1065: A Minha Cozinha

Caçarola de Tiras de Frango com Cogumelos e Natas

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Ingredientes:

– 400 g de tiras de frango (Strogonoff)
– 250 g de macarrão riscado
– 100 g de cebola em cubos
– 1 dente de alho
– 200 g de cogumelos laminados
– 200 ml de Creme Vegetal de soja
– azeite extra-virgem q.b.
– 1 dl de vinho branco
– alecrim, manjericão, cominhos q.b.
– tempero de alho e pimentão doce q.b.
– noz-moscada moída q.b.
– pimenta preta q.b.
– 1 col. de sopa de molho de soja
– sumo de limão q.b.
– flor de sal q.b.

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Preparação:

01.- Tempere as tiras de frango com a quantidade desejada de flor de sal, alecrim, manjericão, tempero de alho e pimentão doce, molho de soja, pimenta preta e reserve no frigorífico até à confecção. Num tacho ao lume, com um fio de azeite, coloque a cebola e o alho, deixe alourar enquanto coze a massa temperada com um cubo para massas, um fio de azeite até ficar al dente, não muito cozida.

02.- Junte ao refogado do tacho as tiras de frango e deixe cozinhar até estarem tenras. Adicione o vinho branco e deixe evaporar completamente.

03.- Tempere com uma pitada de flor de sal, cominhos, adicione os cogumelos e deixe cozinhar até os cogumelos ficarem macios. Por fim, junte um pouco de noz-moscada moída e as natas de soja e deixe engrossar um pouco.

04.- Escorra a massa e misture-a com o preparado da carne. Para finalizar, tempere com o sumo de limão e sirva de imediato, com uma salada simples.

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03.12.2022



 

1064: Uma questão de “segurança nacional”. Director do FBI alerta para riscos do uso do TikTok

🇺🇸 EUA // SEGURANÇA // TIK-TOK // 🇨🇳 CHINA

O responsável do FBI também destacou que a China pode utilizar a rede social de partilha de vídeos para recolher dados dos seus utilizadores, que podem ser usados para operações de espionagem.

solen-feyissa / Flickr

O director do FBI, Chris Wray, manifestou hoje preocupações de segurança nacional em relação ao TikTok, alertando que o controlo da famosa rede social pertence a um Governo chinês que não partilha os mesmos valores dos Estados Unidos.

Wray realçou que a polícia federal norte-americana está preocupada com o facto de os chineses terem a capacidade de controlar o algoritmo de recomendação da aplicação, o que lhes permite “manipular o conteúdo e, se quiserem, utilizá-lo para influenciar operações”.

O responsável do FBI também destacou que a China pode utilizar a rede social de partilha de vídeos para recolher dados dos seus utilizadores, que podem ser usados para operações de espionagem.

“Todas estas coisas estão nas mãos de um Governo que não partilha os nossos valores e que tem uma missão que está em desacordo com o que é do melhor interesse dos Estados Unidos.

Isso deve-nos preocupar”, sublinhou Wray durante uma audiência na Escola de Políticas Públicas Gerald R. Ford, da Universidade de Michigan.

Estas preocupações são semelhantes às que o director do FBI tinha levantado durante as aparições no Congresso norte-americano em Novembro, quando a questão foi levantada.

O TikTok é propriedade da ByteDance, com sede em Pequim. Um porta-voz desta rede social não respondeu imediatamente a estas declarações, noticiou a agência Associated Press (AP).

Em Setembro, durante uma audiência no Senado, a directora de operações da TikTok, Vanessa Pappas, garantiu que a empresa protege todos os dados de utilizadores norte-americanos e que as autoridades ligadas ao Governo chinês não têm acesso a estes. “Nunca partilharemos dados, ponto final”, vincou Pappas.

Preocupado com a influência da China sobre o TikTok, o Governo de Donald Trump ameaçou em 2020 proibir a aplicação nos EUA e pressionou a ByteDance a vender o TikTok a uma empresa norte-americana.

As autoridades dos EUA e a empresa estão agora em negociações sobre um possível acordo que resolveria as preocupações de segurança dos norte-americanos, um processo que Wray disse estar a decorrer em agências do Governo dos EUA, liderado por Joe Biden.

