943: Qual é a mistura perfeita entre água e terra para um planeta ser habitável?

CIÊNCIA/PLANETAS

A Terra é cerca de 29% de terra e 71% de oceanos. Quão significativa é essa mistura para a habitabilidade? O que isso nos diz sobre a habitabilidade dos exoplanetas?

(CC0/PD) sumitsahare / Pixabay

A nossa compreensão da habitabilidade é bastante rudimentar, embora seja baseada em evidências. Contamos com a zona habitável em torno das estrelas para localizar exoplanetas potencialmente habitáveis. É um factor fácil de verificar a longa distância e baseia-se no potencial de água líquida nos planetas.

Mas e a proporção de oceanos para terra de um planeta? Um novo estudo submetido à revista Astrobiology e disponível no site de pré-impressão arxiv.org examina essa proporção em detalhes.

As placas tectónicas e factores relacionados estão na raiz do problema. Um dos factores críticos na tectónica de placas é o princípio da “correia transportadora”, que diz que, à medida que as placas são sub-duzidas de volta ao manto nos limites convergentes das placas, uma nova crosta oceânica é criada nos limites divergentes, chamada expansão do fundo do mar. O resultado é que a relação terra-oceano da Terra permanece consistente.

Com essa proporção consistente, outros factores também permanecem consistentes. E se esses factores encorajam a biosfera, isso é bom para a habitabilidade. Uma dessas coisas são os nutrientes.

A terra exposta está sujeita ao intemperismo. As plataformas continentais da Terra são áreas biologicamente ricas. Uma razão é que todo o escoamento de nutrientes dos continentes acaba nas prateleiras. Assim, os continentes e as suas plataformas contém a maior parte da biomassa da Terra, havendo muito menos nas profundidades do oceano.

O calor é outro factor nas placas tectónicas e na habitabilidade. Os continentes agem como um cobertor sobre o manto, ajudando a Terra a reter o calor. Mas esse efeito cobertor é moderado pelo esgotamento dos elementos radioactivos no manto.

Ao mesmo tempo, a renovação da crosta através da tectónica traz mais desses elementos para a crosta, onde seu calor é eliminado com mais eficiência.

O ciclo de carbono da Terra também é crítico para sustentar a vida. Esse ciclo é afectado pelas placas tectónicas e também pela relação terra-oceano. O desgaste dos continentes remove o carbono da atmosfera aproximadamente em equilíbrio com o carbono emitido do manto pelos vulcões.

Depois, há o conteúdo de água no manto. Mais água no manto reduz a viscosidade do manto, definida como resistência ao fluxo. O conteúdo de água do manto faz parte de um ciclo de feedback com a temperatura do manto. Quanto mais água entra no manto, mais facilmente ela flui. Isso aumenta a convecção, que liberta mais calor do manto.

Como explica o artigo, todos esses factores estão relacionados, geralmente em ciclos de feedback.

Höning and Spohn, 2022
Ciclo de feedback que liga a cobertura continental (verde), concentração de água do manto (azul) e temperatura do manto (vermelho)

Todos estes factores e outros combinam-se na Terra para criar uma habitabilidade robusta. Este estudo contou com modelagem científica para entender como os planetas têm diferentes proporções de terra para oceano.

Höning e Spohn modelaram os três principais processos que criam a relação terra-oceano: crescimento da crosta continental, troca de água entre os reservatórios na superfície e acima dela (oceanos, atmosfera) e no manto, e resfriamento por convecção do manto.

“Esses processos estão ligados por convecção do manto e placas tectónicas com:

  • derretimento e vulcanismo relacionados com a zona de sub-ducção e erosão continental governando o crescimento dos continentes
  • água do manto que se desgaseifica através do vulcanismo e que se regaseifica pela sub-ducção que governa o balanço hídrico
  • transferência de calor através da convecção do manto que governa a evolução térmica.”

Os autores chegaram a uma conclusão fundamental. “… a propagação da cobertura continental em planetas semelhantes à Terra é determinada pelas respectivas forças de feedback positivo e negativo no crescimento continental e pela relação entre cobertura térmica e esgotamento de isótopos radioactivos no crescimento da crosta continental”, escrevem.

“A incerteza nesses valores de parâmetros representa a principal incerteza no modelo.”

Esses ciclos de feedback estarão presentes em qualquer planeta com actividade tectónica e água. A força relativa destes ciclos é difícil de quantificar. Provavelmente, há um número desconcertante de factores em jogo na população de exoplanetas.

Nenhum investigador pode modelar cada factor, mas esta pesquisa resume-se aos ciclos de feedback entre todos os factores e se eles são positivos ou negativos.

Forte feedback negativo “… levaria a uma evolução amplamente independente das condições iniciais e da história inicial do planeta, o que implicaria um único valor actual estável da área da superfície continental”, concluem.

Fortes ciclos de feedback positivo criam resultados diferentes, no entanto. “Para um feedback positivo forte, no entanto, o resultado da evolução pode ser bem diferente, dependendo das condições iniciais e do histórico inicial”, escrevem.

A questão é: esses mesmos ciclos de feedback moldam os exoplanetas? Os exoplanetas com placas tectónicas também podem atingir um equilíbrio entre a cobertura terrestre e oceânica?

Num artigo anterior, o mesmo par de autores concluiu que os planetas terrestres são o resultado mais provável. O próximo resultado mais provável são os planetas oceânicos.

Os autores apontam que há incertezas em todo esse trabalho, é claro, e que há falta de dados. Ainda assim, o seu trabalho lança luz sobre os mecanismos que criam diferentes proporções de terra para oceano nos planetas.

ZAP // Universe Today
27 Novembro, 2022

No Facebook não se pode falar mal da Besta de Leste, um russonazi 🇷🇺☠️卐☠️🇷🇺 terrorista, assassino e psicopata demente!



