992: MNE ucraniano reuniu-se com homólogos da NATO apesar do veto húngaro

– Ainda não consegui entender o porquê da Hungria, chefiada por um nacionalista de extrema-direita (fascista) – Viktor Orbán – ter direito a veto…

UCRÂNIA / NATO / REUNIÃO / BUCARESTE

O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba, reuniu-se hoje em Bucareste com os seus homólogos da NATO apesar do veto húngaro, que desde 2017 impede a presença formal da Ucrânia em reuniões da organização militar aliada.

© Getty

De acordo com um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano, consistiu numa “reunião informal” e paralela ao encontro da NATO que decorre hoje e quarta-feira na capital romena, com o objectivo de contornar o veto húngaro, informou o jornal digital European Pravda.

“Como sabem, a Hungria tem bloqueado desde 2017 as reuniões da Comissão Ucrânia-NATO acima do nível de embaixadores”, assinalou Oleh Nikolenko, porta-voz da diplomacia de Kiev.

“Para superar o veto húngaro, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, organizou uma reunião separada para os ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO e da Ucrânia”, acrescentou.

Kuleba e os restantes participantes abordaram a assistência militar adicional à Ucrânia e a reparação das infra-estruturas energéticas do país na sequência dos ataques russos.

No decurso da sua visita a Bucareste, o chefe da diplomacia ucraniana também tem previsto um conjunto de reuniões bilaterais.

Nikolenko sublinhou ser incorrecto falar de “alteração” do bloqueio húngaro, pelo facto de esta decisão nunca ter sido interrompida.

As reuniões anteriores foram também efectuadas através de formatos especiais para contornar o veto húngaro.

No entanto, no início de Março, a Ucrânia juntou-se ao Centro de excelência de ciberdefesa cooperativa da NATO (CCDCOE), uma decisão que também tinha sido vetada pela Hungria. Budapeste retirou posteriormente o seu veto na sequência da invasão russa.

Em declarações em Bucareste, Dmytro Kuleba pediu hoje um apoio dos Aliados “mais rápido, mais rápido, mais rápido”, salientando a importância para o país de geradores e sistemas de defesa aérea.

A ofensiva militar lançada a 24 de Fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas — mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,8 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa — justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 6.655 civis mortos e 10.368 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

Notícias ao MinutoLusa // Notícias ao Minuto
29/11/22 16:49
por Lusa



 

803: Comissário europeu acusa Orban de chantagem ao bloquear ajuda para a Ucrânia

HUNGRIA/BOICOTE/UCRÂNIA

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, que está a negociar com Bruxelas o desbloqueio de fundos europeus em seu favor, foi acusado de “chantagear” a União Europeia, ao opor-se à atribuição de uma ajuda financeira à Ucrânia.

EU Council meeting in Brussels © Fornecido por Lusa

O nacionalista húngaro recordou hoje que recusa a proposta da Comissão Europeia de conceder à Ucrânia uma ajuda de 18 mil milhões de euros em 2023, sob a forma de empréstimo, cujos juros seriam suportados pelos Estados-membros.

Mas manifestou-se disposto a a avançar de forma unilateral uma subvenção à Ucrânia de 170 milhões de euros.

Este bloqueio é “pura chantagem política”, afirmou hoje o comissário europeu do Orçamento, Johannes Hahn, no Parlamento Europeu.

Este comissário tem a responsabilidade de avaliar as reformas anti-corrupção anunciadas por Budapeste, para escapar à ameaça de congelamento de 7,5 mil milhões de euros de fundos europeus.

Desde Abril que os dirigentes de Budapeste são visados por um procedimento a União Europeia (mecanismo de condicionalidade), desencadeado devido aos problemas de corrupção e atribuição de mercados públicos no país.

Johannes Hahn assegurou que o “comportamento ridículo” de Budapeste “não teria impacto na avaliação”, que deve estar feita até ao final do mês.

RN // RBF
Bruxelas, 18 nov 2022
(Lusa)