Lusa // ZAP
3 Dezembro, 2022



 

1063: A detecção mais distante de um buraco negro a engolir uma estrela

CIÊNCIA // ASTRONOMIA // BURACOS NEGROS

Esta imagem artística ilustra como é que uma estrela que se aproxima demasiado de um buraco negro fica “espremida” pela enorme atracção gravitacional deste objecto. Algum do material estelar é puxado e roda em torno do buraco negro, formando o disco que podemos ver nesta imagem. Em alguns casos raros como este, jactos de matéria e radiação são lançados a partir dos pólos do buraco negro. No caso de AT2022cmc, foram detectadas evidências de jactos por vários telescópios, incluindo o VLT, que determinou que este é o exemplo mais distante de um tal evento.
Crédito: ESO/M.Kornmesser

No início deste ano, o VLT (Very Large Telescope) do ESO recebeu um alerta após uma fonte de luz visível invulgar ter sido detectada por um telescópio de rastreio.

O VLT, juntamente com outros telescópios, foi rapidamente apontado na direcção desta fonte: um buraco negro super-massivo numa galáxia distante que tinha “devorado” uma estrela, expelindo os restos da “refeição” sob a forma de um jacto.

O VLT determinou que este era o exemplo mais distante de um tal evento observado até à data. Uma vez que o jacto aponta praticamente na nossa direcção, esta é também a primeira vez que foi descoberto no visível, demonstrando-se assim uma nova maneira de detectar estes eventos extremos.

As estrelas que se aproximam demasiado de um buraco negro são destruídas pelas enormes forças de maré deste objecto, num fenómeno a que se chama evento de perturbação de marés. Cerca de 1% destes eventos dão origem a jactos de plasma e radiação que são ejectados a partir dos pólos do buraco negro em rotação.

Em 1971, o pioneiro dos buracos negros, John Wheeler definiu o conceito de perturbação de marés com jactos como “um tubo de pasta de dentes apertado no meio com toda a força,” fazendo com que o sistema “esguiche matéria pelas duas pontas”.

“Até agora observámos apenas uma mão cheia deste tipo de eventos que permanecem, por isso, mal compreendidos e são bastante exóticos,” disse Nial Tanvir, da Universidade de Leicester no Reino Unido, que liderou as observações com o VLT para determinar a distância ao objecto.

Os astrónomos procuram constantemente estes eventos extremos para compreenderem melhor como é que os jactos realmente se formam e porque é que apenas uma percentagem tão pequena de eventos de perturbação de marés lhes dão origem.

É por esta razão que muitos telescópios, incluindo o ZTF (Zwicky Transient Facility) nos EUA, mapeiam constantemente o céu à procura de sinais de eventos de curta duração, frequentemente extremos, que possam seguidamente ser estudados com mais detalhe por grandes telescópios, como o VLT do ESO, no Chile.

“Desenvolvemos um procedimento automático de código aberto que armazena e extrai informação importante do rastreio ZTF e nos alerta em tempo real para eventos invulgares,” explica Igor Andreoni, astrónomo na Universidade de Maryland, EUA, que co-liderou, juntamente com Michael Coughlin da Universidade de Minnesota, o artigo científico sobre este trabalho, publicado na revista Nature.

Em Fevereiro deste ano, o ZTF detectou uma nova fonte de radiação visível. O evento, chamado AT2022cmc, fazia lembrar uma explosão de raios-gama, a fonte de radiação mais potente do Universo.

Com o intuito de investigar este fenómeno raro, a equipa utilizou vários telescópios em todo o mundo para observar a misteriosa fonte com mais detalhe. Isto incluiu o VLT do ESO, que rapidamente observou este novo evento com o instrumento X-shooter.

Os dados do VLT colocaram a fonte a uma distância sem precedentes no que diz respeito a estes eventos: a luz produzida por AT2022cmc começou a sua viagem quando o Universo tinha apenas cerca de um-terço da sua idade actual.

Uma grande variedade de radiação, desde raios-gama altamente energéticos a ondas rádio de baixa energia, foi recolhida por 21 telescópios em todo o mundo. A equipa comparou estes dados com diferentes tipos de eventos conhecidos, desde estrelas em colapso a quilo-novas.