 

844: O que comeríamos se a Terra fosse atingida por um asteróide

CIÊNCIA/ASTERÓIDES/TERRA/ALIMENTAÇÃO

Caso um asteróide gigante atingisse a Terra daqui a alguns anos, bloqueando o Sol e causando um colapso da agricultura, até poderíamos vê-lo a chegar, mas as tentativas de redireccionar a sua trajectória poderiam facilmente falhar.

CC0 Public Domain

À primeira vista, as nossas hipóteses de sobrevivência parecem poucas. No entanto, se isso fosse possível, conseguiríamos construir um novo sistema alimentar com o conhecimento que já temos?

Num artigo publicado recentemente, a BBC News Brasil imaginou como poderíamos sobreviver caso o planeta fosse atingisse por um asteróide.

Quando o asteróide Chicxulub atingiu a Terra, há 66 milhões de anos, transformou o leito rochoso do oceano em plasma, vaporizou toda a vida num raio de 2.400 quilómetros e atirou detritos ao redor do planeta. Cerca de 25 biliões de toneladas de matéria desenterrada entraram na atmosfera, bloqueando a luz solar.

Ao contrário dos dinossauros, muitos dos nossos ancestrais mamíferos sobreviveram às consequências porque eram escavadores. Mas não foram apenas o estilo de vida e a morfologia que os ajudaram. A dieta também os favoreceu.

Os dinossauros que sobreviveram a terramotos, incêndios e tsunamis logo descobriram que não tinham nada para comer. Os nossos ancestrais mamíferos, por outro lado, viviam de insectos, nozes e plantas aquáticas.

Um pequeno número de dinossauros terópodes – que incluiu o Tiranossauro rex e do qual todas as aves contemporâneas evoluíram – conseguiu sobreviver, graças à sua dieta omnívora, bico e uma moela que os ajudou a extrair nutrição das sementes.

Esta lição pode sugerir que devemos preparar estoques de alimentos básicos de emergência. Durante a Guerra Fria, num depoimento perante o Congresso dos Estados Unidos (EUA), as autoridades norte-americanas propuseram uma “bolacha de sobrevivência para todos os fins”, feita de triguilho.

Latas de sopa Campbell, sumos em pó Tang e o “alimento multi-propósito” da General Mills (produto à base de soja, rico em nutrientes para uso em situações de “emergência ou desastre”) foram produzidos sob ordens do governo norte-americano para encher as prateleiras dos abrigos nucleares.

No entanto, não seria fácil armazenar comida suficiente para alimentar a todos durante uma década – ou até mesmo um ano. Estima-se que os ‘stocks’ existentes de alimentos secos poderiam alimentar cerca de 10% da população durante um período de cinco anos.

Se os governos ou a Organização das Nações Unidas (ONU) adoptassem a mentalidade ‘prepper’ (estratégia de sobrevivência dos super-ricos) e produzissem as cerca de 1,6 mil milhões de toneladas necessárias todos os anos para alimentar todos os humanos na Terra, os preços disparariam. Isso também seria uma catástrofe.

Quando os EUA detonaram uma bomba atómica sobre a cidade japonesa de Nagasaki, aqueles que se esconderam em túneis de minas antigas conseguiram sobreviver desde que não estivessem muito perto da entrada.

Akiko Takakura, na altura com 20 anos, conseguiu sobreviver apesar de estar a 300 metros do hipocentro da explosão pelo facto de estar dentro de um prédio de concreto armado – a agência do Banco do Japão, em Nagasaki.

Diante de um ataque de asteróide, os cidadãos de Ancara, Pequim, Moscovo e Montreal terão, portanto, uma vantagem. Estas cidades contam com grandes espaços de trânsito, armazenamento e comércio no subsolo.

A Turquia pode até utilizar a vasta rede de cidades subterrâneas na província de Nevşehir – situada na região da Capadócia -, construída pelos frígios há 2.500 anos e expandida pelos capadócios gregos.

O Reino Unido também estará numa posição forte. Além das redes de metro subterrâneos em Londres, Newcastle, Sunderland, Glasgow e Liverpool, existem abóbadas subterrâneas, abrigos, cavernas e adegas em Nottingham, Edimburgo, Chislehurst e Stockport.

Além de abrigar humanos, espaços subterrâneos podem ser usados ​​para cultivar alimentos nutritivos. Apesar da falta de luz e da humidade, certas culturas podem prosperar nesses locais caso seja utilizada a abordagem correta. Experiências em pequena escala na agricultura urbana subterrânea já estão em andamento.

Paris abriga quilómetros quadrados de espaço inexplorado na forma de estacionamentos, parte dos quais a empresa Cycloponics transformou em espaços de cultivo de cogumelos. Enquanto isso, a empresa Growing Underground está a cultivar vegetais num antigo abrigo antiaéreo em Clapham, Londres.

Por um curto período, brotos, micro-verdes (versões bem menores de vegetais comestíveis), aspargos brancos, ruibarbo e cogumelos podem ser cultivados com luz artificial zero ou mínima.

Os brotos são uma óptima fonte de vitaminas, ácidos gordos e fibras, e usam a energia armazenada na semente para crescer. O mesmo vale para os micro-verdes, que podem fornecer uma variedade de sabores – de picante a azedo e doce – para preparar outros alimentos.

Em Dezembro de 2020, a Autoridade Carbonífera e o Serviço Geológico Britânico divulgaram mapas de calor para os estimados 25 quilómetros quadrados de campos de carvão em desuso em todo o Reino Unido.

Através deste levantamento, chegaram à conclusão que futuras habitações podem ser construídas para extrair calor das águas que retornaram às minas depois de terem sido desactivadas.

