758: Não há vida inteligente fora da Terra. NASA explica porquê

NASA/VIDA ALIENÍGENA

É provável que nunca venhamos a encontrar seres extraterrestres inteligentes. Houve uma destruição generalizada antes do contacto com a Terra.

Pawel86 / Pixabay

“Só existem duas possibilidades: ou estamos sozinhos no universo, ou não estamos. Ambas são igualmente assustadoras” – Arthur C. Clarke.

“Se não existe vida fora da Terra, então o universo é um grande desperdício de espaço” – Carl Sagan.

A procura por vida extraterrestre já começou há imensos anos. E não pára.

A tecnologia foi evoluindo e novidades como o telescópio James Webb permitiram/permitem um estudo mais pormenorizado de outros planetas e uma pesquisa mais próxima de outras civilizações.

O mesmo Carl Sagan defendeu que encontrar seres extraterrestres inteligentes iria “enriquecer a humanidade para além do que se pode imaginar”.

No entanto, nunca se encontrou, e provavelmente nunca se vai encontrar, vida inteligente fora da Terra.

O aviso é dado por cientistas da Agência Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA), num artigo assinado por Jonathan H. Jiang, Philip E. Rosen, Kelly Lu, Kristen A. Fahy e Piotr Obacz.

Os especialistas apresentam a sua teoria do ‘Grande Filtro’: qualquer vida inteligente extraterrestre já desapareceu.

Admitem a eventual existência de diversas civilizações, desde que o Universo foi criado, mas qualquer civilização inteligente foi destruída antes de chegar a um ponto de evolução suficientemente sofisticado para conseguir contactar a Terra.

A tese defende que qualquer civilização inteligente – incluindo a humana – sofre de desequilíbrios profundamente enraizados, que se podem “deteriorar rapidamente no Grande Filtro” universal.

E há mais: se não forem tomadas medidas para evitarmos a nossa própria extinção, a civilização humana também vai ser “filtrada” devido aos seus desequilíbrios, às suas fragilidades. Vai desaparecer.

Porque o que ameaça – ou ameaçou – os habitantes de outros planetas também ameaça os habitantes da Terra.

Afinal, que factores de destruição são esses? Guerra nuclear, pandemias (altura apropriada para esta dupla), inteligência artificial descontrolada, choques com asteróides e cometas, alterações climáticas.

O ponto essencial, defendem, é “atravessar com sucesso este filtro universal, identificar atributos destrutivos em nós próprios e neutralizá-los antecipadamente”. Porque a “colaboração entre espécies levou-nos aos picos mais altos da invenção”.

O artigo ainda não foi revisto pelos pares.

Nuno Teixeira da Silva, ZAP //
17 Novembro, 2022



 

721: Curiosidades sobre a vida extraterrestre que poderão surpreender os mais cépticos

CIÊNCIA/VIDA ALIENÍGENA/CURIOSIDADES

A vida extraterrestre é uma questão que, apesar de motivar consecutivos estudos e investigações, continua a ser uma incógnita, pelo menos para os cidadãos comuns.

Sabemos que existem indícios que poderão indicar a presença de organismos microscópicos nalguns planetas e luas que observamos, contudo, não é óbvio que eventuais sinais de vida que possamos encontrar e confirmar seja vida que, de alguma forma, se assemelha a nós, humanos.

Siga para o artigo e veja algumas curiosidades sobre a vida alienígena.

A procura por vida extraterrestre foca-se, normalmente, em organismos microscópicos. No entanto, provavelmente, quando imagina a figura de um ser vivo de outro planeta, pensa-a à nossa imagem, ou com muitos traços semelhantes, isto é, com cabeça, dois braços (talvez mais?), a caminhar em duas pernas (ou mais?), e com uma estrutura parecida àquela que nós, seres humanos da Terra, temos.

No entanto, a incógnita mantém-se há séculos e, na sequência do desconhecido, surgem teorias daquilo que poderá estar a fazer-nos companhia no universo.

Se algumas se formam pela criatividade de que somos dotados, outras baseiam-se em histórias reais e muito estranhas. Afinal, não sabemos se aqueles seres extraterrestres que imaginamos como altamente inteligentes são apenas materiais de ficção.