O único cenário que explicava os dados obtidos era um raro evento de perturbação de marés com um jacto a apontar na nossa direcção. Giorgos Leloudas, astrónomo no DTU Space na Dinamarca e co-autor deste estudo, explica que “uma vez que o jacto relativista aponta na nossa direcção, o fenómeno torna-se muito mais brilhante e visível ao longo de um maior domínio de comprimentos de onda do espectro electromagnético.”

As medições de distância executadas com o VLT mostraram que AT2022cmc é o mais distante fenómeno de perturbação de marés alguma vez observado, mas este não é o único recorde que este objecto bate.

“Até agora, o pequeno número destes eventos que se conheciam, tinham sido inicialmente detectados por telescópios de raios-gama ou de raios-X. Esta foi a primeira descoberta feita durante um rastreio no visível!” disse Daniel Perley, astrónomo na Universidade John Moores de Liverpool, Reino Unido, e co-autor do estudo.

Isto mostra-nos uma nova maneira de detectar eventos de perturbação de marés com jactos, permitindo-nos estudar melhor estes eventos raros e investigar os meios extremos que circundam os buracos negros.

Astronomia On-line
2 de Dezembro de 2022



 

1062: Astrofísicos à caça do segundo buraco negro super-massivo mais próximo

CIÊNCIA // ASTROFÍSICA // BURACOS NEGROS

A ultra-fraca galáxia companheira da Via Láctea, Leo I, aparece como uma pequena mancha difusa para a direita da estrela brilhante, Régulo.
Crédito: Scott Anttila Anttler

Dois astrofísicos do Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian sugeriram uma forma de observar o que poderá ser o segundo buraco negro super-massivo mais próximo da Terra: um gigante com 3 milhões de vezes a massa do Sol, hospedado na galáxia anã Leo I.

O buraco negro super-massivo, chamado Leo I*, foi proposto pela primeira vez por uma equipa independente de astrónomos no final de 2021. A equipa notou estrelas a ganhar velocidade ao aproximarem-se do centro da galáxia – evidências de um buraco negro – mas não foi possível a observação directa da emissão do buraco negro.

Agora, os astrofísicos Fabio Pacucci e Avi Loeb sugerem uma nova forma de verificar a existência do buraco negro super-massivo: o seu trabalho encontra-se descrito num estudo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.

“Os buracos negros são objectos muito elusivos e por vezes gostam de brincar às escondidas connosco”, diz Fabio Pacucci, autor principal do artigo científico.

“Os raios de luz não podem escapar aos seus horizontes de eventos, mas o ambiente à sua volta pode ser extremamente brilhante – caso material suficiente caia no seu poço gravitacional.

Mas se um buraco negro não estiver a acretar massa, pelo contrário, não emite luz e torna-se impossível de encontrar com os nossos telescópios”.

Este é o desafio com Leo I – uma galáxia anã tão desprovida de gás disponível para acretar que é muitas vezes descrita como um “fóssil”. Então, será que devemos renunciar qualquer esperança de o observar? Talvez não, dizem os astrónomos.

“No nosso estudo, sugerimos que uma pequena quantidade de massa perdida por estrelas a vaguear em torno do buraco negro pode fornecer o ritmo de acreção necessária para o observar”, explica Pacucci. “As estrelas antigas tornam-se muito grandes e avermelhadas – chamamos-lhes estrelas gigantes vermelhas.

As estrelas gigantes vermelhas têm tipicamente ventos fortes que transportam uma fracção da sua massa para o ambiente. O espaço à volta de Leo I* parece conter o suficiente destas estrelas antigas para o tornar observável”.

“A observação de Leo I* pode ser revolucionária”, diz Avi Loeb, o co-autor do estudo. “Seria o segundo buraco negro super-massivo mais próximo, depois daquele que se encontra no centro da nossa Galáxia, com uma massa muito semelhante, mas situado numa galáxia que é mil vezes menos massiva do que a Via Láctea.

Este facto desafia tudo o que sabemos sobre a forma como as galáxias e os seus buracos negros super-massivos centrais co-evoluem. Como é que um ‘bebé tão grande’ acabou por nascer de uma ‘mãe tão magra’?”

Décadas de estudos mostram que a maioria das galáxias massivas albergam um buraco negro super-massivo no seu centro, e a massa do buraco negro é um-décimo de um por cento da massa total do esferóide de estrelas que o rodeiam.

