726: MAVEN observa espectáculo marciano de luz provocado por grande tempestade solar

CIÊNCIA/MARTE/MAVEN

Impressão de artista da sonda MAVEN em órbita de Marte.
Crédito: NASA

Pela primeira vez nos seus oito anos em órbita de Marte, a missão MAVEN da NASA testemunhou simultaneamente dois tipos diferentes de auroras ultravioletas, o resultado de tempestades solares que começaram no dia 27 de Agosto.

A missão MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile Evolution) é o único recurso em Marte capaz de observar a actividade do Sol e a resposta da fina atmosfera marciana ao mesmo tempo.

As análises e simulações em tempo real das erupções solares, pelo Gabinete de Análise Meteorológica Espacial M2M (Moon to Mars) da NASA, também permitiram à equipa da MAVEN prever correctamente quando a tempestade solar em desenvolvimento chegaria ao Planeta Vermelho.

A previsão exacta do clima espacial é fundamental para ajudar a proteger as missões actuais e os futuros exploradores humanos no Planeta Vermelho porque, ao contrário da Terra, Marte não tem um campo magnético global para se proteger contra a radiação nociva que as tempestades solares podem trazer.

Começou com o Sol

No dia 27 de Agosto, uma região activa no Sol produziu uma série de erupções solares, que são intensas explosões de radiação. A actividade das erupções foi acompanhada por uma ejecção de massa coronal (EMC), uma explosão massiva de gás e energia magnética que deixa o Sol e se propaga através do espaço. Esta EMC interplanetária impactou Marte alguns dias mais tarde.

Esta EMC produziu um dos mais brilhantes eventos de partículas altamente energéticas que a nave espacial MAVEN alguma vez observou. As partículas que foram aceleradas antes da EMC foram observadas em Marte pelo detector da MAVEN no dia 27 de Agosto.

De facto, muitos dos instrumentos da MAVEN foram colectivamente capazes de medir a força da tempestade solar, incluindo o EUV (Extreme Ultraviolet Monitor), o MAG (Magnetómetro), o SWIA (Solar Wind Ion Analyzer) e o SWEA (Solar Wind Electron Analyzer).

“Utilizando modelos meteorológicos espaciais da propagação das EMCs, determinámos quando a estrutura chegaria e teria impacto em Marte”, disse Christina Lee, física espacial na Universidade da Califórnia, Berkeley, membro da equipa da missão MAVEN e que está a colaborar com cientistas do Gabinete de Análise Meteorológica Espacial M2M.

“Isto permitiu à equipa MAVEN antecipar alguns distúrbios excitantes na atmosfera de Marte devido aos impactos da EMC interplanetária e das partículas energéticas solares associadas”.

“Apanhando” o espectáculo marciano de luz

As partículas libertadas pela tempestade solar bombardearam a atmosfera de Marte, causando auroras brilhantes em comprimentos de onda ultravioletas. O instrumento IUVS (Imaging Ultraviolet Spectrograph) da MAVEN observou dois tipos: aurora difusa e aurora de protões.

Parte da razão pela qual esta incrível dupla foi observada ao mesmo tempo resumiu-se ao “timing”. Marte está no final da época das tempestades de poeira, que ocorre todos os anos marcianos durante a sua maior aproximação do Sol.

Estas tempestades de poeira aquecem a atmosfera o suficiente para permitir que o vapor de água atinja altitudes elevadas, onde é quebrado pela radiação solar ultravioleta, libertando átomos de hidrogénio no processo. Quando o vento solar que chega atinge este hidrogénio extra, o lado diurno do planeta ilumina-se com emissões ultravioletas.

Estas “auroras de protões” coincidiram por acaso com a chegada de partículas energéticas ainda mais dinâmicas que penetraram ainda mais na atmosfera, criando auroras difusas visíveis ao longo de todo o lado nocturno.

Sumedha Gupta, investigadora pós-doutorada da equipa do IUVS no Laboratório de Física Atmosférica e Espacial da Universidade do Colorado, Boulder, notou pela primeira vez a coincidência durante a sua verificação de rotina dos dados recebidos alguns dias após o evento.

“Fiquei tão surpreendida por ver a aurora de protões ao mesmo tempo que a aurora difusa, porque isso nunca tinha acontecido antes”, disse. “Ambas estão a aumentar com a actividade solar, por isso esperamos que continue a acontecer!”

Um sinal das tempestades que se avizinham

Este espectáculo de luzes é um sinal do que está para vir para Marte e para a equipa da MAVEN. O Sol está a tornar-se cada vez mais activo com eventos, como erupções ou EMCs, à medida que se aproxima do máximo solar em 2024-2025.

O máximo solar é quando a actividade solar atinge o pico do ciclo solar de 11 anos do Sol, o que significa que as EMCs e as partículas energéticas devem aumentar em frequência e continuar a ter impacto na atmosfera de Marte.