Stephen Hawking pensava que os extraterrestres podiam representar perigo

O físico Stephen Hawking, conhecido pelo seu estudo das singularidades espaço-temporais no quadro da relatividade geral, também falou sobre a procura de vida extraterrestre. Numa entrevista ao Discovery Channel, disse que, caso nos visitassem, seria “algo como quando Cristóvão Colombo veio para a América”: um momento muito indelicado para os habitantes da Terra.

Apesar desta perspectiva, considerou importante a procura de vida noutros planetas.

William Herschel pensava que os habitantes de Marte seriam muito altos

Este foi um dos primeiros astrónomos profissionais e descobriu vários objectos celestiais, incluindo cometas e o planeta Úrano.

Além disso, graças à utilização de telescópios muito potentes para a época, foi capaz de medir aproximadamente o planeta Marte, calculando as suas estações, o seu período de rotação e a sua gravidade.

Assim, e tendo em conta esses dados, foi capaz de estimar que, se houvesse habitantes a viver em Marte, deveriam ser mais altos do que os humanos.

Extraterrestres não nos visitam, porque o nosso Sol é aborrecido

Um estudo aceite para publicação no Astrophysical Journal aponta o nosso Sol como uma estrela pouco atractiva para uma civilização em expansão.

Os autores argumentam que os melhores alvos para a migração devem ser as estrelas de baixa massa, por forma a garantir a longevidade. O nosso Sol, por sua vez, é um anão amarelo de tamanho médio.

Com isto, os autores do estudo tentam explicar o Paradoxo de Fermi, que diz que uma civilização alienígena em expansão já se teria espalhado rapidamente pela nossa galáxia, pelo que já deveria ter chegado ao Sistema Solar. Se ainda não chegou, assume-se que tal civilização não existe.

Os autores do estudo explicam que a civilização pode existir, mas pode ter ignorado o nosso sistema por não estar interessada no nosso Sol.

Pplware
Autor: Ana Sofia Neto
14 Nov 2022



 

532: Talvez os ETs não nos queiram visitar por culpa do nosso Sol

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ASTROFÍSICA/VIDA ALIENÍGENA

KELLEPICS / pixabay

O Paradoxo de Fermi não vai embora. É uma das nossas experiências mentais mais convincentes, e gerações de cientistas continuam a lutar contra ele.

O paradoxo coloca estimativas altas para o número de civilizações na galáxia contra o facto de que não vemos nenhuma dessas civilizações. Diz que se existem civilizações em rápida expansão na Via Láctea, uma deveria ter chegado aqui ao nosso Sistema Solar. O facto de que nenhuma o fez implica que nenhum existe.

Muitos pensadores e cientistas abordaram o Paradoxo de Fermi e tentaram encontrar uma razão pela qual não vemos nenhuma evidência de uma civilização tecnológica em expansão. A vida pode ser extraordinariamente rara, e os obstáculos às viagens interestelares podem ser muito desafiadores. Pode ser assim tão simples.

Mas um novo artigo tem uma nova resposta: talvez o nosso Sistema Solar não ofereça o que as civilizações de longa duração e em rápida expansão desejam – o tipo correto de estrela.

Para entender o Paradoxo de Fermi, precisamos de entender a Equação de Drake. A Equação de Drake é uma estimativa probabilística do número de civilizações na Via Láctea. Não nos diz quantas civilizações existem; resume os conceitos com os quais temos que lutar se quisermos pensar em quantas civilizações poderiam existir.

Um componente crítico da Equação de Drake diz respeito às estrelas. A equação considera a taxa de formação de estrelas na galáxia, quantas dessas estrelas hospedam planetas e quantos desses planetas poderiam hospedar vida.

A equação fica mais detalhada perguntando quantos desses planetas desenvolvem vida, quanta dessa vida se transforma em civilizações tecnológicas e quantas dessas civilizações revelam a sua presença libertando sinais no Espaço. Finalmente, estima o tempo de vida dessas civilizações.

Ao usar variáveis ​​diferentes para responder a cada uma dessas perguntas, obtemos estimativas diferentes de quantas civilizações tecnológicas podem existir. É uma experiência mental, mas informada por evidências, embora as evidências sejam rudimentares.