“No caso de Leo I”, continua Loeb, “esperaríamos um buraco negro muito mais pequeno. Em vez disso, Leo I parece conter um buraco negro com alguns milhões de vezes a massa do Sol, semelhante ao que é hospedado pela Via Láctea. Isto é excitante porque a ciência geralmente avança mais quando o inesperado acontece”.

Então, quando podemos esperar uma imagem do buraco negro?

“Ainda não estamos lá”, diz Pacucci.

A equipa obteve tempo de telescópio no Observatório de raios-X Chandra e no radiotelescópio VLA (Very Large Array), no estado norte-americano do Novo México, e está actualmente a analisar os novos dados.

Pacucci diz: “Leo I* está a jogar às escondidas, mas emite demasiada radiação para permanecer não detectado durante muito mais tempo”.

Astronomia On-line
2 de Dezembro de 2022



 

1061: Astrónomos observam auto-controlo estelar em acção

CIÊNCIA  // ASTRONOMIA

Composição de RCW 36 (ver versão não legendada).
Crédito: raios-X – NASA/CXC/Centro de Investigação Ames/L. Bonne et al.; infravermelho – ESA/NASA/JPL-Caltech/Observatório Espacial Herschel/JPL/IPAC

Muitos factores podem limitar o tamanho de um grupo, incluindo factores externos sobre os quais os membros não têm qualquer controlo. Os astrónomos descobriram que grupos de estrelas em certos ambientes, porém, podem regular-se a si próprios.

Um novo estudo revelou que as estrelas num enxame têm “auto-controlo”, o que significa que apenas permitem que um número limitado de estrelas cresça antes que os membros maiores e mais brilhantes expulsem a maior parte do gás do sistema.

Este processo deveria abrandar drasticamente o nascimento de novas estrelas, o que se alinharia melhor com as previsões dos astrónomos quanto à rapidez com que as estrelas se formam nos enxames.

Este estudo combina dados de vários telescópios, incluindo o Observatório de raios-X Chandra da NASA, o SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy) da NASA, o telescópio APEX (Atacama Pathfinder EXperiment) e o telescópio Herschel da ESA.

O alvo das observações foi RCW 36, uma grande nuvem de gás chamada região HII composta principalmente de átomos de hidrogénio que foram ionizados – ou seja, despojados dos seus electrões. Esta região de formação estelar está localizada na Via Láctea a cerca de 2900 anos-luz da Terra.

Os dados infravermelhos do Herschel são mostrados a vermelho, laranja e verde e os raios-X a azul, com fontes pontuais a branco. A direcção norte está 32 graus para a esquerda da vertical.

RCW 36 contém um enxame de estrelas jovens e duas cavidades – ou vazios – esculpidas no gás hidrogénio ionizado, estendendo-se em direcções opostas.

Há também um anel de gás que envolve o enxame entre as cavidades, formando uma cintura em torno das cavidades em forma de ampulheta. Estas características estão rotuladas na imagem.

O gás quente com uma temperatura de cerca de dois 2 milhões K (3,6 milhões de graus Celsius), irradiando raios-X que são detectados pelo Chandra, está concentrado perto do centro de RCW 36, perto das duas estrelas mais quentes e massivas do enxame.

Estas estrelas são uma das principais fontes de gás quente. Uma grande quantidade do resto do gás quente encontra-se fora das cavidades, depois de ter vazado através das bordas das cavidades.

Os dados do SOFIA e do APEX mostram que o anel contém gás frio e denso (com temperaturas típicas de 15 a 25 K, ou -433º C a -415º C) e está a expandir-se a 3200-6400 km/h.

Os dados do SOFIA mostram que no perímetro de ambas as cavidades estão conchas de gás frio a expandir-se a 16.000 km/h, provavelmente sendo levadas para fora devido à pressão do gás quente observado com o Chandra.

O gás quente, mais a radiação das estrelas no enxame, também limpou cavidades ainda maiores em torno de RCW 36, formando uma estrutura em forma de boneca-russa. Estas características estão rotuladas numa imagem, pelo Herschel, cobrindo uma área maior, que também mostra o campo de visão do Chandra e as outras estruturas aqui descritas.

Os níveis de intensidade nessa imagem foram ajustados para mostrar as cavidades maiores tão claramente quanto possível, causando a saturação de grande parte das regiões interiores próximas das cavidades de RCW 36. Nessa imagem o norte está na vertical.