Ainda na antecipação de cenário da BBC News Brasil, uma semana após a Terra ser atingida, sairíamos dos refúgios temporários. A fuligem flutuaria no ar e a luz lembraria o crepúsculo antes do amanhecer. Cada um de nós tem pacotes iniciais: bactérias, sementes e células.

Como os cogumelos não contêm cloroplastos, não precisam de luz para crescer. O que eles precisam é de calor, humidade e um substrato de matéria orgânica para frutificar, recém-abundante na vegetação derrubada do velho mundo biológico.

Infelizmente, os cogumelos não são uma grande fonte de calorias. Muitos são venenosos. A maioria produz esporos tóxicos para humanos em alta concentração e rasga edifícios que preferimos usar como abrigo. O cultivo de cogumelos deve ocorrer em caves, edifícios e túneis especialmente designados.

Não será fácil conseguir uma dieta equilibrada – mas isso pode ser feito. As pessoas continuariam a comer espécies de ruminantes sobreviventes como veados, vacas, cabras e galinhas, alimentando o número reduzido que mantemos com gramíneas mortas, folhas e madeira em decomposição.

Quanto às vitaminas complicadas, E, A e B12 podem ser sintetizadas por processos industriais. Outras, como K ou D, serão mais difíceis de adquirir.

A maior parte da vitamina D comercial vem do refino e irradiação da lã de ovelha. No curto prazo, podemos extrair nutrientes de flores, folhas e partes das árvores.

O chá de agulha de pinheiro tem mais vitamina C do que um sumo de laranja. O chá de urtiga contém vitaminas A, C e K, e o de dente-de-leão é rico em potássio.

Modelos de computador construídos para estudar uma guerra nuclear total prevê que menos de 40% da luz persistirá perto do equador, com apenas 5% nos pólos.

A beterraba mostrou tolerância a temperaturas mais baixas e podemos ter sucesso limitado no cultivo de cenouras, repolhos, batatas e ervilhas.

Muitas outras culturas essenciais, como batata, trigo, cevada, arroz, milho e soja, poderiam ser realocadas para os trópicos e complementadas por mandioca, espinafre selvagem e inhame.

Aqui construiríamos estufas – supondo que a cooperação e o comércio continuassem -, estruturas simples feitas de madeira, filme de polímero, cascalho e pregos que maximizassem a luz solar que receberíamos.

Uma visão comum nas cidades hoje são rios e canais cheios com algas. No entanto, esse imenso poder de crescimento pode tornar as algas altamente valiosas em caso de desastre. Estas são ricas em nutrientes, incluindo ômega-3 e ômega-6, e podem ser cultivadas com pouca luz e colhidas durante todo o ano.

Com matérias-primas como petróleo, gás natural, CO2 ou as sobras não comestíveis das plantações (resíduos das colheitas ou da extracção de madeira) poderíamos produzir proteínas “sintéticas”, açúcar e gorduras.

Historicamente, em períodos de guerra ou crise económica, a infra-estrutura foi redireccionada para atender às necessidades mais prementes da sociedade. Durante a Segunda Guerra Mundial, os EUA adaptaram 66% das fábricas de automóveis para a produção de aeronaves.

E, depois que a pandemia de covid-19 começou, em 2020, a empresa de roupas Barbour fez aventais hospitalares e a Land Rover reprogramou as suas impressoras 3D de peças de carros para fabrico de viseiras de protecção.

Refinarias de biocombustíveis e fábricas de papel em Selby, Grimsby, Wilton, Manchester, no Reino, poderiam ser reaproveitadas para produzir açúcares comestíveis a partir de biomassa lignocelulósica.

Transformar hidrocarbonetos em ceras e gorduras digeríveis – combustíveis fósseis em alimentos – pode ajudar a suprir várias deficiências. Na década de 1910, o químico Arthur Imhausen adaptou um processo conhecido como oxidação de parafina para criar a “manteiga de carvão”, em resposta à inflação na Alemanha.

Uma nova fábrica em Chongqing, na China, usa um processo de síntese química refinado para produzir 20 mil toneladas de proteína a partir de bactérias.

Essa proteína unicelular requer apenas metano, oxigénio e nitrogénio para crescer e será usada para alimentar peixes, mas pode ser ajustada para humanos.

Talvez possamos pensar nos alimentos de hoje à base de plantas como um laboratório para fabricação – no qual as proteínas da ervilha replicam a fibrosidade da carne ou das raízes da soja para fazer hambúrgueres vegetais.

Essa é a continuação de uma tecnologia que tem sido utilizada em todas as culturas para intensificar o sabor, tornar os alimentos mais duradouros, transformar o seu formato, cor, textura ou desencadear efeitos psicoativos: a fermentação.

Os resultados até agora incluem pão, cerveja, kimchi, tempeh (alimento originário da Indonésia), molho de soja, vinho, queijo, ácido cítrico, etanol combustível e penicilina.

É difícil prever o que acontecerá com os oceanos. A pesquisa sobre o inverno nuclear prevê acidificação, aumento da radiação ultravioleta e colapso das teias alimentares.

Alguns argumentam que um “amortecedor” bem administrado, reduzindo a pesca actual, pode nos fornecer frutos do mar quando mais precisarmos.

Actualmente, menos de 2% das nossas calorias vêm do oceano. Apenas 22% dos navios em condições de navegar são usados ​​para pesca. Se for o caso, porta-aviões, navios de carga, rebocadores e iates podem ser requisitados para a aquicultura.

A empresa de serviços Roxel Aqua desenvolveu um sistema modular (conhecido como “o conceito Octopus”), que converte plataformas de perfuração de petróleo em quintas de peixes.

Noutros lugares, como no Golfo do México, empresas e centros de investigação colaboraram em sistemas de “aquacultura multitrófica integrada”, usando plataformas de petróleo desactivadas para cultivar mexilhões, peixes e algas, ao mesmo tempo em que produzem energia renovável.