Um novo artigo aborda o Paradoxo de Fermi focando nos tipos de estrelas. Diz que nem todos os tipos de estrelas são desejáveis ​​para uma civilização tecnológica em expansão. Estrelas de baixa massa, particularmente estrelas anãs K, são os melhores alvos de migração para civilizações de vida longa.

Os autores apontam para uma das análises mais famosas do Paradoxo de Fermi, que veio do astrofísico americano Michael Hart em 1975. O artigo de Hart era “Uma explicação para a ausência de extraterrestres na Terra”, e é considerada a primeira análise rigorosa do paradoxo, que mostrou como uma civilização se pode expandir pela galáxia num período de tempo menor que a idade da galáxia.

Hart explicou o que aconteceria se uma civilização enviasse naves coloniais para as 100 estrelas mais próximas. Elas poderiam colonizar esses sistemas estelares, então cada uma dessas colónias poderia fazer o mesmo, e o processo poderia continuar a repetir-se.

“Nesse ritmo, a maior parte de nossa galáxia seria atravessada em 650.000 anos”, escreveu Hart, que apontou que uma civilização tecnológica teria tempo suficiente para chegar até nós, a menos que tivesse começado há menos de dois milhões de anos. Para Hart, a única explicação para a falta de evidências de civilizações alienígenas é que não existem.

No seu artigo, Hart chegou a algumas conclusões: SETI e esforços semelhantes são uma perda de tempo e dinheiro, e se alguém colonizar nosso Sistema Solar, provavelmente serão os nossos descendentes.

Os autores deste artigo discordam. Uma suposição subjacente para muitas pessoas que contemplam o Paradoxo de Fermi é que as estrelas são uniformemente atraentes para uma civilização espacial, e a civilização se espalharia por toda parte igualmente. Mas isso é verdade?

Os autores deste novo artigo não pensam assim. “Sugerimos, seguindo a hipótese de Hansen & Zuckerman (2021), que uma civilização em expansão se instalará preferencialmente em sistemas de anãs K ou M de baixa massa, evitando estrelas de maior massa, a fim de maximizar a sua longevidade na galáxia”, eles escrevem.

Medir a longevidade das estrelas não é intuitivo para os humanos. Se um tipo de estrela dura 10 mil milhões de anos e outro dura 10 biliões, que diferença isso faz para alguém além de um astrofísico?

Mas agora, imagine que faz parte de um órgão de tomada de decisão para uma civilização que tem um milhão de anos – ou até mais – e se expandiu para diferentes sistemas solares. Então, a idade de uma estrela é importante.

Anãs K e anãs M (anãs vermelhas) têm vidas longas. Mesmo para uma civilização extraordinariamente avançada, colonizar outro sistema solar exigiria muitos recursos. Por que gastar esses recursos num sistema estelar que pode não durar muito?

Os autores calcularam uma nova estimativa para o tempo que uma civilização galáctica precisa para colonizar a galáxia, se essa civilização visasse apenas anãs K e anãs M, e dizem que levaria dois mil milhões de anos. Com maiores capacidades de viagem, a civilização poderia reduzir drasticamente o período.

Estas estimativas são baseadas na ideia de que uma civilização se espalha pela galáxia em ondas. Haveria períodos de tempo em que a civilização estaria à espera de uma aproximação de uma estrela favorável.

Os autores pensam que pode haver Clube Galáctico de estrelas de baixa massa a espalhar-se pela Via Láctea agora, e não podemos descartá-la apenas porque não notamos isso. A ausência de evidência não é evidência de ausência, como diz o ditado.

O que levaria uma espécie a expandir-se continuamente? Crescimento populacional? Necessidades de energia? Curiosidade científica? Domínio sobre os outros? Para nós, não há como saber.

A humanidade moderna está apenas há cerca de um quarto de milhão de anos na sua jornada. Os motivos que nos impulsionam e a estrutura de pensamento que nos guia não foram exactamente testados pelo tempo.

O tempo é o Mestre do nosso Universo. Da nossa própria expectativa de vida às eras das civilizações alienígenas e à vida e morte de estrelas e planetas, o tempo governa tudo. A relatividade pode mexer com o tempo, mas não pode impedi-lo de passar.