Os investigadores também vêm evidências, nos dados do SOFIA, de algum gás frio à volta do anel a ser ejectado de RCW 36 a velocidades ainda mais elevadas de cerca de 48.000 km/h, com o equivalente a 170 massas terrestres por ano a serem empurradas para fora.

As velocidades de expansão das diferentes estruturas aqui descritas, e o ritmo de ejecção de massa, mostram que a maior parte do gás frio dentro de cerca de três anos-luz do centro da região HII pode ser ejectado em 1 a 2 milhões de anos.

Isto irá limpar a matéria-prima necessária para formar estrelas, suprimindo o seu nascimento continuado na região. Os astrónomos chamam a este processo onde as estrelas podem regular-se a si próprias, “feedback estelar”. Resultados como este ajudam-nos a compreender o papel que o feedback estelar desempenha no processo de formação estelar.

Astronomia On-line
2 de Dezembro de 2022



 

1060: Há um novo objecto brilhante no céu. O problema? É um satélite artificial

TECNOLOGIA // SATÉLITES

O satélite Blue Walker tem um conjunto de antenas de 64 metros quadrados e é a maior estrutura comercial em órbita terrestre baixa.

KPNO/NOIRLab/IAU/SKAO/NSF/AURA/R. Sparks

Os humanos estão a colocar cada vez mais satélites em órbita, numa representação do progresso tecnológico e científico que tem acontecido ao longo dos anos. Acontece que esta atitude tem problemas inerentes e o satélite Blue Walker 3 é um bom exemplo.

Concebida para operar uma rede de comunicações, a infra-estrutura recentemente lançada é agora um dos objectos mais brilhantes no céu nocturno. O que constitui um grande problema para investigadores e amadores com especial interesse nas temáticas do Espaço.

Enquanto os astrónomos têm telescópios também em órbita, muitas das observações do Universo são registadas a partir da superfície terrestre.

Todas as estrelas, à excepção das mais brilhantes, podem agora ser ofuscadas pelo brilho do satélite, de acordo com o Centro da União Astronómica Internacional para a Protecção do Céu Escuro e Silencioso da Interferência da Constelação de Satélites (IAU CPS).

“O BlueWalker 3 é uma grande mudança de paradigma na do satélite da constelação e deve dar-nos a todos motivos para pararmos”, explicou Piero Benvenuti, director do mesmo organismo.

“É exactamente o que os astrónomos não querem“, disse, por sua vez, a astrónoma Meredith Rawls, da Universidade de Washington em Seattle, à revista Science. “Vai aparecer como uma sequência super brilhante em imagens e detectores de câmara potencialmente saturados nos observatórios”.

O BlueWalker 3 é, tal como descreve o Science Alert, um impressionante segmento de hardware. O seu conjunto de antenas de 64 metros quadrados é a maior estrutura comercial em órbita terrestre baixa, capaz de reflectir muito mais luz do que os satélites SpaceX Starlink, por exemplo.

A longo prazo, o objectivo da empresa-mãe do BlueWalker, a AST SpaceMobile, é obter mais de 100 satélites no céu até ao final de 2024, muitos potencialmente até maiores do que o BlueWalker 3. Esta é, por isso, uma preocupação significativa para os cientistas.

Além desta existe o facto de o BlueWalker ter sido concebido para funcionar como uma torre de comunicações no Espaço, o que implica o uso frequências de rádio terrestres que podem interferir com os telescópios rádio — telescópios instalados em áreas muito afastadas de zonas com cobertura de rede móvel.

“As frequências alocadas aos telemóveis já são difíceis de observar mesmo em zonas rádio silenciosas que criamos para as nossas instalações”, descreveu Philip Diamond, Diretor-Geral do Square Kilometer Array Observatory. “Novos satélites como o BlueWalker 3 têm o potencial de piorar a situação e comprometer a nossa habilidade de fazer ciência caso não seja propriamente mitigada.”

A Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos é a entidade responsável por regular as redes de comunicação tanto no país como internacionalmente.