Os ecossistemas marinhos florescem onde superfícies rígidas e estáveis ​​se tornam disponíveis – como plataformas de petróleo abandonadas. Além das plantas, anémonas, peixes e aves marinhas que se aglomeram ao seu redor, essas plataformas podem abrigar alojamentos, silos cheios de ração, currais gigantescos e cabos submarinos extremamente longos para o cultivo de bivalves ou algas marinhas.

O recente sucesso da NASA em alterar a rota do asteróide Dimorphous é reconfortante e os cientistas estimam que a probabilidade de uma colisão do tamanho de Chicxulub é de apenas 0,000001%. Mas isso não significa que não devemos nos preparar para um colapso catastrófico do suprimento de alimentos.

E os asteróides não são a única ameaça que enfrentamos: também há alterações climáticas, os patógenos, o inverno nuclear e os super-vulcões.

ZAP // BBC News Brasil
21 Novembro, 2022



 

“Um Pálido Ponto Azul”, o retrato de família que é um lembrete à nossa fragilidade

CIÊNCIA/ESPAÇO/TERRA/ORION

A recente imagem endereçada à Terra a partir das câmaras da sonda espacial Orion, em missão não tripulada à Lua, recorda-nos que os retratos de família do terceiro planeta a contar do Sol contam uma história de décadas. Entre as imagens icónicas, olhemos para “Um Pálido Ponto Azul” e dois nasceres da Terra captados a partir da Lua.

Três imagens que remetem para uma declaração de Carl Sagan em Nova Iorque, em 1994: “A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica.”

A uma distância de 6 mil milhões de quilómetros do corpo celeste de que se apartara havia 13 anos, a sonda espacial recebeu uma ordem proveniente de casa: apontar a lente focal de alta resolução da câmara fotográfica à retaguarda do engenho e captar uma definitiva e completa imagem do planeta mãe.

O resultado: um ponto ínfimo, menos de um pixel num universo de 640 mil pixeis a enxamear a foto, capturado dentro de um raio solar. Trinta e quatro minutos após a tomada da foto, a 14 de Fevereiro de 1990, a sonda acolheu a ordem vinda da Terra, desligou as câmaras e manteve a sua viagem, a 64 mil quilómetros por hora, rumo aos limites do Sistema Solar.

O parágrafo precedente poderia configurar o epílogo de uma novela de ficção científica, num último e nostálgico adeus ao planeta de origem. O facto ocorreu a 14 de Fevereiro de 1990, num momento em que a sonda espacial norte-americana Voyager 1, chamava a si o título de objecto humano mais distante do planeta Terra.

Uma década antes, concluíra a aproximação e o estudo do planeta Saturno, para prosseguir a viagem, que ainda mantém em 2022, 45 anos volvidos, em direcção ao espaço interestelar.

Na NASA, o astrónomo, astrofísico e divulgador científico norte-americano, Carl Sagan, então com 55 anos, somou a imagem recolhida pela Voyager 1 à colecção de 60 fotografias que a sonda enviou para a Terra entre os meses de Março e Maio de 1990. Imagens à boleia de sinais de rádio que cumpriam a distância entre os confins do Sistema Solar e o nosso planeta, em pouco mais de cinco horas, num galope de 300.000 quilómetros por segundo, a velocidade da luz.

A série de imagens com o nome de baptismo “Retrato de Família”, tem na fotografia captada a 14 de Fevereiro de 1990 o membro mais famoso do clã. “Um Pálido Ponto Azul” (“Pale Blue Dot”), assim nomeada a foto, resultou da combinação de três imagens com filtros espectrais no verde, azul e violeta.

Um ponto tão ínfimo como frágil, como recordaria mais tarde Carl Sagan na conferência que proferiu na Universidade de Cornell, em Nova Iorque, a 13 de Outubro de 1994: “A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica.”

Um cenário frágil, recentemente captado numa nova imagem, a 16 de Novembro de 2022, pela cápsula Orion, parte da missão espacial Artémis 1, desenvolvida pela NASA. Missão que conta, entre outros objectivos, com o regresso dos humanos à Lua até 2025, mais tarde ao planeta Marte.

Este que será o primeiro voo tripulado a pousar no satélite natural da Terra desde a Apollo 17, em 1972, entregou-nos aquela que é a primeira imagem completa do nosso planeta, captada nos últimos 50 anos, a partir de um objecto operado por mão humana a caminho da Lua. A 90 mil quilómetros de distância, a Terra assoma na escuridão envolvente.

Uma imagem de família que nos recorda que o álbum de fotos do terceiro planeta a contar do Sol, é robusto com antecedentes ainda nas décadas de 1940 e 1950, com os primeiros voos sub-orbitais.

Na década de 1960, na sua ronda em torno do satélite natural da Terra, a sonda Lunar Orbiter 1, parte do programa Orbiter, tinha como objectivo da missão o de fotografar a superfície da Lua. Havia que identificar lugares de pouso seguros para as futuras missões tripuladas Apollo.

Entre as mais de duas mil fotos captadas nas cinco missões não tripuladas Orbiter, entre 1966 e 1967, numa cobertura de 99% da superfície da Lua, uma ganhou o estatuto de histórica. Uma extravagância no contexto da missão, ao não apontar as suas câmaras ao solo árido.

A 23 de Agosto de 1966, a câmara da Orbiter 1 fixou em fotografia o primeiro “nascer” do nosso planeta com o horizonte lunar em primeiro plano. A 380 mil quilómetros de distância da Terra, o crescente visível na imagem abarca um horizonte que se estende de Istambul à Cidade do Cabo.

Um horizonte “retocado” em 2014 quando, no âmbito do programa LOIRP (Lunar Orbiter Image Recovery Project), o nascer da Terra de 1966, mereceu digitalização a partir dos dados analógicos recolhidos nas fitas originais da missão.