E se os alienígenas dominarem a extensão da vida e viverem tanto que os indivíduos possam fazer parte de múltiplas expansões em outros sistemas estelares? E se eles não são estritamente indivíduos como nós, mas são algum tipo de híbrido de um indivíduo e um colectivo genético? E se eles puderem absorver novas informações genéticas de maneiras que não podemos imaginar?

E se a criação estiver irremediavelmente desactualizada para eles, e eles estiverem livres destas preocupações e dos limites de uma vida curta? E se eles não forem mais seres orgânicos e os tipos de coisas que nos motivam estiverem em seu passado distante? E se forem simbiontes? E se houver centenas de outras hipóteses?

Coisas em que não podemos pensar são meio inúteis, excepto para reconhecer que elas existem. Este é o ponto final de muitas discussões em torno do Paradoxo de Fermi e da Equação de Drake. Há tanta coisa que não sabemos; não podemos nem mesmo entender que não sabemos. A humanidade ainda é uma criança.

ZAP // Universe Today
30 Outubro, 2022



 

529: Quatro métodos que o James Webb usa na procura de vida além da Terra

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/JAMES WEBB

NASA GSFC / CIL / Adriana Manrique Gutierrez
Impressão de artista do Telescópio Espacial James Webb no Espaço

O estudo de exoplanetas, mundos que orbitam outras estrelas além do nosso Sol, está a ser transformado pelo novo Telescópio Espacial James Webb (JWST).

Em breve, obteremos a nossa primeira visão das condições em mundos rochosos, potencialmente semelhantes à Terra, além do nosso sistema solar. Um desses mundos distantes pode hospedar vida. Mas poderíamos detectá-la?

Podemos ser capazes de detectar sinais de vida na composição da atmosfera do planeta. Podemos usar uma técnica chamada espectroscopia de transmissão – que divide a luz por seu comprimento de onda – para procurar traços de diferentes gases na luz das estrelas à medida que ela passa pela atmosfera de um planeta.

Alguns gases que absorvem a luz das estrelas podem indicar a presença de vida no planeta. Chamamos a isso de bioassinaturas.

1. Oxigénio e ozono

O oxigénio é provavelmente a bioassinatura mais óbvia. As plantas produzem-no, nós respiramo-lo e o registo das rochas mostra que os níveis na atmosfera da Terra mudaram drasticamente à medida que a vida evoluiu. O oxigénio que respiramos é O2, dois átomos de oxigénio unidos. Mas outra configuração de oxigénio, O3 ou ozono, também pode ser observada com JWST.

Então, se detectássemos um ou ambos os gases, estaria o trabalho feito? Infelizmente não. Outro cenário que poderia produzir grandes quantidades de oxigénio atmosférico é um planeta a passar por um “efeito estufa descontrolado”.

Quando um planeta está quente o suficiente para que seu o oceano de água evapore, o vapor de água resultante na atmosfera contribui para um efeito de estufa – sobreaquecendo o planeta até níveis que não são compatíveis com a vida – em um ciclo de feedback.

Eventualmente, o planeta fica quente o suficiente para as moléculas de água se separarem em hidrogénio e oxigénio. As moléculas de hidrogénio são leves e podem mover-se rápido o suficiente para escapar facilmente da gravidade do planeta, enquanto o oxigénio mais lento tende a ficar por perto, pronto para ser detectado e enganar os astrónomos desprevenidos.

2. Fosfina e amónia

O foco actual da busca por vida pode estar principalmente nos exoplanetas, mas também houve desenvolvimentos recentes mais próximos de casa. A fosfina – um gás que ocorre naturalmente em atmosferas dominadas por hidrogénio, como as dos gigantes gasosos Júpiter e Saturno – foi recentemente detectada na atmosfera de Vénus. Curiosamente, a fosfina é considerada uma potencial bioassinatura.

Na Terra, a fosfina é produzida por microorganismos, por exemplo, no trato intestinal dos animais. Se não houver vida, não esperaríamos que a fosfina ocorresse em grandes quantidades em atmosferas semelhantes a Vénus, dominadas pelo dióxido de carbono. Dito isto, ainda não podemos descartar outras fontes de fosfina em Vénus.

A amónia fétida é outra potencial bioassinatura, também produzido por animais na Terra. Como a fosfina, é predominante em planetas gigantes gasosos, mas não se espera que ocorra em mundos rochosos na ausência de vida.