ZAP //
2 Dezembro, 2022



 

1059: De onde veio o oxigénio da Terra? A resposta pode ser inesperada

CIÊNCIA // GEOCIÊNCIA

A quantidade de oxigénio na atmosfera da Terra torna-a um planeta habitável. 21% da atmosfera consiste neste elemento. Mas no passado remoto – já no período Neoarqueano, há entre 2,8 a 2,5 mil milhões de anos – este oxigénio estava quase ausente.

niksnut / Flickr
O vulcão Mauna Loa

Então, como é que a atmosfera da Terra se tornou oxigenada?

Um nova pesquisa publicada na Nature Geoscience, acrescenta uma nova possibilidade tentadora: que pelo menos parte do oxigénio inicial da Terra veio de uma fonte tectónica por meio do movimento e destruição da crosta terrestre.

A Terra Arqueana

O éon arqueano representa um terço da história do nosso planeta, entre há 2,5 mil milhões de anos a quatro mil milhões de anos.

Esta Terra alienígena era um mundo aquático, coberto por oceanos verdes, envolto numa névoa de metano e completamente sem vida multicelular. Outro aspecto estranho deste mundo era a natureza da sua actividade tectónica.

Na Terra moderna, a actividade tectónica dominante é chamada de placas tectónicas, onde a crosta oceânica – a camada mais externa da Terra sob os oceanos – afunda no manto da Terra (a área entre a crosta terrestre e o seu núcleo) em pontos de convergência chamados zonas de subducção. No entanto, há um debate considerável sobre se as placas tectónicas operavam na era arqueana.

Uma característica das zonas de subducção modernas é a sua associação com magmas oxidados. Estes magmas são formados quando sedimentos oxidados e águas profundas – água fria e densa perto do fundo do oceano – são introduzidos no manto da Terra. Isso produz magmas com alto teor de oxigénio e água.

A pesquisa teve como objectivo testar se a ausência de materiais oxidados nas águas e sedimentos arqueanos de fundo poderia impedir a formação de magmas oxidados. A identificação de tais magmas em rochas magmáticas neoarqueanas poderia dar evidências de que a subducção e as placas tectónicas já existiam há 2,7 mil milhões de anos.

A experiência

Foram recolhidas amostras de rochas granitóides com entre 2750 e 2670 milhões de anos em toda a sub-província de Abitibi-Wawa da Província Superior – o maior continente arqueano preservado que se estende por mais de 2000 km de Winnipeg até o extremo leste de Quebeque. Isso permitiu investigar o nível de oxidação dos magmas gerados ao longo da era Neoarqueana.

Medir o estado de oxidação dessas rochas magmáticas – formadas por meio do arrefecimento e cristalização de magma ou lava – é um desafio. Eventos pós-cristalização podem ter modificado essas rochas através de deformação posterior, soterramento ou aquecimento.

Então, decidimos olhar para o mineral apatita que está presente nos cristais de zirconita dessas rochas. Os cristais de zirconita podem suportar as intensas temperaturas e pressões dos eventos pós-cristalização. Eles retêm pistas sobre os ambientes em que foram originalmente formados e fornecem idades precisas para as próprias rochas.

Pequenos cristais de apatita com menos de 30 mícrons de largura – o tamanho de uma célula da pele humana – estão presos nos cristais de zirconita e contêm enxofre. Ao medir a quantidade de enxofre na apatita, podemos estabelecer se a apatita cresceu a partir de um magma oxidado.

Os cientistas conseguiram medir com sucesso a fugacidade de oxigénio do magma Arqueano original – que é essencialmente a quantidade de oxigénio livre nele – usando uma técnica especializada chamada Espectroscopia de Estrutura de Borda Próxima de Absorção de Raios-X (S-XANES) no Síncrotron Avançado da Fonte de Fótons no Argonne National Laboratory no Illinois.

Criar oxigénio a partir da água?

A equipa descobriu que o teor de enxofre do magma, que inicialmente rondava zero, aumentou para 2000 partes por milhão à volta de há 2705 milhões de anos. Isso indicou que os magmas se tornaram mais ricos em enxofre.

Além disso, a predominância de S6+ – um tipo de íon de enxofre – na apatita sugeriu que o enxofre era de uma fonte oxidada, combinando com os dados dos cristais de zirconita hospedeiros.

Estas novas descobertas indicam que os magmas oxidados se formaram na era neoarqueana, há 2,7 mil milhões de anos. Os dados mostram que a falta de oxigénio dissolvido nos reservatórios oceânicos arqueanos não impediu a formação de magmas oxidados ricos em enxofre nas zonas de subducção. O oxigénio nesses magmas deve ter vindo de outra fonte e foi finalmente libertado na atmosfera durante as erupções vulcânicas.