“É excitante ainda estar a observar ‘primeiros’ como estas auroras simultâneas tantos anos na missão. Temos tanto a aprender sobre a atmosfera e como as tempestades solares afectam o Planeta Vermelho”, disse Shannon Curry, investigadora principal da MAVEN na Universidade da Califórnia, Berkeley.

“A nossa equipa mal consegue esperar pelos próximos anos a observar as condições mais extremas durante a vida da missão da MAVEN”.

Astronomia On-line
15 de Novembro de 2022



 

636: Tempestade solar cria auroras cor-de-rosa extremamente raras

CIÊNCIA/TEMPESTADES SOLARES

Uma tempestade solar abri um buraco na magnetosfera da Terra, criando um espectáculo de auroras boreais cor-de-rosa extremamente raras.

Markus Varik / Greenlander
A aurora boreal cor-de-rosa captada na Noruega

As auroras boreais são um verdadeiro espectáculo luminoso proporcionado pela natureza. É um brilho colorido nos céus nocturnos nas regiões polares, devido ao impacto das partículas de vento solar com a atmosfera da Terra.

O resultado é final é digno de ser visto e revisto. Não é por acaso que há quem viaje de propósito para estes locais nos pólos só para ver as auroras boreais em pessoa.

As auroras boreais têm várias cores, mas é raro que sejam totalmente em tons de rosa. Depois de uma tempestade solar ter atingido a Terra e aberto um buraco no campo magnético do planeta, o céu nocturno do norte da Noruega iluminou-se com auroras cor-de-rosa extremamente raras.

O dano causado pela tempestade solar permitiu que partículas solares altamente energéticas penetrassem mais profundamente que o normal na atmosfera, explica a Live Science, desencadeando as raras luzes coloridas.

O fenómeno aconteceu no dia 3 de Novembro e foi avistado por um grupo turístico liderado por Markus Varik. À Live Science, Varik disse que as raras auroras apareceram às 18h locais e duraram cerca de dois minutos.

“Estas foram as auroras cor-de-rosa mais fortes que eu vi em mais de uma década de visitas guiadas”, disse Varik.

A abertura na magnetosfera da Terra também ajudou a gerar fortes auroras verdes durante a noite, já depois da aurora cor-de-rosa.

O buraco da magnetosfera fechou cerca de seis horas depois. Durante esse tempo, uma estranha faixa de luz azul também surgiu nos céus acima da Suécia, onde ficou imóvel no céu durante cerca de 30 minutos, de acordo com o Spaceweather.

Daniel Costa, ZAP //
9 Novembro, 2022



 

505: Já podemos ouvir o som assustador do campo magnético da Terra

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA Goddard / Flickr
Conceito de artista do Campo Magnético da Terra

O som foi criado tendo por base os dados recolhidos pela Agência Espacial Europeia durante uma tempestade solar em Novembro de 2011.

Não podemos tocar nele ou vê-lo, mas agora já o conseguimos ouvir. O campo magnético da Terra é essencial para a vida no nosso planeta, mas os seus sons são muito mais sinistros e assustadores do que o seu propósito tão nobre.

O campo magnético é uma bolha complexa e dinâmica que nos protege da radiação cósmica e das partículas emitidas pelo vento solar. A colisão destas partículas com os átomos e as moléculas — maioritariamente de oxigénio e nitrogénio — na nossa atmosfera superior, causa a dança das luzes coloridas no céu típica das auroras boreais, que acontecem perto dos pólos da Terra.

Uma equipa de cientistas da Dinamarca pegou agora nos sinais magnéticos medidos pela Agência Espacial Europeia e transformou-os numa canção fantasmagórica.

“A equipa usou dados dos satélites SWARM da Agência Espacial Europeia, assim como de outras fontes, e usou estes sinais magnéticos para manipular e controlar uma representação sonora do núcleo do campo. O projecto foi certamente um exercício recompensador na junção da arte e da ciência“, explica Klaus Nielsen, músico e membro da equipa, citado pela Agência.

O som assemelha-se quase ao barulho de fundo de uma tempestade — ou de um filme de terror —, com vários barulhos parecidos com o vento ou chão a tremer, com o crepitar de um espanta-espíritos ou até com a respiração ofegante de alguém.

A gravação foi captada durante uma tempestade solar que chegou à Terra em Novembro de 2011 e pode servir como um bom barulho de fundo se estiver a pensar organizar uma festa de Halloween.

A equipa vai agora tocar a gravação em público na praça Solbjerg, em Copenhaga, na Dinamarca, várias vezes por dia, entre 24 e 30 de Outubro. A praça foi equipada com mais de 30 colunas, com cada uma a representar uma localização diferente na Terra.

“O estrondo do campo magnético da Terra é acompanhado por uma representação de uma tempestade geomagnética que resultou de uma erupção solar a 3 de Novembro de 2011 e, de facto, soa bastante aterrador”, afirma Nielsen.

A intenção, no entanto, não é assustar-nos, mas apenas lembrar-nos da dependência que a vida no nosso planeta tem campo magnético protector — e que é bom que cuidemos dele.

  Adriana Peixoto, ZAP //
28 Outubro, 2022