No entanto, detectar fosfina ou amónia na atmosfera de um exoplaneta distante provavelmente será um desafio. Ambos atingem pequenas concentrações de apenas algumas partes por mil milhão na Terra. Então, a menos que os nossos potenciais extraterrestres sejam muito mais mal-cheirosos do que os animais da Terra, provavelmente não os veremos tão cedo.

3. Metano mais dióxido de carbono

Gases individuais que são bioassinaturas inequívocas são poucos e distantes entre si, então talvez seja melhor procurar uma combinação vencedora se quisermos detectar vida. Grandes quantidades de metano, produzidas por animais que se peidam na Terra, mais dióxido de carbono, seriam um bom indício de que algo está a acontecer.

Se houver oxigénio suficiente disponível, o carbono prefere ficar com oxigénio como dióxido de carbono (CO2, um átomo de carbono e dois átomos de oxigénio), em vez de formar metano (CH4, um átomo de carbono e quatro átomos de hidrogénio).

Num ambiente rico em oxigénio, qualquer carbono que se encontre numa molécula de metano rapidamente abandona os seus companheiros de hidrogénio em favor de alguns oxigénio sobressalentes.

Portanto, ver muito metano e dióxido de carbono a coexistir sugere que algo – talvez bactérias – está constantemente a produzir metano.

4. Desequilíbrios químicos

Podemos aplicar o argumento acima a qualquer combinação de gases que não deveriam coexistir alegremente. A vida interrompe o equilíbrio químico do seu ambiente porque usa reacções químicas para gerar energia.

Na Terra, o oxigénio é transformado em dióxido de carbono, mas num tipo diferente de atmosfera, com diferentes produtos químicos disponíveis, a vida usaria outros processos para atingir o mesmo objectivo.

Bactérias produtoras de metano que vivem em torno de fontes hidrotermais nas profundezas dos oceanos da Terra, por exemplo, recolhem energia química de minerais e compostos químicos. Procurar desequilíbrios permite-nos ter a mente aberta sobre como seria a vida em outros lugares.

O que acontece se detectarmos sinais de vida alienígena?

O JWST já está a superar as nossas expectativas nas observações da atmosfera de exoplanetas. Por mais poderoso que seja, no entanto, os planetas rochosos com temperaturas amenas e atmosferas dominadas por nitrogénio ou dióxido de carbono ainda serão um desafio para estudar com a espectroscopia de transmissão.

Os sinais que esperamos desses planetas são muito mais fracos do que aqueles que observamos com sucesso em atmosferas gigantes de gás quente.

Se tivermos a sorte de observar gases que absorvem a luz das estrelas na atmosfera de um exoplaneta rochoso – TRAPPIST-1e, por exemplo – ainda temos que medir quanto desses gases estão presentes para tirar conclusões significativas. Isso não é simples, pois os sinais podem sobrepor-se e precisam de ser cuidadosamente desembaraçados.

Mesmo se detectarmos e medirmos com precisão um dos nossos possíveis gases de bioassinatura, não podemos afirmar que detectamos vida alienígena. O JWST está apenas a abrir um novo e rico laboratório de atmosferas planetárias e, à medida que exploramos, sem dúvida, descobriremos que muitas das nossas suposições anteriores estão erradas.

Tirar conclusões precipitadas sobre alienígenas todas as vezes que encontramos algo incomum seria prematuro. Uma detecção de uma bioassinatura com o JWST seria uma dica interessante, com a promessa de muito mais trabalho a ser feito.

ZAP // The Conversation
30 Outubro, 2022



 

324: Cientistas procuram “poderosos transmissores alienígenas” escondidos no espaço

CIÊNCIA/ESPAÇO/ALIENÍGENAS

Apesar de alguns cientistas terem teorias onde concluem que a vida na Terra foi obra da sorte, a verdade é que até é egoísta para outros investigadores pensarmos que apenas o nosso planeta conseguiu desenvolver vida. Como tal, a procura de vida inteligente no universo recebe um grande impulso da iniciativa “Breakthrough Listen”, que leva a cabo esforços consideráveis para a descoberta de comunicações e tecnologias alienígenas.

Vamos perceber que iniciativa é esta e que poderosos sinais estão a ser procurados.