A ocorrência destes magmas oxidados correlaciona-se com os principais eventos de mineralização de ouro na Província Superior e no Yilgarn Craton (Austrália Ocidental), demonstrando uma conexão entre essas fontes ricas em oxigénio e a formação global de depósitos de minério de classe mundial.

As implicações desses magmas oxidados vão além da compreensão da geodinâmica da Terra primitiva. Anteriormente, pensava-se improvável que os magmas arqueanos pudessem ser oxidados, quando a água do oceano e as rochas ou sedimentos do fundo do oceano não o eram.

Embora o mecanismo exacto não seja claro, a ocorrência desses magmas sugere que o processo de subducção, onde a água do oceano é levada centenas de quilómetros para dentro do nosso planeta, gera oxigénio livre. Isso então oxida o manto sobrejacente.

O estudo mostra que a subducção arqueana pode ter sido um factor vital e imprevisto na oxigenação da Terra, os primeiros sopros de oxigénio há 2,7 mil milhões de anos e também o Grande Evento de Oxidação, que marcou um aumento no oxigénio atmosférico em dois por cento há entre 2,45 e 2,32 mil milhões de anos.

Tanto quanto sabemos, a Terra é o único lugar no sistema solar – passado ou presente – com placas tectónicas e subducção activa. Isso sugere que este estudo poderia explicar parcialmente a falta de oxigénio e, finalmente, a vida nos outros planetas rochosos no futuro também.

ZAP // The Conversation
2 Dezembro, 2022



 

1058: O Universo é um holograma: teoria reforçada com mensagem enviada por wormhole

CIÊNCIA // ASTRONOMIA // UNIVERSO

Investigadores criaram um wormhole e enviaram uma mensagem através do mesmo. “Tive um ataque de pânico quando vi os resultados”.

Kjordand / Wikimedia

Para quem defende que o Universo é um holograma, este relatório publicado na revista Nature junta-se à lista de argumentos dessas pessoas.

É uma ideia que o portal Live Science reforça, ao anunciar a primeira simulação quântica de um wormhole holográfico num processador quântico.

Os especialistas criaram um “buraco de minhoca” holográfico e conseguiram enviar uma mensagem através do mesmo. É o primeiro registo do género.

Na ficção científica, um wormhole é um portal espaço-temporal através do qual as naves podem percorrer distâncias inimagináveis com facilidade. É como uma ponte entre duas regiões remotas do Universo.

Agora, sem ficção científica, foi mesmo criado no computador quântico Sycamore 2, da Google, e entre os wormholes foi enviada uma mensagem como se fosse através de um túnel espaço-temporal. Foram criados circuitos super-condutores para transmitir informações.

Não foi a gravidade que originou este processo; foi um processo quântico, de ligação de duas partículas, no qual a medição de uma afecta a outra no mesmo segundo.

“É um pequeno passo para interrogar a gravidade quântica no laboratório, Quando vimos os dados, tive um ataque de pânico”, disse a autora principal, Maria Spiropulu.

Mas Maria avisou: estamos “muito, muito longe” de enviar pessoas ou outros seres vivos através deste método. “Há uma diferença entre algo ser possível na teoria e na realidade”, alertou.

“Mas é um grande salto”, completou.

Os cientistas informaram também que nesta experiência não foi criada qualquer ruptura de espaço e tempo.

ZAP //
3 Dezembro, 2022



 

1057: Descoberto dinossauro-nadador (com mais de mil dentes)

CIÊNCIA // PALEONTOLOGIA // DINOSSAUROS

Espécie Natovenator polydontus foi encontrada na Mongólia. Aparentemente era uma ave mergulhadora.

Natovenator polydontus

Natovenator polydontus, um “caçador-nadador com muitos dentes”.

Assim foi baptizada a nova espécie de dinossauros, encontrada por cientistas na Mongólia, na província Omnogovi.

Os fósseis foram apresentados num estudo publicado nesta quinta-feira na revista Communications Biology.

A espécie era uma ave mergulhadora, parecida com um pássaro, explica a ABC.

