, mas ao qual se deve dar atenção, porque as cidades estão a ficar cada vez mais quentes”, sublinha Sara Freitas.

Ainda neste capítulo há a notar que, segundo a responsável da Lisboa E-Nova, “cerca de 1/3 dos inquiridos reportam usar o aquecedor a óleo, que é um dos equipamentos menos eficientes, mas que ainda está muito presente nas nossas habitações, sendo que em termos de arrefecimento também as ventoinhas estão muito presentes, igualmente com 1/3 a afirmar usar este equipamento.

O ar condicionado, sendo um dos aparelhos com maior eficiência, está presente em cerca de 20% das habitações”.

Outro dado que faz parte dos resultados preliminares mostra que 59% dos moradores da capital identificam alguma situação de ineficiência construtiva nas suas habitações. As mais apontadas são a humidade (31%), entrada de ar através de portas e janelas (29%), fraco isolamento térmico das paredes (20%) e da cobertura (14%).

Questionados sobre literacia energética, 47% dos inquiridos em Lisboa diz-se informado sobre temas de energia e conforto térmico na habitação, mas cerca de 70% não sabe responder se a sua habitação está classificada energeticamente ou a que classe energética pertence. A classe C é a mais reportada por quem tem este conhecimento, seguida da B.

Embora mais de metade desconheça a existência de fundos de apoio à realização de obras de renovação em casa de forma a melhorar a sua eficiência energética – como o Programa de Apoio Edifícios + Sustentáveis -, 80% dos inquiridos consideram ser importante a existência de gabinetes de aconselhamento público gratuito sobre energia e conforto térmico em casa.

Porto com algumas semelhanças

Cerca de 40% dos residentes no Porto admite desconforto em relação à temperatura em casa durante o inverno, enquanto 23% diz-se igualmente desagradado com a temperatura em casa no verão, de acordo com o estudo sobre o desempenho térmico e a pobreza energética levado a cabo na Invicta pela AdEPorto-Agência de Energia do Porto.

O documento mostra que 47% dos inquiridos no Porto identificam alguma situação de ineficiência construtiva nas suas habitações, sendo as mais apontadas a infiltração excessiva de ar pelas portas e janelas, a presença de humidade e o fraco isolamento térmico das paredes.

De notar ainda que 70% dos moradores não sabem dizer se a sua casa está classificada energeticamente ou a que classe pertence. E embora mais de metade não saiba que existem fundos de apoio à realização de obras de renovação em casa para melhoria da sua eficiência energética, 77% acha importante a existência de gabinetes de aconselhamento sobre energia e conforto térmico habitacional.

ana.meireles@dn.pt

Diário de Notícias
Ana Meireles
12 Outubro 2022 — 00:09



 

Governo e IPMA alertam: “Vamos entrar na terceira onda de calor”

– Avisem o sr. bastonário da ordem dos médicos deste facto, por e-mail, fax ou carta registada com aviso de recepção, porque ele não deve ler as notícias e assim responde-se directamente à sua “preocupação” com o excesso de mortalidade em Portugal!

SAÚDE PÚBLICA/TEMPERATURAS EXCESSIVAS

O ministro da Administração Interna esteve reunido com o Instituto do Mar e da Atmosfera e do final do encontro saiu uma certeza: os próximos dias serão difíceis no que diz respeito aos incêndios.

Foto Global Imagens

A partir de dia 20, sábado, Portugal entra naquela que será a terceira onda de calor deste verão. O alerta foi feito pelo Governo e pelo Instituto do Mar e da Atmosfera no final de um encontro que aconteceu na manhã desta quarta-feira.

“”O perigo de incêndio rural em Portugal está ainda a meio da campanha, passámos uma onda de calor de grande intensidade e que chegou a temperaturas que quase rondaram os cinquenta graus, passámos uma segunda onda com menos intensidade, mas mesmo assim com grande impacto e vamos passar uma terceira onda de calor provavelmente dentro de dias“, realçou Jorge Miguel Miranda, presidente do IPMA, apontando para dia 20, o seu início.

Salientou ainda que o mês de Setembro será mais quente e mais seco que o habitual. “Temos mais um mês e meio pela frente para ultrapassar”, disse.

Jorge Miguel Miranda acrescentou que “as previsões não são positivas” em termos de precipitação e que provavelmente “Setembro será um pouco mais seco e um pouco mais quente” como têm sido os meses anteriores.

O alerta foi reforçado pelo ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, que realçou que a onda de calor se vai prolongar por Setembro, “que será 50 e 60% mais quente e 40 a 50% mais seco” do que em anos anteriores.

O ministro esclareceu que não se pode dizer que a próxima onda de calor será mais grave que as anteriores e que a mais crítica terá sido a do mês de Julho.

No entanto, defendeu que o prolongamento das ondas de calor é um factor de risco no que respeita aos incêndios e que o esforço de toda a comunidade é “absolutamente indispensável”.

© JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

No que diz respeito ao incêndio na serra da Estrela, José Luís Carneiro sublinhou que todos os meios disponíveis têm estado no terreno. “Ouvimos aqui uma informação muito importante da parte do IPMA: efectivamente, na serra da Estrela, estão reunidas todas as variáveis de maior complexidade”, disse o ministro, referindo-se “às temperaturas, à orografia e à complexidade dos ventos”.

Variáveis, continuou, que ajudam a explicar a “razão de ser de, por vezes, ser difícil de compreender como é que, permanentemente, há aqueles reacendimentos na serra da Estrela”. “Há factores técnicos que ajudam a explicar o que efectivamente se tem vindo a passar”, afirmou.

O governante disse ainda que as causas dos reacendimentos no incêndio da serra da Estrela estão a ser investigadas. Afirmou que as autoridades estão a desenvolver as investigações não só na serra da Estrela mas noutras regiões do país, sublinhando que tem “havido eficácia no combate ao fogo posto”.

Existem fogos que são praticamente não combatíveis“, afirmou Jorge Miguel Miranda, presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). “A Serra da Estrela não é uma zona qualquer do país, é a mais montanhosa e com as escarpas mais significativas, à excepção da Madeira”, facto que dificulta o combate, destacou.

“Cada incêndio é um incêndio. A ciência tenta sempre desenvolver meios para saber como vai ser combatido, mas tenhamos todos sentido das proporções. O nosso país é frágil perante o desenvolvimento de um incêndio rural”, acrescentou, referindo que os meios são finitos.

© JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Ou temos uma capacidade de solidariedade entre organizações, pessoas, aldeias, vilas que permita sermos capazes de passar este período que se avizinha ou vamos ter situações que poderão ser de maior complexidade do que as que tivemos até agora. Estamos a viver um momento muito complicado da história climática da Terra“, concluiu o presidente do IPMA.

Jorge Miguel Miranda disse ainda que, depois do que tem acontecido na Europa do Norte, em França, Espanha e em Portugal, é possível perceber que “a mudança climática é o factor determinante” e que aparece sob duas formas “que se pioram uma a outra”: seca prolongada – “estamos numa situação de seca histórica” – e fenómenos de onda de calor e de “onda de vento”.

“Isto leva a que as situações sejam tremendamente difíceis de controlar”, afirmou.

Diário de Notícias
DN
17 Agosto 2022 — 09:41

69: Batidos recordes de óbitos em quase metade dos dias de Julho

– Afinal a resposta ao bastonário da ordem dos médicos é clara: “Há duas semanas, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) revelou que Portugal tinha registado um excesso de mortalidade entre 07 e 18 de Julho correspondente a 1.063 mortes atribuídas às temperaturas extremas que se verificaram no continente.”. O sr, bastonário anda desinformado… ou então esteve de férias no Alaska… Mas há que malhar no sistema!

SAÚDE PÚBLICA/MORTALIDADE/TEMPERATURAS EXTREMAS/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

No total, morreram em Julho 10.602 pessoas. Houve excesso de mortalidade em quase todos os dias do mês de Julho, à excepção dos dois primeiros (1 e 2) e dos três últimos (29, 30 e 31).

© Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens

Em quase metade dos dias de Julho foram batidos recordes de mortalidade para este mês, com o dia 14 a ser aquele que maior percentagem de excesso de mortalidade registou (63,4%), segundo dados oficiais.

Os dados da vigilância da mortalidade, elaborado com base no Sistema de Informação dos Certificados de Óbito (SICO), que a agência Lusa consultou, indicam que houve excesso de mortalidade em quase todos os dias do mês de Julho, à excepção dos dois primeiros (01 e 02) e dos três últimos (29, 30 e 31).

O dia 14 de Julho (com 458 óbitos) foi o que registou uma percentagem maior de excesso de mortalidade (63,4%). Nos últimos 13 anos, este foi igualmente o dia 14 de Julho que mais mortes registou.

Em 12 dias do mês de Julho (entre 01 e 04, entre 12 e 16 e nos dias 18, 25 e 28) foram batidos recordes dos extremos máximos de mortalidade: uns datavam de 2010, outros de 2013 e outros de 2020.

Há duas semanas, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) revelou que Portugal tinha registado um excesso de mortalidade entre 07 e 18 de Julho correspondente a 1.063 mortes atribuídas às temperaturas extremas que se verificaram no continente.

Segundo os dados do índice ÍCARO – uma medida numérica do risco potencial que as temperaturas ambientais elevadas têm para a saúde da população, podendo levar ao óbito — os valores estiveram no seu nível mais elevado precisamente no dia 14 (0.96).

Nos últimos três dias, quando começaram de novo a subir as temperaturas, o valor voltou a aumentar: de 0.04 na sexta-feira (29) passou para 0.38, no sábado (30), e para 0.68, no domingo (31).

Este índice compara os óbitos previstos pelo modelo estatístico subjacente ao sistema de vigilância ÍCARO, com os óbitos esperados sem o efeito das temperaturas extremas.

No total, morreram em Julho 10.602 pessoas.

Diário de Notícias
DN/Lusa
01 Agosto 2022 — 13:05