Um luminoso erguer da Terra acima da linha de horizonte lunar que bisou na véspera de Natal de 1968. A missão Apollo 8 levava pela primeira vez seres humanos à orbita da Lua.

A bordo da Apollo 8, com os astronautas Frank Borman, Jim Lovell e William Anders, a humanidade estreava não só os seus olhos no lado oculto da Lua, como também na primeira imagem da Terra captada por mão humana a partir do nosso satélite natural.

“Nascer da Terra” (“Earthrise”) imagem captada por William Anders viu-se incluída em 2003 na lista das100 Fotografias que Mudaram o Mundo, a par do cogumelo atómico de Nagasaki, a imagem captada em Raio-X e a paisagem que inaugurou a arte da fotografia (“Vista da Janela em Le Gras”).

Em “Nascer da Terra” o montanhista e premiado fotógrafo norte-americano Galen Rowell identificou “a fotografia ambiental mais influente alguma vez tirada”.

Uma foto emoldurada a partir de uma órbita sobre o equador lunar, com o bordo do satélite natural na vertical face ao planeta Terra. Esta, paira no espaço ligeiramente à esquerda da superfície lunar. Uma imagem mais tarde rodada 90º, para enfatizar uma mitificada aurora da Terra.

“Um Pálido Ponto Azul” mereceu republicação por parte da NASA em 2020, data em que se completaram 30 anos sobre a captação da imagem. O pixel que identifica o nosso planeta a mais de 6 mil milhões de quilómetros parece-nos mais próximo, graças à melhor definição imprimida por software e técnicas de processamento de imagem do século XXI.

As palavras de Carl Sagan proferidas em Cornell em 1994, brilham hoje como há três décadas: “Olhem de novo este ponto. É aqui, é a nossa casa, somos nós.

Nele, todos os que amamos, todos os que conhecemos, qualquer um sobre quem ouviram falar, cada ser humano que já existiu, viveram as suas vidas (…) um grão de pó suspenso num raio de sol (…) A Terra é o único mundo conhecido, até hoje, que abriga vida. Não há outro lugar, pelo menos no futuro próximo, para onde a nossa espécie possa emigrar”.

dnot@dn.pt

Diário de Notícias
Jorge Andrade
21 Novembro 2022 — 00:33



 

602: A camada de ozono traz-nos boas notícias para o planeta

PLANETA TERRA/OZONO

Excelentes notícias para o planeta Terra: o buraco da camada de ozono está a diminuir, revelam novas medições.

A maioria de nós não pensa no ozono no nosso dia a dia. No entanto, esse gás azul pálido desempenha um papel enorme em manter o nosso planeta habitável. Há uma camada na estratosfera da Terra e absorve a maior parte da radiação ultravioleta (UV) que flui do Sol.

Sem a camada de ozono, a UV causaria danos severos à maior parte da vida na Terra. O que aconteceria se tivéssemos um buraco na camada de ozono?

Em 1985, os cientistas descobriram um buraco na camada de ozono, particularmente nas regiões do sul da Terra. Isso acontece todo os meses de Setembro. A perda é em grande parte devido a formas quimicamente activas de cloro e bromo derivados de compostos produzidos pelo homem na atmosfera.

Eles ligam-se a nuvens polares de alta altitude a cada inverno. Uma vez lá, começam reacções destruidoras de ozono quando o Sol nasce no final do inverno da Antárctida. Essas acções criam o buraco de ozono.

As pessoas que vivem na região lidam com taxas mais altas de queimaduras solares, cancro de pele e outras condições, graças ao aumento da transmissão de UV pelo buraco. E o dano não se limita aos humanos; plantas e animais na superfície e nos ecossistemas marinhos também são afectados.

Hoje, a maioria dos produtos químicos destruidores de ozono são proibidos de usar ou permanecem fortemente regulados. Isto deve-se a medidas rigorosas promulgadas através do Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozono.

É um acordo ambiental que regula a produção e o consumo de quase uma centena de produtos químicos criados pelo homem que podem destruir a camada de ozono. A regulamentação e as proibições resultaram na lenta restauração da camada de ozono.

O tamanho anual do buraco de ozono da Antárctida é agora de cerca de 23,2 milhões de quilómetros quadrados. Isso é um pouco menor do que a medição do ano passado e indica que o buraco continua a encolher.

Embora geralmente esteja a diminuir ao longo do tempo, há períodos curtos ocasionais em que o buraco na camada de ozono é ligeiramente maior que a média. As medições de satélite ajudam os cientistas a entender mais detalhes sobre como e porque é que o buraco cresce e diminui sazonalmente.

“Com o tempo, um progresso constante está a ser feito e o buraco está a ficar mais pequeno”, disse Paul Newman, cientista-chefe no Goddard Space Flight Center da NASA. “Vemos algumas oscilações à medida que as alterações climáticas e outros factores fazem os números oscilarem um pouco de dia para dia e de semana para semana.

Mas, no geral, vemos isso a diminuir nas últimas duas décadas. A eliminação de substâncias que destroem a camada de ozono através do Protocolo de Montreal está a diminuir o buraco”.

ZAP // Universe Today
6 Novembro, 2022



 

558: Um terço dos glaciares protegidos vão desaparecer devido às alterações climáticas

– Não são apenas as alterações climáticas que fazem desaparecer os glaciares e a Vida na Terra. Existem por aí, espalhados por todo o lado, terroristas que contribuem, com os seus actos bélicos, para que o Planeta entre em vias de extinção.

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/GLACIARES

Um terço dos glaciares património mundial da UNESCO, que representam 10% da superficial glaciar da Terra, vão desaparecer entre este ano e 2050 devido ao aumento das temperaturas causado pelas alterações climáticas.

Los Alerces, na Argentina
© DR

Um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) salienta que o património glaciar mundial está numa situação preocupante.