Um estudante da Universidade de Alberta encontrou os fósseis de um dinossauro que terá habitado na Terra há cerca de 72 milhões de anos, durante o Cretácico.

Encontrou um crânio, coluna vertebral, um membro anterior e os restos de dois membros posteriores.

O animal apresentava um corpo aerodinâmico, pescoço alongado semelhante a um ganso, costelas a apontar para a cauda, ​​semelhante a aves mergulhadoras, focinho longo e achatado – e mais de mil pequenos dentes na boca.

Os especialistas informam que esta espécie é a primeira de um Theropoda (dinossauro carnívoro que andava sobre duas pernas) com um corpo aerodinâmico semelhante a algumas aves.

O estilo de vida destes dinossauros deveria ser anfíbio, que andava por terra e água.

“É uma descoberta valiosa e pode mudar o nosso preconceito sobre o estilo de vida dos dinossauros”, afirmaram os autores do estudo.

ZAP //
3 Dezembro, 2022



 

1056: Passes e bilhetes da Carris Metropolitana sem aumentos em 2023 na região de Lisboa

– Seria excelente que o sr. Carlos Moedas não se “esquecesse” e agisse rapidamente no sentido de conceder GRATUITIDADE de passes aos DESEMPREGADOS DE LONGA DURAÇÃO que, já sem subsídios de qualquer espécie por parte da “Segurança” Social, têm de (sobre)viver à custa de familiares (enquanto estes puderem e/ou forem vivos!). Esta gratuitidade apenas foi concedida a >65 anos e a estudantes. Os DESEMPREGADOS não são seres humanos?

CARRIS  // TRANSPORTES PÚBLICOS // PASSES E BILHETES

Preços não mudam “mesmo tendo em conta que a Taxa de Actualização Tarifária permitida pela Autoridade de Mobilidade e Transportes para os títulos de transporte ocasionais (bilhetes) em 2023 é de 6,11%, e que essa mesma taxa irá ser aplicada, com grande probabilidade, na generalidade do país”, declarou a Área Metropolitana de Lisboa (AML)

© (Câmara Municipal da Moita)

Os passes do tarifário “Navegante” e os bilhetes ocasionais da Carris Metropolitana vão manter em 2023 os preços que são praticados este ano, anunciou esta sexta-feira a Área Metropolitana de Lisboa (AML).

Numa nota, a AML, que é autoridade de transporte, revela que tomou a decisão de manter os valores de 2022 dos títulos ocasionais da Carris Metropolitana para, entre outros objectivos, promover a utilização dos transportes públicos colectivos em toda a região.

Esta decisão acontece “mesmo tendo em conta que a Taxa de Actualização Tarifária permitida pela Autoridade de Mobilidade e Transportes para os títulos de transporte ocasionais (bilhetes) em 2023 é de 6,11%, e que essa mesma taxa irá ser aplicada, com grande probabilidade, na generalidade do país”, salientou a AML.

A Carris Metropolitana gere as redes municipais de 15 dos 18 municípios (uma vez que dentro dos concelhos do Barreiro, Cascais e Lisboa mantém-se tudo como está) e a totalidade da operação intermunicipal dos 18 concelhos metropolitanos.

A marca única Carris Metropolitana passa, em 01 de Janeiro de 2023, a assegurar o transporte de passageiros dentro de cada um dos concelhos de Amadora, Oeiras, Sintra, Loures, Mafra, Odivelas e Vila Franca de Xira, todos na margem norte do Tejo, onde deixam de operar as actuais empresas de transporte.

Desde 01 de Junho já é responsável pelo transporte de passageiros dentro dos municípios de Almada, Seixal, Sesimbra, Alcochete, Moita, Montijo, Palmela e Setúbal, na margem sul.

Na rede municipal do Barreiro, o transporte continua a ser feito pelo operador interno Transportes Colectivos do Barreiro (TCB), em Cascais pela Mobi Cascais e em Lisboa pela Carris.

Para quem se desloca de um concelho para outro (incluindo Barreiro, Cascais e Lisboa), o transporte público rodoviário intermunicipal será sempre feito pela Carris Metropolitana.

A operação na margem norte deveria ter sido iniciada em Setembro, mas os problemas verificados na margem sul fez com que fosse adiada para 01 de Janeiro.

Diário de Notícias
DN/Lusa
02 Dezembro 2022 — 18:38