Há uma lista de locais que podem conter sinais de vida alienígena

De forma resumida, as iniciativas Breakthrough (Iniciativas Inovadoras) são um programa de 100 milhões de dólares, fundado em 2015 e financiado pelo multimilionário Yuri Milner. As investigações procuram evidências de inteligência extraterrestre ao longo de um período de pelo menos dez anos. O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, é o outro director de iniciativas inovadoras. O programa é dividido em vários projectos.

A iniciativa está actualmente a sondar um milhão de estrelas dentro da nossa galáxia, a Via Láctea, à procura de sinais de civilizações alienígenas.

Agora, um par de cientistas demonstra que este enorme levantamento em curso pode, acidentalmente, captar sinais de alienígenas em locais ainda mais remotos, tais como galáxias que aparecem no fundo de imagens que estão focadas em estrelas na Via Láctea.

Estes objectos extra-galácticos não são os alvos principais da iniciativa Breakthrough, mas poderão ajudar a limitar “a prevalência de transmissores extraterrestres muito poderosos”, de acordo com um novo estudo publicado no arxiv.

Penso que durante algum tempo percebemos que quando fazemos uma observação SETI com um radiotelescópio, somos sensíveis não só à estrela alvo no centro do campo, mas também a uma mancha de céu do tamanho da Lua, o que significa que podemos potencialmente detectar um sinal de outros objectos no campo.

Outros objectos no campo incluem estrelas em primeiro plano e estrelas de fundo na nossa própria Via Láctea. Até há pouco tempo, não sabíamos como fazer uso deste facto porque não sabíamos a distância a estas estrelas.

Felizmente, a Agência Espacial Europeia lançou um telescópio espacial chamado Gaia em 2013 que tem vindo a preencher rapidamente esta lacuna de informação crítica ao medir as posições, distâncias e movimentos de cerca de mil milhões de objectos astronómicos.

Disse o co-autor do estudo, Michael Garrett, professor de Astrofísica na Universidade de Manchester.

Missão Gaia da ESA: Estaremos a olhar com o devido cuidado para esta missão?

A missão Gaia permitiu-nos medir distâncias até alguns milhares de milhões de estrelas na Via Láctea, pelo que, quando olhamos para estes campos, conhecemos as distâncias até algumas estrelas que são o fundo e o primeiro plano para o alvo.

Garrett e Andrew Siemion, director do Berkeley SETI Research Center, foram co-autores de um estudo anterior que explorou a capacidade de Gaia para ajudar na procura de vida inteligente, incluindo sinais tecnológicos que podem originar muitos milhões de anos-luz para além das estrelas directamente estudadas pela iniciativa.

Estes sinais são semelhantes a “foto-bombas astronómicas“, ou Easter eggs, que poderiam ser ignorados nos dados porque não são os principais alvos de observação.

Para descobrir o potencial oculto destas paisagens escuras distantes, Garrett e a Siemion fizeram um “censo rudimentar de objectos extra-galácticos que foram acidentalmente observados” com o Telescópio Robert C. Byrd Green Bank na Virgínia Ocidental, de acordo com o estudo.

Impressão artística do CHEOPS, o satélite ExOPlanet da ESA, em órbita acima da Terra.

Esta abordagem produziu 143.024 objectos, incluindo núcleos galácticos radiantes, galáxias em interacção, e pelo menos uma região onde o tempo espacial é empenado no que é conhecido como uma lente gravitacional.

Essa riqueza de “exóticos astronómicos”, como a equipa a chama, pode conter traços de assinaturas tecnológicas alienígenas, que são sinais detectáveis ​​de civilizações avançadas.

Estes transmissores extra-galácticos teriam que ser muito poderosos para serem visíveis a distâncias tão enormes, mas Garrett e Siemion sugerem que algumas tecnologias especulativas podem resolver o problema. Por exemplo, alienígenas noutras galáxias poderiam ser vistos se usassem matrizes em fases com milhares de transmissores poderosos ou feixes de micro-ondas para velas interestelares.

Em resumo, os sinais podem já lá estar. Contudo, é preciso novas abordagens, telescópios mais sensíveis e uma mente aberta para conseguirmos ver o que pode estar “mesmo à frente dos nossos olhos”, isto é, os tais sinais fortíssimos de vida alienígena.

Pplware
Autor: Vítor M
22 Set 2022