A cada ano perde em média 58 biliões de toneladas de gelo, o equivalente ao volume total de água usada por Espanha e França, aponta o relatório.

As alterações climáticas ameaçam destruir locais protegidos, como os glaciares no Monte Perdido, nos Pirenéus, em França e Espanha, ou os do Parque Nacional Los Alerces, na Argentina, que perderam 45,6% da sua massa total em relação ao ano 2000.

Metade da humanidade depende das superfícies glaciares como fonte de água, quer para uso doméstico, quer para a agricultura ou energia hidroeléctrica, além de serem de grande importância cultural, religiosa e turística.

Todos os glaciares que compõem o património mundial da UNESCO estão seriamente ameaçados e 60% destes apresentam um “recuo em ritmo acelerado” da sua massa, segundo o relatório.

Este derretimento alarmante causa 5% do aumento global do nível do mar, acrescenta.

O estudo oferece um raio de esperança: se a temperatura global não subir mais de 1,5 grau acima dos níveis pré-industriais, o restante da superfície glaciar destes locais protegidos poderá ser salvo.

A UNESCO defende a criação de um fundo internacional para monitorizar e proteger os glaciares, maior apoio à investigação científica e o desenho e desenvolvimento de medidas de alerta e redução de risco perante desastres naturais.

Diário de Notícias
DN/Lusa
03 Novembro 2022 — 01:15



 

505: Já podemos ouvir o som assustador do campo magnético da Terra

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA Goddard / Flickr
Conceito de artista do Campo Magnético da Terra

O som foi criado tendo por base os dados recolhidos pela Agência Espacial Europeia durante uma tempestade solar em Novembro de 2011.

Não podemos tocar nele ou vê-lo, mas agora já o conseguimos ouvir. O campo magnético da Terra é essencial para a vida no nosso planeta, mas os seus sons são muito mais sinistros e assustadores do que o seu propósito tão nobre.

O campo magnético é uma bolha complexa e dinâmica que nos protege da radiação cósmica e das partículas emitidas pelo vento solar. A colisão destas partículas com os átomos e as moléculas — maioritariamente de oxigénio e nitrogénio — na nossa atmosfera superior, causa a dança das luzes coloridas no céu típica das auroras boreais, que acontecem perto dos pólos da Terra.

Uma equipa de cientistas da Dinamarca pegou agora nos sinais magnéticos medidos pela Agência Espacial Europeia e transformou-os numa canção fantasmagórica.

“A equipa usou dados dos satélites SWARM da Agência Espacial Europeia, assim como de outras fontes, e usou estes sinais magnéticos para manipular e controlar uma representação sonora do núcleo do campo. O projecto foi certamente um exercício recompensador na junção da arte e da ciência“, explica Klaus Nielsen, músico e membro da equipa, citado pela Agência.

O som assemelha-se quase ao barulho de fundo de uma tempestade — ou de um filme de terror —, com vários barulhos parecidos com o vento ou chão a tremer, com o crepitar de um espanta-espíritos ou até com a respiração ofegante de alguém.

A gravação foi captada durante uma tempestade solar que chegou à Terra em Novembro de 2011 e pode servir como um bom barulho de fundo se estiver a pensar organizar uma festa de Halloween.

A equipa vai agora tocar a gravação em público na praça Solbjerg, em Copenhaga, na Dinamarca, várias vezes por dia, entre 24 e 30 de Outubro. A praça foi equipada com mais de 30 colunas, com cada uma a representar uma localização diferente na Terra.

“O estrondo do campo magnético da Terra é acompanhado por uma representação de uma tempestade geomagnética que resultou de uma erupção solar a 3 de Novembro de 2011 e, de facto, soa bastante aterrador”, afirma Nielsen.

A intenção, no entanto, não é assustar-nos, mas apenas lembrar-nos da dependência que a vida no nosso planeta tem campo magnético protector — e que é bom que cuidemos dele.

  Adriana Peixoto, ZAP //
28 Outubro, 2022



 

495: Morte do Sol pode gerar novas vidas no Sistema Solar Exterior

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

Em cerca de 5 biliões de anos, após a morte do Sol, o sistema solar mudará drasticamente. Os oceanos ficaram secos, planetas inteiros serão consumidos e mundos de gelo finalmente poderão prosperar.

Morte do Sol pode gerar novas vidas no Sistema Solar Exterior © Morte do Sol pode gerar novas vidas no Sistema Solar Exterior (Foto: Brano/Unsplash)

O Sol é alimentado por fusão nuclear e transforma hidrogénio em hélio num processo que converte massa em energia. Quando esse suprimento de combustível acabar, o Sol começará a crescer dramaticamente.

Suas camadas externas se expandirão até engolir grande parte do sistema solar, à medida que se torna o que os astrónomos chamam de “gigante vermelha”.

Mas, o que vai acontecer com os planetas quando o Sol entrar na fase de gigante vermelha? Esse assunto ainda é debatido entre cientistas, mas a maioria concorda que a vida na Terra será completamente destruída, ao passo que esse fenómeno pode criar mundos habitáveis ​​no que são actualmente os pontos mais frios do sistema solar.

Quaisquer humanos que sobrarem podem encontrar refúgio em Plutão e outros planetas anões distantes no Cinturão de Kuiper, uma região repleta de rochas espaciais geladas. À medida que o nosso Sol se expande, esses mundos de repente se encontrarão com as condições necessárias para a evolução da vida.

Esses são os “mundos habitáveis ​​de gratificação atrasada”, de acordo com o cientista planetário Alan Stern, do Southwest Research Institute. “No final da vida do Sol – na fase gigante vermelha – o Cinturão de Kuiper será uma Miami Beach metafórica”, explicou ele.

Uma vez que o nosso Sol se tornou uma gigante vermelha, Plutão e seus primos no Cinturão de Kuiper, além da lua de Neptuno, Tritão, podem ser o local mais valioso para a vida do sistema solar.

Hoje, esses mundos contêm gelo abundante e materiais orgânicos complexos. Alguns deles podem até conter oceanos sob suas superfícies geladas, ou pelo menos tiveram num passado distante.

No entanto, as temperaturas da superfície em planetas anões como Plutão geralmente ficam em inóspitas centenas de graus abaixo de zero.

Mas quando tudo que sobrar da Terra forem cinzas, as temperaturas em Plutão serão semelhantes às temperaturas médias do nosso próprio planeta hoje. “Quando o Sol se tornar uma gigante vermelha, as temperaturas na superfície de Plutão serão aproximadamente as mesmas que as temperaturas médias na superfície da Terra agora”, disse Stern.

Em uma pesquisa publicada na revista Astrobiology em 2003, ele analisou as perspectivas de vida no sistema solar externo após o Sol entrar na sua fase de gigante vermelha. A Terra será torrada, mas Plutão será balsâmico e repleto dos mesmos tipos de compostos orgânicos complexos que existiam quando a vida evoluiu pela primeira vez no nosso próprio planeta.

Stern explicou que Plutão provavelmente terá uma atmosfera espessa e uma superfície de água líquida. Colectivamente, os mundos, de rochas espaciais semelhantes a cometas e planetas anões como Eris e Sedna, nesta nova zona habitável terão três vezes mais área de superfície do que todos os quatro planetas do sistema solar interno combinados.

Isso pode parecer uma discussão académica relevante apenas para nossos descendentes distantes, isso se eles tiverem a sorte de sobreviver biliões de anos a partir de agora.

No entanto, como Stern aponta, existem cerca de 1 bilião de estrelas gigantes vermelhas na Via Láctea hoje. São muitos lugares para os seres vivos podem evoluir e depois perecerem enquanto suas estrelas os consomem.

MSN Notícias
26.10.2022
às 18:40



 

355: Júpiter mais próximo da Terra

Infelizmente, do local onde estou, não consigo vislumbrar Júpiter, aliás, nenhum planeta a não ser a nossa Lua.

Encravado nas traseiras por uma escarpa da altura de um prédio de 4-5 andares e na frente com uma visão de 180º, não tenho qualquer hipótese.

A Lua encontra-se numa fase ainda invisível e com uma percentagem muito baixa conforme mapa seguinte:

Flag for PortugalLisbon, Portugal — Moonrise, Moonset, and Moon Phases, Setembro 2022

Moon: 0.7%

Waxing Crescent

Current Time: 26 de Set de 2022, 20:53:11
Moon Direction: 273,62° W
Moon Altitude: -11,04°
Moon Distance: 384.211 km
Next Full Moon: 9 de Out de 2022, 21:54
Next New Moon: 25 de Out de 2022, 11:48
Next Moonrise: Tomorrow, 8:56

Em termos de posicionamento planetário, a disposição neste momento é a que se segue:

Stellarium

Daqui a 59 anos, a aproximação de Júpiter à Terra voltará a acontecer. Entretanto, já estarei a fazer torrão…

Artigo sobre esta efeméride:

https://omeublogue.eu/2022/09/25/segunda-feira-jupiter-estara-tao-proximo-da-terra-que-sera-mais-brilhante-que-a-lua/

26.09.2022



 

178: A Terra poderá ser expulsa do nosso sistema solar?

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

Vivemos hoje num momento muito especial no que toca à exploração espacial e à compreensão do Universo. Contudo, já no passado havia quem teorizasse sobre um futuro incerto do ponto de vista cósmico, que obrigasse os humanos a tomar medidas radicais, embora impossíveis aos olhos da actualidade.

No conto de Liu Cixin “The Wandering Earth“, Cixin retrata um cenário em que os líderes do planeta concordam em expulsar a Terra do sistema solar para escapar de uma explosão solar iminente que iria dizimar tudo no planeta.

Esta história é, claro, baseada no reino da ficção, mas será que a Terra alguma vez poderá realmente deixar o sistema solar?

E se um dia a Terra fosse expulsa do sistema solar?

Numa visão micro, de dentro para fora em relação ao planeta no universo, esta conversa parece até absurda. Aliás, Matteo Ceriotti, engenheiro aeroespacial e professor de engenharia de sistemas espaciais na Universidade de Glasgow no Reino Unido, disse mesmo que este cenário “é muito improvável”.

No entanto, como Ceriotti explicou, “improvável” não significa que seja “impossível”, e sugeriu uma forma de o fazer teoricamente.

A Terra poderia ser afastada da sua órbita através da acção de um enorme objecto interestelar, que ao voar através do espaço interestelar, entrasse no sistema solar e passasse perto da Terra.

Referiu o engenheiro aeroespacial.

Esta realidade seria possível, pois neste encontro próximo, conhecido como “flyby”, a Terra e o objecto trocariam energia e impulso, e a órbita da Terra seria perturbada. Se o objecto fosse suficientemente rápido, massivo e próximo, poderia projectar a Terra para uma órbita de fuga dirigida para fora do sistema solar.

Timothy Davis, um professor superior de física e astronomia na Universidade de Cardiff no Reino Unido, concordou que a Terra poderia ser teoricamente expulsa do sistema solar, e tem a sua própria hipótese sobre como isto poderia acontecer.

Os planetas, tal como existem neste momento, estão em órbitas estáveis à volta do Sol. Contudo, se o Sol tivesse um encontro próximo com outra estrela, então as interacções gravitacionais destes corpos poderiam perturbar estas órbitas, e potencialmente causar a expulsão da Terra do sistema solar.

Explicou Davis num comentário à Live Science.

No entanto, Davis observou que, embora este cenário seja viável, é incrivelmente duvidoso que venha a acontecer – pelo menos, num futuro previsível.

Tais encontros estelares são bastante raros. Por exemplo, sabemos que se espera que a estrela Gliese 710 se aproxime bastante, em termos astronómicos, do Sol dentro de cerca de um milhão de anos – mas mesmo este “flyby” é pouco provável que perturbe os planetas.

Referiu o investigador de física e astronomia da Universidade de Cardiff.

E se um dia tivéssemos mesmo que “fugir” para longe do nosso Sol?

Em cenários apocalípticos, na orça da ficção, um dia poderíamos ter de fugir de onde estamos. Embora seja improvável que forças externas forcem a Terra a sair do sistema solar em breve, poderá a humanidade construir maquinaria capaz de deslocar o planeta a tal ponto que este acabe por ser ejectado?

A energia necessária para remover a Terra da sua órbita e expulsá-la do sistema solar é tão maciça – equivalente a mil triliões (um 1 com 21 zeros depois dele) de bombas nucleares mega-toneladas a explodirem de uma só vez – que isto parece improvável.

Disse Davis.

Embora tal evento esteja longe de ser provável, o que aconteceria se a Terra se separasse do sistema solar? Que impactos ocorreriam se o nosso planeta natal acabasse por ser permanentemente arrancado para as profundezas do universo?

A Terra voaria para o espaço interestelar até ser capturada ou engolida por outra estrela ou por um buraco negro. Além disso, se a Terra deixasse o sistema solar, provavelmente resultaria na dizimação de muita – se não de toda – a vida do planeta.

Explicou Ceriotti.

O investigador referiu que nesse cenário seria improvável que a atmosfera permanecesse: O clima global da Terra é muito delicado devido a um fino equilíbrio entre a radiação que chega do sol e a energia dissipada para o espaço profundo. Se isto viesse a variar, as temperaturas mudariam imediata e dramaticamente.

Portanto, a maioria da vida na Terra não sobreviveria a este movimento cataclísmico de afastamento do sistema solar.

Se a Terra abandonasse o sistema solar, é muito provável que a grande maioria da vida tal como a conhecemos desaparecesse. Quase toda a energia utilizada pelos organismos vivos da Terra tem origem no Sol, quer directamente (por exemplo, plantas que foto-sintetizam), quer indirectamente (por exemplo, herbívoros que comem as plantas, e carnívoros que comem os herbívoros).

Neste cenário, quanto mais a Terra se afastasse do Sol, mais baixa seria a sua temperatura. Acabaria por congelar por completo. A única fonte natural de calor restante seria o decaimento dos elementos radioactivos na crosta terrestre remanescentes da formação do sistema solar.

Concluiu Timothy Davis.

Olhando para o futuro, os investigadores concordam que o nosso sistema solar acabará por ser gravemente perturbado, que a Terra ou será arrasada, ou será inteiramente destruída.

Pplware
Autor: Vítor M
01 Set 2022


 

173: Estudo: Núcleo da Terra pode conter uma enorme “fábrica de diamantes”

CIÊNCIA/GEOLOGIA/TERRA

Com o apurar de tecnologias e metodologias de investigação, os cientistas começam a deslindar certos enigmas relacionados com o núcleo do nosso planeta. Assim, segundo um novo estudo, o calor intenso do núcleo da Terra pode ter as condições ideais para a existência de uma enorme “fábrica de diamantes de carbono”.

O núcleo da Terra está cheio de mistérios devido ao seu pequeno tamanho, mas poderá ter materiais a temperaturas superiores a 3.000 °C.

Diamonds are the earth’s best friends

O estudo dos investigadores da Escola de Exploração da Terra e do Espaço da Universidade do Estado do Arizona centra-se especificamente na relação entre o núcleo metálico da Terra e o magma no manto. Esta colagem pode levar a que o carbono esteja em estado diamantado.

A forma estável de carbono sob as condições de temperatura de pressão da fronteira do manto central da Terra é diamante.

Explicou em declaração Dan Shim, professor na Universidade do Estado do Arizona e co-autor do estudo.

“Fábrica de diamantes” no núcleo da Terra

O núcleo interior é composto de ferro e níquel, sólido e as estimativas indicam que deve ser tão quente como a superfície do Sol. O núcleo exterior é de ferro líquido e tudo à volta é uma enorme camada de rocha derretida.

A temperatura na fronteira entre o manto de silicato e o núcleo metálico atinge cerca de 3.800 graus Celsius, o que é suficientemente elevada para que a maioria dos minerais perca H₂O capturados nas suas estruturas à escala atómica.

Acrescentou o investigador.

A liga de ferro-carbono reagiu com água a alta pressão e condições de alta temperatura relacionadas com o manto profundo da Terra numa célula diamante-anvil.

Conforme é referido, nas pressões esperadas do limite do manto do núcleo da Terra, a ligação de hidrogénio com metal líquido de ferro parece reduzir a solubilidade de outros elementos leves no núcleo. Como resultado, a solubilidade do carbono, que provavelmente existe no núcleo da Terra, diminui localmente onde o hidrogénio entra no núcleo do manto (por desidratação).

Assim, o carbono que escaparia do núcleo externo líquido tornar-se-ia diamante quando entrasse no manto.

O carbono é um elemento essencial para a vida e desempenha um papel importante em muitos processos geológicos. A nova descoberta de um mecanismo de transferência de carbono do núcleo para o manto irá lançar luz sobre a compreensão do ciclo do carbono nas profundezas da Terra.

Acrescentou também Byeongkwan Ko, co-autor do estudo.

A propósito, esta pode ser a origem dos diamantes que temos hoje. São feitos inteiramente de átomos de carbono com uma ligação sólida. Estudos indicam que foram transportados da borda do núcleo da Terra para a superfície por erupções vulcânicas.

Pplware
Autor: Vítor M
31 Ago 2022